Oskar Potiorek

Oskar Potiorek
Oskar Potiorek
Oskar Potiorek em 1908
8ª Governador da Bósnia e Herzegovina
Período 10 de maio de 1911 a
22 de dezembro de 1914
Antecessor Marijan Varešanin
Sucessor Stjepan Sarkotić
Dados pessoais
Nascimento 20 de novembro de 1853 (172 anos)
Bad Bleiberg, Caríntia, Império Austríaco
Morte 17 de dezembro de 1933 (80 anos)
Klagenfurt, República da Áustria
Alma mater Academia Kriegsschule, Viena
Profissão Militar
Serviço militar
Lealdade  Áustria-Hungria
Serviço/ramo  Exército Austro-Húngaro
Anos de serviço 1867–1915
Graduação General da Artilharia
Conflitos Primeira Guerra Mundial
Condecorações Ordem de Santo Estêvão da Hungria
Ordem de Leopoldo

Oskar Potiorek (20 de novembro de 1853 – 17 de dezembro de 1933) foi um oficial do Exército Austro-Húngaro, que serviu como Governador da Bósnia e Herzegovina de 1911 a 1914. Ele era passageiro do carro que transportava o arquiduque Francisco Ferdinando da Áustria-Hungria e sua esposa, a duquesa Sofia de Hohenberg, quando foram assassinados em Sarajevo em 28 de junho de 1914. Potiorek não informou o motorista sobre uma mudança de rota, o que fez com que o carro real errasse o caminho, parasse ao tentar retornar e terminasse em frente a Gavrilo Princip. Na Primeira Guerra Mundial, Potiorek comandou as forças austro-húngaras na fracassada campanha sérvia de 1914. Ele foi destituído do comando e se aposentou do exército pouco depois.

Início da vida

A família Potiorek tinha origem checa e mudou-se da Boêmia para a Caríntia antes do nascimento de Oskar. Seu pai, Paul Potiorek, decidiu mudar-se para a Caríntia após ser nomeado inspetor-chefe de minas em Bad Bleiberg. Oskar Potiorek nasceu em Bad Bleiberg em 20 de novembro de 1853. Em 1º de setembro de 1871, foi comissionado como oficial. Ingressou no serviço militar no 2º Regimento Técnico (Genieregiment) com a patente de tenente, onde foi promovido a primeiro-tenente em 1º de maio de 1873. Oskar frequentou o Instituto Imperial e Real de Tecnologia Militar e a Academia Militar de Viena. Foi promovido a capitão em 1º de maio de 1879 e, em 1883, serviu no 17º Regimento de Infantaria. A partir de 1886, retornou ao Estado-Maior, no Escritório de Operações e Atividades Especiais. Ali, foi promovido ao posto de major em 1 de maio de 1887 e a tenente-coronel em 1 de novembro de 1889. Em 1890, foi transferido para o 7º Regimento de Infantaria para servir nas tropas; em 1891, foi novamente transferido para o Estado-Maior; em 1892, foi promovido a coronel e nomeado chefe do Escritório de Operações e Atividades Especiais. Em 1º de maio de 1898, foi nomeado comandante da 64ª Brigada de Infantaria em Budapeste, com a patente de major-general. Foi nomeado vice-chefe pelo imperador Francisco José em 1902. Contudo, o imperador ignorou suas ambições e, em 1906, preencheu o cargo de chefe do Estado-Maior com o Feldmarschall-Leutnant Franz Conrad von Hötzendorf, a pedido de seu herdeiro presuntivo e vice-comandante em chefe, o arquiduque Francisco Ferdinando. Potiorek tornou-se comandante-geral em Graz, Estíria, com a patente de Feldzeugmeister. Tendo atuado como inspetor-geral em Sarajevo em 1910, foi nomeado governador da Bósnia (Landeschef) no ano seguinte, ocupando cargos civis e militares.

Ele manteve o comando do III Corpo até abril de 1910, quando o entregou ao tenente-general Karl Schikofsky.

Potiorek fez o possível para substituir Conrad, seu antigo rival. No entanto, seus esforços foram apenas parcialmente bem-sucedidos: em 1911, Franz Joseph substituiu Conrad como Chefe do Estado-Maior, mas o imperador nomeou o tenente-general Blasius Schemua para o mesmo cargo, e depois Conrad novamente em 12 de dezembro de 1912, em plena crise sérvia. A rivalidade e a antipatia entre os dois oficiais de alta patente tiveram sérias consequências durante as campanhas na Sérvia, no outono de 1914.

Em 1913, Potiorek convidou Francisco Ferdinando e sua esposa, Sofia, para assistirem às manobras de suas tropas programadas para os dias 26 e 27 de junho de 1914. Um atentado contra a vida do ex-governador Marijan Varešanin em 1910 e diversos rumores de futuros ataques (vazados pelo primeiro-ministro sérvio Nikola Pašić) não impediram o arquiduque de fazer uma aparição pública em Sarajevo, apoiado por Potiorek, que se preocupava com seu próprio prestígio.

Assassinato do arquiduque Ferdinando

Em 28 de junho, o casal real chegou de trem vindo de Ilidža e foi ao acampamento militar de Philipovic, onde Francisco Ferdinando fez uma breve revista às tropas. Potiorek aguardava para levar a comitiva real à prefeitura (atual Biblioteca Nacional e Universitária da Bósnia e Herzegovina) para a recepção oficial. Francisco Ferdinando, sua esposa e vários oficiais entraram em uma comitiva de seis carros que descia o Cais Appel ao longo do rio Miljacka sem maiores medidas de segurança. Potiorek estava no terceiro carro, um Gräf & Stift Double Phaeton, conversível de seis lugares, dirigido por Leopold Lojka, juntamente com o proprietário, Conde Harrach, e o casal real. Às 10h10, quando os veículos passavam pela delegacia central de polícia, o assassino Nedeljko Čabrinović lançou uma granada de mão contra o carro do arquiduque. Lojka acelerou ao ver o objeto voando em direção ao carro; a granada ricocheteou na carroceria e explodiu sob a roda do carro ao lado, ferindo dois passageiros e vários espectadores.

Ponte Latina, Sarajevo

Furioso, Francisco Ferdinando, após participar da recepção oficial na Prefeitura, perguntou sobre a possibilidade de visitar os membros de sua comitiva que haviam sido feridos pela bomba. Um membro da equipe do arquiduque, Andreas von Morsey, segundo seu próprio relato, sugeriu que isso poderia ser perigoso, mas Potiorek respondeu: "Você acha que Sarajevo está cheia de assassinos? Eu assumirei a responsabilidade". Mesmo assim, o governador decidiu que o carro real deveria seguir por uma rota alternativa até o hospital de Sarajevo. Contudo, ele não comunicou essa decisão ao motorista. No caminho para o hospital, Lojka virou à direita em frente à ponte Latina, onde um dos conspiradores, Gavrilo Princip, estava parado em frente à delicatessen da esquina. O assassino já havia abandonado seus planos, mas quando viu o motorista começar a dar ré no carro bem à sua frente, avançou, sacou a arma e, a uma distância de cerca de quatro ou cinco passos, disparou dois tiros contra o carro. Francisco Ferdinando foi atingido no pescoço e Sofia no abdômen. Nem Potiorek, nem o Conde Harrach, nem Leopold Lojka ficaram feridos.[1] Princip afirmou mais tarde que a bala que matou Sofia era destinada ao governador.

Após o assassinato de Ferdinando

Violência antisérvia em Sarajevo
Tropas austro-húngaras mobilizadas foram enviadas através de Sarajevo para a Sérvia

Após o assassinato, Potiorek organizou e estimulou motins antissérvios em Sarajevo.[2] Potiorek restabeleceu uma milícia auxiliar, o Schutzkorps, para implementar a política de repressão antissérvia.[3] Os membros do Schutzkorps, recrutados predominantemente entre a população bósnia, estiveram envolvidos na perseguição de pessoas de etnia sérvia[4] particularmente em áreas povoadas por sérvios no leste da Bósnia.[5] Cerca de 5.500 sérvios étnicos foram presos na Bósnia e Herzegovina. Entre 700 e 2.200 morreram na prisão, enquanto 460 foram executados.[6][7] Cerca de 5.200 famílias sérvias foram expulsas à força da Bósnia e Herzegovina.[7]

Apesar de sua responsabilidade, Potiorek permaneceu no cargo. Quando o assassinato e a subsequente Crise de Julho levaram ao início da Primeira Guerra Mundial, ele se tornou comandante das Forças Armadas dos Balcãs. Especula-se que essa "culpa do sobrevivente" tenha levado Potiorek a assumir o comando do exército austro-húngaro e liderar a primeira missão para "punir" a Sérvia. Ele era considerado muito zeloso em suas ações (várias vezes afirmou: "Fui poupado em Sarajevo para que eu possa morrer vingando!"), mas aparentemente era um comandante inepto. O pequeno Exército Real Sérvio permaneceu invicto em todas as principais batalhas e, após os desastres militares clássicos na Batalha de Cer e na Batalha de Kolubara, com um enorme número de baixas, ele foi destituído do comando em 22 de dezembro de 1914 e substituído pelo arquiduque Eugênio da Áustria, uma escolha que, segundo relatos, o levou ao suicídio.

Morte e legado

Túmulo de Potiorek em Wiener Neustadt

Potiorek aposentou-se em Klagenfurt, na Caríntia, onde faleceu em 1933. Ele está sepultado no cemitério da Academia Militar Theresiana em Wiener Neustadt.

Condecorações

Referências

  1. ↑ When Sarajevo Triggered a War Time 30 de janeiro de 1984
  2. ↑ Novak, Viktor (1971). Istoriski časopis. [S.l.: s.n.] p. 481. Consultado em 7 de dezembro de 2013. Не само да Поћорек није спречио по- громе против Срба после сарајевског атентата већ их је и организовао и под- стицао.
  3. ↑ Ivo Banac (1988). The National Question in Yugoslavia: Origins, History, Politics. [S.l.]: Cornell University Press. p. 367. ISBN 978-0-8014-9493-2. Consultado em 4 de dezembro de 2013. Schutzkorps, auxiliary militia raised by the Austro-Hungarians, in the policy of anti-Serb repression
  4. ↑ Tomasevich 2001, p. 485. A milícia bósnia em tempos de guerra (Schutzkorps), que ficou conhecida pela perseguição aos sérvios, era predominantemente muçulmana.
  5. ↑ John R. Schindler (2007). Unholy Terror: Bosnia, Al-Qa'ida, and the Rise of Global Jihad. [S.l.]: Zenith Imprint. p. 29. ISBN 978-1-61673-964-5. As unidades do Schutzkorps atuaram de forma particularmente intensa nas áreas sérvias do leste da Bósnia.
  6. ↑ John R. Schindler (2007). Unholy Terror: Bosnia, Al-Qa'ida, and the Rise of Global Jihad. [S.l.]: Zenith Imprint. p. 29. ISBN 978-1-61673-964-5
  7. 1 2 Mitja Velikonja (5 de fevereiro de 2003). Religious Separation and Political Intolerance in Bosnia-Herzegovina. [S.l.]: Texas A&M University Press. p. 141. ISBN 978-1-58544-226-3[ligação inativa]
  8. 1 2 3 4 «Bosnien und Hercegovina», Hof- und Staatshandbuch der Österreichisch-Ungarischen Monarchie, 1914, p. 1306, consultado em 23 de julho de 2020
Bibliografia

Leitura adicional

  • Schindler, John R. (2002). «Disaster on the Drina: The Austro-Hungarian Army in Serbia, 1914». War in History. 9 (2): 159–195. doi:10.1191/0968344502wh250oa 
  • Francesco Lamendola, "La Seconda e la Terza Campagna Austro-Serba" (setembro–dezembro de 1914) (em italiano)
  • Jeřábek, Rudolf. Potiorek: General im Schatten von Sarajevo. Graz: Verlag Styria, 1991. ISBN 3222120676 (em alemão)

Ligações externas

Precedido por
Marijan Varešanin
Governador da Bósnia e Herzegovina
10 de maio de 1911 – 22 de dezembro de 1914
Sucedido por
Stjepan Sarkotić