Mosteiro de Mangyu

Mosteiro de Mangyu
Pintura mural de Manjusri na parede sudoeste do templo de Sakyamuni de Mangyu
Informações gerais
Nomes alternativos• Gompa de Mangyu
• Mosteiro de Mang-gyu
• Complexo de templos de Mangyu
Tipogompa
Construçãoséculo XI
Aberto ao públicoSim
Religiãobudismo
Geografia
PaísÍndia
CidadeMangyu (Giramangu)
Território da UniãoLadaque
DistritoLé
Coordenadas🌍
Mosteiro de Mangyu está localizado em: Ladaque
Mosteiro de Mangyu
Localização do complexo de templos de Mangyu no Ladaque

O Mosteiro de Mangyu, Gompa de Mangyu ou de Mang-gyu[nt 1] ou complexo de templos de Mangyu é um mosteiro budista tibetano e um dos monumentos budistas mais antigos do Ladaque, no noroeste da Índia. Situa-se na aldeia homónima (também chamada Giramangu) e supõe-se a sua construção seja da mesma época dos templos de Alchi. As estruturas datam possivelmente do século XI[2] (ou fim do século XII ou início do século XIII, segundo alguns estudiosos)[3] e teriam sido construídas por Rinchen Zangpo (958–1055), um famoso lotsawa (tradutor para tibetano das escrituras sagradas budistas).[2][4]

O conjunto de quatro templos[5] situa-se a cerca de 3 500 metros de altitude, aproximadamente 7 km a sudoeste do rio Indo e da estrada Serinagar–Lé e 70 km a oeste de Lé (distâncias por estrada).[1]

Descrição

Os templos mais antigos, dois pequenos dukhangs,[nt 2] são dedicados a Vairocana e a Sakyamuni ou Avalokiteśvara. Estão ladeados por duas capelas altas (Chamba Lakhang), as quais contém grandes estátuas do bodisatva Maitreya (também chamado Chamba), as quais são diferentes em termos estilísticos e iconográficos. Ao lado deste conjunto há um chorten do mesmo tipo das que se encontram em Alchi, também datada do período mais antigo.[4][7]

O templo dito de Sakyamuni devido à sua imagem principal original ser a desse Buda[7] é conhecido como Chenrezig Lakhang,[4] escultura de Avalokiteśvara (também chamado Chenrezig) adicionada muito mais tarde.[7] Tem várias imagens de Buda, divindades originalmente hindus, como Varuna, Indra, Xiva (como Mahakala), Ganexa, outras divindades celestiais e animais imaginários. É muito rico em elementos decorativos e constitui um belo exemplo da mistura de influências caxemires e tibetanas. O realce das figuras com relevos ou entalhes, nomeadamente nos olhos e rosto das divindades e nas mandalas e a pintura em múltiplas camadas são de alta qualidade. Duas representações de Manjusri na parede sudoeste são considerados exemplos de perfeição artística.[8]

Na encosta acima do mosteiro, atrás de algumas casas da aldeia, há outro chorten ricamente decorado, o único que tem imagens, que estão na origem do seu nome: Chorten das Quatro Imagens.[7]

O conjunto monumental tem vindo a ser restaurados desde o final da década de 2000 pelo Indian National Trust for Art and Cultural Heritage (INTACH) com apoio financeiro de patrocinadores internacionais.[4][8][9]

Notas

  1. ↑ O Google Maps assinala o complexo como "Mosteiro de Mangue".[1]
  2. ↑ Dukhang, que pode ser traduzido por sala de assembleia ou de oração, é o nome dado ao templo usado para as orações coletivas dos monges.[6]

Referências

  1. 1 2 «34°13'57.4"N 77°02'57.5"E». www.google.com/maps. Consultado em 28 de novembro de 2016
  2. 1 2 «New from Overseas Chapters — USA» (PDF), Indian National Trust for Art and Cultural Heritage, Virasat (em inglês), janeiro–março de 2009, consultado em 28 de novembro de 2016
  3. ↑ Luczanits, Christian (2004), Buddhist sculpture in clay: early western Himalayan art, late 10th to early 13th centuries, ISBN 9781932476026 (em inglês), Chicago: Serindia Publications
  4. 1 2 3 4 «News from AHD — Conservation of Buddhist Monasteries» (PDF), Indian National Trust for Art and Cultural Heritage, Virasat (em inglês): 30–31, outubro–dezembro de 2010, consultado em 28 de novembro de 2016
  5. ↑ sTopgays, Sonam. «Monasteries of Ladakh and places of interest» (em inglês). www.sonam.info. Consultado em 28 de novembro de 2016
  6. ↑ «Glossary: Monastery, Residence & Retreat Terminology» (em inglês). Himalayan Art Resources. www.himalayanart.org. Consultado em 28 de novembro de 2016
  7. 1 2 3 4 Luczanits 2004 citado em«Mangiu general description» (em inglês). Buddhist architecture in the Western Himalayas. FWF research project P22857. archresearch.tugraz.at.Universidade Técnica de Graz. Consultado em 28 de novembro de 2016
  8. 1 2 «Conservation of wall paintings at "Shakyamuni" temple Mangyu, Ladakh, J&K» (em inglês). Indian National Trust for Art and Cultural Heritage. www.intach.org. Consultado em 28 de novembro de 2016
  9. ↑ «Japanese funding for INTACH» (em inglês). www.thehindu.com. 18 de julho de 2008. Consultado em 28 de novembro de 2016

Leitura complementar

  • Van Ham, Peter (2010), Heavenly Himalayas : the murals of Mangyu and other discoveries in Ladakh, ISBN 9783791345437 (em inglês), Prestel 
  • Vargas, Julio; Dandona, Bhawna; Blondet, Marcial; Cancino, Claudia; Iwaki, Carlos; Morales, Kathya (2011), «An Experimental Study of the Use of Soil Based Grouts for the Repair of Historic Earthen Walls and a Case Study of an Early Period Buddhist Monastery», in: Rainer, Leslie; Rivera, Angelyn Bass; Gandreau, David, Terra 2008: The 10th International Conference on the Study and Conservation of Earthen Architectural Heritage, ISBN 9781606060438 (em inglês), Getty Publications, pp. 302–306, consultado em 28 de novembro de 2016 
  • Lee, Eva (23 de setembro de 2013). «Pristine Mangyu?» (em inglês). www.evaleestudio.com. Consultado em 28 de novembro de 2016 </ref>
  • Standage, Kevin (5 de outubro de 2015). «Mangyu Gompa» (em inglês). An Indian travel photography blog. kevinstandagephotography.wordpress.com. Consultado em 28 de novembro de 2016