Brachauchenius
Brachauchenius | |||||||||||||||||||
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| Ocorrência: Cretáceo Superior, 100–90 Ma | |||||||||||||||||||
| Classificação científica | |||||||||||||||||||
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| Género-tipo | |||||||||||||||||||
| †Brachauchenius lucasi Williston, 1903 | |||||||||||||||||||
Brachauchenius (que significa 'pescoço curto') é um gênero extinto de pliossauros que viveram durante o Cretáceo Superior onde hoje são a América do Norte e o norte da África. Apenas uma espécie é conhecida, Brachauchenius lucasi, descrita inicialmente por Samuel Wendell Williston em 1903 a partir de um esqueleto fóssil parcial descoberto em uma pedreira no Kansas, Estados Unidos. Muitos outros espécimes fósseis atribuídos à espécie foram descobertos posteriormente, incluindo um indivíduo do Marrocos cuja presença foi oficializada em 2016. Muitos espécimes de pliossauros contemporâneos foram anteriormente atribuídos ao Brachauchenius, mas desde então foram reidentificados como pertencentes a outros gêneros ou são reconhecidos como indeterminados (Incertae sedis).
Histórico de pesquisa
Holótipo e nomeação

Em 1884, o esqueleto parcial de um réptil marinho foi descoberto pelo proprietário de uma pedreira próxima a Delphos, no condado de Ottawa, Kansas. A notícia dessa descoberta chegou até Charles H. Sternberg, que na época coletava fósseis para Othniel Charles Marsh. Sternberg, então, enviou várias cartas a Marsh solicitando permissão e financiamento para exumar o espécime, o que foi concedido. Após a exumação, Sternberg entregou o espécime ao Museu Peabody de História Natural para Marsh, mas constatou-se que Marsh faria pouco com ele.[1] O fóssil acabou sendo transferido para o Museu Nacional de História Natural dos Estados Unidos e posteriormente recebeu o nome de código USNM 4989. O referido espécime consiste em um crânio quase completo medindo 90 centímetros de comprimento, acompanhado de trinta e sete vértebras e costelas associadas.[2][3][4][5] A documentação histórica do museu onde o espécime está alojado desde então menciona que Sternberg teria recebido a ajuda de um certo "John Potts" durante a sua exumação.[4][1] Em 1903, Samuel Wendell Williston designou o fóssil como holótipo de um novo gênero e espécie de pliossauro sob o nome Brachauchenius lucasi.[6] O nome genérico Brachauchenius deriva das palavras do grego antigo βραχύς (brakhys, "curto") e αὐχήν (aukhḗn, "pescoço"), seguidas do sufixo latino ius, todas com o significado de "pescoço curto".[7] Williston escolheu este nome porque este espécime foi considerado o plesiossauro de pescoço mais curto já descrito.[6][8] O nome específico lucasi é uma homenagem a Frederic Augustus Lucas [en] por suas notáveis contribuições à paleontologia americana.[6][8][7]
Em seu artigo, Williston apenas menciona a localidade de origem do espécime, não fornecendo detalhes sobre a sua descoberta. Assim, as circunstâncias em torno da descoberta do USNM 4989 permaneceram nebulosas até 2007, quando cartas de Sternberg, adquiridas por Kenneth Carpenter [en], foram formalizadas em um artigo escrito por seu colega Michael J. Everhart.[1] A procedência estratigráfica do espécime holótipo também permaneceu incerta por décadas. Williston observa que ele provém do "Cretáceo Benton",[6] mas constatou-se que três formações geológicas afloram na localidade onde o espécime foi descoberto.[4] Em 1996, Carpenter listou o espécime como sendo proveniente da formação de calcário Greenhorn [en],[9] contudo, ele não apresentou provas que sustentassem essa afirmação. Um exame microscópico dos fósseis, publicado em 2005, revelou que o espécime provinha quer do nível superior do calcário de Greenhorn, quer do nível inferior do Membro Fairport Chalk da formação Carlile [en], indicando que o espécime data do início do Turoniano Médio.[4]
Outros espécimes

Em 2016, uma mandíbula de pliossauro procedente de depósitos turonianos perto de Goulmima, no Marrocos, foi atribuída à espécie Brachauchenius lucasi.[10]
Espécimes anteriormente atribuídos

Em 1860, Richard Owen documentou a descoberta de um crânio parcial, realizada em data não especificada por George Cubitt [en], o 1º Barão Ashcombe, em sedimentos do Cretáceo provenientes da cidade de Dorking [en], no condado de Surrey, Inglaterra. Com base nas características dos dentes, Owen atribuiu esse espécime a Polyptychodon interruptus [en], uma espécie de pliossaurídeo que ele próprio havia descrito em 1841 a partir de fósseis do mesmo período descobertos nos condados de Sussex e Kent.[11] No ano seguinte, Owen mencionou que o espécime foi encontrado durante a escavação de um túnel ferroviário pelo grupo Chalk [en], nas proximidades de Frome, Somerset.[12] Contudo, muito provavelmente essa localidade foi confundida com as de outros espécimes atribuídos a esse gênero, e com múltiplas evidências reportadas, parece mais viável que a primeira localidade mencionada seja a mais provável. Este espécime reside desde então no museu local de Dorking, onde se encontra catalogado como DOKDM G/1-2.[a] Em um estudo filogenético publicado em 2013, Roger B. J. Benson e colegas determinaram que este espécime apresentava grande afinidade com vários outros atribuídos ao gênero Brachauchenius, sugerindo, por conseguinte, que seria mais apropriado associá-lo a esse gênero, embora sem uma afiliação específica.[14] Na sua revisão do gênero Polyptychodon publicada em 2016, Daniel Madzia classifica-o como um nomen dubium devido à falta de acessibilidade e diagnóstico referente ao dente holótipo do táxon, o qual pode até ter sido perdido. No entanto, ele considera provável que o DOKDM G/1-2 possa ser designado como o neótipo deste gênero para manter a sua validade [en], mas abstém-se de o fazer por enquanto, uma vez que as descrições fornecidas por Owen estão obsoletas.[15] Num congresso realizado em 2017, Madzia e os seus colegas avaliaram o espécime de Dorking como sendo potencialmente diagnóstico, apesar da sua preservação incompleta.[16]

Todos os fósseis identificados do gênero Megacephalosaurus, um gênero relacionado e contemporâneo, foram interpretados inicialmente como sendo de Brachauchenius.[17][18] O espécime holótipo do gênero, catalogado como FHSM VP-321, foi descoberto em 1950 pelos jovens irmãos Frank e Robert Jennrich perto de Fairport [en], Kansas. Os irmãos Jenrich, auxiliados por George F. Sternberg e um pecuarista local chamado Jim Rouse, exumaram o crânio no final daquele ano. Apesar de inicialmente pensarem que o espécime seria um mosassauro, G. F. Sternberg identificou-o mais tarde como um espécime imponente de B. lucasi, montando o crânio e a mandíbula num único suporte que mostrava apenas as suas faces dorsais.[17][4] Contudo, foi apenas em 1996 que o crânio foi primeiramente descrito por Carpenter, que ainda o identificou como tal.[9] Uma nova expedição realizada em novembro de 2003 por R. Jennrich permitiu aos cientistas descobrir que o espécime foi exumado da formação Fairport Chalk. Em 2007, Everhart descobriu fotos da parte inferior do crânio tiradas antes da sua montagem, que revelavam características da parte inferior distintas das encontradas em outros crânios de B. lucasi. O espécime foi então retirado do seu suporte e oficialmente descrito em 2013 por Bruce A. Schumacher, Carpenter e Everhart como o holótipo de um novo gênero e espécie a que deram o nome de Megacephalosaurus eulerti.[18] Um pouco antes da descrição realizada por Schumacher et al., o estudo filogenético de Benson et al. classificou o táxon como B. eulerti.[14] A história do crânio parátipo, catalogado como UNSM [en] 50136, é consideravelmente mais incerta. De fato, este apresenta escassa informação contextual sobre a sua descoberta e a sua localidade de origem exata; a única informação conhecida é que o espécime provém igualmente do Kansas. Ele foi descrito pela primeira vez na literatura científica por Schumacher em 2008, que o identificou provisoriamente com o nome aff. B. lucasi. Muito embora se desconheça a sua localidade de origem, a análise da matriz obtida a partir do fóssil identifica associações de nanofósseis que estão associadas a depósitos calcários da formação Greenhorn.[19] Quando o espécime FHSM VP-321 foi determinado como sendo um gênero distinto, identificou-se que o UNSM 50136 era da mesma espécie e foi designado para ser seu parátipo.[18] Em seu blog, Everhart escreveu que outros espécimes classificados hoje como Brachauchenius podem na realidade pertencer a Megacephalosaurus. O espécime mais notável na sua linha de visão é o UNSM 112437, um crânio parcial recolhido no Xisto Graneros.[17]
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Em 2000, um esqueleto de pliossaurídeo relativamente completo, catalogado desde então como VL17052004-1, foi encontrado na cidade de Villa de Leyva, em Boyacá, Colômbia, antes de ser escavado durante 2004-2005.[20] Provindo da formação Paja [en], ele foi datado do Barremiano Superior, configurando-se no exemplar mais antigo que se tem notícia dos braucaueninos. O esqueleto foi descrito originalmente em 2005 por Oliver Hampe como fazendo parte de Brachauchenius,[21] sendo posteriormente apontado como o holótipo de um novo gênero e espécie com o nome Stenorhynchosaurus munozi [en] por María Eurídice Páramo e seus colegas em 2016.[20]
Descrição

Brachauchenius ostenta uma morfologia peculiar aos pliossaurídeos da linhagem thalassophonea, que se caracteriza por possuir um crânio grande e alongado interligado a um pescoço de pequeno comprimento, ao contrário de diversos outros plesiossauros, que apresentam um pescoço longo e uma cabeça de tamanho reduzido. Da mesma forma que todos os outros plesiossauros, Brachauchenius possui uma cauda curta, um tronco de grandes dimensões e dois pares de nadadeiras extensas.[22][23][24] Como acontece com a maior parte dos pliossauros turonianos, a dimensão de Brachauchenius é um tanto contida,[18] com o espécime holótipo apresentando um comprimento máximo estimado em 5,3 metros e uma massa corporal avaliada em 2,2 toneladas.[25][26]
Classificação


O cladograma abaixo é modificado a partir de Madzia et al. (2018):[13]
| Thalassophonea |
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Notas
Ver também
- Lista de gêneros de plesiossauros
- Linha do tempo da pesquisa sobre plesiossauros
Referências
- 1 2 3 Michael J. Everhart (2007). «Historical note on the 1884 discovery of Brachauchenius lucasi (Plesiosauria; Pliosauridae) in Ottawa County, Kansas». Transactions of the Kansas Academy of Science. 110 (3/4): 255–258. JSTOR 20476322. doi:10.1660/0022-8443(2007)110[255:HNOTDO]2.0.CO;2
- ↑ Ellis 2003, p. 183–184.
- ↑ Everhart 2005, p. 152.
- 1 2 3 4 5 Bruce A. Schumacher; Michael J. Everhart (2005). «A stratigraphic and taxonomic review of plesiosaurs from the old "Fort Benton Group" of central Kansas: A new assessment of old records» (PDF). Paludicola. 5 (2): 33–54
- ↑ McHenry 2009, p. 377–378.
- 1 2 3 4 Williston 1903, p. 57.
- 1 2 Ben Creisler (2012). «Ben Creisler's Plesiosaur Pronunciation Guide». Oceans of Kansas. Consultado em 26 de junho de 2021
- 1 2 Ellis 2003, p. 183.
- 1 2 Kenneth Carpenter (1996). «A review of the short-necked plesiosaurs from the Cretaceous of the Western Interior, North America». Neues Jahrbuch für Geologie und Paläontologie - Abhandlungen. 201 (2): 259–287. Bibcode:1996NJGPA.201..259C. doi:10.1127/njgpa/201/1996/259
- ↑ Delphine Angst; Nathalie Bardet (2016). «A new record of the pliosaur Brachauchenius lucasi Williston, 1903 (Reptilia: Sauropterygia) of Turonian (Late Cretaceous) age, Morocco». Geological Magazine. 153 (3): 449–459. Bibcode:2016GeoM..153..449A. ISSN 0016-7568. doi:10.1017/s0016756815000321
- ↑ Richard Owen (1860). «Note on some remains of Polyptychodon from Dorking». Quarterly Journal of the Geological Society. 16 (1–2): 262–263. Bibcode:1860QJGS...16..262O. doi:10.1144/GSL.JGS.1860.016.01-02.35
- ↑ Richard Owen (1861). A monograph on the fossil Reptilia of the Cretaceous formations, Supplement III. Londres: Printed for the Palæontographical society. p. 20
- 1 2 Daniel Madzia; Sven Sachs; Johan Lindgren (2018). «Morphological and phylogenetic aspects of the dentition of Megacephalosaurus eulerti, a pliosaurid from the Turonian of Kansas, USA, with remarks on the cranial anatomy of the taxon». Geological Magazine. 156 (7): 1–16. Bibcode:2019GeoM..156.1201M. doi:10.1017/S0016756818000523
- 1 2 Roger B. J. Benson; Mark Evans; Adam S. Smith; Judyth Sassoon; Scott Moore-Faye; Hilary F. Ketchum; Richard Forrest (2013). «A Giant Pliosaurid Skull from the Late Jurassic of England». PLOS ONE. 8 (5). Bibcode:2013PLoSO...865989B. PMC 3669260
. PMID 23741520. doi:10.1371/journal.pone.0065989
- ↑ Daniel Madzia (2016). «A reappraisal of Polyptychodon (Plesiosauria) from the Cretaceous of England». PeerJ. 4. Bibcode:2016PeerJ...4e1998M. PMC 4867712
. PMID 27190712. doi:10.7717/peerj.1998
- ↑ Daniel Madzia; Sven Sachs; Mark Evans; Johan Lindgren; Benjamin P. Kear; Andrea Cau (2017). Reappraisal of the ʽDorking Specimen': An Upper Cretaceous Brachauchenine Pliosaurid from England. Zitteliana 91: XV Annual Meetingof the European Association of Vertebrate Palaeontologists. pp. 55–56
- 1 2 3 Mike Everhart (2014). «Brachauchenius». Oceans of Kansas. Cópia arquivada em 21 de setembro de 2019
- 1 2 3 4 Bruce A. Schumacher; Kenneth Carpenter; Michael J. Everhart (2013). «A new Cretaceous Pliosaurid (Reptilia, Plesiosauria) from the Carlile Shale (middle Turonian) of Russell County, Kansas». Journal of Vertebrate Paleontology. 33 (3): 613–628. Bibcode:2013JVPal..33..613S. JSTOR 42568544. doi:10.1080/02724634.2013.722576
- ↑ Bruce A. Schumacher (2008). «On the skull of a pliosaur (Plesiosauria; Pliosauridae) from the Upper Cretaceous (Early Turonian) of the North American Western Interior». Transactions of the Kansas Academy of Science. 111 (3 & 4): 203–218. JSTOR 20476362. doi:10.1660/0022-8443-111.3.203
- 1 2 María E. Páramo; Marcela Gómez-Pérez; Leslie F. Noé; Fernando Etayo (2016). «Stenorhynchosaurus munozi, gen. et sp. nov. a new pliosaurid from the Upper Barremian (Lower Cretaceous) of Villa de Leiva, Colombia, South America». Revista de la Academia Colombiana de Ciencias Exactas, Físicas y Naturales. 40 (154): 84–103. ISSN 2382-4980. doi:10.18257/raccefyn.239

- ↑ Oliver Hampe (2005). «Considerations on a Brachauchenius skeleton (Pliosauroidea) from the lower Paja Formation (late Barremian) of Villa de Leyva area (Colombia)». Mitteilungen aus dem Museum für Naturkunde in Berlin. 8 (1): 37–51. Bibcode:2005FossR...8...37H. doi:10.5194/fr-8-37-2005

- ↑ O'Keefe 2001, p. 1-2.
- ↑ McHenry 2009, p. 3.
- ↑ Jackevan Zhao 2024, p. 3.
- ↑ McHenry 2009, p. 380.
- ↑ Jackevan Zhao 2024, p. 40.
Bibliografia
- Williston, Samuel W. (1903). «North American plesiosaurs. Part 1.». Field Columbian Museum. 2 (1): 1–79
- O'Keefe, F. Robin (2001). «A cladistic analysis and taxonomic revision of the Plesiosauria (Reptilia: Sauropterygia)». Acta Zoologica Fennica. 213: 1–63
- Ellis, Richard (2003). Sea Dragons: Predators of the Prehistoric Oceans. Lawrence: University Press of Kansas. ISBN 978-0-7006-1394-6
- Everhart, Michael J. (2005). Oceans of Kansas – A Natural History of the Western Interior Sea. Bloomington: Indiana University Press. ISBN 978-0-253-34547-9
- McHenry, Colin R. (2009). Devourer of Gods: The palaeoecology of the Cretaceous pliosaur Kronosaurus queenslandicus (PhD). The University of Newcastle. hdl:1959.13/935911

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