Orlando Neves

Orlando Neves
Nome completoOrlando Loureiro Neves
Nascimento
Morte
24 de janeiro de 2005 (69 anos)

OcupaçãoEscritor, poeta, dramaturgo

Orlando Loureiro Neves (Portalegre, 11 de setembro de 1935 — Senhora da Hora, Matosinhos, 24 de janeiro de 2005) foi um escritor, poeta e dramaturgo português. Foi também tradutor, tendo traduzido para português dezenas de obras. Encenou diversas peças de teatro.

Biografia

Orlando Loureiro Neves nasceu em Portalegre, mas fez o ensino primário em Lisboa e nas Caldas da Rainha. O ensino secundário foi feito em várias cidades: Lisboa (Liceu Gil Vicente); Porto (Liceu D. Manuel II); Guimarães (Liceu Nacional de Guimarães) e finalmente no Porto no já referido Liceu D. Manuel II.

Ingressou na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa (onde foi dispensado do exame de admissão), tendo aí terminado a licenciatura em Direito, em Junho de 1958, com 22 anos de idade. Dos tempos da faculdade de direito encontra-se colaboração da sua autoria na publicação académica Quadrante [1] (1958-1962) publicada pela Associação Académica da Faculdade de Direito de Lisboa.


Orlando Neves exerceu diversas actividades, quase todas ligadas à cultura. Foi Diretor de Publicidade e Relações Públicas da fábrica EFACEC em São Mamede de Infesta, nos arredores do Porto.

Colaborou no Teatro Moderno dos Fenianos da cidade do Porto. Foi vice-presidente do Teatro Experimental do Porto. Trabalhou como documentalista no Laboratório Nacional de Engenharia Civil em Lisboa, onde esteve cerca de um ano (1965-1966) e de onde foi obrigado a sair por se recusar um documento em que declarava a não prática de atos contra a ditadura do Estado Novo, regime com que ele não concordava.

Trabalhou como jornalista no Jornal República no campo da cultura, tendo aí sido crítico de teatro e de televisão.

Em 1971-1972, foi convidado para director literário do Círculo de Leitores, tendo assim de abandonar a redação do jornal "República". Em Julho de 1974 foi despedido do Círculo de Leitores, se justa causa pela administração alemã por ter colaborado e presidido à Assembleia Geral de Trabalhadores que decretara em Maio desse ano, uma greve por motivos salariais.

Em julho de 1974, assumiu a direcção literária da Portugália Editora, de onde saiu por divergências com os proprietários da referida editora.

Em Fevereiro de 1975 fundou a Cooperativa Editorial Diabril para a qual leva José Gomes Ferreira e de quem são publicadas e reeditadas várias obras.

Foi diretor de Relações Públicas e assessor do Teatro São Luiz, na altura em que este era dirigido por Carlos Wallenstein.

Como jornalista foi free-lancer, tendo colaborado nos jornais "A Luta" e "Expresso" com críticas de televisão, teatro e literatura. Trabalhou no jornal de Diário de Notícias também com críticas de rádio e escreve crónicas. Em 1980 foi apresentador do programa cultural semanal "Manta de Retalhos" na RTP1, considerado pela crítica como o melhor programa cultural de televisão feito até então. Foi co-autor da primeira série do programa de rádio "Pão com Manteiga".

Em 1984, encenou no Teatro Nacional D. Maria II, a peça de Vicente Sanches "A birra do Morto", que obteve o Prémio Revelação em Encenação pela Associação Portuguesa de Crítica de Teatro. Entre 1985 e 1986, encenou na Fundação Calouste Gulbenkian, no ciclo "Retorno à Tragédia", as peças "À procura da Tragédia" e o "Indesejado" de Jorge de Sena.

Em 1992, saiu do Diário de Notícias, dedicando-se em exclusividade à profissão de escritor.

Em 1998, foi galardoado com Prémio Literário Cidade de Almada, graças à obra: Torrebriga – Cenas da Vida no Interior, lançada no ano seguinte pela editora Campo das Letras do Porto.

Faleceu na cidade do Porto, a 24 de Janeiro de 2005 e como vimos teve uma vida muito multifacetada quase sempre ligada à cultura.

Obras

Orlando Neves escreveu obras de diversos tipos literários, cobrindo vários géneros literários, da poesia ao romance, passando pelo teatro e literatura infanto-juvenil.

Poesia

Orlando Neves escreveu várias obras de poesia, entre as quais há a referir:

  • Sopapo para a destruição da felicidade (1959);
  • O silêncio na cidade (1963);
  • Canção para o jovem país (1963);
  • Respondo por mim (1971);
  • O corpo e a voz (1973);
  • Morte minuciosa (1976);
  • Diário da desordem, fragmentos (1984);
  • 20 ironias literais (1985);
  • Morte minuciosa, 2ª edição, refundida e aumentada (1986); 3ª edição (1996);
  • Trovas da infância na aldeia (1987);
  • Regresso de Orfeu (1989);
  • Odes de Mitilene (1990);
  • Lamentação em Cáucaso (1990);
  • Ulisses e Nausica (1990);
  • Noema (1991);
  • Decomposição – A Casa (1992);
  • Mar de que futuro (1993);
  • Organon para a decifração da poesia (1993);
  • Loca obscura, pranto de Leonor de Sepúlveda (1994);
  • Poesia (1995);
  • Máscaras (1997);
  • O Outro Discurso de António (1998)
  • Nocturnidade (1999);
  • Diário de Estar e Ser (2000);
  • Clamores (2001).

Contos

  • A condecoração (1984)
  • Rua do Sol (1992)
  • Histórias de espanto e exemplo (1993)

Romances

  • Morte em Campo de Ourique (1987)
  • Morta em Vila Viçosa(1991)
  • Memórias de um rufia lisboês (1994)
  • Torrebriga – Cenas da Vida no Interior (1999). Recebeu o Prémio Literário Cidade de Almada em 1998

Fábulas

Fabulário (1995)

Literatura infanto-juvenil

  • O mundo dos porquês (1969);
  • Os brinquedos do Tozé fizeram banzé, teatro (1978);
  • Aventuras de animais e outros que tais, teatro, com colaboração (1982);
  • Histórias da Ana Alexandra (1988);
  • Aventuras do Gato Chalupa (contos)
  • O Tio Maravilhas, teatro (1991);
  • O mosquito zzzz.... Zzzz, teatro (1992).
  • Teatro para Crianças (1999).

As peças de teatro infantil referidas foram todas representadas quer por grupos de teatro profissionais quer amadores.

Teatro

  • A Execução, seguida de seis peças em um acto (1966);
  • Humor Próprio, com colaboração (1975);
  • Crisântemos e Malmequeres (1987), não publicado, mas levada a cena pela Companhia de Teatro Reportório, no Trindade no Porto;
  • 30 Anos de Teatro (1993), recolha de críticas e ensaios sobre teatro

Crónicas

  • Lisboa em crónica (1968);
  • Textos Históricos da Revolução (1975)[2]
  • Diário de uma revolução, com colaboração (1979)
  • Eanes, um presidente no curso da constituição, com colaboração (1979)

Traduções

  • História de O (Histoire D'O), de Pauline Réage (1976)

Outras

  • Pão com manteiga (1º volume) (1981)
  • O castelo medieval e a cultura coeva (1984)
  • De longe à China (1988);
  • Dicionário de frases feitas (1991);
  • Dicionário das origens das frases feitas (1992);
  • Dicionário do palavrão e afins (com palavras de calão) (1994).
  • Dicionário de nomes próprios
  • Dicionário da origem das palavras
  • Dicionário do nome das coisas e outros epónimos

Prémios

Recebeu vários prémios, mas o mais recente foi:

  • Prémio Cidade Almada Ficção 1998 com o romance: Torrebriga: cenas da vida no interior

Referências

Ligações externas