SMS Brandenburg

SMS Brandenburg
 Alemanha
OperadorMarinha Imperial Alemã
FabricanteAG Vulcan
HomônimoProvíncia de Brandemburgo
Batimento de quilhamaio de 1890
Lançamento21 de setembro de 1891
Comissionamento19 de novembro de 1893
Descomissionamento20 de dezembro de 1915
DestinoDesmontado
Características gerais
Tipo de navioCouraçado pré-dreadnought
ClasseBrandenburg
Deslocamento10 670 t (carregado)
Maquinário2 motores de tripla expansão
12 caldeiras
Comprimento115,7 m
Boca19,5 m
Calado7,6 m
Propulsão2 hélices
 10 000 cv (7 360 kW)
Velocidade16,5 nós (30,6 km/h)
Autonomia4 300 milhas náuticas a 10 nós
(8 000 km a 19 km/h)
Armamento6 canhões de 283 mm
8 canhões de 105 mm
8 canhões de 88 mm
6 tubos de torpedo de 450 mm
BlindagemCinturão: 400 mm
Convés: 60 mm
Barbetas: 300 mm
Tripulação38 oficiais
530 marinheiros

O SMS Brandenburg foi o primeiro couraçado pré-dreadnought operado pela Marinha Imperial Alemã e a primeira embarcação da Classe Brandenburg, seguido pelo SMS Kurfürst Friedrich Wilhelm, SMS Weissenburg e SMS Wörth. Sua construção começou em maio de 1890 nos estaleiros da AG Vulcan em Estetino e foi lançado ao mar em setembro do ano seguinte, sendo comissionado em novembro de 1893. Era armado com uma bateria principal composta por seis canhões de 283 milímetros montados em três torres de artilharia duplas, tinha um deslocamento carregado de mais de dez mil toneladas e alcançava uma velocidade máxima de mais de dezesseis nós (trinta quilômetros por hora).

O Brandenburg serviu na I Divisão durante sua primeira década de serviço, período durante o qual suas principais atividades geralmente limitaram-se a exercícios de rotina e viagens para portos estrangeiros. Sua primeira grande ação foi em 1900, quando ele e seus três irmãos foram para a China a fim de subjugar o Levante dos Boxers. O Brandenburg foi reformado no início do século XX, porém já estava obsoleto na época do início da Primeira Guerra Mundial em 1914 e assim serviu de forma limitada, inicialmente como um navio de defesa de costa. Foi descomissionado em dezembro de 1915 e usado como alojamento flutuante pelo restante do conflito. Foi desmontado em Danzig em 1920.

Características

Desenho da Classe Brandenburg

A Classe Brandenburg foi a primeira de couraçados pré-dreadnought da Marinha Imperial Alemã.[1][nota 1] A frota era orientada para defesa litorânea até a ascensão do imperador Guilherme II em junho de 1888.[2] Guilherme tinha grande interesse em questões navais e em agosto colocou o vice-almirante Alexander von Monts no comando do Almirantado Imperial, ordenando a construção de quatro couraçados. Monts também defendia uma estratégia defesa litorânea e encomendou navios de dez mil toneladas. Foram os primeiros couraçados modernos da Alemanha, mas seu projeto refletia a confusão estratégica e tática causada pelo conceito da Jeune École.[3]

O Brandenburg tinha 115,7 metros de comprimento de fora a fora, boca de 19,5 metros e calado de 7,6 metros. Seu deslocamento normal era de 10 013 toneladas e o deslocamento carregado de 10 670 toneladas. Tinha doze caldeiras cilíndricas transversais Scotch que alimentava dois motores verticais de tripla expansão com três cilindros, cada um girando uma hélice. A potência indicada era de dez mil cavalos-vapor (7 360 quilowatts) para uma velocidade máxima de 16,5 nós (30,6 quilômetros por hora). A autonomia era de 4,3 mil milhas náuticas (oito mil quilômetros) a dez nós (dezenove quilômetros por hora). Sua tripulação tinha 38 oficiais e 530 marinheiros.[1]

O armamento principal era de seis canhões de 283 milímetros montados em três torres de artilharia duplas; os canhões das torres de vante e ré eram do modelo calibre 40, enquanto aqueles da torre de meia-nau eram mais curtos do modelo calibre 35. O armamento secundário consistia em oito canhões calibre 35 de 105 milímetros e oito canhões calibre 30 de 88 milímetros montados em casamatas. Por fim, o armamento tinha seis tubos de torpedo de 450 milímetros em montagens giratórias acima da linha de flutuação. A blindagem do Brandenburg era feita de aço-níquel Krupp, um novo e mais resistente tipo de aço. O cinturão principal tinha quatrocentos milímetros de espessura na cidadela central, onde protegia os depósitos de munição e salas de máquinas. O convés tinha sessenta milímetros, já as barbetas das torres de artilharia tinha trezentos milímetros.[1]

Carreira

Início de carreira

O Brandenburg em novembro de 1893

O Brandenburg foi encomendado sob o nome provisório de A,[nota 2] com seu batimento de quilha ocorrendo em maio de 1890 nos estaleiros da AG Vulcan em Estetino. Seu casco completo foi lançado ao mar em 21 de setembro de 1891, quando foi batizado por Guilherme II. Seguiram-se os trabalhos de equipagem, que terminaram em setembro de 1893 com exceção da instalação de seus canhões, sendo então transferido para Kiel. Foi comissionado na frota em 19 de novembro. Seus testes marítimos começaram quatro dias depois, com o imperador e uma delegação do governo provincial de Brandemburgo subindo a bordo para observar nos primeiros dias. O navio recebeu em 27 de dezembro uma bandeira com o brasão de armas de Brandemburgo, que era hasteada em ocasiões especiais. O couraçado foi formalmente designado para a II Divisão da Esquadra de Manobras no final do mês.[5]

Os testes continuaram em 1894, com o navio sofrendo o pior acidente de maquinário da história da Marinha Imperial em 16 de fevereiro enquanto realizava testes forçando suas caldeiras. Uma das válvulas principais de vapor das caldeiras de estibordo explodiu, matando 44 tripulantes e ferindo outros sete. A causa foi um defeito na construção da válvula. O príncipe Henrique da Prússia estava perto a bordo do navio de transporte SMS Pelikan e imediatamente ordenou que sua embarcação fosse ao auxílio do Brandenburg, embarcando os mortos e feridos. O couraçado foi primeiro para Wiker e depois rebocado para Kiel, onde foi passar reparos no Estaleiro Imperial de Kiel. O acidente causou um pequeno incidente político depois da imprensa criticar Guilherme por não ter enviado Henrique ao funeral dos mortos. Além disso, o vice-almirante Friedrich Hollmann, o Secretário de Estado do Escritório Naval Imperial, afirmou para a Dieta Imperial que "tais acidentes podem ocorrer de novo e de novo", o que aumentou a resistência parlamentar a aumentar mais o orçamento naval; isto fez com que os fundos destinados para o primeiro cruzador blindado alemão, o SMS Fürst Bismarck, fossem inicialmente rejeitados. Os contra-almirantes Eduard Knorr e Hans Koester criticaram o comentário, formando Hollmann a se desculpar publicamente.[5]

Ilustração do Brandenburg por Fritz Stoltenberg em 1894

Os reparos terminaram em 16 de abril, permitindo que o Brandenburg retomasse seus testes, que duraram até agosto e incluíram um cruzeiro pelo Kattegat. Juntou-se à II Divisão em 21 de agosto, mas uma reorganização da frota pouco depois o transferiu para a I Divisão junto com seus três irmãos. A formação ficava baseada em Wilhelmshaven, no Mar do Norte.[6] O couraçado e o resto da esquadra compareceram a cerimônias no Canal Imperador Guilherme em 3 de dezembro. Em seguida embarcaram em um cruzeiro de treinamento de inverno no Mar Báltico, o primeiro do tipo feito pela Marinha Imperial; até então, a maior parte da frota costumava ser desativada durante o inverno. A I Divisão ficou em Estocolmo, na Suécia, entre 7 e 11 de dezembro durante as celebrações do aniversário de trezentos anos do nascimento do rei Gustavo II Adolfo. O rei Óscar II realizou uma recepção para a delegação alemã. Mais exercícios no Báltico aconteceram depois disso antes das embarcações voltarem para casa e passarem por reparos.[7]

O ano de 1895 começou com cruzeiros normais de treinamento na Heligolândia e depois em Bremerhaven, com o imperador acompanhando a bordo da capitânia, o couraçado SMS Kurfürst Friedrich Wilhelm. Seguiu-se treinamentos individuais e divisionais, que foram interrompidos por uma viagem ao norte do Mar do Norte, a primeira vez que unidades da principal frota alemã deixaram águas territoriais. O Brandenburg e Kurfürst Friedrich Wilhelm pararam em Lerwick, nas Ilhas Shetland, entre 16 e 23 de março. Os exercícios testaram os navios em clima ruim, com ambos os couraçados tendo um desempenho admirável. Mais manobras de frota ocorreram no leste do Báltico em maio, terminando com uma visita da frota a Kirkwall, nas Ilhas Órcades. A esquadra voltou para Kiel no início de junho, onde preparações estavam em andamento para a inauguração do Canal Imperador Guilherme. Exercícios táticos ocorreram na Baía de Kiel na presença de delegações estrangeiras para a inauguração.[8] Mais exercícios duraram até 1º de julho, quando a I Divisão partiu em uma viagem ao Oceano Atlântico. Esta operação tinha motivos políticos;[9] a Alemanha tinha sido capaz de enviar apenas um pequeno contingente de embarcações para uma demonstração naval internacional no litoral de Marrocos ao mesmo tempo.[10] A frota principal desta forma poderia proporcionar suporte moral para a demonstrar ao navegar para águas espanholas. Clima ruim novamente permitiu que o Brandenburg e seus irmãos demonstrassem sua excelente navegabilidade. A frota deixou Vigo, na Espanha, e parou em Queenstown, no Reino Unido. Guilherme, a bordo de seu iate SMY Hohenzollern, compareceu à Regata de Cowes enquanto o resto da frota alemã ficou na Ilha de Wight.[9]

Os couraçados da Classe Brandenburg em Nieuwediep em maio de 1896

A frota voltou para Wilhelmshaven em 10 de agosto e começou preparações para as manobras de outono mais tarde no mesmo mês. Os primeiros exercícios começaram no dia 25 na Angra da Heligolândia. Os navios navegaram pelo Skagerrak até o Báltico, porém tempestades causaram danos significativos a vários navios, com o barco torpedeiro SMS S41 afundando e apenas três homens sobrevivendo. A frota ficou brevemente em Kiel antes de retomar o cruzeiro, incluindo exercícios de disparo com projéteis reais, no Kattegat e Grande Belt.[11] Durante este período, o Brandenburg colidiu com o aviso SMS Jagd, porém apenas este ficou danificado pelo acidente.[12] As manobras principais começaram em 7 de setembro com uma simulação de um ataque a Kiel vindo o leste do Báltico.[11] O imperador Nicolau II da Rússia inspecionou o couraçado no dia seguinte enquanto viajava pela Alemanha.[12] Mais manobras ocorreram perto do litoral da Pomerânia e na Baía de Danzig. As manobras terminaram em 14 de setembro com uma revista naval para o imperador em Jershöft. O resto do ano transcorreu em treinamentos individuais.[13] O ano 1896 seguiu o mesmo padrão do ano anterior. Treinamentos individuais ocorreram até abril, seguidos por treinamento em esquadra no Mar do Norte do final de abril até o início de maio, que incluíram paradas em Flessingue e Nieuwediep, nos Países Baixos. Mais manobras duraram do final de maio até o final de julho e ocorreram no Mar do Norte, frequentemente em águas norueguesas, com os navios tendo visitado Bergen de 11 a 18 de julho. Guilherme e o vice-rei chinês Li Hongzhang observaram uma revista de frota em Kiel durante as manobras.[14] A frota se reuniu em Wilhelmshaven em 9 de agosto para os treinamentos anuais de outono.[11]

Rotina de treinamentos

O Brandenburg e o resto da frota operaram sob a rotina normal de treinamentos individuais e em unidade pela primeira metade de 1897. O comando naval considerou no início do ano enviar a I Divisão para outra demonstração perto de Marrocos em protesto ao assassinato de dois cidadãos alemães, mas uma esquadra menor de fragatas acabou enviada. A rotina típica de treinamentos foi interrompida no início de agosto quando Guilherme e a imperatriz Augusta Vitória foram visitar a Rússia; ambas as divisões da I Esquadra foram enviadas para Kronstadt a fim de acompanhá-los, com o casal imperial seguindo então para São Petersburgo. Os navios voltaram para Neufahrwasser em Danzig em 15 de agosto, com o resto da frota se juntando para as manobras anuais de outono. Estes exercícios refletiram o pensamento tático do novo Secretário de Estado do Escritório Naval Imperial, o contra-almirante Alfred Tirpitz, e do novo comandante da I Esquadra, o vice-almirante August Thomsen. Essas novas táticas salientavam artilharia precisa, especialmente a distâncias maiores, porém a necessidade de uma formação de linha de batalha levaram a uma grande rigidez nas táticas. A ênfase que Thomsen deu para a artilharia criou as bases para a excelente artilharia alemã posteriormente na Primeira Guerra Mundial. As manobras terminaram em 22 de setembro em Wilhelmshaven.[15]

O Brandenburg com barcos torpedeiros em 1898

A I Divisão realizou manobras no Kattegat e Skagerrak em dezembro, porém foram interrompidos por escassez de oficiais e marinheiros.[16] Além disso, enquanto navegava pelo Grande Belt, o Brandenburg colidiu com o ironclad SMS Württemberg, com os dois precisando ir para Kiel para reparos. Consertos temporários foram feitos no couraçado e ele então foi para Wilhelmshaven, onde um novo rostro foi instalado.[12] A frota seguiu sem incidentes a rotina normal de treinamentos individuais e em frota em 1898, porém incluiu uma viagem ao Reino Unido em que a frota parou em Queentown, Greenock e Kirkwall. A frota se reuniu em Kiel em 14 de agosto para os exercícios anuais de outono, que incluíram uma simulação de bloqueio do litoral de Meclemburgo e uma batalha contra um "Frota Oriental" na Baía de Danzig. A frota foi pega por uma tempestade no caminho de volta para Kiel, causando danos significativos a muitas embarcações e afundando o barco torpedeiro SMS S58. A frota atravessou o Canal Imperador Guilherme e continuou suas manobras no Mar do Norte. Os treinamentos terminaram em 17 de setembro em Wilhelmshaven. A I Divisão conduziu treinamentos de artilharia e torpedo na Baía de Eckernförde em dezembro, em seguida ocorreram treinamentos divisionais no Kattegat e Skagerrak. Durante estas manobras, a divisão visitou Kungsbacka, na Suécia, entre 9 e 13 de dezembro. Os navios foram para docas secas passar por reparos ao retornarem para Kiel.[17]

A corrente de âncora do ironclad SMS Oldenburg se rompeu durante uma nevasca em 22 de março de 1899 e ele encalhou em Strander, sendo rebocado de vola ao porto pelo Brandenburg e o SS Norder.[12] O couraçado participou em 5 de abril de celebrações do quinquagésimo aniversário da Batalha de Eckernförde, na Primeira Guerra do Eslésvico. A I e II Divisões, bem como a Divisão de Reserva do Báltico, partiram em maio para um grande cruzeiro no Atlântico. Na viagem de ida, a I Divisão parou em Dover enquanto a segunda foi para Falmouth, ambas no Reino Unido, para reabastecerem carvão. As duas divisões e encontraram em Falmouth em 8 de maio e partiram para o Golfo da Biscaia, chegando em Lisboa, em Portugal, em 12 de maio. Se encontraram no local com a Frota do Canal britânica. Os alemães então zarparam de volta para casa, parando novamente em Dover em 24 de maio. Participaram no local de uma revista naval celebrando o octogésimo aniversário da rainha Vitória do Reino Unido. A frota chegou em Kiel em 31 de maio.[18]

A frota realizou manobras de esquadra no Mar do Norte em julho, incluindo exercícios de defesa litorânea com soldados do X Corpos. A frota se reuniu em Danzig em 16 de agosto para as manobras de outono.[18] Os exercícios começaram no Báltico e a frota passou pelo Kattegat e Skagerrak no dia 30, entrando no Mar do Norte para mais manobras na Angra da Alemanha que duraram até 7 de setembro. Uma terceira fase de manobras ocorreu no Kattegat e Grande Belt de 8 a 26 de setembro, em seguida a frota foi passar por sua manutenção anual. O ano de 1900 começou com a mesma rotina de treinamentos individuais e divisionais. Os esquadrões se encontraram em Kiel na segunda metade de março, realizaram treinamentos de artilharia e torpedos em abril e então viajaram ao Báltico. A frota fez um grande cruzeiro de treinamento no Mar do Norte de 7 a 26 de maio, fazendo paradas nas Shetland entre os dias 12 e 15 e em Bergen entre os dias 18 e 22.[19] Os navios da I Divisão foram transferidos para a II Divisão em 8 de julho.[20]

Levante dos Boxers

Navios alemães na China em 1900

Nacionalistas chineses cercaram embaixadas estrangeiras em Pequim em 1900 e assassinaram o barão Clemens von Ketteler, o plenipotenciário alemão.[21] A grande violência contra ocidentais na China levou a uma aliança entre oito grandes potências: Alemanha, Reino Unido, Rússia, Itália, Áustria-Hungria, Estados Unidos, França e Japão.[22] Havia poucos soldados na China na época para derrotarem os revoltosos, chamados de Boxers;[23] em Pequim estava uma força de pouco mais de quatrocentos oficiais e soldados dos exércitos das oito potências.[24] A principal força militar alemã na região na época era a Esquadra da Ásia Oriental, que era formada pelos cruzadores protegidos SMS Kaiserin Augusta, SMS Hansa, SMS Hertha e SMS Irene, o cruzador desprotegido SMS Gefion e as canhoneiras SMS Jaguar e SMS Iltis.[25] Também havia um destacamento alemão de quihentos homens em Taku, com as forças combinadas de todos os países totalizando aproximadamente 2,1 mil homens.[26] Estes, liderados pelo vice-almirante britânico sir Edward Hobart Seymour, tentaram alcançar Pequim, mas foram forçados a parar em Tianjin por conta de grande resistência.[27] Consequentemente, Guilherme determinou o envio de uma força expedicionária a fim de reforçar a Esquadra da Ásia Oriental. Essa expedição incluía os quatro membros da Classe Brandenburg, seis cruzadores, dez cargueiros, três barcos torpedeiros e seis regimentos de fuzileiros navais sob o comando do general-marechal de campo Alfred von Waldersee.[28]

O contra-almirante Richard von Geissler foi o comandante da força expedicionária, com os couraçados partindo em 9 de julho. Estes e o aviso SMS Hela atravessaram o Canal Imperador Guilherme e pararam em Wilhelmshaven a fim de se encontrarem com o resto da força. A frota zarpou em direção da China em 11 de julho. Pararam em Gibraltar entre 17 e 18 de julho para reabastecerem e então passaram pelo Canal de Suez em 26 e 27 de julho. Reabastecerem novamente em Perim, em Adem, e em 2 de agosto entraram no Oceano Índico. Chegaram em Colombo, no Ceilão, em 10 de agosto e quatro dias depois passaram pelo Estreito de Malaca. Chegaram em Singapura em 18 de agosto e partiram cinco dias depois, chegando em Hong Kong em 28 de agosto. A força expedicionária parou dois dias depois na rada externa de Wusong, próximo de Xangai.[29]

Mapa de 1906 da Península de Xantum, mostrando a Baía de Kiaochau

O cerco de Pequim já tinha sido liberado pelas forças dos outros membros da Aliança das Oito Nações quando a frota alemã chegou,[30] assim o Brandenburg patrulhou a área do estuário do rio Yangtzé. Em outubro participou da ocupação de fortificações litorâneas que protegiam as cidades de Shanhaiguan e Qinhuangdao, retornando em seguida para o Yangtzé.[12] Como a situação tinha se acalmado, os quatro couraçados alemães foram para Hong Kong e Nagasaki, no Japão, entre o final de 1900 e início de 1901 para passarem por manutenção;[31] o Brandenburg foi para Hong Kong de janeiro a fevereiro de 1901. Depois disso foi para Tsingtao, no Território Arrendado da Baía de Kiautschou, onde participou de exercícios de treinamento junto com o resto da força expedicionária.[12]

O alto comando alemão chamou a força expedicionária de volta para casa em 26 de maio. A frota reabasteceu em Xangai e deixou a China em 1º de junho. Os navios pararam em Singapura de 10 a 15 de junho para reabastecerem e então foram para Colombo, onde permaneceram entre os dias 22 e 26. Os alemães estavam navegando contra as monções e isto os forçou a parar em Mahé, nas Seicheles, para reabastecerem carvão. As embarcações em seguida pararam um dia cada para reabastecerem novamente em Adem e Porto Saíde. Alcançaram Cádis, na Espanha, em 1º de agosto e se encontraram com a I Divisão, navegando juntos de volta a Alemanha. Separaram-se ao alcançarem a Heligolândia e chegaram na rada de Jade em 11 de agosto, sendo visitados por Koester, que nesta altura tinha se tornado o Inspetor Geral da Marinha. A frota da força expedicionária foi desfeita no dia seguinte.[32] No final, toda a operação custou ao governo alemão mais de cem milhões de marcos.[33]

Fim de carreira

Os couraçados da Classe Brandenburg foram designados para a I Esquadra ao retornarem. As manobras anuais de outono começaram em 21 de agosto, mas foram interrompidas em 11 de setembro quando Nicolau II visitou a frota durante outra visita à Alemanha. Os navios realizaram uma revista naval para ele na Baía de Putziger. A Marinha Imperial coordenou com o Exército Alemão pelo restante das manobras em exercícios conjuntos na Prússia Ocidental. No final do ano, o Brandenburg participou de um cruzeiro de inverno e então passou um período no Estaleiro Imperial de Wilhelmshaven para sua manutenção periódica. O ano de 1902 seguiu o mesmo padrão de treinamentos individuais, em unidade e em frota, também tendo um grande cruzeiro para a Noruega e Escócia que terminou com uma passagem pelo Canal da Mancha. O Brandenburg foi descomissionado em 23 de outubro, ao final das manobras de outono daquele ano. Sua tripulação foi transferida para o novo couraçado SMS Zähringen, que assumiu seu lugar na I Esquadra.[34]

O cruzador SMS Roon e o Brandenburg em 1906

Os quatro navios da Classe Brandenburg passaram por uma grande reconstrução no início da década de 1900 no Estaleiro Imperial de Wilhelmshaven. O Brandenburg foi modernizado entre 1903 e 1904.[1] Uma segunda torre de comando foi adicionada na superestrutura de ré, bem como um passadiço.[35] Suas caldeiras foram substituídas por modelos mais novos e seu balaio à meia-nau foi reduzido.[2] Foi recomissionado em 4 de abril de 1905 e designado para a II Esquadra daquilo que agora era chamada de Frota de Batalha Ativa, porém permaneceu em serviço apenas brevemente. Participou da rotina normal de exercícios de treinamento em 1905, 1906 e 1907, mas foi descomissionado de novo em 30 de setembro de 1907. Seu único incidente notável durante esse período foi um pequeno encalhe perto do Estocolmo que não causou danos ao navio. Sua tripulação foi novamente transferida para outro couraçado mais novo no seu descomissionamento, desta vez para o SMS Hannover. O Brandenburg em seguida foi designado para a Formação de Reserva no Mar no Norte.[36]

Os primeiros couraçados dreadnought começaram a entrar em serviço na Marinha Imperial a partir de 1909, deixando embarcações mais antigas como o Brandenburg obsoletas.[37] O navio voltou temporariamente ao serviço em 1910 com a III Esquadra a fim de participar das manobras anuais da frota. Voltou para a agora renomeada Divisão de Reserva ao final dos exercícios, onde realizou mais treinamentos. Foi transferido em meados de 1911 para a Unidade de Navios de Treinamento e Experimentais, com a qual participou de exercícios de treinamento no Báltico. O Brandenburg foi novamente colocado temporariamente na III Esquadra para as manobras anuais de outono entre agosto e setembro, sendo descomissionado de novo em 16 de outubro. Foi transferido em 1912 para a Estação Naval do Mar Báltico, onde permaneceu inativo pelos dois anos seguintes.[36]

Primeira Guerra

A Primeira Guerra Mundial começou em agostou de 1914 e o Brandenburg foi reativado e designado para a V Esquadra, que foi encarregada com deveres de defesa litorânea no Mar do Norte.[36] A formação foi transferida para o Báltico em meados de setembro, sob o comando do príncipe Henrique. Ele inicialmente planejou lançar um grande ataque anfíbio contra Windau, porém uma escassez de navios de transporte forçou uma revisão dos planos. Em vez disso, a V Esquadra levaria uma força de desembarque, mas isto acabou também cancelado depois de Henrique receber relatórios falsos de que navios britânicos tinham entrado no Báltico em 25 de setembro.[38] A esquadra voltou para Kiel no dia seguinte, desembarcando a força de desembarque e então seguindo para o Mar do Norte, onde retomou seus deveres de patrulha. A V Esquadra voltou ao Báltico novamente ao final do ano, com Henrique ordenando uma surtida em direção da Gotlândia. Os couraçados se encontraram com a divisão de cruzadores do Báltico em 26 de dezembro na Baía da Pomerânia e partiram para a operação. A frota chegou na Gotlândia dois dias depois, hastearam a bandeira alemã e voltaram para Kiel em 30 de dezembro.[39]

A esquadra voltou aos seus deveres de guarda, mas foi tirada de serviço em fevereiro de 1915. Escassez de tripulações treinadas na Frota de Alto-Mar, mais os riscos de operar navios antigos em tempos de guerra, necessitou a desativação da V Esquadra.[39] O Brandenburg teve sua tripulação reduzida em Kiel e foi brevemente designado para a divisão de reserva. De julho a dezembro passou por manutenção e então foi transferido para Libau. Foi descomissionado em 20 de dezembro para uso como alojamento flutuante e estação de destilação de água. Seus canhões foram removidos para uso do Império Otomano, mas não há registros de que eles chegaram a ser enviados. Foi levado para Danzig, onde começou a ser convertido em um navio alvo de tiro, mas a guerra terminou antes que a reconstrução terminasse.[36] O Brandenburg foi removido do registro naval em 13 de maio de 1919 e vendido para desmontagem.[40] O navio foi comprado pela empresa de desmanche Norddeutsche Tiefbaugesellschaft, sendo desmontado em Danzig.[35]

Notas

  1. ↑ Na época, a Marinha Imperial chamava os navios da classe de "navios blindados" (panzerschiffe) em vez de couraçados (schlachtschiff).[1]
  2. ↑ Todos os navios alemães eram encomendados sob nomes provisórios. Novas adições à frota recebiam uma letra como designação, enquanto aqueles que substituiriam embarcações antigas eram nomeados "Ersatz (nome do navio a ser substituído)". A embarcação receberia seu nome final ao ser lançada ao mar.[4]

Referências

  1. 1 2 3 4 5 Gröner 1990, p. 13.
  2. 1 2 Hore 2006, p. 66.
  3. ↑ Sondhaus 1997, pp. 179–181.
  4. ↑ Gröner 1990, p. 56.
  5. 1 2 Hildebrand, Röhr & Steinmetz 1993a, p. 109.
  6. ↑ Hildebrand, Röhr & Steinmetz 1993a, pp. 109–110.
  7. ↑ Hildebrand, Röhr & Steinmetz 1993b, p. 175.
  8. ↑ Hildebrand, Röhr & Steinmetz 1993b, pp. 175–176.
  9. 1 2 Hildebrand, Röhr & Steinmetz 1993b, p. 176.
  10. ↑ Hildebrand, Röhr & Steinmetz 1993b, p. 75.
  11. 1 2 3 Hildebrand, Röhr & Steinmetz 1993b, p. 179.
  12. 1 2 3 4 5 6 Hildebrand, Röhr & Steinmetz 1993a, p. 110.
  13. ↑ Hildebrand, Röhr & Steinmetz 1993b, pp. 176–178.
  14. ↑ Hildebrand, Röhr & Steinmetz 1993b, p. 178.
  15. ↑ Hildebrand, Röhr & Steinmetz 1993b, pp. 180–181.
  16. ↑ Hildebrand, Röhr & Steinmetz 1993b, p. 181.
  17. ↑ Hildebrand, Röhr & Steinmetz 1993b, pp. 181–183.
  18. 1 2 Hildebrand, Röhr & Steinmetz 1993b, p. 183.
  19. ↑ Hildebrand, Röhr & Steinmetz 1993b, pp. 184–185.
  20. ↑ Hildebrand, Röhr & Steinmetz 1993b, p. 186.
  21. ↑ Bodin 1979, pp. 5–6.
  22. ↑ Bodin 1979, p. 1.
  23. ↑ Holborn 1982, p. 311.
  24. ↑ Bodin 1979, p. 6.
  25. ↑ Harrington 2001, p. 29.
  26. ↑ Bodin 1979, p. 11.
  27. ↑ Bodin 1979, pp. 11–12.
  28. ↑ Herwig 1998, p. 106.
  29. ↑ Hildebrand, Röhr & Steinmetz 1993b, pp. 186–187.
  30. ↑ Sondhaus 2001, p. 186.
  31. ↑ Hildebrand, Röhr & Steinmetz 1993b, p. 187.
  32. ↑ Hildebrand, Röhr & Steinmetz 1993b, pp. 188–189.
  33. ↑ Herwig 1998, p. 103.
  34. ↑ Hildebrand, Röhr & Steinmetz 1993a, pp. 110–111.
  35. 1 2 Gröner 1990, p. 14.
  36. 1 2 3 4 Hildebrand, Röhr & Steinmetz 1993a, p. 111.
  37. ↑ Campbell & Sieche 1986, pp. 141, 144–145.
  38. ↑ Hildebrand, Röhr & Steinmetz 1993b, pp. 62–63.
  39. 1 2 Hildebrand, Röhr & Steinmetz 1993b, p. 63.
  40. ↑ Campbell & Sieche 1986, p. 141.

Bibliografia

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Ligações externas