Mazama

Mazama[1]
Veado-catingueiro (M. gouazoubira)
Veado-catingueiro (M. gouazoubira)
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Mammalia
Ordem: Artiodactyla
Família: Cervidae
Subfamília: Odocoileinae
Gênero: Mazama
Rafinesque, 1817
Espécie-tipo
Mazama pita
Rafinesque, 1817
Espécies
Ver texto.

Mazama é um gênero de cervídeos americanos que ocorrem desde a Península de Yucatán até as Américas Central e do Sul. São típicos de ambientes florestados. São semelhantes aos duikers e muntiacus do Velho Mundo.

Taxonomia

A taxonomia entre os integrantes do gênero têm mudado muito nos últimos anos, e alguns especialistas reconhecem apenas a existêntica de 4 espécies.[2] Estas quatro espécies, M. americana, M. gouazoubira, M. rufina e M. chunnyi, incluem várias populações distintas que foram elevadas ao status de espécie, resultando em um total de 9 espécies reconhecidas em Mammal Species of the World em 2005.[1] Um décima espécie, M. nemorivaga, que era incluída em M. gouazoubira, foi considerada apenas a partir do ano 2000.[3][1][4] Ainda um outra espécie, o veado-branco (M. "ochroleuca"), foi recentemente proposto como uma espécie nova, mas sua descrição é inválida pois não está de acordo com o capítulo 3, artigo 8 da Comissão Internacional de Nomenclatura Zoológica.[5][6]

Dados moleculares sugerem que a família Cervidae surgiu na Ásia Centra no Mioceno Tardio, e que Odocoileini dispersou para América do Norte entre o Mioceno e o Plioceno, e daí se dispersou para a América do Sul por meio do istmo do Panamá.[7] De acordo com a sistemática e história evolutiva dos veados neotropicais, pelo menos 8 formas ancestrais invadiram a América do Sul durante o Plioceno Tardio (2,5–3 MYA).

Os cervídeos endêmicos do Novo Mundo se encaixam em duas linhagens biogeográficas: um grupo, composto por Odocoileus e Mazama americana é distribuído por toda a América, e um outro grupo, que ocorre apenas na América do Sul, ao qual Mazama gouazoubira está incluído. Dessa forma, o gênero Mazama acaba não sendo um táxon válido, pois é polifilético.[8] Análises genéticas revelam altos graus de divergências moleculares e citogenéticas entre os grupos morfologicamente similares de Mazama a taxonomia e do gênero deve ser revisitada. Em particular, Mazama americana apresenta muitas semelhanças com Odocoileus, o que é surpreendente. Isso se deve ao fato de que o haplótipo de origem mexicana não está com várias sequências de exemplares bolivianos. Além disso, os exemplares bolivianos reforçam a ideia de que o Mazama americana da Bolívia formariam um clado com Pudu puda e Ozotoceros bezoarticus.[9]

Referências

  1. 1 2 3 Grubb, P. (2005). Wilson, D.E.; Reeder, D.M. (eds.), ed. Mammal Species of the World 3 ed. Baltimore: Johns Hopkins University Press. pp. 655–657. ISBN 978-0-8018-8221-0. OCLC 62265494
  2. ↑ Nowak, R. M. (eds) (1999). Walker's Mammals of the World. 6th edition. Johns Hopkins University Press.
  3. ↑ Rossi, R. V. (2000). Taxonomia de Mazama Rafinesque, 1817 do Brasil (Artiodactyla, Cervidae). M.Sc. Thesis, Universidade de São Paulo.
  4. ↑ Rossi, R.V. & Duarte, J.M.B. (2008). «Mazama nemorivaga». IUCN - The Red List of Threatened Species. Consultado em 9 de novembro de 2010.
  5. ↑ van Roosmalen, M., & Pim van Hooft. A new species of living brocket deer (Mammalia: Cervidae) from the Brazilian Amazon. Accessed October 09, 2010.
  6. ↑ International Commission on Zoological Nomenclature. (2000). International Code of Zoological Nomenclature. Arquivado em 22 de agosto de 2006, no Wayback Machine. 4th edition. Accessed October 09, 2010.
  7. ↑ Gilbert, C., Ropiquet, A., and Hassanin, A. 2006. Mitochondrial and nuclear phylogenies of Cervidae (Mammalia, Ruminantia): Systematics, morphology, and biogeography. Molecular Phylogenetics and Evolution 40:101-117
  8. ↑ Duarte, J. M. B., González, S., & Maldonado, J. E. (2008). «The surprising evolutionary history of South American deer». Molecular Phylogenetics and Evolution. 49 (1): 17-22. doi:10.1016/j.ympev.2008.07.009
  9. ↑ Ruiz-García, M., Randi, E., Martínez-Agüero, M. and Alvarez, D. 2007. Phylogenetic relationships among Neotropical deer genera (Artiodactyla: Cervidae) by means of DNAmt sequences and microsatellite markers. Revista de Biología Tropical 55:723-741

Bibliografia recomendada