Rhabditophora

Rhabditophora
Intervalo temporal:
Cambriano Série 2 – Presente
508–0 Ma
Macrostomum lignano
Classificação científica e
Reino: Animalia
Filo: Platyhelminthes
Subfilo: Rhabditophora
Ehlers, 1985
Subgrupos
Ver texto

Rhabditophora (de rhabdito-, rabdita + grego -φορος [-phoros], portador, ou seja, "portadores de rabdita") é um subfilo (anteriormente uma classe) de Platyhelminthes. Inclui todos os Platyhelminthes parasitas (clado Neodermata) e a maioria das espécies de vida livre que antes eram agrupadas na classe Turbellaria, agora obsoleta. Portanto, contém a maioria das espécies do filo Platyhelminthes, excluindo apenas os Catenulida, aos quais parecem ser o grupo irmão.

O clado Rhabditophora foi originalmente erigido por Ulrich Ehlers em 1985[1] com base em análises morfológicas e sua monofilia foi posteriormente confirmada por estudos moleculares.[2]

Descrição

Os Rhabditophora são caracterizados pela presença de rabditos lamelados, grânulos em forma de bastonete secretados nas células da epiderme e constituídos por lamelas concêntricas. Estão ausentes no clado Neodermata, muito provavelmente devido a uma perda secundária desta característica porque a sua epiderme se transforma num sincício nas formas adultas.[1]

Esquema do sistema adesivo de dupla glândula do Rhabditophora Macrostomum lignano: vermelho = glândula adesiva; verde = glândula liberadora; azul = célula de ancoragem; ep = epiderme; acmv = microvilosidades da célula de ancoragem

Outra sinapomorfia importante do grupo é o sistema adesivo duoglandular. Trata-se de uma estrutura da epiderme que contém 3 tipos celulares diferentes: células de ancoragem, glândulas adesivas e glândulas liberadoras. As glândulas adesivas secretam uma substância adesiva que fixa as células de ancoragem a uma superfície, enquanto as glândulas liberadoras secretam uma substância capaz de liberar as células de ancoragem das superfícies.[1] Esse sistema permite que os Rhabditophora se fixem e se desprendam rapidamente do substrato, até mesmo várias vezes por segundo.[3]

Os órgãos secretores dos Rhabditophora, os protonefrídios, também têm uma anatomia única na qual as células-chama e as células tubulares apresentam uma série de projeções citoplasmáticas que se sobrepõem, formando um 'vertedouro' de duas células.[1]

Sistemática

As seguintes ordens são reconhecidas no subfilo Rhabditophora:[4]

  • Classe ?
      • Superordem Macrostomorpha
            • Gênero Bradynectes
            • Gênero Myozona
          • Família Haplopharyngidae
          • Família Macrostomidae
        • Ordem Dolichomicrostomida
  • Superclasse Neodermata (parasitas)
    • Classe Cestoda
      • Subclasse Cestodaria
        • Ordem Amphilinidea
        • Ordem Gyrocotylidea
      • Subclasse Eucestoda
        • Ordem Bothriocephalidea
        • Ordem Caryophyllidea
        • Ordem Cathetocephalidea
        • Ordem Cyclophyllidea
        • Ordem Diphyllidea
        • Ordem Diphyllobothriidea
        • Ordem Lecanicephalidea
        • Ordem Litobothriidea
        • Ordem Onchoproteocephalidea
        • Ordem Phyllobothriidea
        • Ordem Rhinebothriidea
        • Ordem Spathebothriidea
        • Ordem Tetrabothriidea
        • Ordem Tetraphyllidea
        • Ordem Trypanorhyncha
    • Classe Monogenea
      • Subclasse Monopisthocotylea
        • Ordem Capsalidea
        • Ordem Dactylogyridea
        • Ordem Gyrodactylidea
        • Ordem Monocotylidea
        • Ordem Montchadskyellidea
      • Subclasse Polyopisthocotylea
        • Ordem Chimaericolidea
        • Ordem Diclybothriidea
        • Ordem Lagarocotylidea
        • Ordem Mazocraeidea
        • Ordem Polystomatidea
    • Classe Trematoda
      • Subclasse Aspidogastrea
        • Ordem Aspidogastrida
        • Ordem Stichocotylida
      • Subclasse Digenea
        • Ordem Diplostomida
        • Ordem Plagiorchiida

Referências

  1. 1 2 3 4 Ehlers, U. (1985) Phylogenetic relationships within the Platyhelminthes. In S. Conway Morris; J. D. George; R. Gibson; H. M. Platt (Eds.), The origins and relationships of lower invertebrates. Oxford, Clarendon Press, p. 143-158.
  2. ↑ Larsson, K; Jondelius, U (2008). «Phylogeny of the Catenulida and support for Platyhelminthes». Organisms Diversity & Evolution. 8 (5): 378–387. Bibcode:2008ODivE...8..378L. doi:10.1016/j.ode.2008.09.002
  3. ↑ Lengerer, B; Pjeta, R.; Wunderer, J.; Rodrigues, M.; Arbore, R.; Schärer, L.; Berezikov, E.; Hess, M. W..; Pfaller, K.; Egger, B.; Obwegeser, S.; Salvenmoser, W.; Ladurner, P. (2014). «Biological adhesion of the flatworm Macrostomum lignano relies on a duo-gland system and is mediated by a cell type-specific intermediate filament protein». Frontiers in Zoology. 11 (1). 12 páginas. PMC 4016567Acessível livremente. PMID 24520881. doi:10.1186/1742-9994-11-12Acessível livremente
  4. ↑ «WoRMS - World Register of Marine Species - Rhabditophora». www.marinespecies.org. Consultado em 13 de outubro de 2021