Reptiliomorpha

Reptiliomorpha
Intervalo temporal:
Carbonífero−Presente
340–0 Ma
Seymouria sanjuanensisDinogorgon rubidgei
Diversidade do clado Reptiliomorpha

1.ª linha (grupo stem): Archeria crassidica, Seymouria sanjuanensis
2.ª linha (Synapsida): Dinogorgon rubidgei, Loxodonta cyclotis
3.ª linha (Sauropsida/Reptilia): Ortygornis pondicerianus, Podarcis muralis

Classificação científica e
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Clado: Tetrapoda
Clado: Reptiliomorpha
Säve-Söderbergh, 1934
Subgrupos
  • †Embolomeri
  • †Silvanerpeton
  • †Chroniosuchia
  • †Eldeceeon?
  • †Casineria
  • †Gephyrostegidae
  • †Seymouriamorpha
  • †Lepospondyli
  • †Solenodonsaurus
  • †Diadectomorpha
  • Amniota (Grupo coroa)
Sinónimos
  • Pan-Amniota Rowe, 2004[1]

Reptiliomorpha (que significa “em forma de réptil”; conhecida no PhyloCode como Pan-Amniota[2][3]) é um clado que inclui os amniotas e todos os tetrápodes que compartilham um ancestral comum mais recente com os amniotas do que com os anfíbios modernos (os lissanfíbios).

O grupo foi definido por Michel Laurin (2001) e por Vallin e Laurin (2004) como o maior clado que inclui o Homo sapiens, mas não Ascaphus truei (a rã-de-cauda). Posteriormente, Laurin e Reisz (2020) definiram Pan-Amniota como o maior clado que contém Homo sapiens, mas não Pipa pipa, Caecilia tentaculata e Siren lacertina.[4][5]

A forma informal do nome, “reptiliomorfos”, também é usada ocasionalmente para se referir aos chamados amniotas-tronco, isto é, um grau evolutivo de tetrápodes com aspecto semelhante ao de répteis que são mais próximos dos amniotas do que dos lissanfíbios, mas que não pertencem ao grupo Amniota propriamente dito. Esse uso aparece, por exemplo, em estudos como o de Ruta, Coates e Quicke (2003).[6]

Um nome alternativo frequentemente empregado é “Anthracosauria” (antracossauros). No entanto, esse termo pode causar confusão, pois também foi utilizado por Michael Benton para designar um grupo mais primitivo de reptiliomorfos conhecido como embolômeros. Embora tanto os antracossauros quanto os embolômeros sejam frequentemente considerados reptiliomorfos mais próximos dos amniotas, alguns estudos recentes mantêm esses grupos como anfíbios ou argumentam que suas relações evolutivas ainda são incertas, podendo representar tetrápodes basais do grupo-tronco.[7][8][9]

Como a posição filogenética exata dos lissanfíbios dentro de Tetrapoda ainda é incerta, também permanece controverso quais tetrápodes fósseis estão mais próximos dos amniotas do que dos lissanfíbios e, portanto, quais poderiam ser considerados reptiliomorfos, em qualquer sentido do termo. Existem duas hipóteses principais sobre a origem dos lissanfíbios. A primeira, conhecida como hipótese temnospôndila, propõe que eles descendem de temnospôndilos dissorofóides. A segunda, a hipótese lepospôndila, sugere que descendem dos chamados lepospôndilos, especialmente dos microssauros.[6]

Se a hipótese temnospôndila estiver correta, Reptiliomorpha incluiria todos os grupos de tetrápodes mais próximos dos amniotas do que dos temnospôndilos. Nesse caso, fariam parte do grupo os diadectomorfos, os seymouriamorfos, a maioria ou todos os lepospôndilos, os gephyrostegídeos e possivelmente os embolômeros e os croniossúquios. Além disso, vários gêneros tradicionalmente classificados como “antracossauros” e de posição incerta provavelmente também seriam considerados reptiliomorfos, como Solenodonsaurus, Eldeceeon, Silvanerpeton e Casineria.[10]

Por outro lado, se a hipótese lepospôndila estiver correta, Reptiliomorpha corresponderia apenas aos grupos mais próximos dos amniotas do que dos lepospôndilos. Sob essa definição, poucos grupos não amniotas seriam considerados reptiliomorfos, embora os diadectomorfos estejam entre aqueles que provavelmente se enquadrariam no clado.[6]

Taxonomia

Classificação segundo Ruta et al. (2003)[6]:

Gephyrostegus
Limnoscelis
Diplovertebron
  • Superclasse Tetrapoda
    • Superordem Reptiliomorpha
      • Família Caerorhachidae
      • Ordem Gephyrostegida
        • Família Gephyrostegidae
      • Ordem Chroniosuchia
        • Família Bystrowianidae
        • Família Chroniosuchidae
      • Ordem Embolomeri
        • Família Eoherpetontidae
        • Família Anthracosauridae
        • Família Proterogyrinidae
        • Família Eogyrinidae
        • Família Archeriidae
      • Ordem Seymouriamorpha
      • Família Diadectomorpha
      • Amniota

Bibliografía

  • Carroll, R. L., 1988: Vertebrate paleontology and evolution. W. H. Freeman and company, New York
  • Laurin, M. & Reisz, R. R., (1997): A new perspective on tetrapod phylogeny. 9-59 in Sumida, S. S. & Martin, K. L. M., 1997: Amniote origins: Completing the trasition to Land Academic Press, San Diego
  • Marjanovic, David, (2002) Re: thoughts on which nodes to name Dinosaur Mailing List
  • Säve-Söderbergh, G. (1934). Some points of view concerning the evolution of the vertebrates and the classification of this group. Arkiv för Zoologi, 26A, 1-20.
  • Second circular of the first International Phylogenetic Nomenclature Meeting 2003
  • Von Huene, F., 1956, Paläontologie und Phylogenie der niederen Tetrapoden, G. Fischer, Jena.

Referências

  1. ↑ Rowe, T. (2004). «Chordate phylogeny and development». Assembling the Tree of Life. J. Cracraft and M. J. Donoghue, eds. Oxford: Oxford University Press. pp. 384–409. ISBN 0-19-517234-5
  2. ↑ de Queiroz, K.; Cantino, P. D.; Gauthier, J. A., eds. (2020). «Pan-Amniota T. Rowe 2004 [M. Laurin and T. R. Smithson], converted clade name». Phylonyms: A Companion to the PhyloCode. Boca Raton: CRC Press. pp. 789–792. ISBN 978-1-138-33293-5
  3. ↑ «Pan-Amniota». RegNum
  4. ↑ Laurin, M. (2001). «L'utilisation de la taxonomie phylogénétique en paléontologie: avantages et inconvénients». Biosystema. 19: 197–211
  5. ↑ Vallin, Grégoire; Laurin, Michel (2004). «Cranial morphology and affinities of Microbrachis, and a reappraisal of the phylogeny and lifestyle of the first amphibians». Journal of Vertebrate Paleontology. 24 (1): 56–72. doi:10.1671/5.1
  6. 1 2 3 4 Ruta, M.; Coates, M.I.; Quicke, D.L.J. (2003). «Early tetrapod relationships revisited». Biological Reviews. 78 (2): 251–345. PMID 12803423. doi:10.1017/S1464793102006103
  7. ↑ Hodnett, John-Paul M.; Lucas, Spencer G. (2018). «A nonmarine Late Pennsylvanian vertebrate assemblage in a marine bromalite from the Manzanita Mountains, Bernalillo County, New Mexico». New Mexico Museum of Natural History and Science Bulletin. 79: 251–260
  8. ↑ Adams, Gabrielle R. (2020). «3. A phylogenetic analysis of NSM 994GF1.1 to determine the placement of embolomeres in the tetrapod tree». Description of Calligenethlon watsoni based on computed tomography and resulting implications for the phylogenetic placement of embolomeres (Tese de MSc). Carleton University
  9. ↑ Pardo, J. D. (2023). «New information on the neurocranium of Archeria crassidisca and the relationships of the Embolomeri». Zoological Journal of the Linnean Society. doi:10.1093/zoolinnean/zlad156
  10. ↑ Laurin, M.; Reisz, R.R. (1999). «A new study of Solenodonsaurus janenschi, and a reconsideration of amniote origins and stegocephalian evolution». Canadian Journal of Earth Sciences. 36 (8): 1239–1255. doi:10.1139/e99-036