Ronaldo Lessa

Ronaldo Lessa
Ronaldo Lessa em 2005
Vice-governador de Alagoas
Período1° de janeiro de 2023
a atualidade
GovernadorPaulo Dantas
Antecessor(a)José Wanderley Neto
Vice-Prefeito de Maceió
Período1º de janeiro de 2021
até 1º de janeiro de 2023
PrefeitoJoão Henrique Caldas
Antecessor(a)Marcelo Palmeira
Sucessor(a)Rodrigo Cunha
Deputado federal por Alagoas
Período1º de fevereiro de 2015
a 1º de fevereiro de 2019
57.º Governador de Alagoas
Período1º de janeiro de 1999
a 31 de março de 2006
(2 mandatos consecutivos)[a]
Vice-governadoresGeraldo Sampaio (1999–2003)
Luís Abílio de Sousa Neto (2003–2006)
Antecessor(a)Manuel Gomes de Barros
Sucessor(a)Luís Abílio de Sousa Neto
64.º Prefeito de Maceió
Período1º de janeiro de 1993
a 1º de janeiro de 1997
Vice-prefeitaHeloísa Helena
Antecessor(a)Pedro Vieira da Silva
Sucessor(a)Kátia Born
Vereador de Maceió
Período1º de janeiro de 1989
a 1º de janeiro de 1993
Deputado estadual de Alagoas
Período1º de fevereiro de 1983
a 1º de fevereiro de 1987
Dados pessoais
Nome completoRonaldo Augusto Lessa Santos
Nascimento25 de abril de 1949 (77 anos)
Maceió
Alma materUniversidade Federal de Alagoas
Prêmio(s)Ordem do Mérito Militar[1]
EsposaGisele Maria Lessa
ParentescoMãe: Noélia Lessa Santos
Pai: Geraldo Melo dos Santos
PartidoPCB (1964–1966)
MDB (1966–1979)
PMDB (1980-1986)
PSB (1986-2005)
PDT (2005-presente)
Profissãoengenheiro civil, político

Ronaldo Augusto Lessa Santos GOMM (Maceió, 25 de abril de 1949) é um engenheiro civil e político brasileiro, ex-prefeito de Maceió, ex-governador de Alagoas por dois mandatos, ex-deputado federal por este Estado e ex-vice-prefeito de Maceió. Atualmente, é vice-governador de Alagoas, filiado ao Partido Democrático Trabalhista (PDT). É primo do ex-deputado federal Maurício Quintella Lessa.

Vida pessoal e carreira

Ronaldo Lessa é pai de três filhos: Nivaldo, nascido em 1992, adotado pelo político aos dez anos de idade, Nina, nascida em 1986 e Dário, nascido em 1973, adotado pelo político aos dezessete anos.

Iniciou sua militância política no Partido Comunista Brasileiro (PCB). Cursou engenharia civil na Universidade Federal de Alagoas (Ufal) e aí liderou os diretórios estudantis que se opunham ao regime militar instaurado em março de 1964. Em 1966, filiou-se ao Movimento Democrático Brasileiro (MDB), partido de oposição ao governo. Foi ainda presidente da Federação Alagoana de Desporto Universitário (FADU), de 1969 a 1971. Por causa de sua atuação nos meios estudantis ficou preso por alguns dias em 1969. A partir de 1973, Lessa trabalhou em obras como a reforma da Refinaria de Duque de Caxias, do terminal marítimo da baía de Ilha Grande, do Metrô do Rio de Janeiro e da Ponte Rio–Niterói.[2]

Iniciou a carreira política em 1982, quando foi eleito deputado estadual em Alagoas pelo PMDB. Candidatou-se ao governo do Estado em 1986, ficando em terceiro lugar. Elege-se prefeito de Maceió em 1992 e, em 1996, apoia e elege Kátia Born como sua sucessora. Em 1998, já filiado ao PSB, torna-se governador de Alagoas, eleito ainda em primeiro turno, reelegendo-se em 2002 ao vencer o ex-Presidente da República Fernando Collor de Mello. No mesmo ano, publicou seu livro Coragem para sonhar e fazer.[3]

Em fevereiro de 2005 adere ao PDT, pelo qual disputaria a eleição de 2006 ao Senado Federal. Desta vez acabaria derrotado por Collor. Nas eleições de 2010 disputa novamente o governo alagoano, onde alcança o segundo turno mas é derrotado por Teotônio Vilela Filho.[4] Nas eleições de 2012, Ronaldo disputou a prefeitura de Maceió, mas teve sua candidatura negada. O candidato Rui Palmeira venceu no primeiro turno.

Em março de 2016 deixou a coordenação da bancada alagoana na Câmara dos Deputados por motivos de saúde. O parlamentar informou estar sofrendo com uma cefaleia, motivo pelo qual já se encontrava em licença médica do mandato de deputado desde janeiro. Retomou o cargo na Câmara final do mês de Março[5] e a coordenação da bancada no início de abril.[6]

Em 2018, foi novamente candidato a deputado federal pelo PDT, mas não conseguiu ser reeleito. Ficou como primeiro suplente de sua coligação, com 55.474 votos.[7] Em 2020, se elege como vice-prefeito de Maceió, na chapa de João Henrique Caldas.[8] Em 2022 se elege vice-governador na chapa de Paulo Dantas.[9]

Controvérsias

Calúnia Eleitoral

Ronaldo Lessa foi condenado à pena de oito meses de reclusão, convertida em prestação de serviços à comunidade, e ao pagamento de multa por calúnia eleitoral. Conforme consta nos autos, em outubro de 2010 o comitê de campanha do PDT foi arrombado e, na ocasião, foram furtados do local dois computadores. Lessa, então candidato a governador, teria afirmado que o maior suspeito do crime era o governo, referindo-se ao então candidato a reeleição Teotônio Vilela Filho, do PSDB, em entrevista divulgada no jornal Gazeta de Alagoas, de acordo com a denúncia. O tribunal considerou que houve dolo na intenção de ofender a honra do adversário em disputa eleitoral. O parlamentar recorreu da decisão, que foi mantida.[10]

De acordo com o relator da ação no Supremo Tribunal Federal, ministro Gilmar Mendes, a alegação da defesa de que as declarações à imprensa do então candidato não levaram à identificação de Teotônio Vilela como ofendido não se sustenta. Para o ministro, Ronaldo Lessa aponta, nas declarações, como o principal ou o maior suspeito do furto "o candidato que é nosso adversário", na versão publicada, e "o governo", na gravação. "Ao mencionar nosso adversário ou o governo, o apelante dirigiu suas declarações ao adversário", afirmou o relator. Segundo o ministro, não houve na declaração de Lessa atribuição direta do crime, mas de sua suspeita. "No entanto, o tipo penal da calúnia não exige atribuição de certeza à imputação", afirmou. Pode-se caluniar, de acordo com o ministro, colocando-se em dúvida a autoria de um crime, sem que se diga de maneira explícita.[10]

Operação Navalha

O deputado foi condenado por peculato e crimes contra a administração pública a 13 anos e 4 meses de prisão e pagamento de multa. No mesmo processo, o empresário Zuleido Soares de Veras, da construtora Gautama, foi condenado a 8 anos de reclusão. A denúncia, proposta pelo Ministério Público Federal, teve como base as investigações do próprio MPF e o relatório final da Operação Navalha, encaminhado pela Polícia Federal. O parlamentar recorreu da sentença e foi absolvido em instância recursal, em outubro de 2017, pelo Supremo Tribunal Federal.[11][12]

Em outubro de 2017 o deputado foi absolvido pela 2ª Turma do Supremo Tribunal Federal por falta de provas.[13]

Operação Gabiru

Ronaldo Lessa foi inocentado de pelo juiz do caso por falta de provas.[14]

Improbidade administrativa

Lessa e Eduardo Henrique Ferreira, ex-secretário da Fazenda, foram condenados em ação civil pública de improbidade administrativa em função de má administração e desvio de finalidade de R$ 50 milhões do Fundo Estadual de Combate e Erradicação da Pobreza (Fecoep). A Justiça determinou a perda da função pública, a suspensão de seus direitos políticos por três anos, a proibição de contratar com o poder público ou receber incentivos fiscais ou creditícios e a aplicação de multa.

Segundo a decisão, o Ministério Público Estadual relatou que o fundo, composto por receita decorrente do ICMS incidente sobre produtos classificados como supérfluos, apesar de ter sido instituído em 2004, apenas em 2005, por meio de decreto, teve iniciado o recolhimento com o adicional legal. "As acusações de cometimento de improbidade administrativa trazidas a juízo se referem à irregularidade na gestão do fundo, por afirmarem que apenas foi instituída a sua forma de arrecadação, mas violando as normas que determinam a realização de despesa e a vinculação desta a finalidades específicas", justificaram os juízes. Somado a isso, também não foi criada conta bancária específica para o fundo, tendo sido os valores depositados na Conta Única do Estado, o que acarretou em gastos de verbas pertencentes ao fundo sem observância da destinação fixada, utilizando recursos para custeio de outras despesas do estado, o que seria vedado. "Foram mais de R$ 50.000.000,00 que deveriam ter sido diretamente destinados ao combate à erradicação da pobreza que tanto assola o estado de Alagoas, valores esses que foram, excepcionalmente, cobrados dos cidadãos sobre a majoração de ICMS, mas que, ao final, foram utilizados para cobrir despesas corriqueiras do estado de Alagoas, aquelas que já lhes era de obrigação natural a realização". Lessa recorreu da sentença e o recurso ainda encontra-se em andamento.[15]

O Focoep foi instituído em 30 de dezembro de 2004, e recebe 2% da alíquota do ICMS cobrado sobre produtos considerados ‘supérfluos’, como bebidas alcoólicas, fogos de artifício, armas e munições, embarcações de esporte, joias, gasolina, álcool anidro e hidratado para fins combustíveis, energia elétrica - no fornecimento que exceda a faixa de consumo de 150 Kwh mensais, para consumo domiciliar e de estabelecimento comercial - cigarros e charutos e perfumes. Em 2010, na gestão de Teotônio Vilela Filho, ele foi prorrogado por tempo indeterminado.[16]

Desvio de recursos do Hospital Geral e polêmica com promotor

Ronaldo Lessa e a ex-secretária estadual de Saúde Kátia Born foram acusados pelo Ministério Público Federal por desvio de recursos públicos na ordem de R$ 5 milhões durante reforma da Unidade de Emergência Dr. Armando Lages, atual Hospital Geral do Estado (HGE), em Maceió.[17] De acordo com a ação, os réus fraudaram o processo de licitação utilizando-se de sobrepreço, superfaturamento e inexecução contratual. Ainda segundo a denúncia, a empresa vencedora da licitação para a reforma do HGE, a Arquitec, teria dado o dinheiro para as campanhas de Ronaldo Lessa, de seu irmão Antônio Lessa e da secretária Kátia Born.

Em 20 de fevereiro, em entrevista publicada pelo portal G1, Lessa informou que estava entrando com uma representação contra o procurador Anselmo Henrique, por considerar que as acusações eram arbitrárias. Ele comparou as decisões do MPF com as ocorridas na época da ditadura militar e se disse perseguido. Disse o ex-governador: "Eles me perseguem. Esse procurador é um ladrão. Eu quero que ele prove que eu desviei esse dinheiro todo".[18]

Na sequencia desta acusação, em 8 de março de 2013 o MPF ofereceu denúncia contra ex-governador pelos crimes de calúnia, injúria e ameaça, por ter qualificado o procurador da República Anselmo Henrique Cordeiro Lopes como ladrão, irresponsável e leviano em entrevistas à imprensa no dias 19 e 20 de fevereiro. Lessa também teria atentado contra a Instituição quando afirmou, ao se referir à ação proposta, que esta era: "... mais uma atitude leviana de agentes do Ministério Público. Essas pessoas deviam respeitar a instituição, que tem muito vagabundo dentro do Ministério Público". Na ocasião, a Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR) emitiu uma nota de repúdio às declarações do ex-governador.[19]

Lessa e a ex-secretária Kátia Born foram absolvidos das acusações.[20]

Referências

  1. ↑ Brasil, Decreto de 20 de março de 2006.
  2. ↑ Toste, Alexandra. «LESSA, Ronaldo». Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil da Fundação Getúlio Vargas. Consultado em 15 de maio de 2021
  3. ↑ Lessa, Ronaldo (2002). Coragem para sonhar e fazer. [S.l.]: Editora Revan. 116 páginas. ISBN 978-8-57-106254-2
  4. ↑ «Teotônio Vilela Filho (PSDB) é reeleito em Alagoas». G1. Globo. 31 de outubro de 2010. Consultado em 11 de junho de 2016
  5. ↑ PDT fecha questão contra impeachment, mas Ronaldo Lessa continua “indeciso”
  6. ↑ «Ronaldo Lessa retorna a coordenação do PDT». Alagoas 24 horas. Consultado em 11 de junho de 2016
  7. ↑ «Senadores e deputados federais/estaduais eleitos: Apuração e resultado das Eleições 2018 AL - UOL Eleições 2018». UOL Eleições 2018. Consultado em 27 de outubro de 2018
  8. ↑ «JHC, do PSB, é eleito prefeito de Maceió: 'A mudança chegou'». G1
  9. ↑ «Paulo Dantas é reeleito governador de Alagoas». G1. Consultado em 19 de janeiro de 2023
  10. 1 2 «STF mantém condenação do deputado Ronaldo Lessa por calúnia eleitoral». Diário de Pernambuco. Consultado em 11 de junho de 2016
  11. ↑ «Ex-governador Ronaldo Lessa é condenado a 13 anos de prisão». Gazeta do Povo. Consultado em 11 de junho de 2016
  12. ↑ «Ex-governador de AL é condenado pelo desvio de R$ 5 milhões». G1. Globo. 11 de julho de 2013. Consultado em 11 de junho de 2016
  13. ↑ «Supremo absolve deputado Ronaldo Lessa (PDT-AL) por falta de provas». Conjur. 3 de outubro de 2017. Consultado em 27 de fevereiro de 2018
  14. ↑ OPERAÇÃO GABIRU: Justiça condena Maurício Quintella e mais 9 a devolverem R$ 133,6 milhões para a União
  15. ↑ «Ronaldo Lessa é condenado pela aplicação indevida de R$ 50 milhões». Extra. Consultado em 11 de junho de 2016
  16. ↑ «Governo renova Fecoep, que recebe 2% da alíquota do ICMS sobre produtos 'supérfluos'». Gazeta web. Globo. Consultado em 11 de junho de 2016
  17. ↑ «PDT rebate acusações de MPF contra Ronaldo Lessa». Alagoas 24 horas. Consultado em 11 de junho de 2016
  18. ↑ Ronaldo Lessa entra na Justiça contra procurador que o acusou
  19. ↑ «MP de Alagoas processa Ronaldo Lessa por calúnia, injúria e ameaça». G1. Globo. 17 de maio de 2013. Consultado em 11 de junho de 2016
  20. ↑ Geraldo de Majella (15 de janeiro de 2018). «Ronaldo Lessa e Kátia Born são absolvidos pela justiça de acusações de envolvimento em ilícitos administrativos.». Cada Minuto. Consultado em 27 de fevereiro de 2018

Notas

  1. ↑ Renúncia em 31 de março de 2006 para disputar o Senado Federal.

Ligações externas

Precedido por
Manuel Gomes de Barros
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1999 — 2006
Sucedido por
Luís Abílio de Sousa Neto