Jorge Du Peixe
| Jorge Du Peixe | |
|---|---|
![]() Jorge Du Peixe em 2016 | |
| Informações gerais | |
| Nome completo | Jorge José Carneiro de Lira |
| Nascimento | 8 de janeiro de 1967 (59 anos) Recife, Pernambuco, Brasil |
| Nacionalidade | brasileiro |
| Gênero(s) | Manguebeat Alternative rock Post-rock |
| Ocupação | Cantor Compositor |
| Instrumento(s) | Voz e alfaia |
| Período em atividade | 1991 – Atualmente |
| Gravadora(s) | Babel Sunset |
| Afiliação(ões) | Nação Zumbi (1989–atualmente) Los Sebosos Postizos Afrobombas Marisa Monte |
Jorge José Carneiro de Lira (Recife, 8 de janeiro de 1967), mais conhecido como Jorge Du Peixe, é um cantor e compositor brasileiro, tendo ocupado diversas funções na banda Nação Zumbi.[1][2]
Desde a morte de Chico Science, em 1997, Jorge[3][4] é responsável pelos vocais e sampler no grupo.[5][6] Integra também outros projetos musicais, como as bandas Los Hooligans e Los Sebosos Postizos,[7] além de realizar diversas colaborações no cinema, compondo trilhas sonoras para filmes nacionais, como Amarelo Manga e Febre do Rato.[8][9]
Infância e adolescência

Jorge viveu a infância e parte da adolescência no bairro de Caxangá, em Recife.[nota 1] Depois se mudou para Salvador, Bahia devido ao trabalho de seu pai, vivendo na capital baiana durante dois anos.[10] Ao retornar para Recife, foi morar no bairro Rio Doce, onde conheceu e se tornou amigo de Chico Science,[11] cuja amizade foi alimentada pelo interesse de ambos pela cultura musical urbana da Grande Recife.[12][13]
Jorge é um dos idealizadores do movimento musical pernambucano dos anos 1990 conhecido pelo manguebeat, um dos mais diversos movimentos culturais do Brasil, ganhando notoriedade nacional e alcançando sucesso internacional ao ser o artista do "manguebeat" de turnês mundiais.[14]
Carreira musical
Jorge ingressou na carreira do mundo musical no início dos anos 1990, sempre tendo como referência o rock alternativo, o post-rock e o movimento Manguebeat.[11] Já era integrante da banda Nação Zumbi quando seu grande amigo Chico Science, vocalista, faleceu em 1997 e Du Peixe assumiu o seu lugar nos vocais e no sampler.[15]
Com a banda, o músico participou do lançamento de 13 discos, gravou com vários artistas e fez shows em diversos países.[nota 2] Além da Nação Zumbi, Jorge Du Peixe fazia parte de outros projetos musicais, como a banda Los Sebosos Postizos, onde lançou um disco chamado "Los Sebosos Postizos Interpretam Jorge Ben Jor" com músicas de Jorge Ben Jor, e o grupo Afrobombas que além de Jorge tem como vocalista a filha de Chico Science, Lula Lira.[17][nota 3]
Jorge também se aventurou no universo cinematográfico ao compor trilhas sonoras para alguns filmes nacionais, como Amarelo Manga (2001) e Febre do Rato (2011).[11] E como o mundo das artes é o que ele domina, Du Peixe lançou, em 2020, o seu primeiro livro juvenil chamado "A Nave".[nota 4] Com a narração de Jorge e ilustrado pelo artista Rodrigo Visca, o livro foi lançado pela editora Barbatana.[19]
Influências
A sonoridade de Jorge du Peixe é caracterizada pela fusão de ritmos regionais nordestinos com gêneros globais, como o rock, o hip hop e o dub. Entre suas diversas referências, destaca-se a figura de Luiz Gonzaga, o "Rei do Baião", a quem o músico atribui um papel fundamental na estruturação da identidade rítmica brasileira. Em diversas entrevistas e declarações públicas, Du Peixe enfatiza que "O Baião é a Matriz" da música brasileira. Para o artista, a obra de Gonzaga não representa apenas um gênero regional, mas a base rítmica primordial que permite diálogos com vertentes modernas.[20] Essa visão reflete a filosofia do Manguebeat, que utiliza elementos da cultura popular — como o maracatu e o coco — como alicerce para a experimentação sonora.[21] Sob a liderança de Du Peixe, a Nação Zumbi aprofundou essa pesquisa, mantendo o peso das alfaias (tambores de maracatu) em harmonia com sintetizadores e guitarras distorcidas.[22]
Legado e Contribuições
Além de sua atuação na Nação Zumbi, Jorge du Peixe colaborou com diversos artistas da cena brasileira e integrou projetos paralelos como o Afrobombas. Sua abordagem estética, tanto na música quanto no design (assinando capas de discos e identidades visuais do movimento), reafirma a conexão entre o local e o universal, partindo sempre da "matriz" rítmica nordestina para explorar novas fronteiras musicais.[23][24]
Discografia
Álbuns de estúdio
Com Chico Science & Nação Zumbi
- Da Lama ao Caos (1994) — Ouro
- Afrociberdelia (1996) — Ouro
- CSNZ (1998) — Chaos/Sony Music
- Rádio S.Amb.A. (2000) — YB Music
- Nação Zumbi (2002) — Trama
- Futura (2005) — Trama
- Fome de Tudo (2007) — Deckdisc
- Nação Zumbi (2014) — SLAP/Som Livre
- Radiola NZ Vol. 1 (2017)
Álbuns ao vivo
- Propagando ao vivo (2006) — Trama
- Ao Vivo no Recife (2012) — Deckdisc
Notas
- ↑ Crook, Larry (2009). p. 233–234.
- ↑ Da Lama ao Caos. In: Enciclopédia Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileira. São Paulo: Itaú Cultural, 2026. Disponível em:.[16] Acesso em: 02 de maio de 2026. ISBN: 978-85-7979-060-7
- ↑ Segall, Lasar; Araújo, Emanoel (2022). A volta do baile da SPAM de Lasar Segall. Museu Afro Brasil Emanoel Araujo, Museu Lasar Segall. São Paulo, Brazil: Museu Afro Brasil. ISBN 978-65-89568-01-8. OCLC 1369602682. Consultado em 2 de maio de 2026.
- ↑ Nação Zumbi. In: Enciclopédia Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileira.[18] São Paulo: Itaú Cultural, 2026. Disponível em: Acesso em: 02 de maio de 2026. ISBN: 978-85-7979-060-7
Referências
- ↑ Jorge Du Peixe - Lançamento do disco "Baião Granfino" para o Música #EmCasaComSesc, consultado em 2 de julho de 2022
- ↑ Crook, Larry; Crook, Larry (2009). Focus: music of northeast Brazil. Col: Focus on world music 2nd ed ed. New York: Routledge. ISBN 978-0-415-96066-3
- ↑ Bento, Emannuel (6 de abril de 2022). «Jorge du Peixe diz que pausa da Nação Zumbi 'não tem esse alarde todo'». JC. Consultado em 2 de julho de 2022
- ↑ Jorge Du Peixe e a História do Mangue Beat, consultado em 5 de outubro de 2022
- ↑ «Jorge Du Peixe». Som13. 15 de agosto de 2003. Consultado em 16 de setembro de 2018
- ↑ Gomes, Augusto (4 de fevereiro de 2010). «Jorge du Peixe, a voz da Nação Zumbi». IG. Consultado em 16 de setembro de 2018
- ↑ Caldas, Isabela (25 de agosto de 2017). «Entrevista com Jorge Du Peixe, do Los Sebosos Postizos: "Tocar em casa é a melhor coisa"». Revista O Grito. Consultado em 16 de setembro de 2018
- ↑ «Quem é quem no cinema: Jorge dü Peixe». Filme B. 25 de agosto de 2017. Consultado em 16 de setembro de 2018
- ↑ Kachani, Morris (25 de agosto de 2017). «Assis faz tributo à amizade em Paulínia». Folha de S.Paulo. Consultado em 16 de setembro de 2018
- ↑ Giló*', 'Naum (29 de setembro de 2022). «Jorge Du Peixe lança álbum com releitura das canções de Luiz Gonzaga». Diversão e Arte. Consultado em 2 de julho de 2022
- 1 2 3 «Jorge Du Peixe, Fred 04, Otto e Siba se reúnem em celebração aos 30 anos do Manguebeat». G1. Consultado em 2 de julho de 2022
- ↑ Silva, Glaucia Peres da (2008). ”Mangue”: moderno, pós-moderno, global (Dissertação de Mestrado). Universidade de São Paulo
- ↑ «Jorge Du Peixe atualiza a riqueza da obra de Luiz Gonzaga no álbum 'Baião granfino'». G1. Consultado em 2 de julho de 2022
- ↑ «Jorge Du Peixe, Fred 04, Otto e Siba se reúnem em celebração aos 30 anos do Manguebeat». G1. Consultado em 24 de novembro de 2022
- ↑ «Faixa Musical traz música do álbum Baião Granfino, de Jorge Du Peixe». EBC Rádios. 19 de dezembro de 2022. Consultado em 29 de dezembro de 2022
- ↑ Cultural, Instituto Itaú. «Da Lama ao Caos». Enciclopédia Itaú Cultural. Consultado em 2 de maio de 2026
- ↑ «Jorge Du Peixe lança álbum com releitura das canções de Luiz Gonzaga». Diversão e Arte. 29 de setembro de 2022. Consultado em 29 de dezembro de 2022
- ↑ Cultural, Instituto Itaú. «Nação Zumbi». Enciclopédia Itaú Cultural. Consultado em 2 de maio de 2026
- ↑ «Jorge Du Peixe atualiza a riqueza da obra de Luiz Gonzaga no álbum 'Baião granfino'». G1. Consultado em 29 de dezembro de 2022
- ↑ «Jorge Du Peixe: 'Afrociberdelia' é África, ficção científica e aparatos tecnológicos com psicoledia». Consultado em 12 de abril de 2026
- ↑ «Jorge Du Peixe, amigo e sucessor de Chico Science nos vocais da Nação Zumbi, lança primeiro disco solo». O Globo. 27 de agosto de 2021. Consultado em 12 de abril de 2026
- ↑ ArquivoNB (2 de dezembro de 2024), Jorge Du Peixe: “Quando falamos de música, TUDO É REFERÊNCIA” - Vozes da Vez, consultado em 12 de abril de 2026
- ↑ Reis), Marina Sakai (sob supervisão de Yolanda (22 de novembro de 2021). «Jorge Du Peixe estreia disco Baião Granfino, com músicas de Luiz Gonzaga, em shows em São Paulo; saiba mais». Rollingstone. Consultado em 29 de dezembro de 2022
- ↑ «Jorge Du Peixe grava Luiz Gonzaga e diz que 'arte é instrumento político'». CartaCapital. 5 de novembro de 2021. Consultado em 29 de dezembro de 2022
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