Manuel de Aguiar Valim
| Manuel de Aguiar Valim | |
|---|---|
| Nascimento | 4 de abril de 1861 |
| Morte | 5 de janeiro de 1925 |
Manuel de Aguiar Vallim, primeiro e único barão de Aguiar Valim, (Bananal, 4 de abril de 1861 — São Paulo, 5 de janeiro de 1925) foi um proprietário rural brasileiro.
Filho do comendador Manuel de Aguiar Valim e de Domiciana Maria de Almeida Valim, e irmão do barão de Almeida Valim. Casou-se em primeiras núpcias com Eudóxia Rubião, primeira baronesa de Aguiar Valim, e em segundas com Maria da Glória Rebelo, segunda baronesa de Aguiar Valim.
Manuel de Aguiar Valim foi proprietário da fazenda Resgate, uma das maiores produtoras de café do município de Bananal e do estado de São Paulo, concorrendo a nível local com a fazenda Boa Vista. Era ligado ao Partido Conservador e teve paulatinamente sua imagem denegrida com o caso Bracuhy (que envolveu seu sogro Luciano José de Almeida) e a outros escândalos ligados ao tráfico ilegal de de escravos pós 1850.[1]
Recebeu o título de barão por decreto imperial em 16 de setembro de 1884.
Cafeicultor
Em 1838, por ocasião do falecimento de José de Aguiar Toledo, seu complexo produtivo encabeçado pela Fazenda Resgate (com 137,5 mil pés de café e 134 escravos) é deixado como herança para seus oito filhos (Maria, Eufrazia, Ignacia, Maria, Antonio, Manoel, Aguida, Monica). Em pouco tempo, Manuel de Aguiar Valim, um dos irmãos, comprou dos irmãos suas partes da fazenda Resgate e estabelece moradia na propriedade.[2][3][4]
Em poucos anos, Manuel de Aguiar Valim aumentou substancialmente sua fortuna e, em 1855, resolve fazer uma reforma na casa de vivenda da Resgate. Assim, o Senhor Brusce principia as obras no sobrado, adaptando-o ao estilo neoclássico, tão em voga em Paris. A partir de 1858, as paredes da casa sede e da capela foram decoradas pelo pintor José María Villaronga, famoso pintor espanhol da época[5].[6]
A fazenda continuava a crescer:
Conforme inventário desse escravista, essa última fazenda possuía 285.200 pés de café em uma área de aproximadamente 197 alqueires de matas virgens, capoeiras e cafezais.[7]
A Fazenda Resgate encabeçava um complexo produtivo, em formato contíguo a ela, onde, nos anos 1870, trabalhavam cerca de 600 pessoas escravizadas.[8] No ano de 1878, um total de 238 estavam alocadas especificamente na Fazenda Resgate.[9][10]
Em 1878, ao falecer, o comendador Manuel de Aguiar Valim era uma das maiores fortunas do Brasil Imperial e maior produtor de café da província de São Paulo. Em seu inventário constam as fazendas Resgate, Três Barras, Independência, Bocaina, além de diversos outros sítios. Somando todas as suas propriedades, tinha quase 400 escravos, além de um palacete de “dezesseis janelas”, casas e o Teatro Santa Cecília com seus acessórios, na cidade de Bananal. Valim era titular de uma fortuna correspondente a 1% de todo o papel moeda circulante no Brasil, composta por inúmeros títulos da dívida pública (inclusive dos Estados Unidos), bens em ouro, prata e brilhantes.[11]
Ver também
Referências
- ↑ «O caso Bracuhy». brevescafe.net
- ↑ «Sede da Fazenda Resgate – Condephaat». Consultado em 23 de abril de 2021
- ↑ «O que fazer em Bananal - Fazendas de Café e outros atrativos». Diário de uma Viajante. 5 de setembro de 2011. Consultado em 23 de abril de 2021
- ↑ Moura, Carlos Eugênio Marcondes de. (Org.) Fazendas de café do Vale do Paraíba: o que os inventários revelam, 1817-1915. São Paulo: Condephaat, 2014.
- ↑ Cultural, Instituto Itaú. «Villaronga». Enciclopédia Itaú Cultural. Consultado em 23 de abril de 2021
- ↑ ZALUAR, Augusto-Emílio. Peregrinação pela Província de S.Paulo (1860-1861). São Paulo: Livraria Martins Editora, 1976. 237 p. ( Biblioteca histórica paulista, 2 )
- ↑ Marco Aurélio dos Santos. Geografia da escravidão na crise do Império: Bananal, 1850-1888. Tese (Doutorado) - Programa de Pós-Graduação em História Social, Departamento de História, Faculdade de Filosofia Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2014.
- ↑ Sterman, Gabriel González. As finanças da cafeicultura escravista brasileira na era do tráfico ilegal, 1831 – 1850. São Paulo, 2025.
- ↑ «Página com relação dos escravos da fazenda Resgate do Livro Particular de Anotações de Manoel de Aguiar Vallim (1841-1871). Coleção particular. Família Almeida/Vallim. | Laboratório de História Oral e Imagem». www.labhoi.uff.br. Consultado em 23 de abril de 2021
- ↑ Marcos José Carrilho. As Fazendas de Café no Caminho Novo da Piedade. Dissertação (Mestrado) Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, Universidade de São Paulo, São Paulo, 1994.
- ↑ Moura, Carlos Eugênio Marcondes de. (Org.) Fazendas de café do Vale do Paraíba: o que os inventários revelam, 1817-1915. São Paulo: Condephaat, 2014.