Senecio brasiliensis

Maria-mole
Campo com maria-mole.
Campo com maria-mole.
Classificação científica
Reino: Plantae
Clado: angiospérmicas
Clado: eudicotiledóneas
Ordem: Asterales
Família: Asteraceae
Género: Senecio
Espécie: Senecio brasiliensis
(Spreng) Less.
Distribuição geográfica

Sinónimos
  • Senecio schlechtendahlii Mart. ex Baker
  • Senecio cannabinifolius Hook. & Arn
  • Senecio ambrosioides Mart
  • Senecio amabilis Vell
  • Senecio megapotamicus H.Buek
  • Senecio tripartitus DC
  • Cineraria brasiliensis Spreng

Senecio brasiliensis[1], popularmente conhecida como maria-mole, é uma espécie de planta da família Asteraceae, nativa da América do Sul. No Brasil, ocorre com frequência na região Sul, sendo comum em áreas de campo, como os Pampas.

A espécie é amplamente reconhecida por sua importância em medicina veterinária devido à sua alta toxicidade, especialmente para o gado bovino. Representa uma importante causa de morte em bovinos, e estima-se ser responsável por mais de 50% das mortes por plantas tóxicas no Rio Grande do Sul.[2]

Variedades

Esta espécie tem três variedades.[3][4]

  • Senecio brasiliensis var. brasiliensis (Spreng.) Less.- Variedade com folhas pinatissectas de 3 a 4 pares de segmentos.[3]
  • Senecio brasiliensis var. tripartitus (DC). Baker - Variedade com folhas pinatissectas tripartidas com segmentos serreados, seu epíteto se refere a característica das folhas.[3]
  • Senecio brasiliensis var. incanus Baker - Variedade que ocorre na argentina e uruguai[4]

Toxicidade

A intoxicação causada pelas plantas Senecio brasiliensis e Senecio madagascariensis é denominada seneciose e está associada à presença de alcaloides pirrolizidínicos. Essas substâncias tornam-se tóxicas após biotransformação hepática, formando metabólitos reativos que se ligam ao DNA e inibem a mitose dos hepatócitos, promovendo dano hepatocelular progressivo e irreversível.[5]

A doença geralmente resulta da ingestão repetida de pequenas quantidades da planta ao longo do tempo, o que leva a lesões hepáticas cumulativas. A ingestão ocorre com maior frequência em períodos de escassez de forragem[5], especialmente durante o inverno, quando a planta se encontra em brotação e apresenta maior concentração de compostos tóxicos.

Entre os principais sinais clínicos, destacam-se a encefalopatia hepática, caracterizada por alterações neurológicas como desorientação e pressão da cabeça contra objetos, e a fotossensibilização hepatógena, que resulta em lesões cutâneas, sobretudo em áreas despigmentadas[6]. Emagrecimento progressivo também é frequentemente observado. As alterações patológicas incluem, macroscopicamente, fígado com consistência aumentada e aspecto compatível com fibrose ou cirrose. Microscopicamente, observa-se megalocitose hepatocelular, considerada uma lesão característica da doença, além de fibrose e desorganização da arquitetura hepática.

O diagnóstico baseia-se na associação entre sinais clínicos, histórico de ingestão e presença da planta na pastagem. Exames complementares, como a biópsia hepática com avaliação histopatológica, podem ser utilizados para confirmação. Não há tratamento específico eficaz para os casos avançados, em razão da irreversibilidade das lesões hepáticas.

Referências

  1. ↑ «Senecio brasiliensis | International Plant Names Index». www.ipni.org. Consultado em 9 de abril de 2026
  2. ↑ Rissi, Daniel R.; Rech, Raquel R.; Pierezan, Felipe; Gabriel, Adriane L.; Trost, Maria E.; Brum, Juliana S.; Kommers, Glaucia D.; Barros, Claudio S. L. (2007). «Intoxicações por plantas e micotoxinas associadas a plantas em bovinos no Rio Grande do Sul: 461 casos». Pesquisa Veterinária Brasileira. 27: 261–268. ISSN 0100-736X. doi:10.1590/S0100-736X2007000700002
  3. 1 2 3 Teles, A.M; Heiden, G; Freitas, F.S. «Flora e Funga do Brasil». floradobrasil.jbrj.gov.br. Consultado em 10 de abril de 2026
  4. 1 2 «Senecio brasiliensis var. incanus Baker | Plants of the World Online | Kew Science». Plants of the World Online (em inglês). Consultado em 10 de abril de 2026
  5. 1 2 Panziera, Welden; Pavarini, Saulo P.; Sonne, Luciana; Barros, Claudio S.L.; Driemeier, David (agosto de 2018). «Poisoning of cattle by Senecio spp. in Brazil: a review». Pesquisa Veterinária Brasileira. 38 (8): 1459–1470. ISSN 1678-5150. doi:10.1590/1678-5150-pvb-5795
  6. ↑ Giaretta, Paula R.; Panziera, Welden; Galiza, Glauco J. A.; Brum, Juliana S.; Bianchi, Ronaldo M.; Hammerschmitt, Márcia E.; Bazzi, Talissa; Barros, Claudio S. L. (2014). «Seneciosis in cattle associated with photosensitization». Pesquisa Veterinária Brasileira (em inglês). 34: 427–432. ISSN 0100-736X. doi:10.1590/S0100-736X2014000500007