Miguel Alves

Miguel Alves
Igreja matriz e anfiteatro.
Igreja matriz e anfiteatro.
Igreja matriz e anfiteatro.
Hino
Gentílicomiguel-alvense
Localização de Miguel Alves no Piauí
Localização de Miguel Alves no Piauí
Localização de Miguel Alves no Piauí
Miguel Alves está localizado em: Brasil
Miguel Alves
Localização de Miguel Alves no Brasil
Mapa de Miguel Alves
Coordenadas: 🌍
PaísBrasil
Unidade federativaPiauí
Municípios limítrofesPorto e Maranhão (ao norte); União, Lagoa Alegre e Cabeceiras do Piauí (ao sul); Nossa Senhora dos Remédios e Barras (ao leste); Maranhão (ao oeste).
Distância até a capital112 km
Fundação24 de maio de 1912 (113 anos)
Governo
 • Prefeito(a)Francisco Antônio Rebelo Paiva (MDB, 2025–2028)
Área
 • Total IBGE. «Área territorial oficial». Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Consultado em 30 de abril de 2026 1 392,122 km²
Altitude50 m
População
 • Total (Censo IBGE/2022IBGE. «Panorama Censo 2022 - Miguel Alves». Consultado em 30 de abril de 2026 )32 150 hab.
 • Estimativa (2025)33 074 hab.
Densidade23,1 hab./km²
ClimaTropical subúmido (Aw)
Fuso horárioHora de Brasília (UTC−3)
IDH (PNUD/2010Atlas do Desenvolvimento Humano (2013). «Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil». PNUD. Consultado em 9 de setembro de 2013 )0,539 — baixo
PIB (IBGE/2023) «Produto Interno Bruto dos Municípios». Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Consultado em 30 de abril de 2026 R$ 198.550.338,77
 • Per capita (IBGE/2023)R$ 13 122,77
Sítiohttps://miguelalves.pi.gov.br/ (Prefeitura)

Miguel Alves é um município brasileiro, localizado a uma latitude 04º09'56" sul e a uma longitude 42º53'43" oeste, estando a uma altitude de 50 metros no norte do estado do Piauí, na região Nordeste do país. De acordo com a estimativa populacional do IBGE referente a 1º de julho de 2024, o município possui 33.071 habitantes,[1] ocupando a 15ª posição no ranking populacional do estado.[2] A área territorial de Miguel Alves é de 1.392,123 km², conforme dados de 2024. O gentílico dos naturais do município é miguel-alvense.[2]

Características geográficas

O município faz parte da microrregião do Baixo Parnaíba, e está cerca de 110km da capital Teresina.[3] O relevo predominante é plano, com altitudes médias, intercalado por morros de pequena elevação. Essa conformação favorece a formação de áreas alagadiças, especialmente durante o período chuvoso.[3]

O clima é classificado como tropical sub úmido, caracterizado por uma estação seca de aproximadamente seis meses e uma estação chuvosa concentrada entre janeiro e maio. As temperaturas variam entre 22 °C e 37 °C, com média anual em torno de 27 °C. A precipitação média anual é de cerca de 1.200 mm, sendo que aproximadamente 85% das chuvas ocorrem durante o período chuvoso.[4][5]

A vegetação é composta por uma mistura de biomas, incluindo Cerrado, Caatinga e áreas de transição conhecidas como Mata de Cocais. Essa diversidade reflete a posição geográfica do município em uma zona de transição ecológica.

O Rio Parnaíba é o principal curso d'água da região, sendo perene e navegável por embarcações de pequeno porte. Além dele, o município conta com diversas lagoas e riachos que desempenham papel crucial no abastecimento de água e na agricultura local.[3]

Os solos predominantes no município de Miguel Alves incluem os chamados solos concrecionários tropicais, que são solos duros com presença de cascalhos ou pedregulhos de óxidos de ferro e alumínio, com baixa fertilidade natural. Também ocorrem solos arenosos (areias quartzosas[6]), que têm textura leve, drenagem rápida e baixa retenção de água e nutrientes, exigindo uso intensivo de adubação para atividades agrícolas. Além desses, há presença de solos hidromórficos, comuns em áreas alagadas ou mal drenadas, que tendem a ser encharcados em parte do ano, e solos aluviais eutróficos, encontrados em áreas de várzea, geralmente mais férteis devido à deposição recente de sedimentos pelo Rio Parnaíba.

Essas condições do solo indicam a necessidade de práticas agrícolas cuidadosas, como correção da acidez, adubação orgânica e manejo conservacionista para garantir a produtividade e evitar degradação

É importante destacar que Miguel Alves está entre os municípios do Piauí com risco de desastres ambientais, como enxurradas e inundações, devido a fatores como urbanização desordenada e ocupação de áreas inadequadas.[7] Em 2009, cerca de 146 famílias ficaram desabrigadas, após um período de chuvas intensas, e a situação ficou mais crítica após a abertura de comportas da barragem Boa Esperança que estava com a maior vazão desde 1985.[8][9]

O surgimento (1880-1950)

No início do século XIX, o cearense Miguel Alves, fugindo da grande seca, estabeleceu-se na região onde hoje está localizada a cidade que recebeu seu nome. Especialista na produção de fumo em corda, cultivava as "vazantes ou beira" do Rio Parnaíba, acumulando economias e atraindo moradores que se espalharam pelas várzeas, matas e campos da região.

Propício à agricultura e, especialmente, à criação de gado — atraiu diversas famílias, que também encontravam facilidades na navegação do Rio Parnaíba. Surgiram então as primeiras fazendas. Entre 1875 e 1877, em decorrência da grande seca do século XIX, nordestinos imigraram para as terras de Miguel Alves, aproveitando os "baixões" e áreas ribeirinhas para o cultivo de cereais.

Entre 1880 e 1885, Ricardo Antônio Xavier, Mariano de Sousa Mendes e Lúcio Ferreira da Silva transferiram-se para a localidade escolhida por Miguel Alves. Estabeleceram comércios, adquiriram terras e fundaram fazendas. O plantio de fumo e algodão, impulsionado pela agricultura crescente, apresentou bons resultados, com a produção sendo comercializada em Parnaíba e Caxias (MA). Eles ergueram os primeiros edifícios e a Capela de São Miguel. Com esse aspecto de povoado em crescimento, o local passou a constituir o terceiro distrito policial da vila de União.

A Época dos Coronéis

A Lei nº 636, de 11 de julho de 1911, elevou Miguel Alves à condição de vila e distrito judiciário. Em 24 de maio de 1912, o Dr. Luís da Silva Nogueira, Juiz de Direito da comarca de União, instalou oficialmente o município. Com o crescimento populacional, novas perspectivas de progresso surgiram. A gestão do poder executivo municipal em seus primeiros anos era baseada no modelo de Intendência, indicada pela câmara municipal (ant. Conselho de Intendência) que era formada por membros da elite local que passavam a deter o poder pelo "voto de cabresto". O primeiro gestor a assumir como intendente municipal foi Torquato Torres, que governou até 1924.

Em contraste com a população mais vulnerável que migrava fugindo da seca, as terras miguel-alvenses também atraíram grandes proprietários e fazendeiros. Esse período ficou conhecido como a "Época dos Coronéis". No contexto histórico piauiense, o "coronel" era geralmente um grande proprietário de terras e gado, cujo prestígio econômico se traduzia em forte poder de mando sobre a população local. O governo municipal era controlado por essas oligarquias agrárias, que geriam a política local para a manutenção de seus próprios interesses.

A consolidação institucional da cidade avançou com a Lei nº 996, de 20 de julho de 1920, que criou a comarca de Miguel Alves, com jurisdição sobre o termo de Porto (antigo Marruás). O Dr. Simplício de Sousa Mendes foi nomeado juiz pelo Decreto nº 753, de 23 de outubro de 1920, e a instalação da comarca ocorreu em 15 de novembro do mesmo ano. Pouco depois, a Lei estadual nº 1.088, de 7 de julho de 1924, concedeu à sede municipal a definitiva condição de cidade.

Os primeiros dados da população:

O censo de 1950, trouxe alguns dados inéditos da população residente no jovem município de Miguel Alves: 21.818 habitantes[10]

Distribuição por Sexo em 1950.
Homens Mulheres Homens(%) Mulheres(%)
10.981 10.837 51,00% 49,00%

Os habitantes foram declarados da seguinte forma:

Distribuição por Cor/Raça
BRANCOS PRETOS PARDOS/MESTIÇOS SEM DECLARAÇÃO
4.809 1.330 15.656 23
22% 6% 71% 1%

Sabe-se que a população acima de 15 anos era de 11.638, e 59% eram casados, 33% solteiros, 8% viúvos ou não declarados.[10]

Distribuição da População em 1950.
URBANA RURAL SUBURBANO
4,40% 84,61% 10,99%

Cultura e Tradições

No final do século XIX, com o crescimento da população em suas terras, Miguel Alves idealizou a construção de um templo religioso. Com o apoio de Ricardo Antônio Xavier, Lúcio Ferreira da Silva e Mariano de Sousa Mendes, foi erguida a primeira capela dedicada a São Miguel Arcanjo. Atrás dessa capela, existia um pequeno cemitério, como era comum nas comunidades da época.[11]

Naquele período, não havia um padre residente no povoado, e a assistência religiosa era prestada de forma esporádica por vigários da Paróquia de União, que enfrentavam grandes dificuldades de locomoção, utilizando como principais meios de transporte os animais e embarcações.[11]

Com o passar dos anos, o aumento da população, o fortalecimento da comunidade e, posteriormente, a emancipação do município despertaram a necessidade de uma igreja maior. Todos desejavam que o novo templo fosse construído exatamente no mesmo local da antiga capela, pois a elevação do terreno, situada no centro da cidade, oferecia uma posição privilegiada e ampla visibilidade.[11]

Em 1927, durante uma visita pastoral, o bispo Dom Severino Vieira de Melo apresentou o projeto de construção da nova igreja matriz. Pouco tempo depois, iniciaram-se as obras, sob a responsabilidade de um mestre de obras vindo de Teresina. Os materiais, trazidos por via fluvial a partir de Parnaíba, foram transportados manualmente pela própria comunidade local, que participou ativamente de todo o processo.[11]

A consagração do templo aconteceu em 20 de dezembro de 1940, presidida por Dom Severino, que também nomeou o padre alemão Franz Göeres como o primeiro vigário da paróquia. Coube a ele concluir a construção da Igreja de São Miguel Arcanjo, onde instalou uma torre de bronze — até hoje a única desse tipo no estado do Piauí.[12]

Posteriormente, com a construção da nova igreja no mesmo local da antiga capela, o pequeno cemitério original acabou ficando abaixo do nível do templo.[11]

  1. Festejos de São Miguel Arcanjo

A principal cerimônia popular do município são as festividades do padroeiro São Miguel Arcanjo, que se iniciam com o levantamento de um mastro fincado no solo. Essa é uma tradição que remonta aos tempos coloniais e ainda é comum no interior de alguns estados. O período de realização vai de 19 a 29 de setembro.[13][12][14][10][11]

Ver também

  • Biografias de miguel-alvenses notórios

Referências

  1. ↑ «Estimativas da população residente para os municípios e para as unidades da federação | IBGE». www.ibge.gov.br. Consultado em 20 de maio de 2025
  2. 1 2 cidades.ibge.gov.br https://cidades.ibge.gov.br/brasil/pi/miguel-alves/panorama. Consultado em 20 de maio de 2025 Em falta ou vazio |título= (ajuda)
  3. 1 2 3 Aguiar, Robério Bôto de (2004). Projeto cadastro de fontes de abastecimento por água subterrânea, estado do Piauí: diagnóstico do município de Miguel Alves (PDF). Fortaleza: CPRM - Serviço Geológico do Brasil. pp. 9–12
  4. ↑ «Diário Oficial da União Nº 198». IBGE. RESOLUÇÃO Nº 5, DE 10 DE OUTUBRO DE 2002: 48-65. 11 de outubro de 2002
  5. ↑ «Superintendência CEPRO». www.cepro.pi.gov.br. Consultado em 20 de maio de 2025
  6. ↑ SPERA, Silvio Tulio (1999). SOLOS ARENO-QUARTZOSOS NO CERRADO: CARACTERISTICAS, PROBLEMAS E LIMITAÇÕES AO USO (PDF). PLANALTINA: EMBRAPA. pp. 9–10. ISBN 1517-5111 Verifique |isbn= (ajuda)
  7. ↑ «Piauí tem quase 50 cidades sob risco de sofrer desastres ambientais, diz relatório; veja lista». G1. 25 de maio de 2024. Consultado em 20 de maio de 2025
  8. ↑ «Shopping fecha as portas em Teresina, no Piauí, por causa do risco de enchente». O Globo. 5 de maio de 2009. Consultado em 20 de maio de 2025
  9. ↑ «CHUVAS: Defesa Civil conta 5.400 famílias atingidas». CidadeVerde.com. 4 de maio de 2009. Consultado em 20 de maio de 2025
  10. 1 2 3 FERREIRA, JURANDYR PIRES (1959). ENCICLOPÉDIA DOS MUNICÍPIOS BRASILEIROS (PDF). XV. Rio de Janeiro: IBGE. pp. 530–532
  11. 1 2 3 4 5 6 Tuira, Richarle (21 de junho de 2014). «Miguel Alves Ponto de Cultura: IGREJA MATRIZ DE SÃO MIGUEL ARCANJO CARTÃO POSTAL DE MIGUEL ALVES». Miguel Alves Ponto de Cultura. Consultado em 21 de maio de 2025
  12. 1 2 «Paroquia de São Miguel Arcanjo: Ex-Vigários». Paroquia de São Miguel Arcanjo. Consultado em 21 de maio de 2025
  13. ↑ «A Puxada do Mastro. Transformações Históricas da Festa de São Sebastião em Olivença (Ilhéus-BA) - Catálogo Histórico de Teses e Dissertações de História (1942-2000)». www.historiografia.com.br. Consultado em 21 de maio de 2025
  14. ↑ Araújo, Nilo (3 de setembro de 2013). «Curiosidades: Um passeio pela história de Miguel Alves | Portal Miguel Alves | O primeiro portal de notícias de Miguel Alves». Consultado em 21 de maio de 2025

Ligações externas