Vertissolo

Vertissolos é uma ordem caracterizada por solos usualmente de textura argilosa a muita argilosa, com alta plasticidade e pegajosidade quando encharcados, e formação de fendilhamentos quando secos. O fenômeno do fendilhamento decorre por serem constituídos de argilas expansivas do tipo 2:1 que exibem alta capacidade de absorção de água entre suas lâminas e consequentemente forte expansão, assim como intensa contração com a desumidificação. Vertissolos integram solos de alta fertilidade, todavia com forte restrição agrícola; o excesso de plasticidade e pegajosidade, como também a criação de fendas, inviabilizam o uso de maquinários agrícolas e danam as raízes das plantas, sufocando-os pela anoxia (quando mui úmidos) ou rompendo-as (quando mui secos).[1][2][3][4]

Critérios

Para a categorização de um solo na ordem Vertissolo é requisito a existência de um horizonte vértico, sendo esse definido pelos seguintes critérios[1]:

1. Conter feições pedológicas típicas de superfícies de fricção (slickensides) em abundância, e/ou unidades estruturais cuneiformes e/ou paralelepipédicas.
2. Conter no período mais seco do ano fendas com pelo menos 1 cm de largura.
3. Conter textura argilosa a muito argilosa; admitindo-se na faixa de textura média um mínimo de 30% de argila (300 g/kg).
4. Ser muito duro ou extremamente duro quando seco; e plástico a muito plástico bem como pegajoso a muito pegajoso quando molhado.
5. Apresentar cores escuras, acinzentadas, amareladas ou avermelhadas.
6. Espessura mínima de 20 cm.

Além dos critérios para o horizonte vértico, é necessário também que o perfil do solo como um todo satisfaça aos seguintes critérios:

7. Ocorrência de horizonte vértico dentro de 100 cm a partir da superfície do solo.
8. Relação textural insuficiente que não caracterize um horizonte B textural.
9. Ausência de material lítico, ou lítico fragmentário, ou horizonte petrocálcico, ou horizonte duripã, dentro dos primeiros 30 cm a partir da superfície.
10. Ausência de qualquer horizonte B diagnósticos acima do horizonte vértico.

Microrrelevo

Microrrelevo Gilgai em Vertissolo (Lima, 2014)

Com a contração e formação de fendas, materiais adjacentes podem ser carreados por ação eólica, hídrica ou biológica e adentrar nestas rachaduras, passando a ocupar um volume que dantes era preenchido pelo ar/água. Com a re-umidificação do solo e sua expansão, o material penetrante causa uma resistência que é dissipada através do deslocamento ascendente do solo, formando pequenas elevações distribuídas no relevo do terreno; a este microrrelevo denomina-se gilgai.[3]

Slickensides

Superfícies de fricção (ou slickensides) são superfícies alisadas e lustrosas, apresentando na maioria das vezes estriamento marcante produzido pelo deslizamento e atrito da massa do solo, causados por movimentação devido à forte expansão do material argiloso quando re-umedecido. São superfícies tipicamente inclinadas em relação ao prumo do perfil. [5]

Slickensides, superfícies de fricção (IBGE, 2005)

Subordens

1. Vertissolos Hidromórficos
Solos com horizonte glei dentro dos primeiros 50 cm, ou entre 50 cm e 100 cm desde que precedido por horizontes com predomínio de cores acinzentadas.
2. Vertissolos Ebânicos
Solos com caráter ebânico (dominância de cores escuras, quase negras) na maior parte dos horizontes B e/ou C dentro de 100 cm da superfície.
3. Vertissolos Háplicos
Outros solos que não se enquadram nas classes anteriores.

Galeria

Referências

  1. 1 2 Santos, Humberto Gonçalves dos, et al. (2018)
    SISTEMA BRASILEIRO DE CLASSIFICAÇÃO DE SOLOS.
    5. ed. rev. e ampl. Brasília, DF : Embrapa. Acessar
  2. ↑ Lepsch, Igo Fernado. (2010)
    FORMAÇÃO E CONSERVAÇÃO DOS SOLOS.
    2ª edição, p. 111-113. Oficina de Textos. Acessar
  3. 1 2 Lima, Glêvia Kamila (2014).
    CARACTERIZAÇÃO DE VERTISSOLOS DO NORDESTE BRASILEIRO.
    Dissertação (Mestre em Ciência do Solo). Universidade Federal Rural de Pernambuco. Acessar
  4. ↑ United States Department of Agriculture (USDA).
    EXAMINATION AND DESCRIPTION OF SOIL PROFILES.
    Natural Resources Conservation Service Soils.
  5. ↑ IBGE (2005).
    MANUAL TÉCNICO DE PEDOLOGIA.
    Manuais Técnicos em Geociências, 2ª ed., n.4. Acessar