Feng shui

Uma bússola de feng shui, chamada luopan
Feng shui
Nome chinês
Chinês tradicional: 風水
Chinês simplificado: 风水
Significado literal "wind-water"
Em filipino
Tagalo: Pungsóy, Punsóy
Em japonês
Kanji: 風水
Hiragana: ふうすい
Em coreano
Hangul: 풍수
Hanja: 風水
Em tailandês
Tailandês: ฮวงจุ้ย (Huang chui)
Em vietnamita
Vietnamita: phong thủy

O feng shui (em chinês: 風水), também conhecido como geomancia chinesa, é uma prática pseudocientífica originária da China antiga.[1][2][3]

Alega usar forças energéticas para harmonizar os indivíduos com o ambiente ao seu redor. O termo feng shui se traduz literalmente como "vento-água". Esta é uma apropriação cultural retirada do agora perdido Livro do Enterro [en] registrado nos comentários de Guo Pu.[4][5]

O Feng Shui é uma das Cinco Artes da Metafísica Chinesa, classificada como fisiognomia (observação das aparências através de fórmulas e cálculos). A prática do feng shui discute a arquitetura em termos de "forças invisíveis" que unem o universo, a terra e a humanidade, conhecidas como qi.[6]

Historicamente o feng shui era amplamente utilizado para orientar edifícios - geralmente estruturas espiritualmente significativas, como túmulos, mas também residências e outras estruturas. Dependendo do estilo particular de feng shui que está sendo usado, um local auspicioso pode ser determinado em relação a características locais como corpos d'água, estrelas ou através do uso de uma bússola.[7][8][5]


Origens

Não existe doutrina unificada nem textos canónicos sobre o feng shui, mas existem inúmeras escolas que desenvolveram uma série complexa de regras, sendo as duas mais importantes San Yuan Pai e San He Pai.

Encontrou-se uma primeira sistematização e definição orgânica no fundamental Zang Shu ("Livro dos Enterros") de Guō Pú (郭璞, 276-324). O autor descreve como a energia do Dragão (o Qi) desce das montanhas, dispersando-se através do transporte dos ventos, e pára em frente a um corpo de água onde se acumula e condensa, tornando o local num receptáculo transbordante de energia vital. A acumulação de energia vital é, portanto, o resultado de fluxos e canalizações que ocorrem por transportes e decantações elementares e que seguem as conformações geográficas e artérias subterrâneas de uma paisagem, e, por fim, da condensação e recolha de Ch’i num lugar cujo sinal eminentemente visível é dado pela carga vital do lugar, ou melhor, da exuberância e florescimento, ou melhor, da vitalidade em geral, da flora e da fauna.

Feng shui significa literalmente "vento e água", os dois elementos principais - dos quais o primeiro emite e espalha, e o segundo recolhe, absorve e transporta a energia vital naturalmente presente no planeta - e que através do transporte das águas e consequente absorção por capilarização, com o seu fluxo determinam a carga de energia vital de um determinado local. De acordo com o Taoísmo, existem dois princípios gerais que orientam o desenvolvimento dos acontecimentos naturais: o Ch'i e o equilíbrio dinâmico do Yin e Yang. Yin é o princípio escuro, húmido e feminino, enquanto yang é o princípio quente, brilhante e masculino. No feng shui, o yin é representado pela água e o yang é o vento, talvez mais no sentido da respiração. No feng shui, o I Ching é praticado no Bagua ao decorar o interior dos edifícios.

Uma das principais escolas de pensamento é aquela que coloca as origens do feng shui na astrologia, e em particular no Ki das 9 estrelas, que também se baseia nos princípios do Yin e do Yang. Este horóscopo é constituído por 9 números, associados aos 5 elementos (fogo, terra, metal, água, madeira), cada um dos quais corresponde a uma direção. O fogo está associado ao Sul e indica brilho, criatividade, inspiração e espírito. A água está associada ao Norte e diz respeito ao descanso, à interioridade e às relações interpessoais. Metal no Noroeste e Oeste e tem a ver com organização, atividades financeiras, investimentos. A terra no Nordeste e Sudoeste e diz respeito ao governo, social, alimentação e saúde. Madeira no Leste e Sudeste e está relacionada com viagens, comércio, invenções e computação. Nestes 5 elementos podemos traçar a tensão entre o yin e o yang: o primeiro é máximo na água devido às suas características frias, enquanto é menos potente nas características metálicas; o segundo é menos dominante na madeira e no máximo no fogo pelo seu calor e luz. Finalmente, na terra, as forças do yin e do yang estão perfeitamente equilibradas.[9]

As origens do feng shui, embora incertas, parecem ser muito antigas e foram descobertos túmulos que datam do Neolítico e que parecem seguir os seus princípios na sua construção. Os avanços no conhecimento de todas as artes que compõem o feng shui são tradicionalmente atribuídos a governantes míticos como Fu Hsi e Huang Di. Nos séculos que antecederam os primeiros imperadores da dinastia Qin, o feng shui, denominado Ka Nyu ("estudo da Terra"), fazia parte das artes divinatórias praticadas pelos conselheiros políticos e militares. Outros autores, no entanto, remontam aos tempos da dinastia Xia com a observação de carapaças de tartaruga no quadrado lo shu e descobriram também o I Ching, a astrologia e a numerologia chinesa.[10]

Ver também

Referências

  1. ↑ Vyse, Stuart (2020). «Superstition and Real Estate». Skeptical Inquirer. 44 (3): 26–28
  2. ↑ Matthews, Michael R. (2018). «Feng Shui: Educational Responsibilities and Opportunities». In: Matthews, Michael R. History, Philosophy and Science Teaching: New Perspectives. Col: Science: Philosophy, History and Education. Cham, Switzerland: Springer. 31 páginas. ISBN 978-3-319-62616-1
  3. ↑ Matthews, Michael R. (2019). Feng shui: teaching about science and pseudoscience. Cham, Switzerland: Springer. ISBN 978-3-030-18822-1. OCLC 1109957069
  4. ↑ «The Zangshu, or Book of Burial, translated by Stephen L Field, Phd.». Professor Field's Fengshui Gate. Consultado em 31 de julho de 2020. Cópia arquivada em 21 de maio de 2020
  5. 1 2 Magli, Giulio (2020). Sacred Landscapes of Imperial China: Astronomy, Feng Shui, and the Mandate of Heaven. [S.l.]: Springer Nature. ISBN 978-3-030-49324-0
  6. ↑ «Feng Shui». Institute of Feng Shui. Consultado em 15 de maio de 2011. Arquivado do original em 13 de julho de 2011
  7. ↑ Carroll, Robert T. «feng shui». The Skeptic's Dictionary. Consultado em 14 de maio de 2012
  8. ↑ Wallace H. Campbell. Earth Magnetism: A Guided Tour Through Magnetic Fields. Academic Press, 2001. p. 2 "Written records show that a Chinese compass, Si Nan, had already been fabricated between 300 and 200 BE and used for the alignment of constructions to be magically harmonious with the natural Earth forces.
  9. ↑ Wu Xing. O Manual do Feng Shui. Traduzido por Cinzia Defendenti. [S.l.]: Il Punto d'Incontro. p. 21. ISBN 88-8093-173-3
  10. ↑ Richard Webster (), pp. 10, 11.

Bibliografia

Leituras complementares

  • Ernest John Eitel (1878). Feng-shui: or, The rudiments of natural science in China. Hongkong: Lane, Crawford. Consultado em 6 de julho de 2011 
  • Koch, Aaron Lee (2014). Feng Shui Q&A. [S.l.]: 8 Feng Shui Publishing. ISBN 978-1-312-61845-9 
  • Bruun, Ole (1995). «Fengshui and the Chinese Perception of Nature». In: Bruun, Ole; Kalland, Arne. Asian Perceptions of Nature: A Critical Approach. Surrey: Curzon. pp. 173–88 
  • Bruun, Ole (2008). An Introduction to Feng Shui. [S.l.]: Cambridge University Press 
  • Bruun, Ole (2003). Fengshui in China: Geomantic Divination between State Orthodoxy and Popular Religion. Honolulu: University of Hawai'i Press. ISBN 9788791114793 
  • Yoon, Hong-key (2006). Culture of Fengshui in Korea: An Exploration of East Asian Geomancy. [S.l.]: Lexington Books 
  • Xie, Shan Shan (2008). Chinese Geographic Feng Shui Theories and Practices. [S.l.]: National Multi-Attribute Institute Publishing. ISBN 978-1-59261-004-4 
  • Charvatova, I.; Klokocnik, J.; Kolmas, J.; Kostelecky, J. (2011). «Chinese tombs oriented by a compass: Evidence from paleomagnetic changes versus the age of tombs». Studia Geophysica et Geodaetica. 55 (1): 159–74. doi:10.1007/s11200-011-0009-2 
  • Chen, X.; Wu, J. (2009). «Sustainable landscape architecture: Implications of the Chinese philosophy of 'unity of man with nature' and beyond». Landscape Ecology. 24 (8): 1015–26. doi:10.1007/s10980-009-9350-z 
  • Lacroix, R.; Stamatiou, E. (2006). «Feng shui and spatial planning for a better quality of life». WSEAS Transactions on Environment and Development. 2 (5): 578–83. Retrieved from http://search.proquest.com/docview/290374661 
  • Kereszturi, A.; Sik, A. (2000). «Feng-shui on Mars – History of geomorphological effects of water and wind» (PDF). Abstracts of Papers Submitted to the Lunar and Planetary Science Conference. 31. abstr. no. 1216 

Ligações externas