Partido Missão
Partido Missão | |
|---|---|
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| Sigla | MISSÃO |
| Número eleitoral | 14 |
| Presidente | Renan Santos |
| Secretário-geral | Victor Couto[1] |
| Fundador | Movimento Brasil Livre |
| Fundação | 17 de outubro de 2023 (2 anos) |
| Registro | 4 de novembro de 2025 (6 meses) |
| Sede | Brasília (sede central e foro)[2] São Paulo (sede administrativa e financeira)[2] |
| Ideologia | Conservadorismo social[3] Liberalismo econômico[3][4] Nacional-liberalismo[5] Fiscalismo[3] |
| Espectro político | direita[10][11][12][3][13] à extrema-direita[14][15][16][17][18] |
| Membros (2026) | 20.000 filiados[19] |
| País | |
| Governadores (2026) | 0 / 27 |
| Prefeitos (2026) | 0 / 5 569 |
| Senadores (2026) | 0 / 81 |
| Deputados federais (2026) | 1 / 513 |
| Deputados estaduais (2026) | 1 / 1 024 |
| Vereadores (2026) | 2 / 58 026 |
| Cores | Preto Branco Amarelo |
| Slogan | "A missão de criar um Brasil melhor."[20] |
| Bandeira do partido | |
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| Página oficial | |
| partidomissao.com | |
Partido Missão (MISSÃO) é um partido político brasileiro, diretamente ligado ao Movimento Brasil Livre (MBL). Sua criação foi aprovada por unanimidade pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 4 de novembro de 2025, tornando-se a 30.ª legenda apta a disputar eleições no país.[21][22][23]
Em 26 de junho de 2025, o grupo atingiu o número mínimo de assinaturas válidas exigidas pela Justiça Eleitoral do Brasil para a solicitação de registro partidário, conforme determina a legislação brasileira. O processo de oficialização como partido político ocorreu em 4 de novembro do mesmo ano, pelo Tribunal Superior Eleitoral, com o deferimento do pedido de registro. Em dezembro de 2025, o partido possuía 127 filiados.[24][25][26]
História
Antecedentes
O Partido Missão tem origem no Movimento Brasil Livre (MBL), organização política fundada em 1º de novembro de 2014 por Kim Kataguiri, Renan Santos, Rubinho Nunes e outros ativistas, que se destacou por organizar manifestações em defesa da Operação Lava Jato e contra o governo Dilma Rousseff, ganhando projeção nacional durante os protestos pelo impeachment de Dilma nos anos de 2014 a 2016.[27]
Após o impeachment, o movimento se mobilizou a favor da aprovação da reforma trabalhista e da reforma previdenciária,[28] propostas legislativas articuladas pelo Governo Temer. Além disso, se consolidou como uma força política liberal-conservadora[29] de espectro político de direita, lançando e apoiando candidatos nas eleições de 2016 e 2018, entre eles Fernando Holiday,[30] Kim Kataguiri[31] e Arthur do Val,[32] por diferentes partidos políticos. Nas eleições de 2018, apoiaram no segundo turno a candidatura de Jair Bolsonaro à presidência,[33] mas, a partir do início de 2019, o grupo passou a se distanciar do bolsonarismo e da figura do então presidente eleito. O rompimento definitivo seguiu-se em maio do mesmo ano, nas manifestações marcadas por grupos orbitantes ao governo Bolsonaro, os quais pleiteavam o fechamento do Congresso Nacional e o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), bem como o apoio irrestrito à figura do então presidente.[34]
Criação e registro como partido político
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Após as eleições de 2018, os líderes do Movimento Brasil Livre afirmaram o desejo de que o movimento tivesse um partido próprio, porém, manifestando, à época, preferência em adotar uma legenda já existente no lugar de formar uma legenda nova.[35] Após a experiencia de comandar uma chapa municipal do Patriota nas eleições de 2020, quando o movimento elegeu três vereadores e obteve pouco menos de 10% dos votos para a prefeitura da cidade de São Paulo, em 2021, foram abertas negociações com os partidos Cidadania, Podemos e Partido Novo para disputar sob uma legenda única as eleições de 2022.[36] Em janeiro do ano seguinte, foi firmado um acordo com o Podemos para que o partido pudesse concentrar a maior parte das candidaturas do movimento.[37] Porém, em março de 2022, após o vazamento dos áudios de Arthur do Val, o Movimento Brasil Livre e o Podemos racharam, o que levou grande parte dos membros do movimento a migrarem para o partido União Brasil (UNIÃO).[38] Após as eleições naquele ano, nas quais o MBL acumulou derrotas eleitorais significativas, o movimento passou a adotar posturas estratégicas diferentes: passou a defender a utilização[39] do financiamento publico de campanhas eleitorais por meio do Fundo Especial de Financiamento de Campanha, e a criação de um partido político próprio.[40][41] Além disso, o partido União Brasil (UNIÃO) impediu a candidatura de Kim Kataguiri para a eleição de 2024 à chefia da Prefeitura Municipal de São Paulo, favorecendo o então prefeito Ricardo Nunes (MDB) e reforçando o projeto de partido político próprio, no entanto, embora tenha criticado a gestão de Nunes, Kataguiri apoiou a candidatura, alegando voto útil contra Guilherme Boulos (PSOL).[42][43][44]
Em 17 de outubro de 2023, foram publicados no Diário Oficial da União (DOU) o estatuto e o programa do partido,[2][45] já seu registro de Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) junto à Receita Federal do Brasil data de 23 de outubro de 2023.[21] Em 4 de novembro do mesmo ano, líderes do movimento anunciaram a fundação do partido no 8.º Congresso Nacional do MBL em São Paulo, com a promessa de renovação da direita brasileira e construção de uma alternativa liberal-conservadora apartada tanto do bolsonarismo quanto da esquerda tradicional.[46][47] Renan Santos, seu presidente, afirmou nesse congresso que não seria possível que o MBL construísse algo a partir dos existentes partidos políticos, deslegitimando a maioria deles ao chamá-los de meros cartórios e legendas, enquanto reconhecia o Partido dos Trabalhadores (PT) como um partido real.[47]
Ainda em 4 de novembro de 2023, foram anunciados também o nome e os símbolos do partido.[47] O mascote, que está em sua logotipo, é a onça, e as cores que o representam foram escolhidas com base no animal.[39] A bandeira é formada por três listras horizontais, uma preta, uma branca e uma amarela, tendo na listra branca sua logotipo.[47] Anunciaram ter a pretenção de utilizar o 14 como número partidário, que anteriormente foi usado pelo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB).[48] Israel Russo, coordenador do MBL, em entrevista ao Último Segundo em 2023, disse que o nome "Missão" foi escolhido em detrimento de "Movimento Brasil Livre" para distinguir da organização inicial (o MBL) e refletir uma missão dos membros do MBL na concretização do partido e no cumprimento de seu programa.[39] Renan Santos, à Revista Oeste, disse posteriormente que o nome vem de termos mercadológicos do planejamento estratégico empresarial (declaração de missão, visão e valores): "Visão e Valores do MBL todo mundo sabe, agora vamos entregar nossa Missão".[49]
No processo de obtenção de registro de partido político junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o Movimento Brasil Livre optou por não utilizar assinaturas digitais, possibilitadas desde 2021,[50] dado que consideraram o aplicativo para esse tipo de assinatura pouco amigável ao usuário e decidiram coletar as assinaturas presencialmente.[51]
Em novembro de 2024, denúncias levantadas pelo portal de notícias Intercept Brasil alegaram que a Missão teria coletado assinaturas sem informar claramente aos signatários o objetivo de obtenção de registro de partido político, o que gerou críticas sobre a transparência do processo.[52][53] Além disso, vídeos divulgados por veículos de mídia mostraram orientações internas de membros do partido recomendando aos seus coletores que evitassem estabelecer uma vinculação direta entre o MBL e a Missão durante suas abordagens. Representantes da Missão justificaram que o cuidado com a distinção entre as pessoas jurídicas do partido e do movimento se faz necessária devido à restrições impostas pela legislação eleitoral, uma delas sendo a proibição de vínculos entre partidos políticos e associações sem fins lucrativos, categoria jurídica em que se enquadra o Movimento Brasil Livre.[54][53] No mesmo período, foi noticiado que a Missão era a organização política em formação mais adiantada em sua coleta de assinaturas.[55] Durante o décimo congresso nacional do Movimento Brasil Livre, a Missão anunciou ter coletado assinaturas suficientes para obtenção do registro, contabilizando a margem de perda estimada.[56][57][58]
Em 26 de junho de 2025, o grupo atingiu o número mínimo de 547.043 assinaturas validadas, exigidas pela Justiça Eleitoral do Brasil para a solicitação de registro partidário conforme determina a legislação brasileira. Naquele momento, o processo de oficialização da Missão como partido político aguardava o julgamento e registro do seu estatuto perante o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O partido pretendia obter o registro definitivo a tempo de participar das eleições gerais de 2026.[42][1]
Em 23 de setembro de 2025, a Procuradoria Geral Eleitoral emitiu um parecer favorável a criação da sigla. Segundo o vice-procurador-geral eleitoral, Alexandre Barbosa, o grupo cumpriu os requisitos para a formação do partido, que incluem o número mínimo de assinaturas e a elaboração do programa e do estatuto. Além disso, houve parecer favorável à utilização do número 14, anteriormente usado pelo extinto Partido Trabalhista Brasileiro (PTB).[59][60][61][62]
Em 4 de novembro de 2025, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), por unanimidade, deferiu o pedido de criação do Partido Missão, sob relatoria processual do ministro André Mendonça.[63] Com a autorização da Corte, a sigla se tornou o 30.º partido político do Brasil.[64][65][66] Em 10 de novembro, Kim Kataguiri e Guto Zacarias anunciaram que se filiarão à Missão no começo do próximo ano.[67]
Ideologia
Segundo o próprio partido, entre seus principais objetivos estão o combate à corrupção e fim de privilégios no funcionalismo público; endurecimento das leis penais e processuais penais; guerra às organizações criminosas; fim das favelas; priorização da educação e da saúde pública; promoção da industrialização, especialmente no Nordeste brasileiro; respeito à responsabilidade fiscal; revisão da função do Estado; fusão de municípios financeiramente deficitários; combate ao desmatamento e à poluição, com ênfase em sustentabilidade. O partido propõe uma plataforma que combina elementos do liberalismo econômico, desenvolvimentismo e conservadorismo social.[68][69][29] O presidente Renan Santos afirma um afastamento do "liberalismo inicial do MBL", sendo um partido que, pertencendo ao campo da direita, é "altamente pragmático".[70] O deputado Kim Kataguiri apresentou uma emenda constitucional que autoriza o Brasil a produzir armas nucleares,[71] além de defender a pena de morte para membros de facções.[72] O econacionalismo também é uma pauta, com promoção de autossuficiência em matéria de energia limpa.[73] Outros princípios fundamentais incluem o nacionalismo e a “defesa dos valores culturais greco-romanos e judaico-cristãos clássicos”.[12] Embora se considerem de direita, rejeitam os rótulos de liberais e conservadores, dizendo que "essa dicotomia é uma agenda americana do século XX que não se traduz na política atual".[12]
O Livro Amarelo
Numa referência provocativa às obras O Livro Vermelho, de Mao Tsé-Tung, e Livro Verde, de Muammar Gaddafi, o Movimento Brasil Livre (MBL) nomeou o livro-programa do Partido Missão de O Livro Amarelo. A obra é constituída por uma série de publicações que servem de base programática para a agremiação política.[74]
Segundo Renan Santos, o livro apresenta um programa que "(...) em termos econômicos conversa com muita coisa do ponto de vista liberal, mas flerta com desenvolvimentismo também. Não há um dogmatismo nisso".[70]
Organização
Câmara dos Deputados
Deputados Federais
| Deputados Federais Atuais (1) | |||
|---|---|---|---|
| UF | Imagem | Deputado (a) | Ref. |
| SP | ![]() |
Kim Kataguiri* | [75] |
| Nomes marcados com o símbolo * foram eleitos em 2022 por outros partidos. Nomes marcados com o símbolo + são suplentes em exercício ou efetivados. | |||
Assembleias Legislativas
Deputados Estaduais
| Deputados Estaduais Atuais (1) | |||
|---|---|---|---|
| UF | Imagem | Deputado (a) | Ref. |
| SP | ![]() |
Guto Zacarias* | [76] |
| Nomes marcados com o símbolo * foram eleitos em 2022 por outros partidos. Nomes marcados com o símbolo + são suplentes em exercício ou efetivados. | |||
Número de filiados
| Data | Filiados[77] | Crescimento anual | |
|---|---|---|---|
| dez./2025 | 127 | – | |
Ver também
Notas e referências
Notas
Referências
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Ligações externas
Institucional
- «Página oficial»
- «Estatuto do partido (2023)» (PDF). Consultado em 5 de dezembro de 2025. Cópia arquivada (PDF) em 6 de dezembro de 2025



