Soneto 148
| Soneto 148 |
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O me! what eyes hath Love put in my head, |
| –William Shakespeare |
Soneto 148 é um soneto que faz parte da série de 154 Sonetos de Shakespeare, em sua segunda parte, dedicada à Dama Negra.
Estrutura
É essencialmente um soneto inglês, com 3 quartetos e um dístico, com esquema rímico característico dessa forma de soneto: ABAB CDCD EFEF GG. Foi construído com versos decassílabos, com ritmo de pentâmetro iâmbico.
Sinopse
O Soneto 148 continua a sombria análise sobre a percepção no contexto do amor obsessivo. O poeta não se limita a lamentar a traição; questiona os seus próprios olhos. O amor pôs olhos que não correspondem à verdadeira visão, que se tornou falha. (Primeiro quarteto) Ele questiona a sua própria visão, a ponto de não conseguir discernir a verdade. Vê a Dama Negra como bela, mesmo quando ela não o é, e não consegue distinguir onde termina o erro e onde começa a realidade.[1]
O poeta, mais uma vez questiona a sua própria visão e descreve como conflitante com seu julgamento e com a visão de mundo em geral a imagem que seus olhos têm de sua amada.[2]
Mas, se os olhos não são enganosos, então o discernimento se perdeu. Mesmo quando a visão é precisa, a mente censura falsamente. O amor, portanto, corrompe tanto a visão quanto o discernimento. (Segundo quarteto)
O poeta oferece uma explicação. O olhar do amor não pode ser verdadeiro porque está atormentado pela vigília e pelas lágrimas. A vigilância ciumenta exaure a visão; o choro a turva. A comparação com o sol eleva a questão. Nem mesmo o sol consegue enxergar até que o céu esteja limpo. Se isso é verdade para o sol, então não é de admirar que o amante distorça sua visão. (Terceiro quarteto)
O soneto mostra como o desejo transforma a amada numa ilusão e torna o amante cúmplice da sua cegueira.[1]
Traduções
Tradução de Thereza Christina Rocque da Motta
Ó, vida! Que olhos o amor me deu
Que não correspondem ao que vejo?
Ou, se for verdade, o que houve com meu julgamento,
Que censura mal o que corretamente veem?
Se for justo o que meus falsos olhos vislumbram,
O que é o mundo se dissermos que ele não o é?
E se não for, então, o amor bem prova
Seu olhar não ser tão verdadeiro: não,
Como é possível? Ah, como pode o Amor ver bem,
Se está tão ocupado em mirar e prantear?
Não há surpresa, assim, que meus olhos vejam mal;
O próprio sol não vê senão quando o dia está claro.
Ah, astuto amor! Cegas-me com tuas lágrimas,
Para que meus bons olhos não vejam tuas iníquas falhas.[3]
Tradução de Paulo Camelo
Quais olhos pôs o amor em minha mente
incomparáveis à visão real!
Se são reais, será que falsamente
essa censura os corresponde mal?
Se o que meus olhos falsos visam belo,
importa ser, talvez, o que não é?
Se assim não for, o amor demonstra anelo
em seu olhar que os homens botam fé.
Ou não seria assim? O amor real
não pode aflito estar, se a mente chora?
Eu me admiro como eu vejo mal,
porém o sol não vê, se falta aurora.
Astuto amor! Se eu choro, eu fico cego
e faltas vis não vejo, isso eu não nego.[4]
Tradução de Milton Lins
Ó, eu! Olhos de Amor, esteé o momento,
Que não tem relação com a verdade!
E se assim for, adeus meu julgamento,
Censura falsa ao quanto é realidade?
Se os falsos olhos são de algum gagá,
Que meio existirá para negá-lo?
Se assim não for, o amor denotará,
O olho do Amor não pode contestá-lo.
Mas como pode o Amor ter olho certo,
Tendo um sermão no olhar ou com o pranto?
Ninguém pensou então ser incorreto;
O próprio sol não vê o seu encanto.
Com lágrimas o amor de ver me impede,
Temendo o que teu mal no fim concede.[5]
Tradução de José Arantes Júnior
Os olhos do amor e os olhos dos homens[nota 1]
[6]
Que olhos o amor pôs em minha feição
Que não se afeiçoam com o meu visual?
Por onde deixei meu juízo ter evasão
Que censuras falsas se vê como ideal?
Se é belo o que os falsos olhos vêem
Que quer dizer se a vida diz que não?
Mas se os olhos do amor se comprazem
Não são veros como os dos homens são?
Como olhos do amor serão verdadeiros
Com lágrimas turvando a visualização?
Assim, turvo minha vista por inteiro,
O sol também não enxerga na cerração;
Se lágrimas formam cegueira na visão
Então os teus defeitos desaparecerão.
Notas
- ↑ Construído visando a utilização de fonte monoespaçada.
Referências
- 1 2 3 «Sonnet 148 – Shakespeare». Shakespeare Italia (em inglês). Consultado em 9 de março de 2026
- ↑ Folger Shakespeare Library. «Sonnet 148». Shakespeare's Sonnets. Consultado em 9 de março de 2026
- ↑ «Soneto 148». ShakespeareBrasileiro. Consultado em 9 de março de 2026
- ↑ «Soneto 148 de William Shakespeare». Recanto das Letras. Consultado em 9 de março de 2026
- ↑ SHAKESPEARE, William - Sonetos de William Shakespeare / tradutor: Milton Lins. Recife: FacForm, 2005. ISBN 978-85-98896-04-5
- ↑ «Soneto 148» (PDF). Consultado em 9 de março de 2026