Victoria Ocampo

Victoria Ocampo
NascimentoRamona Victoria Epifanía Rufina Ocampo Aguirre
7 de abril de 1890
Buenos Aires
Morte27 de janeiro de 1979 (88 anos)
Buenos Aires
SepultamentoCemitério da Recoleta
CidadaniaArgentina
Progenitores
  • Manuel S. Ocampo
Irmão(ã)(s)Silvina Ocampo
Alma mater
Ocupaçãoescritora, tradutora, editora, crítica, figura pública, ensaísta, intelectual, mecenas
Distinções
  • Comandante da Ordem do Império Britânico
  • Prêmios Maria Moors Cabot (1965)
  • Prix du Rayonnement de la langue et de la littérature françaises (1965)
  • Comendador das Artes e das Letras
  • Gran Premio de Honor de la SADE (1950)
Empregador(a)Sur
Causa da mortecâncer de laringe

Victoria Ocampo Aguirre (Buenos Aires, 7 de abril de 1890 - Beccar, 27 de janeiro de 1979) foi uma escritora, intelectual, ensaísta, tradutora, editora, filantropa e mecenas argentina.[1][2] Desde o dia de sua morte até hoje foram publicados 26 livros escritos por Victoria. Dentre eles, sua autobiografia publicada em seis volumes os quais começou a escrever no ano de 1951.[2]

Biografia

Nascida em uma família aristocrática,[3] foi educada por governantas e seu primeiro idioma foi o francês. Em 1924 publicou sua primeira obra, De Francesca a Beatrice, editada pela Revista de Occidente com a ajuda de José Ortega y Gasset.[3] Desde sua juventude participou das primeiras manifestações dos movimentos feministas, intelectuais e antifascistas argentinos, o que a levou a fundar em 1936 a Unión Argentina de Mujeres.[3] Militou na oposição ao peronismo, sendo presa por 26 dias em 1953.[4]

Suas viagens permitiram a ela estabelecer contato com expoentes da literatura e do campo intelectual. Encorajada por Waldo Frank e Eduardo Mallea, fundou a revista e editora Sur em 1931, que promoveu obras literárias de autores nacionais e internacionais como Jorge Luis Borges, Adolfo Bioy Casares, Ernesto Sabato, Silvina Ocampo, Alejandra Pizarnik, José Bianco, Virginia Woolf, Carl Gustav Jung,[5]André Malraux, T.E. Lawrence, Martin Heidegger, Jean Genet, E.M. Forster, Henri Michaux, Lanza del Vasto, Henry Miller, Vladimir Nabokov, Robert Musil, Yukio Mishima, Georges Bataille, Theodor W. Adorno e Walter Benjamin, até parar parcialmente sua publicação em 1971.[5]

Em 1941, instalou-se em sua residência Villa Ocampo — hoje um museu pertencente à UNESCO —, que se tornou um local de recepção para figuras como Rabindranath Tagore, Albert Camus, Graham Greene, Ígor Stravinsky, Saint-John Perse, Denis de Rougemont, Pierre Drieu La Rochelle, Roger Caillois, Ernest Ansermet, Christopher Isherwood e Indira Gandhi.[2][6]

Foi presidente do Fondo Nacional de las Artes de 1958 a 1973[7] e recebeu diversas distinções, incluindo doutorados honoris causa ortogados por várias universidades. Entre as distinções mais importantes estão as condecorações da Ordem Nacional da Legião de Honra e de Ordem das Artes e das Letras concedidas em 1962 pelo governo francês, a distinção da Ordem do Império Britânico concedida pela Rainha Elizabeth II do Reino Unido, a Médaille d’Or du Rayonnement Français concedida pela Academia Francesa em 1965 e o Prêmio Maria Moors Cabot concedido em 1965 pela Universidade Columbia. Em 1967, a Universidade de Harvard a fez Doutora Honoris Causa e em 1968 a Universidade Vishwa Bharati da Índia concedeu-lhe o mesmo título. Em 1977, tornou-se a primeira mulher eleita membro da Academia Argentina de Letras.[7][8]

Obra

Escreveu vários ensaios, entre eles os dedicados a Emily Brontë, Lawrence da Arábia e Virginia Woolf, incontáveis artigos, uma longa série de "Testimonios" (dez volumes no total, que foram publicados entre 1935 e 1977) e uma autobiografia, publicada em seis volumes logo depois de sua morte. Essas duas últimas obras são consideradas valiosos documentos históricos sobre a cultura e as relações da intelectualidade argentina com a literatura europeia e, ocasionalmente, estadunidense.[2]

Ver também

Referências

  1. ↑ Santamarina, Miguel Ángel (20 de novembro de 2021). «Victoria Ocampo, la mujer que rompió todas las reglas». Zenda (em espanhol). Consultado em 28 de junho de 2024
  2. 1 2 3 4 Barral, Manuela (13 de novembro de 2023). «Victoria Ocampo, una "empedernida escribidora de cartas"». Manuscrítica: Revista de Crítica Genética (em espanhol) (50): 6–20. ISSN 2596-2477. doi:10.11606/issn.2596-2477.i50p6-20. Consultado em 28 de junho de 2024
  3. 1 2 3 Santamarina, Miguel Ángel (20 de novembro de 2021). «Victoria Ocampo, la mujer que rompió todas las reglas». Zenda (em espanhol). Consultado em 28 de junho de 2024
  4. ↑ «Hace 70 años. Cuando el peronismo arrestó por 26 días a Victoria Ocampo y desató una ola mundial de repudio». LA NACION (em espanhol). 19 de maio de 2023. Consultado em 28 de junho de 2024
  5. 1 2 González, Betina (22 de setembro de 2023). «Victoria, Jung y el conde: un triángulo de influencias». Clarín (em espanhol). Consultado em 28 de junho de 2024
  6. ↑ Amato, Alberto (1979). «Victoria Ocampo (1890-1979)». revista Gente'' (706)
  7. 1 2 «VICTÓRIA OCAMPO, REBELDE FEMINISTA E ANTIFASCISTA - PGL». pgl.gal. 1 de janeiro de 2019. Consultado em 28 de junho de 2024
  8. ↑ Amato, Alberto (1979). «Victoria Ocampo (1890-1979)». revista Gente'' (706)

Ligações externas