Orthocerida

Orthocerida
Intervalo temporal:
Ordoviciano-Triássico
a imagem a cima é de um Ortocone
Classificação científica
Reino:
Filo:
Classe:
Superordem:
Ordem:
Ellesmerocerida
Espécie-tipo
'""Orthoceras regulare""'
Familias e Clados

Orthoceratidae

  • †Bitaunioceras
  • †Chebbioceras
  • †Ctenoceras
  • †Infundibuloceras
  • †Kionoceras
  • †Kopaninoceras
  • †Merocycloceras
  • †Michelinoceras
  • †Ogygoceras
  • †Orthoceras
  • †Orthocycloceras
  • †Oxfordoceras
  • †Palorthoceras
  • †Plagiostomoceras
  • †Pleurorthoceras
  • †Pojetoceras
  • †Polygrammoceras
  • †Pseudospyroceras
  • †Striatocycloceras
  • †Theoceras
  • †Tibichoanoceras
  • †Trematoceras

hadrocerida/pseudorthocerida

  • Arionoceratidae
  • Baltoceratidae
  • Clinoceratidae
  • Engorthoceratidae
  • Geisonoceratidae
  • Lamellorthoceratidae
  • Proteoceratidae
  • Stereoplasmoceratidae
  • Paraphragmitidae
  • Sphooceratidae
Sinónimos

Michelinocerida

A ordem Orthocerida (ou Michelinocerida) é um grupo mais amplo e duradouro de nautiloides que existiu do Ordovícico até o Triássico.

Morfologia

  • Conchas Longas e Finas: Diferente dos endocerídeos robustos, os ortocerídeos tinham conchas geralmente mais estreitas e elegantes.
  • Sifúnculo Central: O tubo interno era tipicamente estreito e posicionado no centro da concha, não na borda ventral.
  • Ancestralidade: São considerados ancestrais de grupos modernos importantes, como as lulas e polvos (Coleoidea), e dos extintos amonites.
  • Fósseis Comuns: O gênero Orthoceras é extremamente comum em lojas de colecionadores, especialmente em placas de calcário polido vindas de Marrocos.

história ciêntifica

A história científica da ordem Orthocerida (cefalópodes de concha reta) é marcada por uma evolução que vai de curiosidades folclóricas a um complexo quebra-cabeça taxonômico.[1]

1. Origens e Primeiras Descrições

Antes de serem compreendidos como fósseis, as conchas de ortocerídeos eram frequentemente interpretadas por mitos. Na Europa, eram chamadas de "dedos do diabo" ou "velas fantasmagóricas". [2]

  • O Gênero Orthoceras: Descrito formalmente por Bruguière em 1789, o nome deriva do grego para "chifre reto".
  • O "Táxon de Lixeira": Durante o século XIX e início do XX, o nome Orthoceras foi usado de forma genérica para quase qualquer cefalópode de concha cônica do Paleozoico. Isso criou uma confusão ciêntifica que levou décadas para ser resolvida.

2. Refinamento Taxonômico

A partir de meados do século XX, estudos detalhados das estruturas internas (como o sifúnculo e os depósitos camerais) permitiram separar os verdadeiros ortocerídeos de outros grupos visualmente parecidos, como os Endocerida. [3]

  • Orthoceras sensu stricto: Hoje, o gênero Orthoceras é restrito a espécies específicas do Ordoviciano Médio da região do Báltico e Suécia, como o O. regulare.
  • A Ordem Orthocerida: Foi estabelecida para agrupar diversas famílias que compartilham um ancestral comum, provavelmente surgindo dos Ellesmerocerida no início do Ordoviciano.

3. Importância Evolutiva

A ciência moderna vê os Orthocerida como peças-chave na árvore da vida marinha:

  • Ancestrais de Gigantes: Eles deram origem a linhagens que evoluíram para os amonites e, eventualmente, para os polvos e lulas modernos (coleoides).
  • Cronologia: Viveram do Ordoviciano Inferior (~490 Ma) até o Triássico (~240 Ma), com evidências contestadas de sobrevivência até o Cretáceo.
  • Paleobiologia: Estudos de radulas fossilizadas sugerem que eles tinham uma afinidade biológica mais próxima com as lulas atuais do que com o Nautilus vivo.

Atualmente, centros como o Museu de História Natural de Londres continuam a utilizar tecnologias de microtomografia para entender como esses animais controlavam sua flutabilidade há centenas de milhões de anos.[4]

Hístória geologica

A história geológica da ordem Orthocerida (ou Michelinocerida) abrange quase toda a Era Paleozoica, estendendo-se por cerca de 250 milhões de anos.

1. Surgimento e Radiação (Ordoviciano)

  • Origem: O grupo surgiu no início do Ordoviciano (há cerca de 490 milhões de anos), provavelmente a partir da ordem Ellesmerocerida.
  • Domínio: Durante este período, tornaram-se os principais predadores dos oceanos. Enquanto a maioria das formas de vida ainda era pequena, alguns ortocerídeos (como o famoso orthoceras, muitas vezes associado a essa morfologia) atingiram tamanhos gigantescos.

2. Apogeu e Diversificação (Siluriano e Devoniano)

  • Estabilidade: Entre o Siluriano e o Devoniano, os ortocerídeos alcançaram sua maior diversidade e distribuição global. Seus fósseis são abundantes em depósitos de calcário marinho, especialmente na região que hoje é o Saara (Marrocos) e nos países bálticos.
  • Evolução: Foi nesse intervalo que linhagens de ortocerídeos começaram a desenvolver conchas enroladas, dando origem aos primeiros amonoides e, posteriormente, aos ancestrais dos cefalópodes modernos (coleoides).

3. Declínio e Extinção (Carbonífero ao Triássico)

  • Substituição: No Carbonífero e Permiano, o grupo começou a perder espaço para cefalópodes mais ágeis e com conchas mais complexas.
  • O Fim: A maioria dos ortocerídeos desapareceu na Extinção do Permiano-Triássico, o maior evento de extinção da Terra. Embora algumas linhagens raras tenham persistido até o final do Triássico (~200 Ma), a ordem foi formalmente extinta antes do início do Jurássico.

Registro Fóssil Notável

A geologia desses animais é famosa pelas "rochas de Orthoceras", lajes de pedra negra polida encontradas comercialmente, que revelam centenas de conchas brancas preservadas. Elas representam antigos leitos marinhos onde as carcaças foram acumuladas por correntes oceânicas.

Referencias

[1][2][3][4]

  1. 1 2 Kröger, Björn; Evans, David H. (fevereiro de 2011). «Review and palaeoecological analysis of the late Tremadocian - early Floian (Early Ordovician) cephalopod fauna of the Montagne Noire, France». Fossil Record (em inglês) (1): 5–34. doi:10.1002/mmng.201000013. Consultado em 28 de fevereiro de 2026
  2. 1 2 King, Andy H.; Evans, David H. (1 de março de 2019). «High-level classification of the nautiloid cephalopods: a proposal for the revision of the Treatise Part K». Swiss Journal of Palaeontology (em inglês) (1): 65–85. ISSN 1664-2376. doi:10.1007/s13358-019-00186-4. Consultado em 28 de fevereiro de 2026
  3. 1 2 Pohle, Alexander; Kröger, Björn; Warnock, Rachel C. M.; King, Andy H.; Evans, David H.; Aubrechtová, Martina; Cichowolski, Marcela; Fang, Xiang; Klug, Christian (dezembro de 2022). «Early cephalopod evolution clarified through Bayesian phylogenetic inference». BMC Biology (em inglês) (1). ISSN 1741-7007. doi:10.1186/s12915-022-01284-5. Consultado em 28 de fevereiro de 2026
  4. 1 2 Pohle, Alexander; Kröger, Björn; Warnock, Rachel C. M.; King, Andy H.; Evans, David H.; Aubrechtová, Martina; Cichowolski, Marcela; Fang, Xiang; Klug, Christian (dezembro de 2022). «Early cephalopod evolution clarified through Bayesian phylogenetic inference». BMC Biology (em inglês) (1). ISSN 1741-7007. doi:10.1186/s12915-022-01284-5. Consultado em 28 de fevereiro de 2026