Protestos de Ashura

Os protestos de Ashura ocorreram em 27 de dezembro de 2009 no Irã(o) contra o resultado da eleição presidencial de junho de 2009, que os manifestantes alegam ser ilegítima devido a fraude eleitoral. As manifestações fizeram parte dos protestos eleitorais iranianos de 2009 e foram as maiores desde junho. Em dezembro de 2009, os protestos provocaram uma escalada da violência. [1][2]

Manifestantes no Dia de Ashura em Teerã(o), Irão, 27 de dezembro de 2009

Em resposta a esse protesto, manifestantes pró-governo realizaram um comício três dias depois, em 30 de dezembro (9 de dey), para condenar os manifestantes do Movimento Verde.[3]

Contexto

Irregularidades durante a eleição presidencial do Irã (o) em 2009 causaram ressentimento entre muitos iranianos Embora os protestos pós-eleitorais tenham sido em sua maioria pacíficos, alguma violência eclodiu, levando a confrontos entre forças de segurança e manifestantes, enquanto alguns dissidentes políticos declarados foram detidos.[4][5]

Dissidentes continuaram a manifestar -se contra o governo, levando a novos protestos em dezembro de 2009. Em 19 de dezembro de 2009, o ex-vice-líder supremo Hossein Ali Montazeri, que havia se tornado um líder espiritual da oposição, faleceu. O funeral de Montazeri, realizado em 21 de dezembro de 2009 em Qom, contou com a presença de uma grande reunião de pessoas e ocorreram confrontos entre forças de segurança e enlutados, levando a novas manifestações em Qom e Isfahan.  Em 26 de dezembro de 2009, uma força paramilitar Basij subordinada à Guarda Revolucionária Iraniana invadiu uma mesquita em Teerã onde o estudioso e ex-presidente Mohammad Khatami falava.  Isso foi seguido por confrontos contínuos em Teerã(o), nos quais Jaras, um veículo de imprensa dos críticos, estimou que oito a dez pessoas haviam morrido.

Eventos

Protestos

Em 27 de dezembro, manifestações em várias cidades continuaram até o dia sagrado de Ashura, o auge de Muharram. Manifestantes em Teerã(o) se reuniram em vários locais, como a Praça Imam Hussain e a Praça Azadi. Manifestantes viajaram dos dois locais ao longo da Revolution Street.[6]

Protestos de Ashura

Seyed Ali Mousavi sobrinho de Mir-Hossein Mousavi, estava entre os mortos na violência.[7]  Ali Mousavi morreu em 27 de dezembro de 2009, quando teria sido baleado nas costas ou no peito por forças de segurança durante manifestações contra a vitória contestada de Mahmoud Ahmadinejad na eleição.  [8] Foi noticiado pela Australian Broadcasting Corporation que Seyed Ali Mousavi foi atropelado por um veículo antes de ser morto. [9] Segundo a France 24, o site reformista Parlemannews afirmou que o sobrinho de Moussavi morreu no hospital após ser baleado no peito. [10] Segundo o The Times, o sobrinho de Mousavi morreu antes de chegar ao hospital.  O cineasta iraniano Mohsen Makhmalbaf, porta-voz oficial da campanha de Mir-Hossein Moussavi, disse à BBC em entrevista que a polícia secreta iraniana havia ligado para Seyed Ali Mousavi várias vezes dias antes de ele ser baleado dizendo: "Vamos te matar." [11] Após a morte de Ali Mousavi, seu corpo foi levado ao hospital Ebn-e Sina, onde manifestantes manifestaram do lado de fora. Os manifestantes foram dispersados com gás lacrimogêneo pelas forças de segurança iranianas. Posteriormente, foi revelado que o governo havia retirado seu corpo e o levado para um local não divulgado numa tentativa de reprimir os protestos. [8] Posteriormente, foi relatado que seu corpo havia desaparecido, impedindo a possibilidade de um sepultamento rápido, enquanto fontes estatais indicaram que uma autópsia estava sendo realizada. [12] Mousavi foi sepultado em 30 de dezembro.[13]

Protestos semelhantes ocorreram em outras cidades iranianas, incluindo Isfahan, Najafabad, Shiraz, Mashhad, Arak, Tabriz, Babol, Ardabil e Orumieh.  Quatro pessoas teriam sido mortas em Tabriz, no noroeste do Irã, em 27 de dezembro, e uma em Shiraz, no sul do Irã. [14] O acesso à mídia internacional era restrito pelo governo iraniano.[15]

A imprensa controlada pelo Estado inicialmente negou qualquer morte, embora tenha sido indicado em 28 de dezembro que 15 pessoas haviam morrido.  Em 30 de dezembro, contra-manifestações organizadas pelo governo em várias cidades, incluindo Teerã, Qom, Arak, Shiraz e Isfahan, pediram a morte dos manifestantes, com funcionários do governo recebendo folga do trabalho para participar das manifestações. [16]

O incidente causou mais danos à perce(p)ção pública do Movimento Verde entre os cidadãos iranianos do que outras ações dos manifestantes. [17]

Violência

A mesquita Lolagar, em Teerã(o), foi incendiada pelos manifestantes, segundo a TV Estatal do Irã, levando à morte de algumas pessoas na mesquita. [18] Forças de segurança supostamente abriram fogo no dia de Ashura. [19][20] As forças de segurança inicialmente negaram relatos de mortes e o chefe de polícia, Azizollah Rajabzadeh, afirmou que a polícia não estava armada; a televisão estatal posteriormente reconheceu fatalidades.[21]  Um vídeo amador foi produzido mostrando um camião de segurança passando deliberadamente por cima dos manifestantes.  As forças de segurança estavam armadas e atiraram contra manifestantes[22]

Prisões

Entre as centenas de pessoas presas após a área das manifestações de Ashura estavam advogados, jornalistas, clérigos e políticos proeminentes, familiares de ativistas proeminentes dos direitos humanos e políticos reformistas.  Estes incluem:

  • Ebrahim Yazdi, Secretário-Geral do Movimento de Liberdade do Irã.  A sobrinha de Yazdi, Leila Tavassoli, também teria sido presa. [23]
  • A irmã da laureada com o Prêmio Nobel da Paz Shirin Ebadi, Noushin Ebadi, que foi detida em uma aparente tentativa de silenciar Ebadi, que está no exterior.  [24] Shirin Ebadi escreveu num/em um comunicado após a prisão de sua irmã: "É importante notar que minha irmã não é politicamente ativa nem é membro de nenhuma organização de direitos humanos. O único crime dela parece ser ser minha irmã e sua prisão ser nada menos que uma chantagem política e uma tentativa de pressão. Este é outro método empregado pelas autoridades do Irã(o) para impedir minhas atividades." [25]
  • Heshmat Tabarzadi, jornalista iraniano e veterano ativista democrático. [26]
  • Emadeddin Baghi, um proeminente ativista dos direitos humanos e jornalista, e chefe da Sociedade para a Defesa dos Direitos dos Presos que se opõe à pena de morte no Irã(o). [27] Baghi teria dito à sua família, enquanto era preso, que "seria forte na prisão e resistiria à pressão [dos linha-dura]." O policial que o prendeu respondeu: "Ele [Baghi] não vai viver tanto tempo para resistir."[28]
  • Jornalistas Mashallah Shamsolvaezin, [29] Reza al-Basha,[30] Badralsadat Mofidi,[31] Mohammad Javad Saberi,[32] Nasrin Vaziri",[33] Kayvan Mehrgan",[34] Reza Tajik, Izadi e Morteza Kazemian.
  • Morteza Haji, ex-ministro do governo e assessor de Khatamii, assim como o vice de Haji, Reza Rasouli.  Hasan Rasool, assessor de Khatami e vice-diretor do Instituto Baran, também foi preso.[35]
  • Zahra Bahrami, cidadã irano-neerlandesa que foi executada em janeiro de 2011 por acusações relacionadas a tráfico de droga[36]

Julgamentos

Muitas pessoas foram julgadas por participarem nos protestos. Pelo menos uma pessoa presa em conexão com o protesto, um professor universitário Abdolreza Ghanbari que vivia em Pakdasht, foi acusada de "moharebeh" (um termo islâmico que significa "guerrear contra Deus") e condenada à morte, embora em 2013, a execução tenha sido substituída por uma de pena de quinze anos de prisão .[37][38]

Reações internacionais

Os governos do Canadá, França, Alemanha, Reino Unido e Estados Unidos condenaram a violência. O presidente dos EUA, Barack Obama, criticou as ações do governo iraniano durante os protestos. [39] A Venezuela condenou a interferência dos governos ocidentais nos assuntos internos do Irã(o)[40]

Referências

  1. ↑ PUTZ, Ulrike (28 de dezembro de 2009). «Violence in Tehran:Iranian Demonstrators Put the Regime on the Defensive». Der Spiegel International. Consultado em 3 de abril de 2026
  2. ↑ SAHIMI, Muhammad (24 de dezembro de 2009). «Ashura 101». PBS. Consultado em 3 de abril de 2026
  3. ↑ KARAMI, Arash (2014). «Iran marks anniversary of anti-Green Movement protests.». Al-Monitor (exigem subscrição para ler o artigo). Consultado em 3 de abril de 2026
  4. ↑ Amnesty International (19 de junho de 2009). «Opposition leaders detained in Iran». Amnesty International. Consultado em 3 de abril de 2026 [ligação inativa]
  5. ↑ «Iran opposition figures arrested after protests». BBC News (em inglês). 28 de dezembro de 2009. Consultado em 3 de abril de 2026
  6. ↑ Time Staff (28 de dezembro de 2009). «On a Holy Day, Protest and Carnage in Tehran». Time (em inglês). Consultado em 3 de abril de 2026
  7. ↑ Time Staff (28 de dezembro de 2009). «On a Holy Day, Protest and Carnage in Tehran». Time (em inglês). Consultado em 3 de abril de 2026
  8. 1 2 FLETCHER, Martin (29 de dezembro de 2009). «Hardliners seize Mousavi corpse as Iran regime hits back». The Sunday Times (em inglês). Consultado em 3 de abril de 2026. Cópia arquivada em 3 de setembro de 2011
  9. ↑ Australian Broadcasting Corporation (28 de dezembro de 2009). «Protesters killed in Iran» (em inglês). Consultado em 3 de abril de 2026
  10. ↑ France 24 (27 de dezembro de 2009). «Mousavi's nephew killed during protest, says opposition website». France 24 (em inglês). Consultado em 3 de abril de 2026
  11. ↑ BBC News (2009). «Iran reformist Mousavi's nephew 'got death threats'». BBC News (em inglês). Consultado em 3 de abril de 2026
  12. ↑ «Iran opposition figures arrested after protests». BBC News (em inglês). 28 de dezembro de 2009. Consultado em 3 de abril de 2026
  13. ↑ KARIMI, Nasser (31 de dezembro de 2009). «Iran prosecutor threatens opposition with trials». The Seattle Times. Seatlle, Washington. Consultado em 3 de abril de 2026
  14. ↑ BBC News (2009) [2009]. «Iran protesters killed, including Mousavi's nephew». BBC News (em inglês). Consultado em 3 de abril de 2026
  15. ↑ «Iran opposition figures arrested after protests». BBC News (em inglês). 28 de dezembro de 2009. Consultado em 3 de abril de 2026
  16. ↑ KARIMI, Nasser (30 de dezembro de 2009). «Iran prosecutor threatens opposition with trials». The Seatlle Times (em inglês). Seatlle, Washington. Consultado em 3 de abril de 2026
  17. ↑ MOUSSAWI, Ibrahim (2011). Shi'ism and the Democratisation Process in Iran: With a Focus on Wilayat al-Faqih (em inglês). London: Saqi Books. p. 157. ISBN 9780863568312
  18. ↑ DAHL, Fredrik (21 de junho de 2009). «People killed in mosque fire during unrest-Iran TV». Reuters (em inglês). Consultado em 3 de abril de 2026
  19. ↑ SCIUTTO, Jim (28 de dezembro de 2009) [2009]. «Protester: 'Killing Muslims on Ashura Is Like Crucifying Christians on Christmas.'». ABC News (em inglês). Consultado em 3 de abril de 2026
  20. ↑ KADIVAR,, Ayatollah Mohsen (28 de dezembro de 2009). «Iran Ayatollah: 'I Am Convinced that the Regime Will Collapse'». ABC News (em inglês). Consultado em 3 de abril de 2026
  21. ↑ CNN (28 de dezembro de 2009) [2009]. «Iranian official: Arrest anti-government demonstrators». CNN (em inglês). Consultado em 3 de abril de 2026
  22. ↑ Los Angeles Times (2 de janeiro de 2010). «IRAN: Video shows gunman opening fire on demonstrators, who fight back». Los Angeles Times (em inglês). Los Angeles, Califórnia (publicado em 2010). Consultado em 3 de abril de 2026
  23. ↑ SAHIMI, Muhammad (28 de dezembro de 2009). «A Second Cop?». PBS (em inglês). Consultado em 3 de abril de 2026
  24. ↑ CNN (29 de dezembro de 2009) [2009]. «Iran detains Nobel laureate's sister». CNN (em inglês). Consultado em 3 de abril de 2026
  25. ↑ Radio Free Europe (29 de dezembro de 2009). «Sister Of Iran's Nobel Laureate Shirin Ebadi Arrested». Radio Free Europe (em inglês). Consultado em 3 de abril de 2026
  26. ↑ The Wall Street Journal (30 de dezembro de 2009) [2009]. «Dissident Iran Rises» (em inglês). Consultado em 3 de abril de 2009
  27. ↑ The Wall Street Journal (30 de dezembro de 2009) [2009]. «Dissident Iran Rises» (em inglês). Consultado em 3 de abril de 2009
  28. ↑ SAHIMI, Muhammad (28 de dezembro de 2009). «A Second Coup?». PBS (em inglês). Los Angeles, Califórnia. Consultado em 3 de abril de 2026
  29. ↑ Radio Free Europe (29 de dezembro de 2009) [2009]. «Sister Of Iran's Nobel Laureate Shirin Ebadi Arrested». Radio Free Europe (em inglês). Radio Free Europe. Consultado em 3 de abril de 2026
  30. ↑ Washington.TV (2 de janeiro de 2010) [2009]. «Syrian reporter held in Iran to be freed by Thursday – website». Washington.com (em inglês). Consultado em 3 de abril de 2026
  31. ↑ SAHIMI, Muhammad (28 de dezembro de 2009). «A Second Coup?». PBS (em inglês). Los Angeles, Califórnia. Consultado em 3 de abril de 2026
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  33. ↑ SAHIMI, Muhammad (28 de dezembro de 2009). «A Second Coup?». PBS (em inglês). Los Angeles, Califórnia. Consultado em 3 de abril de 2026
  34. ↑ SAHIMI, Muhammad (28 de dezembro de 2009). «A Second Coup?». PBS (em inglês). Los Angeles, Califórnia. Consultado em 3 de abril de 2026
  35. ↑ Brisbane Times (29 de dezembro de 2009). «Iran cracks down on dissidents after deadly protests». Brisbane Times (em inglês). Brisbane, Quensland, Austrália. Consultado em 3 de abril de 2026
  36. ↑ BBC (29 de janeiro de 2011). «Iran hangs Iranian-Dutch woman Sahra Bahrami». BBC (em inglês). Consultado em 3 de abril de 2026
  37. ↑ Reuters (15 de janeiro de 2010). «Iran to try 16 people soon over December unrest-report». Reuters (em inglês). Consultado em 3 de abril de 2026
  38. ↑ Education International. (5 de agosto de 2013). «Iranian teacher Abdolreza Ghanbari saved from execution». Education International (em inglês). Consultado em 3 de abril de 2026
  39. ↑ BBC News (28 de dezembro de 2009) [2009]. «Iran opposition figures arrested after protests». BBC News (em inglês). Consultado em 3 de abril de 2026
  40. ↑ Xinhua News Agency (31 de dezembro de 2009). «Venezuela blames U.S. for destabilizing Iran». Xinhua News Agency (em inglês). Consultado em 3 de abril de 2026