IAI Nammer
IAI Nammer | |
|---|---|
| Descrição | |
| Tipo / Missão | Caça multipropósito |
| País de origem | |
| Fabricante | Israel Aircraft Industries |
| Quantidade produzida | 1 |
| Desenvolvido de | IAI Kfir |
| Primeiro voo em | 21 de março de 1991 |
Aviso | |
O IAI Nammer (leopardo em hebraico) foi um avião de caça desenvolvido pela fabrica israelense Israeli Aircraft Industries (IAI) durante o final da década de 80 e início da década de 90. O programa era uma iniciativa privada da IAI, visando a produção de uma aeronave de combate para exportação. A aeronave, baseada na célula do IAI Kfir e utilizando tecnologias do programa Lavi, iria ser oferecida com várias opções de armamento, aviônica e motores, tendo sido, inclusive, proposta a produção conjunta a clientes.
Um protótipo foi construído, tendo seu primeiro voo em 21 de março de 1991, tendo passado por uma campanha de provas para comprovar o conceito. O projeto não conseguiu encontrar clientes interessados, vindo a ser encerrado no início dos anos 90.
Desenvolvimento
Durante os anos 80, a empresa aeroespacial israelense Israeli Aircraft Industries (IAI) decidiu tomar uma iniciativa de desenvolver um projeto privado de uma aeronave de combate multipropósito, utilizando a célula do IAI Kfir e a tecnologia desenvolvida durante o programa do IAI Lavi, que havia sido recentemente cancelado.[1][2] O diretor internacional de aeronaves militares da IAI, Moshe Scharf, citou que o motivo do projeto foi que atualizar o Kfir não seria mais barato que produzir uma nova aeronave, baseada nos conceitos já provados.[3] No início de 1988, a firma havia completado o desenho preliminar e as definições dos estágios do desenvolvimento do Nammer, que ia para a fase de desenho técnico detalhado. Adicionalmente, a firma havia conduzido discussões com clientes em potencial a respeito da futura aeronave. Em particular, a IAI intencionava uma participação de outras entidades, nas quais dariam apoio e continuidade ao desenvolvimento e executariam a produção do programa.[4]
A IAI havia, incialmente, anunciado o Nammer como uma modernização para células do Mirage III/5. Clientes tinham a disposição duas configurações básicas para a aeronave: Uma baseada na remotorização da aeronave com o motor General Electric F404, e outra que manteria o motor SNECMA Atar, mas integrado com nova aviônica (incluindo o radar telemétrico Elta EL/M-2001 ou o radar de controle de tiro EL/M-2032). A primeira dessas opções visava aumentar consideravelmente o alcance e desempenho da aeronave, enquanto a segunda, servia para aumentar as capacidades de combate ar-ar da aeronave original.[5]
Com o avanço do programa, o Nammer começou a ser anunciado pela IAI como uma aeronave totalmente nova, tendo o radar de controle de tiro Elta EL/M-2032 como parte integral do sistema de armas. Os clientes poderiam escolher seu motor para a aeronave, sendo disponibilizado o F404 (ou a variante produzida sob licença na Suécia, o Volvo RM12), o SNECMA M53 e o Pratt & Whitney PW1120, todos tendo de 18 a 20.000 lb/f de empuxo.[2] A empresa afirmou que a configuração de asas em delta com canards, combinada com novos aviônicos e um motor mais moderno, resultaria em um caça relativamente moderno, comparável ao F-16A e ao Mirage 2000, mas com metade dos custos.[5]
Para fins de campanha de provas e demonstração para clientes, um protótipo foi construído pela companhia, baseado na célula de um Kfir C.2 (matrícula 979), tendo seu primeiro voo em 21 de março de 1991.[5][6] De acordo com a IAI, o conceito foi apresentado a um número de forças aéreas estrangeiras, para posteriormente, fechar uma aquisição. A companhia também citava que não tinha a intenção de produzir a aeronave, ao menos que houvessem, pelo menos, 80 unidades encomendadas.[3][5] Ao longo das negociações, a IAI ofereceu um grande grau de personalização da aeronave para seus potenciais operadores, essencialmente, dando a capacidade a eles de modificar significativamente o desenho do Nammer.[4] A IAI também ofereceu várias possibilidades para a construção da aeronave, que poderia ser feita tanto nas instalações da IAI quanto a montagem final sendo feita no país do cliente.[2] Durante o início dos anos 90, como parte de uma nova campanha para a venda do Nammer, a IAI ofereceu a clientes estrangeiros, a linha completa de produção da aeronave, incluindo aviônica e software.[3] Sem encontrar parceiros interessados, o projeto foi encerrado pouco tempo depois.[6]
Descrição
O Nammer tinha a célula derivada do IAI Kfir (que era baseada na do IAI Nesher, que era uma cópia do Mirage 5).[7] Externamente, o desenho se assemelhava muito ao do Kfir C.7 (e ao, do futuro, Kfir 2000), porém, podia ser facilmente distinguido pelo nariz mais longo (devido a instalação do radar de controle de tiro) e a falta da tomada de ar dorsal, na raíz do bordo de ataque do estabilizador horizontal.[5] Em outras áreas, o Nammer se diferenciava fortemente do Kfir, como a aviônica, a cabine e o motor.[2] De acordo com a IAI, o Nammer poderia atingir a velocidade máxima de Mach 2.2 (2.695 km/h; 1.674 mph), com o teto operacional de 19.300 m (58.000 ft). A fabricante pretendia oferecer a aeronave com uma ampla gama de motores, que poderiam ser desde o motor SNECMA Atar, original do Mirage, quanto unidades de potência mais modernas, nas quais tinham menor consumo de combustível e menos peso.[2][5]
A cabine do Nammer era extensamente modernizada, incluindo um novo layout geral que, entre outros benefícios, permitida ao piloto manter o controle efetivo da aeronave via a interface HOTAS (mãos no manche e manetes) para os principais sistemas em maioria das circunstâncias operacionais. Um total de quatro telas, consistindo de um HUD, dois displays multifuncionais (MFD) e uma tela de RWR/CME, supriam todas as informações necessárias ao piloto.[5] Várias dessas tecnologias eram provindas do projeto Lavi, que havia sido recentemente cancelado.[2][6]
De acordo com a IAI, o Nammer seria equipado com um sistema de controle de armas avançado, diretamente integrado a um radar de controle de tiro de pulso doppler multimodo, enquanto a suíte de guerra eletrônica incluía vários subsistemas que foram desenvolvidos para o IAI Lavi.[3] O peso máximo de decolagem era de aproximadamente 15.540 kg, com a carga máxima de 6.270 kg, O Nammer poderia carregar 3.000 kg de combustível, além de um adicional de 3.720 kg em tanques externos, além de contar com uma sonda de reabastecimento em voo.[3][5] De acordo com a IAI, com a produção em série da aeronave, ela custaria por volta de US$ 20 milhões a unidade.[2][3]
Especificações
Características Gerais
- Tripulação: 1
- Comprimento: 16.00 m (52 ft 6 in)
- Envergadura: 8.22 m (27 ft 0 in)
- Altura: 4.55 m (14 ft 11 in)
- Área Alar: 34.8 m2 (375 sq ft)
- Peso Carregado: 16,511 kg (36,400 lb)
- Motor: 1x, vários modelos disponibilizados, de 80 a 90 kN (18,000 a 20,000 lbf) de empuxo
Desempenho
- Velocidade Máxima: 2.695 km/h (1.674 mph/Mach 2.2)
- Alcance: 1,382 km (859 mi, 746 nmi)
- Teto de Serviço: 17,700 m (58,000 ft)
Armamento
- Canhões: 2x IAI/GIAT DEFA 553, de 30mm.
- Carga: 6,270 kg (13,790 lb)
Ver também
Referências
- ↑ «Joining the Big League». International Aeronautic Federation. Interavia. 43: 209. 1988
- 1 2 3 4 5 6 7 «Israel proposes p-v fighter». Flight International (em inglês): 5. 6 de fevereiro de 1988. Arquivado do original em 28 de março de 2011
- 1 2 3 4 5 6 «Production offer for IAI fighter». Flight International (em inglês): 20. 14 de março de 1990. Arquivado do original em 25 de março de 2010
- 1 2 Copley, Gregory R. (1988). Defense & Foreign Affairs Strategic Policy (em inglês). 16. [S.l.]: Copley & Associates. p. 12
- 1 2 3 4 5 6 7 8 «First flight for Israel's Nammer fighter». Flight International (em inglês): 17. 24 de abril de 1991. Arquivado do original em 5 de setembro de 2009
- 1 2 3 «No Barrel Rolls: Un tigre de papel, el IAI Nammer». No Barrel Rolls. 1 de julho de 2019. Consultado em 26 de março de 2026
- ↑ Golan, John W. (2016). Lavi: The United States, Israel, and a Controversial Fighter Jet (em inglês). [S.l.]: University of Nebraska Press. p. 277. ISBN 1-61234-783-5