Na Cama com Madonna

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Na Cama com Madonna
Madonna: Truth or Dare
Estados Unidos
1991 •  122 min 
Gênero
DireçãoAlek Keshishian
ProduçãoTim Clawson
Jay Roewe
NarraçãoMadonna
MúsicaMadonna
CinematografiaChristophe Lanzenburg
Robert Leacock
Doug Nichol
Daniel Pearl
Toby Phillips
Marc Reshovsky
EdiçãoBarry Alexander Brown
Companhias produtorasBoy Toy, Inc.
Propaganda Films
DistribuiçãoMiramax Films (Estados Unidos)
Dino De Laurentiis Communications (Internacional)[1]
Lançamento
  • 10 de maio de 1991 (1991-05-10)
Idiomainglês
OrçamentoUS$ 4,5 milhões
ReceitaUS$ 29 milhões

Na Cama com Madonna[2][3] (em inglês: Madonna: Truth or Dare; internacionalmente, In Bed with Madonna) é um documentário musical estadunidense de 1991, dirigido por Alek Keshishian, que acompanha Madonna durante a turnê Blond Ambition World Tour (1990). A obra alterna números musicais e momentos fora do palco, apresentando a artista em situações profissionais e pessoais ao longo da excursão, incluindo conflitos com autoridades, problemas de saúde, reencontros familiares e interações com pessoas próximas e celebridades. O projeto foi originalmente idealizado como um filme-concerto, mas Keshishian decidiu concentrar a narrativa nos bastidores ao perceber o potencial dramático do cotidiano da equipe. Madonna financiou a produção e também atuou como produtora executiva, enquanto o diretor adotou uma linguagem visual inspirada no cinéma vérité, filmando em preto e branco os momentos fora dos palcos e a cores as apresentações musicais.

Lançado de forma limitada em 10 de maio de 1991, Na Cama com Madonna foi exibido cinco dias depois fora de competição no Festival de Cannes e estreou mundialmente em 24 de maio. A recepção crítica foi, em sua maioria, favorável; destacando a franqueza da abordagem, os bastidores retratados e a presença de palco de Madonna, embora algumas avaliações tenham apontado certa artificialidade e excesso de controle na construção de sua figura pública. Por sua participação, a cantora foi indicada ao Framboesa de Ouro de Pior Atriz. Também foi bem-sucedido comercialmente, ao arrecadar cerca de 29 milhões de dólares nas bilheterias mundiais, frente a um orçamento de 4,5 milhões. Além disso, tornou-se o documentário de maior bilheteria de todos os tempos, até ser ultrapassado por Bowling for Columbine em 2002. Em 1992, Oliver Crumes, Kevin Stea e Gabriel Trupin, dançarinos da turnê que participaram do documentário, processaram Madonna e as produtoras Boy Toy Inc., Miramax e Propaganda Films, alegando "invasão de privacidade e exposição indevida"; o caso terminou em acordo extrajudicial em 1994.

Com o passar dos anos, Na Cama com Madonna consolidou-se como uma obra de forte legado cultural, sobretudo por sua importância para a visibilidade da comunidade LGBT e por influenciar a cultura das celebridades, reality shows e documentários musicais lançados subsequentemente. O longa-metragem passou a ser reconhecido como pioneiro por apresentar homens homossexuais de forma natural e visível para o grande público, foi ainda comparado a Paris Is Burning (1990) por tratar de temas ligados à identidade queer e ao estrelato. Na cultura popular, Na Cama com Madonna foi parodiado e referenciado em produções como o episódio "Rockumentary", da série Blossom, o mocumentário Medusa: Dare to Be Truthful, o esquete In Bed with French & Saunders e uma sátira apresentada no especial de Natal de The RuPaul Show.

Enredo

Ambientado na intimidade dos bastidores da Blond Ambition World Tour, o documentário acompanha Madonna desde 6 de agosto de 1990, logo após o concerto final em Nice, quando, em um quarto de hotel, a artista relembra a turnê e reflete sobre o impacto de seu encerramento.[4] Em seguida, a narrativa retorna a abril de 1990, ao início da excursão no Japão, onde a temporada de chuvas impõe mudanças inesperadas nos figurinos e já revela o desgaste físico e emocional da artista.[5] Ao longo dessa primeira etapa, surgem problemas técnicos em apresentações nos Estados Unidos, encontros com familiares dos bailarinos e tensões nos bastidores, além de episódios envolvendo personalidades do meio artístico.[6]

Na passagem pela América do Norte, a obra registra momentos decisivos da turnê. Em Toronto, agentes da polícia surgem para advertir a equipe e ameaçam prender Madonna por suposta obscenidade devido à simulação de masturbação em "Like a Virgin", mas a mesma se recusa a alterar o número.[7] Em Detroit, cidade natal da artista, o tom da narrativa se torna mais íntimo ao apresentar o reencontro com o pai, Tony Ciccone, o reencontro com familiares e conhecidos da infância, a preocupação com o irmão Martin e a visita ao túmulo da mãe ao som de "Promise to Try".[8][9] Paralelamente, os problemas de garganta se agravam, levando ao cancelamento de algumas apresentações e a um período de isolamento em Nova Iorque, enquanto os atritos com Warren Beatty se intensificam diante da presença constante das câmeras.[10]

Durante a passagem pela Europa, última fase da turnê, a artista continua envolvida em situações controversas. Na Itália, o papa João Paulo II tenta impedir as apresentações, e uma das duas datas em Roma é cancelada.[11] Em Madri, Sandra Bernhard surge entre as companhias mais próximas de Madonna, enquanto uma festa organizada por Pedro Almodóvar desperta o interesse de Madonna por Antonio Banderas, logo frustrado pela descoberta de que o ator é casado.[12] À medida que a turnê chega ao fim, jogos de verdade ou desafio, revelações pessoais e despedidas entre Madonna, dançarinos e vocalistas de apoio antecedem o desfecho, concluído com uma montagem ao som de "Keep It Together" e pelo pedido para que Alek Keshishian interrompa a gravação.[12][13]

Turnê

Madonna apresentando "Open Your Heart" como a segunda faixa do repertório da Blond Ambition World Tour.

A Blond Ambition World Tour foi a terceira turnê de Madonna, voltada à divulgação de Like a Prayer (1989), seu quarto álbum de estúdio, e de I'm Breathless (1990), trilha sonora de Dick Tracy. Em janeiro de 1989, a Pepsi-Cola anunciou que havia assinado um contrato de US$ 5 milhões com Madonna para a participação da artista e de sua nova faixa de trabalho, "Like a Prayer", em um comercial de televisão.[14] Além disso, a Pepsi ficaria responsável por patrocinar a próxima turnê mundial da cantora, anunciada como Like a Prayer World Tour.[15][16] Após o lançamento do videoclipe de "Like a Prayer", que apresentava uma igreja e símbolos católicos, como estigmas, cruzes em chamas, alusões à Ku Klux Klan e Madonna beijando um santo negro (Leon Robinson), grupos religiosos de várias partes do mundo, incluindo o Vaticano, manifestaram repúdio imediato, classificando o conteúdo como blasfemo e pedindo um boicote nacional contra subsidiárias da Pepsi e da PepsiCo.[17][18] Em seguida, a empresa suspendeu a exibição do comercial e rescindiu seu contrato de patrocínio com Madonna.[19][20] A Sire Records anunciou oficialmente a Blond Ambition World Tour em 16 de novembro de 1989.[21]

Os espetáculos, com direção e coreografia de Vincent Paterson, foram divididos em cinco segmentos: Metropolis, inspirado pelo filme homônimo de 1927; Religious, tocando em temas religiosos; Dick Tracy, com características do longa-metragem de mesmo nome e de cabarés; Art Deco, inspirado pelos primeiros filmes de Hollywood e trabalhos de Tamara de Lempicka; e o bis, incluindo duas canções.[16] A direção de arte ficou a cargo de Christopher Ciccone, irmão de Madonna, enquanto os figurinos foram criados pelo estilista Jean-Paul Gaultier.[22][23] A turnê foi recebida com análises positivas de críticos de música e entretenimento, que destacaram a sua natureza teatral e figurinos, e foi agraciada com o prêmio de Produção Mais Criativa de Cenário no Pollstar Concert Industry Awards.[24] Foi também bem sucedida comercialmente, arrecadando 62,7 milhões de dólares ao longo de 57 concertos.[25][26]

Antecedentes e produção

A direção do documentário ficou a cargo de Alek Keshishian, da Propaganda Films, que já havia dirigido videoclipes para Elton John e Bobby Brown.[27] David Fincher, que já havia trabalhado com Madonna nos videoclipes de "Express Yourself", "Oh Father" e "Vogue", foi inicialmente escalado para o projeto, mas desistiu pouco antes do início da turnê.[28] O interesse de Madonna em trabalhar com Keshishian surgiu após a artista assistir ao projeto de conclusão de curso do diretor em Harvard, um curta-metragem intitulado Wuthering Heights.[14] De acordo com o autor J. Randy Taraborrelli, "seu instinto lhe dizia que aquele cineasta bonito, de cabelos longos e ideias inovadoras, tinha o perfil de artista descolado e talentoso necessário para dar ao longa-metragem o toque certo".[14] Madonna convidou Keshishian para produzir um especial sobre a turnê para a HBO e seguiu com o diretor para o Japão, onde a excursão começou em abril de 1990.[29] Inicialmente, com a intenção de fazer um filme-concerto em moldes mais convencionais, Keshishian alugou "tudo o que já havia sido feito no campo dos documentários musicais e dos filmes de concerto", mas decidiu não assistir a nenhum desses trabalhos, por concluir que queria algo diferente.[30] Segundo o mesmo, os bastidores tinham algo de caótico e teatral, reminiscente do universo de Fellini, o que o levou a convencer Madonna a transformar o projeto em um filme propriamente dito, centrado nessa dinâmica e com algumas apresentações inseridas ao longo da narrativa. Acrescentando que, "quando percebi que aquilo podia resultar em algo mais ambicioso, muitos diziam a Madonna: 'Não seja louca. Veja o que aconteceu com Rattle and Hum e como foi um fracasso'. Mesmo assim, ela decidiu seguir o meu conselho, e não nos outros".[29][31] Além de financiar o projeto, Madonna também atuou como produtora executiva.[32] Em entrevista a James Kaplan, da Entertainment Weekly, a artista explicou:

Senti que era algo que eu precisava fazer. Criei um vínculo muito forte com aquelas pessoas. Em muitos momentos, senti-me como irmã, mãe e filha delas, e também pensava que todos ali eram capazes de tudo. Sentia que, juntos, poderíamos fazer qualquer coisa no palco. A intensidade e a complexidade do espetáculo acabaram nos aproximando. Ao final, embora a ideia inicial fosse apenas documentar o espetáculo, quando comecei a assistir ao material gravado pensei: 'Isso é muito interessante. Há um filme aqui. Há algo aqui'.[32]

Em entrevista ao Good Morning America, Madonna disse que sua principal intenção era "questionar a forma como tratamos certas figuras públicas, exigindo delas uma perfeição impossível. Nós as desumanizamos e passamos a agir como se não pudessem falhar ou cometer erros".[33] Taraborrelli ressaltou que Madonna concedeu a Keshishian "a oportunidade de acompanhar de perto seu mundo e sua vida ao longo dos quatro meses da turnê".[14] A fim de filmar Madonna e as pessoas ao redor com maior discrição, o diretor posicionava as câmeras atrás de espelhos unidirecionais, exigia que a equipe usasse roupas pretas o tempo todo e proibia qualquer interação com os personagens. Todas as noites, após as filmagens, registrava em um computador tudo o que havia acontecido ao longo do dia para manter o controle do material gravado.[34] Enquanto as entrevistas com os dançarinos e com a equipe da turnê foram realizadas nas duas primeiras semanas no Japão, as apresentações foram filmadas durante os três espetáculos em Paris, em julho. Segundo Keshishian, com isso, foi possível definir com precisão a sequência das apresentações.[35]

Os bastidores foram apresentados em preto e branco para lhes dar um "ar de cinéma vérité", enquanto as apresentações foram mantidas em cores. Keshishian explicou que "essa divisão lhe parecia interessante: a cor representava o artifício do espetáculo em contraste com a realidade do documentário e, ainda assim, uma se espelhava na outra".[30] Segundo o diretor, essa escolha levou a New Line Cinema, então responsável pela distribuição, a abandonar o projeto.[31][36][37][35] Com mais de 200 horas de material filmado, o diretor levou mais de um mês e meio para condensá-lo até chegar a uma duração razoável.[31] Com mais de três horas de duração, a primeira versão foi considerada longa demais por Harvey Weinstein, executivo da Miramax, que obrigou Keshishian a encurtá-la.[31] O Cemitério e Mausoléu Calvary, em Kawkawlin, Michigan, esteve entre as locações da produção. Entre as participações especiais estão Al Pacino, Mandy Patinkin, Olivia Newton-John, Antonio Banderas, Sandra Bernhard, Kevin Costner e Warren Beatty, com quem Madonna se relacionava na época.[38][39] Segundo a cantora, Beatty "não levou o filme muito a sério durante as filmagens – achava que eu estava apenas fazendo um vídeo caseiro".[32]

Lançamento

Distribuição e divulgação

Madonna ao decorrer das apresentações "Like a Virgin" (esquerda) e "Holiday" (direita), ambas foram lançadas como videoclipes para impulsionar a divulgação de Na Cama com Madonna.

Em agosto de 1990, logo após a conclusão do filme, Madonna convidou alguns amigos, entre os quais Beatty, para assistir a uma primeira montagem na sala de projeção da casa do ator.[40] Segundo Taraborrelli, Beatty não gostou do resultado. No dia seguinte, Madonna recebeu uma carta de seu advogado exigindo que determinadas cenas da versão final fossem cortadas, sob ameaça de ação judicial. Ao fim, as partes chegaram a um acordo, e as cenas em questão foram removidas.[40] Em alusão ao jogo de "verdade ou desafio?", que Madonna e a equipe se entretinham nos intervalos entre os concertos, a obra chegou a ter como título provisório Truth or Dare: On the Road, Behind the Scenes and In Bed with Madonna,[nota 1] que depois encurtado para Truth or Dare.[41][32] Para o mercado internacional, a Miramax Films adotou o título In Bed with Madonna, já que o jogo era relativamente desconhecido em outros países.[42] Em entrevista concedida a Dermot O'Leary em 2005, a cantora disse que não gostava desse título por considerá-lo "muito cafona".[43]

Sob distribuição da Miramax Films,[29] o filme recebeu da MPAA a classificação "R", por conter palavrões, breves cenas de nudez e conteúdo sexualmente sugestivo.[4] A produção foi lançada de forma limitada em 10 de maio de 1991; cinco dias depois, Madonna compareceu na 44.ª edição do Festival de Cannes, onde a obra integrou a mostra fora de competição.[40][44] Na ocasião, trajava um sutiã de seda branca, calções curtos e um sobretudo rosa confeccionado por Gaultier.[45] Para Vincent Canby, do The New York Times, tanto a película quanto Madonna mostraram-se "cativantes e interessantes" e "deram ao festival daquele ano uma espontaneidade inédita".[44] Na Cama com Madonna foi lançado mundialmente em 24 de maio de 1991, com sua estreia decorrendo no Brasil em 19 de julho do mesmo ano.[46][47] Para divulgá-lo, Madonna participou da esquete "Wayne's World", do Saturday Night Live.[48] Além disso, as apresentações de "Holiday" e "Like a Virgin" incluídas no documentário foram lançadas em formato de videoclipe e indicadas ao MTV Video Music Awards de 1991 e 1992.[49][50][51] Em vários centros comerciais dos Estados Unidos, foi amplamente divulgado por meio de produtos promocionais, cartazes e telões de vídeo.[52]

Home video

Na América do Norte, Na Cama com Madonna foi lançado pela primeira vez em vídeo pela LIVE Entertainment em 9 de outubro de 1991,[53] enquanto no Brasil sua distribuição decorreu um mês antes pela Top Tape.[46][54] No Reino Unido, foram disponibilizadas duas versões do filme em 30 de outubro de 1991: a integral, para maiores de "18 anos", e uma editada, para maiores de "15", com mais de 57 segundos de trechos removidos.[55][56] A British Phonographic Industry (BPI) concedeu ao material a certificação de platina, e a Bundesverband Musikindustrie (BVMI), a de ouro, ambas equivalentes a 25 000 cópias vendidas em seus respectivos mercados.[57][58] Em janeiro de 1992, o total de cópias comercializadas nos Estados Unidos já era de 155 000, segundo o The Hollywood Reporter.[59]

Em 1992, foi relançado em VHS nos Estados Unidos com duas apresentações adicionais, "Like a Prayer" e "Hanky Panky", incluídas após os créditos finais.[60][61] A versão em DVD foi disponibilizada pela LIVE Entertainment na América do Norte em 26 de agosto de 1997, enquanto o lançamento mundial ocorreu apenas em 6 de janeiro de 2003, pela MGM Entertainment.[62] Enquanto em 3 de abril de 2012, foi lançado em Blu-ray.[63] A edição foi remasterizada em 1080p, com proporção de tela de 1,78:1 e áudio 5.1 DTS-HD Master Audio; tendo o trailer como único conteúdo bônus.[64]

Recepção

Bilheteria

O lançamento do filme foi seguido por sucesso comercial imediato. Nos Estados Unidos, estreou em circuito limitado entre 10 e 12 de maio de 1991, chegando ao 13.º lugar nas bilheterias, com arrecadação de 543 250 dólares em 51 salas de cinema.[65] Em seu primeiro fim de semana em cartaz em todo o país, arrecadou 2,8 milhões de dólares, elevando a receita total para 3,3 milhões e alcançando a terceira posição nas bilheterias, atrás apenas de F/X2 e What About Bob?.[66][67] De acordo com Jack Matthews, do Los Angeles Times, Na Cama com Madonna ultrapassou 4,3 milhões de dólares em sua semana de estreia nos cinemas e, com isso, superou Woodstock (1970) como o documentário musical de maior sucesso comercial até então.[67] Ao fim de 33 semanas em cartaz, havia arrecadado 15 012 935 de dólares nos Estados Unidos.[46] Somados ao 14 milhões obtidos no mercado internacional, Na Cama com Madonna totalizou 29 milhões em bilheteria nos cinemas, frente a um orçamento de 4,5 milhões.[46]

Resposta da crítica

Com críticas majoritariamente favoráveis,[68] Na Cama com Madonna figurou entre os filmes mais aclamados de 1991.[69] No site agregador de críticas Rotten Tomatoes, 86% das 35 avaliações dos críticos são positivas, com uma classificação média de 6.6/10.[70] O Metacritic, que usa uma média ponderada, atribuiu ao filme uma pontuação de 70 em 100, baseado em 24 críticos, indicando críticas "geralmente favoráveis".[71] Para Peter Travers, da Rolling Stone, nenhuma produção desde Don't Look Back havia mostrado o universo pop com tanta franqueza e irreverência quanto Na Cama com Madonna. Embora tenha elogiado o frescor e a energia da obra, criticou a fragilidade calculada de Madonna ao visitar o túmulo de sua mãe. Concluindo que o longa talvez não faça o público amar a cantora, mas certamente fará com que a respeite.[9] Roger Ebert atribui-lhe três estrelas e meia. Em sua crítica, ressaltou que "em contraste com a maior parte das produções desse tipo, o que realmente importa está nos bastidores. Os números musicais, ainda que bem executados, parecem estar ali mais por exigência do formato do que por necessidade dramática".[8] Ebert destacou, em especial, a ética de trabalho de Madonna.[8] Escrevendo para o The New York Times, Janet Maslin afirmou que "Madonna passou a ser vista com maior seriedade. [Na Cama com Madonna] intercala sequências eletrizantes das apresentações com registros dos bastidores e de momentos íntimos de Madonna, traçando um paralelo entre o espetáculo e a intimidade".[4] Joe Coscarelli, do mesmo veículo, considerou que as interações de Madonna com outras celebridades estavam entre os melhores momentos.[38] De acordo com Rich Juzwiak, do Gawker, é "por vezes irritante, mas quase sempre irresistivelmente divertido", chamando-o ainda de "um exemplo de um tempo em que estrelas pop ainda não tinham a fala moldada por assessorias de imprensa".[33] Para Amy Roberts, da Bustle, trata-se de uma obra "crua e honesta", cuja franqueza passa longe do cinismo.[72]

"Há documentários que se sobressaem por acompanhar o artista num período em que tudo aflora, e foi isso que o filme de Keshishian sobre Madonna mostrou. No meio da criativa e influente turnê Blonde Ambition [sic], vê-se uma artista segura do próprio talento, capaz de despertar em torno de si tanto a controvérsia quanto o interesse de outras celebridades".

– Ryan Gilbey, do The Guardian, incluiu Na Cama com Madonna em primeiro lugar em sua lista dos 20 melhores documentários musicais.[73]

Para Martha Sherrill, do The Washington Post, é "inovador, escandaloso e de uma artificialidade quase onírica. E certamente mais divertido do que a própria Madonna".[74] Em texto para a revista Paper, Louis Virtel, elogiou as sequências ao vivo, descritas como "um dos trabalhos mais excitantes" da cantora; e apontou como um dos pontos fortes da película o espaço dado às histórias dos dançarinos, em sua maioria homosexuais.[75] Keith Watson, da Slant Magazine, considerou que o documentário "transcende o formato de filme-concerto ao explorar a formação de mitos e identidades no universo da música popular", atribuindo-lhe três estrelas.[5] Em resenha para o The A.V. Club, Noel Murray elogiou alguns dos momentos mais "atrevidos" da produção e escreveu que, em contraste com a figura de Madonna, cada vez mais frágil e cuidadosamente aristocrática nos últimos anos, é revigorante vê-la tão espontânea. Segundo Murray, as sequências em que a cantora fala com o pai ao telefone e reencontra uma amiga de infância são as que mais sugerem um vislumbre da "verdadeira Madonna".[11] Erica Peplin, da Spectrum Culture, viu que isso "humaniza Madonna de uma maneira sem precedentes".[76]

Owen Gleiberman, da Entertainment Weekly, concedeu-lhe uma nota média de "A-" e destacou como seu elemento mais ousado, e revelador, "a maneira franca com que apresenta a relação simbiótica da cantora com os dançarinos". Para o crítico, a obra vai além de um simples retrato dos bastidores da vida de uma superestrela: com notável franqueza, expõe as origens do estilo de Madonna.[77] Em 2002, a mesma publicação concluiu que, em Na Cama com Madonna, Madonna está mais à vontade do que nunca.[78] Em artigo publicado ao The Backlot, Louis Virtel afirmou que o filme merece ser redescoberto, destacando as sequências musicais já lendárias, as participações inusitadas de celebridades e a maneira como retrata a artista em um dos momentos mais memoráveis de sua carreira.[79] Semelhantemente, Guy Lodge, do The Guardian, avaliou-o como um "registro vívido de Madonna em seu auge, muito antes da Cabala e do casamento com Guy Ritchie. Embora os números musicais talvez sejam a parte menos instigante da trama, ainda assim ressaltam a presença de palco que ajudou a transformar Madonna em um fenômeno".[80] Em texto para a revista New York, David Denby salientou que a obra é marcada por momentos de obscenidade, embora sem um conteúdo sexual propriamente dito, acrescentando que a figura pública de Madonna é "inteiramente erotizada". Ainda assim, apontou a falta de nuances da cantora e considerou que, apesar de seus méritos, Na Cama com Madonna por vezes se torna monótono.[81]

Adotando um tom mais ambíguo, Ty Burr, da Entertainment Weekly, comentou que "embora seja um filme bem-feito, não deixa de transmitir certa artificialidade". Acrescentou ainda que a artista controla de tal forma a própria imagem pública que, diante das câmeras, a espontaneidade acaba comprometida, apontando o momento no cemitério artificial e constrangedor.[82] Em sua crítica para a Pitchfork, Emma Madden apontou que Na Cama com Madonna, "apesar de ser vendido como documentário sobre a turnê Blond Ambition, pouco mostra da realidade além dos camarins e quartos de hotel. Ao contrário das produções atuais desse tipo, voltados a suavizar a percepção pública de cantores da música popular, o longa retrata Madonna como uma figura assumidamente megalomaníaca". Em conclusão, referiu-se ao longa como "um dos exemplos mais controversos, do ponto de vista moral, do imaginário da garota branca, rica e mimada".[83] Bill Gibron, do PopMatters, considerou-o "superficial e forçado", e Bill Wyman, do Chicago Reader, criticou-o ao afirmar "que não se via algo tão astucioso e hipócrita desde o comercial televisivo 'Morning in America', da campanha de Reagan, e talvez desde Triumph des Willens", além de defini-lo como "a grande mentira de Madonna".[36][84] Na 12.ª edição do Framboesa de Ouro, Madonna figurou entre as indicadas a Pior Atriz, mas Sean Young levou o prêmio por A Kiss Before Dying.[85] Em 1992, Na Cama com Madonna foi premiado como Melhor Documentário no Prêmio Homer, organizado pela Video Software Dealers Association.[86]

Ação judicial

Em 21 de janeiro de 1992, os dançarinos Oliver Crumes, Kevin Stea e Gabriel Trupin processaram Madonna, a Boy Toy Inc., e as companhias Miramax e Propaganda Films sob as alegações de "invasão de privacidade, fraude, falsas declarações e sofrimento emocional intencionado". Segundo a ação, os três apareceram em cenas "sem relação com a dança" nas quais falavam sobre assuntos íntimos de suas vidas pessoais, o que os teria colocado em situação de "humilhação pública".[87][88] Entre as filmagens, havia um momento em que Trupin beijava Salim Gauwloos. Trupin afirmou que Keshishian havia assegurado que não incluiria nada que invadisse sua privacidade. Contudo, ao solicitar a remoção da cena, Madonna reagiu de maneira ríspida, impondo que a situação fosse "superada".[88][87] Um representante da Warner Bros. informou que "todos os envolvidos desistiram da ação e foram generosamente indenizados".[88] Ao fim daquele ano, durante o comercial "Rock the Vote" exibido pela MTV, Madonna ironizou o episódio, afirmando: "Vocês provavelmente acham que isso não é um motivo convincente para votar... Então me processem! Todos estão fazendo".[89] Em 1994, as partes chegaram a um acordo extrajudicial, o que levou ao arquivamento da ação. Debra Johnson, advogada de Trupin, declarou que "a situação poderia ter sido resolvida rapidamente se Madonna tivesse levado em conta que os dançarinos também tinham direitos".[90] Em 2015, ao falar sobre o caso, Keshishian defendeu Madonna:

Todos os dançarinos foram instruídos a assinar termos de consentimento. Era uma exigência, sabe? E todos assinaram. Quando o filme estava prestes a ser lançado, alguns preferiram manter sua orientação sexual em sigilo; outros passaram a exigir dinheiro. Do ponto de vista jurídico, considero que se tratou de extorsão. Os termos de consentimento haviam sido assinados por todos e nada estava sendo filmado em segredo. As câmeras estavam registrando tudo. Também concordaram em dar as entrevistas. O que achavam que estava sendo filmado – um vídeo caseiro!? Eu não achei isso legal. Fiquei triste por Madonna, porque o afeto por aqueles jovens era real, e, ainda assim, no fim agiram daquela forma.[31]

Ao relembrarem o processo judicial, Stea e Crumes disseram não guardar qualquer ressentimento em relação a Madonna e afirmaram que só queriam receber o valor "estipulado em nossos contratos". Stea disse que tudo se tratava "de uma questão contratual" e que "[meus] agentes é que deveriam ter entrado com a ação, não eu".[91] Crumes, em contraste, comentou que, apesar de ser "um filme tão sensível, todos nós deveríamos ter recebido pela nossa participação". Mesmo assim, disse ver tudo como "um episódio superado. Seja como for, sempre vou continuar a amá-la. Só sinto amor por ela e espero poder vê-la novamente algum dia".[91] Em 2023, durante a The Celebration Tour, Madonna homenageou Trupin em "Live to Tell", que teve uma montagem dedicada às vítimas da AIDS.[92]

Legado

"Jamais imaginei que acabaria inspirando tantas pessoas da comunidade LGBTQ+ a, por um lado, fazer sexo oral em garrafas de água e, por outro, sentirem‑se livres para assumir quem são e afirmar: 'é assim que eu sou, gostem ou não'. Ao rever o filme, vejo minha imaturidade com certo desconforto, mas também sinto orgulho por ter dado esperança a tantas pessoas".

– Madonna sobre o filme durante 30.ª edição do GLAAD Media Awards.[93]

Escrevendo para a Billboard, Louis Virtel afirmou que o documentário foi um dos primeiros a mostrar homossexuais simplesmente desfrutando da vida, o que, a seu ver, ajudou a consolidar Madonna como "inspiração contínua para a comunidade LGBT".[94] Similarmente, Samuel R. Murrian, da Parade, afirmou que a obra levou muitos homens a saírem do armário.[95] No livro Film Theory Goes to the Movies: Cultural Analysis of Contemporary Film, Jim Collins, Ava Preacher Collins e Hilary Radner compararam Na Cama com Madonna a Paris Is Burning (1990) por ambos retratarem percepções e vivências de homens gays negros e latinos.[96] Para Melissa Anderson, em resenha publicada ao The Village Voice, a obra é, assim como Paris Is Burning, "uma análise central da identidade queer, da questão racial e do estrelato".[97] Já Keith Watson, da Slant Magazine, ressaltou que se tratou da primeira vez em que muitos fãs de Madonna e parte do público em geral viram dois homens se beijando.[5] Daryl Deino, do HuffPost, acrescentou que, para muitos espectadores, esse foi o primeiro contato com um filme de temática homossexual dirigido ao grande público, o que, em sua avaliação, abriu caminho para produções subsequentes com enfoque semelhante.[98]

O teatro Metrograph considerou-o crucial para a comunidade LGBTQ, destacando a honestidade e a falta de preconceito com que a homossexualidade era apresentada, algo raro na cultura popular da época.[99] Para Jeremy Kinser, do Queerty, a produção "teve grande impacto sobre uma geração de pessoas homoafetivas".[31] Keshishian declarou-se satisfeito ao saber que Na Cama com Madonna ajudou muitos jovens e adultos homossexuais de várias partes dos Estados Unidos, a vê-los de forma menos estigmatizada e mais descontraída.[31] Na seção Panorama do Festival Internacional de Cinema de Berlim 2016, estreou Strike a Pose, documentário dirigido por Ester Gould e Reijer Zwaan sobre seis dos sete dançarinos da Blond Ambition Tour que apareceram em Na Cama com Madonna, entre os quais Kevin Stea, Carlton Wilborn, Luis Xtravaganza Camacho, Jose Gutierez Xtravaganza, Salim Gauwloos e Oliver Crumes.[100][101] Segundo Gauwloos, a obra retratava a experiência de ser homossexual em um contexto de pouca aceitação social.[102] Sue Trupin, mãe do dançarino Gabriel Trupin, que morreu por complicações da AIDS em 1995, afirmou que "não imaginava o quanto o documentário fora importante para a autoaceitação e a autoestima de tanta gente", acrescentando que o filho, que encabeçou o processo contra Madonna, teria ficado extremamente orgulhoso do impacto do filme sobre esse público em todo o mundo.[103] Trenton Straube, da revista POZ, concluiu: "Era 1991 – antes da internet, antes do casamento entre pessoas do mesmo sexo, antes de Will & Grace. Na Cama com Madonna foi um divisor de águas. Mudou vidas".[104]

Para Joe Coscarelli, do The New York Times, Na Cama com Madonna "deixou de ser apenas um clássico cult para se tornar uma referência entre fãs da cultura popular e para uma geração do público queer".[38] Nina Metz, do Chicago Tribune, destacou a sua influência sobre os reality shows, ressaltando que estreou apenas um ano antes de The Real World, da MTV.[105] Lee Barron escreveu, em Celebrity Cultures: An Introduction, que a produção antecedeu um elemento que se tornaria frequente nos reality: as falas feitas diretamente para a câmera.[106] A mesma nota foi dada por Matt Cain, do The Daily Telegraph, acrescentando que o mesmo precedeu a atual leva de realitys "cuidadosamente roteirizados".[107] Benjamin Halligan, Robert Edgar e Kirsty Fairclough-Isaacs escreveram, em The Music Documentary: Acid Rock to Electropop, que a influência da obra se faz sentir em toda a cultura contemporânea das celebridades. Para os autores, o registro respondeu ao fascínio do público pela vida das figuras célebres.[108] Em avaliação semelhante, Jason Bailey, do Flavorwire, afirmou que um programa como Keeping Up with the Kardashians seria impensável sem o documentário.[109] Nina Metz apontou que Madonna já exemplificava, de certo modo, a lógica que mais tarde se consolidaria nas redes sociais.[105] Para Amy Roberts, a obra "distinguiu-se como uma produção precursora ao levantar questões decisivas sobre a cultura e a sociedade de seu tempo".[72]

No entendimento de Noel Murray, a obra se apresenta, em sua essência, como um estudo de marketing.[11] Keshishian concluiu que "é preciso ser alguém muito singular, em um momento igualmente singular da vida, para querer fazer um filme assim. Poucos têm a capacidade de fazer o que Madonna faz em Na Cama com Madonna".[38] Percebem‑se sinais dessa influência em diversos outros documentários musicais, como White Diamond: A Personal Portrait of Kylie Minogue (2007), Justin Bieber: Never Say Never (2011), One Direction: This Is Us (2013) e Homecoming: A Film by Beyoncé (2019).[110][76][111][112] Katy Perry chegou a citar Na Cama com Madonna como inspiração direta para o documentário Katy Perry: Part of Me (2012).[113] Tanto Gaga: Five Foot Two (2017) quanto Miss Americana (2020) foram comparados ao filme;[114][115][116] Lorraine Ali, do Los Angeles Times, afirmou que, enquanto Na Cama com Madonna apresentava "uma narrativa estruturada sobre a vida [de Madonna]", Five Foot Two é "amador demais para tentar algo semelhante, muito menos para construir uma identidade própria".[114] Para David Fear, da Rolling Stone, mesmo três décadas depois, a produção ainda "segue como a principal referência para documentários sobre estrelas do pop".[12] Em 2016, Selena Gomez escolheu Keshishian para dirigir o videoclipe de "Hands to Myself", motivada pela direção dele em Na Cama com Madonna.[117] Brady Corbet citou a atuação de Madonna no documentário como uma das inspirações para Celeste Montgomery, protagonista de seu filme Vox Lux (2018), interpretada por Natalie Portman.[91] Em 2018, o The Guardian elegeu Na Cama com Madonna como o melhor documentário musical já feito.[73] Para Amy Roberts, "dificilmente veremos outra obra do gênero alcançar um impacto semelhante".[72]

Exibido em novembro de 1991, o nono episódio da segunda temporada da comédia de situação Blossom, "Rockumentary", satirizava Na Cama com Madonna. No enredo, Blossom Russo (Mayim Bialik) adormece assistindo ao filme e se imagina como uma cantora famosa estrelando o próprio documentário.[118] Neil Patrick Harris interpreta Derek Slade, personagem inspirado em Warren Beatty, que acaba convencendo Blossom a demitir seu pai e empresário, Nick (Ted Wass).[119]

Um mês depois, a comediante Julie Brown dirigiu e estrelou o mocumentário Medusa: Dare to Be Truthful.[120] No filme, Brown interpreta Medusa, uma "sensação musical maníaco-depressiva, de ego incontrolável e apetite sexual insaciável", que autoriza uma equipe de documentaristas a acompanhá-la ao longo da turnê "Blonde Leading the Blonde Tour".[121] Kathy Griffin e Donal Logue integraram o elenco em papéis coadjuvantes.[122] O longa apresentava paródias de várias canções de Madonna, como "Party in my Pants" ("Like a Prayer"), "Expose Yourself" ("Express Yourself") e "Vague" ("Vogue").[123][124] Foi também bem recebido pela crítica; Joe Rhodes, do Los Angeles Times, escreveu que "como a atuação de Madonna muitas vezes parece uma sátira de si mesma, por vezes torna-se difícil distinguir 'Medusa' da figura real'".[123] Em entrevista a Michael Musto, do The Village Voice, Brown comentou sobre a reação de Madonna ao assistir ao filme: "No começo, soube que ela tinha gostado muito. Depois, fiquei sabendo que não havia gostado da cena em que eu me revirava no túmulo do meu cachorro. Mas a própria Madonna revirou-se no túmulo da mãe dela – como se isso, por si só, não fosse ofensivo o suficiente. Depois, disse que não gostou da parte em que os dançarinos me processavam, porque aquilo de fato aconteceu". Como presente, Madonna enviou a Brown uma garrafa de champanhe aberta pela metade.[125]

Em março de 1993, a série britânica de comédia French and Saunders satirizou o filme em um esquete intitulado In Bed with French & Saunders, em que Dawn French e Jennifer Saunders interpretavam Madonna.[126] Outra sátira foi ao ar no especial de Natal de 1997 de The RuPaul Show, talk show apresentado por RuPaul e exibido pelo canal a cabo VH1, contando com participações especiais de Hall & Oates, Suzanne Somers e En Vogue.[127]

Notas

  1. ↑ Em língua portuguesa (tradução literal): "Verdade ou Desafio: Na Estrada, Nos Bastidores e Na Cama com Madonna".

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Bibliografia

Ligações externas