Mk 2 (granada)

Mk 2
Uma Mk II
TipoGranada de mão
Local de origem Estados Unidos
História operacional
Em serviço1918–1969 (EUA)
UtilizadoresVer Operadores
GuerrasSegunda Guerra Mundial
Guerra Civil Chinesa
Guerra da Coreia
Primeira Guerra da Indochina
Crise de Suez
Guerra do Vietnã
Guerra dos Seis Dias
Guerra Civil Cambojana
Guerra Civil do Laos
Guerra Civil da Rodésia
Guerra Civil Libanesa
Conflitos na Irlanda do Norte
Guerra Civil de El Salvador
Batalha de Marawi[1]
Guerra Civil Iraquiana (2011–2017)[2]
Conflitos armados comunistas nas Filipinas
Histórico de produção
Data de criação1918
Período de
produção
1918–anos 1950
Especificações
PesoAproximadamente 600 g, dependendo da carga explosiva
Comprimento89 mm (carcaça)
110 mm (comprimento total)
Diâmetro58 mm
Carga explosivaVariada
Peso da carga
explosiva
Variado
DetonadorEspoleta de percussão e fusível de tempo: retardo de 4 a 5 segundos

A granada Mk 2 (inicialmente conhecida como Mk II) é uma granada de mão antipessoal de fragmentação, introduzida pelas Forças Armadas dos Estados Unidos em 1918.

História

A granada Mk 2 foi formalmente padronizada em 1920. Era a granada antipessoal padrão usada durante a Segunda Guerra Mundial e também teve uso limitado em conflitos posteriores, incluindo a Guerra da Coreia e a Guerra do Vietnã. Substituindo a granada Mk 1, que havia falhado em 1917, foi redesignada como Mk 2 em 2 de abril de 1945.

A Mk 2 foi gradualmente retirada de serviço com a introdução da granada da série M26 (M26/M61/M57) durante a Guerra da Coreia. Devido à enorme quantidade fabricada durante a Segunda Guerra Mundial, a Mk 2 ainda foi utilizada, em quantidades limitadas, pelo Exército e pelo Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA ao longo das décadas de 1950 e 1960.

A Marinha dos EUA foi uma das últimas a usar a Mk 2, que foi finalmente retirada de serviço militar em 1969 e substituída pela série M33 (M33/M67).

Projeto

A Mk 2, assim como a Mk 1, era fabricada em ferro fundido com uma superfície ranhurada dividida em 40 saliências dispostas em cinco fileiras de oito colunas.

Isso visava aumentar a fragmentação (na prática, descobriu-se que as ranhuras não aumentavam a fragmentação tanto quanto o desejado) e proporcionar uma melhor aderência ao manusear e lançar a granada.

As ranhuras e saliências davam à granada uma aparência semelhante à de um abacaxi, e são a origem do apelido. Ela também era comumente chamada de granada "frag" (de fragmentação), em contraste com outros tipos de granadas, como a granada de concussão Mk 3, também desenvolvida durante a Primeira Guerra Mundial.

A versão da Mk 2 em uso por volta de 1969 pesava 595 gramas, continha 57 gramas de TNT em flocos e podia ser lançada a pelo menos 30 metros. Uma distância de "causalidade efetiva" de 10 metros é mencionada, mas provavelmente trata-se de um erro de digitação.[3]

Pode-se presumir que, por ter peso e quantidade de TNT semelhantes aos da granada F-1, ela possa ter distâncias de arremesso e fragmentação muito parecidas.

Fusíveis

A Mk 2 utilizava fusíveis das séries M5, M6, M10, M11 ou M204.

Os fusíveis de detonação M5, e os posteriores M6 e M204, eram utilizados em granadas de alto explosivo. Os fusíveis de ignição das séries M10 e M11 eram utilizados em granadas de baixo explosivo.

Os fusíveis antigos apresentavam muitos problemas. Na M5, a umidade podia entrar sob a tampa de alumínio do fusível, impedindo a detonação da arma. Os fusíveis antigos não eram completamente silenciosos e produziam um forte "estrondo" e faíscas quando acionados. Também emitiam um leve chiado durante a queima, o que poderia alertar o inimigo sobre sua presença.

A M10, utilizada no período entre guerras, e a M10A1, utilizada no início da Segunda Guerra Mundial, às vezes detonavam prematuramente quando a chama do fusível atingia a carga explosiva em vez do fusível de retardo. Foram substituídos pelos fusíveis M10A2 e M10A3. Um tipo menos comum de fusível de ignição era o M11.

A M6A4C tinha um retardo de 4 segundos. Os fusíveis M5 e M11, assim como as M10, M10A1 e M10A2, tinham um retardo de 4 a 5 segundos. A M10A3, posterior, tinha um retardo de 4,5 a 5,3 segundos. Em 1944, a M6A4C foi substituída pelo fusível M204 ou M204A1, silencioso e mais confiável, com retardo de 4 a 5 segundos.

Devido ao grande número de granadas já distribuídas, poucas granadas com os novos fusíveis foram usadas em combate durante a Segunda Guerra Mundial.

Enchimentos

A granada Mk 2 original possuía um tampão roscado de 9,5 mm na base, que cobria a abertura para a colocação do explosivo, que podia ser 52 g de TNT, 66 g de explosivo Trojan (uma mistura de 40% de nitroamido, nitrato de amônio e nitrato de sódio), 52 g de uma mistura 50/50 de amatol/nitroamido ou 52 g de Grenite (uma mistura de 95% de nitroamido e aglutinantes). Algumas granadas Mk 2 iniciais eram preenchidas com 21 g de pólvora EC sem fumaça. A versão aprimorada "Mk 2A1", introduzida em 1942, era preenchida através do alojamento do fusível. A Mk 2A1 era inicialmente preenchida com 21 g de pólvora EC. Em 1944, a pólvora EC foi substituída por 52 g de TNT.[3]

As granadas Mk 2 com baixa carga explosiva tinham suas carcaças de ferro fundido pintadas de cinza ou preto para evitar ferrugem. As granadas Mk 2, carregadas com explosivos de alto poder antes da Segunda Guerra Mundial, eram pintadas de amarelo vivo. Durante a guerra (a partir de 1943, aproximadamente), as granadas foram repintadas de verde-oliva, restando apenas um estreito anel amarelo na parte superior. Nem todas, porém, foram repintadas, como mostram as filmagens do Dia D.[4] As granadas de treinamento Mk 2 eram pintadas de vermelho (uma prática copiada do exército francês). As granadas de treinamento M21 eram pintadas de azul claro (uma prática copiada do exército britânico) e tinham alavancas de detonação pintadas de azul, frequentemente com a extremidade pintada de marrom claro, indicando uma carga de "baixo explosivo".

Variantes

Documento instrutivo mostrando a técnica correta de arremesso (1918): "A posição correta do polegar ao arremessar [...] é importante, caso contrário a alavanca de disparo não será acionada quando a granada sair da mão."

As granadas Mk 2 vinham em caixas de madeira, em lotes de 25, e eram enviadas em pequenos tubos de papelão. As granadas Mk 2 com alto poder explosivo eram enviadas sem fusível para evitar detonação acidental. Seus fusíveis eram enviados separadamente, em caixas de papelão planas com 25 unidades. As granadas com pólvora EC eram enviadas com seus fusíveis já acoplados.

Variantes incluídas:

Grenade, hand, fragmentation, Mk 2

Enchida com pólvora EC, utiliza fusível de ignição da série M10.

Grenade, hand, fragmentation, high explosive, Mk 2

TNT, pólvora de granada Trojan, mistura 50/50 de amatol/nitroamido ou carga Grenite, utiliza fusível detonante da série M5. Em 1930, o termo "high explosive" (alto explosivo) foi retirado da designação.

Grenade, hand, fragmentation, Mk 2A1

Pólvora EC ou TNT, utiliza fusível de ignição da série M10/M11 (pólvora EC) ou fusível de detonação da série M6 ou M204 (TNT em flocos). Não possui base rosqueada, pois o enchimento é feito através do alojamento do fusível.

Grenade, hand, practice, Mk 2

Carga de pólvora negra para "acendimento" em um tubo de papelão conectado a um pavio de ignição da série M10. Possui uma carcaça padrão com uma base de madeira ou cortiça que se projeta durante a detonação, produzindo um estrondo alto e fumaça para indicar a ignição. A carcaça pode ser reutilizada e recarregada, desde que permaneça intacta.

Grenade, hand, practice, M21

Carga de pólvora negra para "marcação", utiliza fusp´ível de ignição da série M10. Possui corpo mais pesado e não tem bujão de base. Sua carcaça apresenta as letras verticais R, D e X gravadas em relevo nos ressaltos, dispostas em coluna em um dos lados (pois foi originalmente projetada para uma granada de alto explosivo com carga de RDX mais potente). Quando detonada, produz um estrondo alto e fumaça sai pelas aberturas do fusível.

Operadores

Ex-operadores

Operadores não estatais

Galeria

Referências

  1. ↑ «Philippine commando video shows Marawi in ruins after liberation from ISIS». 4 de dezembro de 2017
  2. ↑ https://www.amnesty.org/download/Documents/MDE1453862017ENGLISH.PDF
  3. 1 2 Owen, J.I.H (1975). Brassey's Infantry Weapons of the World. New York, N.Y.: Bonanza. p. 229-230. ISBN 0-517-242346
  4. ↑ DIAMOND ORDNANCE FUZE LABS WASHINGTON DC (1 de outubro de 1954). FUZE, GRENADE, HAND, T1019 AND GRENADE, HAND, FRAGMENTATION, T48 (Relatório). Fort Belvoir, VA: Defense Technical Information Center
  5. ↑ Comando Logístico, Exército Brasileiro (1970). Armazenamento, Conservação, Transporte e Destruição de Munições, Explosivos e Artifícios (T 9-1903) 1ª ed. [S.l.: s.n.] p. 106
  6. 1 2 3 Rottman 2015, p. 26.
  7. ↑ Rottman 2015, p. 25.
  8. ↑ Islamic State Weapons in High-Profile Operations in North-East Syria (Relatório). London: Conflict Armament Research. Janeiro de 2024. p. 29

Bibliografia

  • Gervasi, Tom. Arsenal of Democracy II: American Military Power in the 1980s and the Origins of the New Cold War: with a Survey of American Weapons and Arms Exports. New York: Grove Press, 1981. ISBN 0-394-17662-6.
  • Rottman, Gordon L. (2015). The Hand Grenade. [S.l.]: Bloomsbury Publishing. ISBN 978-1-4728-0735-9 
  • War Department. Field Manual FM 23-30-1944: Hand and Rifle Grenades; Rocket, AT, HE, 2.36″ (February 1944); pp. 5–6.

Ligações externas