Soneto 115
| Soneto 115 |
|---|
Those lines that I before have writ do lie, |
| –William Shakespeare |
Soneto 115 é um soneto pertencente aos 154 sonetos de William Shakespeare, da série de sonetos ao Belo Jovem.[nota 1]
Estrutura
O Soneto 115, como a maioria dos 154 poemas da série escrita pelo bardo inglês, tem a forma de um soneto inglês[nota 2][3] e, como tal, é composto por 3 quartetos e 1 dístico. A métrica usada é o verso decassílabo com ritmo de pentâmetro iâmbico.[nota 3]
Sinopse
O soneto expressa a opinião do narrador sobre o quanto o futuro será melhor do que o passado em relação ao seu relacionamento. Ele agora sabe que, quando disse no passado que não conseguia amar mais a jovem, estava mentindo. Ele percebe agora que seu relacionamento estava apenas no início. Ainda está crescendo, mesmo agora. O narrador alude ao poder do tempo, personificando-o e sugerindo que ele deveria ter previsto como isso o afetaria . O poema termina com uma metáfora na qual ele compara seu amor ao deus do amor, Cupido.[1]
Traduções
Tradução de Thereza Christina Rocque da Motta[nota 4]
Estas linhas que escrevi antes mentem,
Mesmo as que dizem que eu não poderia amar-te mais;
Embora meu pensamento não soubesse a razão
Por que meu ardor devesse depois se apagar.
Mas ao reconhecer o Tempo, cujos milhões de acidentes
Penetram entre os juramentos e alteram decretos de reis,
Tingem a sagrada beleza, turvam as mais claras intenções,
Desviam as mentes fortes para o curso das coisas mutáveis –
Ah, por que, ao temer a tirania do Tempo,
Não deveria eu dizer, “Agora eu te amo mais”,
Quando a certeza vence a incerteza,
Coroando o presente, duvidando de tudo o mais?
O amor é como um bebê; então, não posso dizê-lo,
E dar plena altura àquilo que ainda está a crescer.
Tradução de Milton Lins[nota 5]
Tais linhas que escrevi para você,
Dizendo não poder dar mais amor,
Agora não julguei razão porque[nota 6]
A minha flama tem demais calor.
Contando o tempo em acidentes mil,
Me arrasto entre os editos, mudo os reis,
Tinjo a beleza, emboto o mau e o vil,
Desvio espertalhões, recuo as leis.
Ai de mim, pois o Tempo tem vileza,
Se não posso dizer: "Amo-o", melhor,
Quando certo eu estava que a incerteza,
Saudando a hora presente, faz pior?
Bebê, o amor? Um teste me aparece:
Como apoiá-lo, se ele ainda cresce?
Tradução de Paulo Camelo[nota 7]
Os versos que escrevi mentem bastante
e dizem que eu não poderei te amar.
Minha razão, porém, desconcertante,
intensa chama, manda não parar.
Considerando o tempo e forças mil
que mudam leis e votos aos milhões
e ofuscam a beleza mais sutil,
as mentes fortes mudam intenções.
Pois – ai de mim! – temendo a ação do tempo,
então dizer do meu amor não pude
e, tendo a incerteza como exemplo,
eu refleti até minha atitude.
O amor, tal qual criança, tem futuro
e pede um crescimento mais seguro.
Tradução de José Arantes Júnior[nota 8]
O mover e o demover
As linhas que escrevi são mentirosas
Mesmo as que redigi que não te amava,
Não tinham uma razão mais criteriosa
Mas, após clarearam como se esperava,
Mas o tempo, em milhões de acidentes,
Move-se entre juras e demove os reis,
E a beleza modera intenções vigentes
Mudando o curso dos fatos e das leis,
Por que temendo tiranias e fraquezas
Eu não disse: “agora eu te amo mais”,
Quando estava certo sobre incertezas
Exaltando-te e esquecendo dos demais?
O amor é criança e não está crescido,
assim, ainda se tornará desenvolvido.
Notas
- ↑ Os sonetos ao Belo Jovem vão do Soneto 1 ao Soneto 126 da série.
- ↑ Dois poemas da série não são estruturalmente um soneto inglês:
*Soneto 99 - possui 15 versos em monóstrofe que, pela análise de suas rimas, tem 1 quinteto, 2 quartetos e 1 dístico.
*Soneto 126 possui apenas 12 versos, formando 6 dísticos, e lhes são acrescidos 2 versos brancos, apenas com espaço nulo entre dois parênteses ( ). - ↑ Uma exceção a essa métrica e a esse ritmo é o Soneto 145, construído todo com versos octossílabos em tetrâmetro iâmbico.
- ↑ Para construir sua tradução, a poetisa usou a forma de quatorzain monostrófico, sem rigor métrico nem rítmico e sem esquema rímico.[4]
- ↑ Soneto inglês em decassílabos, em sua maioria pentâmetro iâmbico. Os dois primeiros quartetos mantêm-se em pentâmetro iâmbico com ritmo holístico, o que não se continua no restante. Rimas ABAB CDCD EFEF GG.[5]
- ↑ O verso impresso consultado e transcrito tem "porque" e não "por que".
- ↑ Soneto inglês construído todo em decassílabos por pentâmetro iâmbico, mantendo o ritmo holístico em seu todo. Rimas ABAB CDCD EFEF GG.[6]
- ↑ Tradução feita no formato de soneto inglês e esquema rímico apropriado, mas trocado o aspecto métrica/ritmo por espaço/simetria, usando fonte monoespaçada.[7]
Referências
- 1 2 «Sonnet 115». Poem Analysis (em inglês). Consultado em 17 de abril de 2026
- ↑ «Sonnet 115». Genius (em inglês). Consultado em 17 de abril de 2026
- ↑ CAMPOS, Geir. Pequeno Dicionário de Arte Poética. Rio de Janeiro: Edições de Ouro, 1960.
- ↑ «Soneto 115». Shakespeare Brasileiro. Consultado em 17 de abril de 2026
- ↑ Shakespeare, William. Sonetos de William Shakespeare / tradutor: Milton Lins. Recife: Ed. do Tradutor (impressão FacForm), 2005, ISBN 978-85-98896-04-5
- ↑ «Soneto 115 de William Shakespeare». Consultado em 17 de abril de 2026
- ↑ José Arantes Júnior. «Soneto 115» (PDF). Sonetos completos de William Shakespeare. Consultado em 17 de abril de 2026