Panaeolus cinctulus

Panaeolus cinctulus

Classificação científica
Domínio: Eukaryota
Reino: Fungi
Filo: Basidiomycota
Classe: Agaricomycetes
Ordem: Agaricales
Família: Bolbitiaceae
Género: Panaeolus
Espécie: P. cinctulus
Nome binomial
Panaeolus cinctulus
(Bolton) Saccardo (1887)
Distribuição geográfica
Distribuição aproximada de Panaeolus cinctulus
Distribuição aproximada de Panaeolus cinctulus
Sinónimos[1][2]
Agaricus cinctulus Bolton (1791)

Coprinus cinctulus (Bolton) Gray (1821)
Agaricus fimicola var. cinctulus (Bolton) Cooke (1883)
Panaeolus fimicola var. cinctulus (Bolton) Rea (1922)
Agaricus subbalteatus Berk. & Broome (1861)
Panaeolus subbalteatus (Berk. & Broome) Sacc. (1887)
Panaeolus alveolatus Peck (1902)
Panaeolus acidus Sumstine (1905)
Campanularius semiglobatus Murrill (1911)
Panaeolus semiglobatus (Murrill) Sacc. & Trottcr (1925)
Panaeolus rufus Overh. (1916)
Panaeolus variabilis Overh. (1916)
Panaeolus venenosus Murrill (1916)
Psilocybe vernalis Velen. (1921)
Campanularius pumilus Murrill (1942)
Panaeolus pumilus (Murrill) Murrill (1942)
Panaeolus dunensis Bon & Courtec (1983)

Panaeolus cinctulus
float
float
Características micológicas
Himêmio laminado
  
Píleo é campanulado
  ou convexo
  
Lamela é adnata
  ou adnexa
Estipe é nua
A cor do esporo é preto
A relação ecológica é saprófita
Comestibilidade: psicotrópico

Panaeolus cinctulus é uma espécie de cogumelo que contém psilocina muito comum e amplamente distribuído.

Etimologia

O epíteto específico cinctulus é derivado do latim cinctus (cinto, cintura) e lus (diminutivo),[3] pequeno cinto, em referência à faixa externa escura presente no píleo. Anteriormente conhecida como P. subbalteatus, o epíteto também deriva das palavras em latim sub (“um tanto”) e balteatus (“cingido”), em referência à essa característica.[4]

Descrição

O píleo mede de 1,5 a 6 cm de largura,[5] sendo hemisférico a convexo quando jovem e tornando-se amplamente umbonado ou plano com a idade,[4] liso e higrófano, de coloração marrom-canela intensa quando úmido, ficando preto-fuligem quando muito molhado, cor que desaparece à medida que o cogumelo seca completamente. Apresenta uma faixa externa escura ao redor da margem que distingue a espécie.[4] A carne é fina e acastanhada.[5]

As lamelas são próximas, adnatas a adnexas, de cor creme quando jovens, tornando-se depois marrom-acinzentadas manchadas e, por fim, preto-fuligem.[5] As bordas das lamelas são brancas e levemente franjadas, mas escurecem totalmente quando maduras.[6] A esporada é preta.[7]

O estipe mede de 4 a 10 cm de comprimento e de 1 a 10 mm de espessura, é igual ou afunilado nas extremidades, castanho-avermelhado ou coberto por um pó esbranquiçado, oco,[5] sem restos de véu, longitudinalmente fibriloso e branco, estriado no ápice ou torcido verticalmente ao longo de todo o comprimento. A base do estipe e o micélio ocasionalmente adquirem coloração azulada.[5]

Características microscópicas

Os esporos medem de 11 a 14 por 7,5 a 9,5 μm, são lisos, elípticos a romboides em vista frontal, de paredes espessas, e elípticos em vista lateral.[5][6]

Espécies semelhantes

Morfologicamente, P. cinctulus pode ser facilmente confundido com outras espécies de cogumelos psilocíbicos.[5] Os esporos pretos e o píleo não viscoso distinguem-na de Psilocybe, e o tamanho maior e as lamelas pretas com a idade a diferencia de Panaeolus foenisecii, que habita gramados e também pode apresentar uma zona no píleo. Também pode se parecer com P. fimicola e P. olivaceus.[6]

Habitat e formação

Panaeolus cinctulus é uma espécie cosmopolita que cresce solitária a gregária a cespitosa (densamente agrupada) em pilhas de composto, gramados e jardins bem fertilizados e, raramente, diretamente sobre esterco.[6] Ela cresce da primavera ao outono, abundantemente após chuvas. Pode ser encontrada em muitas regiões, incluindo: África[8] (África do Sul),[8] Áustria,[8][9] Canadá (Alberta, Colúmbia Britânica, Nova Brunswick, Ilha do Príncipe Eduardo, Ontário, Quebec, Nova Escócia),[8] Dinamarca,[9] França,[8] Alemanha,[8][9] Grã-Bretanha,[8] Guadalupe,[9] Estônia,[8] Islândia,[8] Índia,[8] Irlanda,[8] Itália,[8] Coreia do Sul,[8] Japão,[8] México,[9] Nova Guiné,[8] Nova Zelândia,[8] Noruega,[9] Filipinas,[8] Rússia,[8] Romênia ,[8] Eslovênia,[9] América do Sul (Argentina, Chile, Brasil)[8] e nos Estados Unidos (muito comum em Oregon, Alasca, Washington e tanto no norte quanto no sul da Califórnia, mas conhecida por ocorrer em quase todos os 50 estados).[9]

De acordo com o micologista americano David Arora, P. cinctulus é o cogumelo psilocíbico mais comum na Califórnia.[5]

Também foi avistado em nas costas oeste, leste e sul da Austrália, Bélgica e na República Tcheca.[9]

O cogumelo é comum o suficiente para ser considerado uma erva daninha.[7] Panaeolus cinctulus é fraco a moderadamente psicoativo.[4]

Galeria

Ver também

Referências

  1. ↑ «Panaeolus cinctulus (Bolton) Sacc. 1887». MycoBank. International Mycological Association. Consultado em 11 de maio de 2011
  2. ↑ Gerhardt, E. (1996). «Taxonomische Revision der Gattungen Panaeolus und Panaeolina (Fungi, Agaricales, Coprinaceae)». Bibliotheca Botanica. 147: 1–149
  3. ↑ PORTO EDITORA. Dicionário Latim - Português. [S.l.: s.n.] Consultado em 9 de fevereiro de 2026
  4. 1 2 3 4 Trudell, Steve; Ammirati, Joe (2009). Mushrooms of the Pacific Northwest. Portland, OR: Timber Press. pp. 201–202
  5. 1 2 3 4 5 6 7 8 Arora, David (1986). Mushrooms Demystified: A Comprehensive Guide to the Fleshy Fungi 2ª ed. Berkeley, CA: Ten Speed Press. pp. 358–359
  6. 1 2 3 4 Stamets, Paul (1996). Psilocybin mushrooms of the world : an identification guide. Internet Archive. [S.l.]: Berkeley, Calif. : Ten Speed Press. p. 82. ISBN 978-0-89815-839-7. Consultado em 9 de fevereiro de 2026
  7. 1 2 Lincoff, Gary (1981). The Audubon Society field guide to North American mushrooms. Internet Archive. [S.l.]: New York : Knopf : Distributed by Random House. p. 604. ISBN 978-0-394-51992-0. Consultado em 9 de fevereiro de 2026
  8. 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 Gastón Guzmán, John W. Allen, Jochen Gartz (1998). «A worldwide geographical distribution of the neurotropic fungi, an analysis and discussion» (PDF). Annali del Museo Civico di Rovereto (14): 189–280 (on Fondazione Museo Civico di Rovereto)
  9. 1 2 3 4 5 6 7 8 9 «GBIF - Panaeolus cinctulus occurrence». Global Biodiversity Information Facility. Consultado em 9 de fevereiro de 2026

Ligações externas