1723 no Brasil
| |||||
| Milênios: |
| ||||
| Séculos: |
| ||||
| Décadas: |
| ||||
| Ver também: | Outros eventos de 1723 Anos no Brasil Cronologia da história do Brasil | ||||
1723 no Brasil corresponde aos eventos ocorridos no território da América Portuguesa durante o ano de 1723, marcado pelos desdobramentos pós-Revolta de Vila Rica, pela continuidade da exploração aurífera e pelo fortalecimento da estrutura eclesiástica na Capitania das Minas Gerais.
Contexto político e administrativo
Em 1723, o governador da Capitania de Minas Gerais era dom Lourenço de Almeida, nomeado em substituição ao Conde de Assumar após os tumultos de 1720. Cabia à administração colonial gerir as tensões fiscais remanescentes da Revolta de Vila Rica, cujas consequências jurídicas ainda se faziam sentir. O ouvidor Rafael Pires Pardinho conduzia a devassa sobre os eventos de 1720 e, em março de 1723, solicitou cópias de documentos fundamentais registrados no Livro de Termos do Governo da Capitania, incluindo os termos de ereção das primeiras vilas mineiras e o registro dos acontecimentos da Revolta.[1]
A finta do ouro — mecanismo pelo qual as comarcas mineradoras comprometiam coletivamente uma cota anual à Coroa — foi elevada a 37 arrobas para o biênio 1723–1724, após ter sido de 25 arrobas no período 1717–1722. A elevação refletia tanto o crescimento da produção quanto a pressão da metrópole por maior arrecadação.[2]
Mineração e economia
A Capitania de Minas Gerais consolidava-se como o principal polo econômico da América Portuguesa. A produção de ouro alimentava o comércio interno de abastecimento, com tropeiros percorrendo os caminhos do Rio de Janeiro, da Bahia e de São Paulo para abastecer as vilas mineiras de farinha, carne, tecidos e ferramentas. A legislação fiscal permanecia contestada, especialmente no que dizia respeito às Casas de Fundição, cuja implantação havia sido suspensa após a Revolta de 1720.
A exploração aurífera continuava a atrair migrantes de Portugal e das ilhas atlânticas. Estima-se que, ao longo das primeiras décadas do século XVIII, cerca de 600 mil portugueses emigraram para o Brasil, a maioria atraída pela promessa das Minas Gerais.[3]
Igreja Católica
A estrutura eclesiástica nas Minas Gerais dependia ainda do Bispado do Rio de Janeiro, mas a rede paroquial crescia continuamente. Os registros paroquiais — batizados, casamentos e óbitos — eram a principal fonte de documentação civil na colônia, cabendo aos párocos funções que hoje seriam consideradas de cartório. As irmandades religiosas, tanto brancas quanto negras, multiplicavam-se nas vilas mineradoras, financiando a construção de capelas e a realização de festas litúrgicas que estruturavam a vida social colonial.
Em 1723, os jesuítas mantinham sua rede de colégios e aldeamentos no Rio de Janeiro, na Bahia e no Maranhão, oferecendo o único ensino gratuito e sistemático disponível na colônia. Os carmelitas, franciscanos e beneditinos gerenciavam igrejas e conventos que funcionavam também como centros de assistência social, acolhendo doentes e pobres.[4]
Nascimentos
- Antônio Francisco Pombal (c. 1723 – 1780), entalhador e dourador que executou a talha interior da Igreja Matriz de Nossa Senhora do Pilar, em Ouro Preto.[5]
Mortes
Não há registro de mortes de personalidades notáveis com impacto direto no Brasil em 1723.
Ver também
Referências
- ↑ Arquivo Público Mineiro. Fundo Secretaria de Governo da Capitania, SC-1-006, folhas 125v–127v. Documentos de 20 e 24 de março de 1723.
- ↑ Enciclopédia Virtual da Expansão Portuguesa — FCSH-UNL. «Minas Gerais». Disponível em: https://eve.fcsh.unl.pt/pt/lugares/minas-gerais. Acesso em mar. 2026.
- ↑ Boris Fausto. História do Brasil. 12ª ed. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2004. p. 97–102.
- ↑ Célio Juvenal Costa; Marta Tavares Sousa. «A Educação Jesuítica no Brasil Colonial». In: Acta Scientiarum: Education, Maringá, v. 34, n. 2, 2012, p. 223–232.
- ↑ Adalgisa Arantes Campos. «Notas sobre os artistas coloniais de Minas Gerais». In: Revista do IFAC, Ouro Preto, n. 3, dez. 1996, p. 48–57.
