Soneto 68

Soneto 68

Thus is his cheek the map of days outworn,
When beauty lived and died as flowers do now,
Before these bastard signs of fair were borne,
Or durst inhabit on a living brow;
Before the golden tresses of the dead,
The right of sepulchers, were shorn away
To live a second life on second head,
Ere beauty’s dead fleece made another gay.
In him those holy antique hours are seen,
Without all ornament, itself and true,
Making no summer of another’s green,
Robbing no old to dress his beauty new.
And him as for a map doth Nature store,
To show false art what beauty was of yore.[1][2]

–William Shakespeare

Soneto 68 é um soneto da série dos 154 sonetos escritos pelo dramaturgo e poeta inglês William Shakespeare. Faz parte da sequência "Belo Jovem", na qual o poeta expressa seu amor por um jovem.

Estrutura

O Soneto 68 é um soneto inglês ou shakespeariano. Possui três quartetos, seguidos por um dístico final rimado . Segue o esquema de rimas típico da forma, ABAB CDCD EFEF GG, e é composto em decassílabos com ritmo de pentâmetro iâmbico.

Sinopse

Este soneto e o anterior (Soneto 67) formam um par intimamente ligado. Ambos protestam contra a artificialidade dos cosméticos, um tema do qual Shakespeare parece nunca se cansar. Em sua mente, estava intimamente ligado ao engano e à ameaça que isso representava para os relacionamentos humanos e para o tecido social em geral.[1]

Dando continuidade ao argumento, o poeta contrapõe a beleza natural do jovem à “falsa arte” daqueles cuja beleza depende de cosméticos e perucas.[2] Talvez por ter sido rejeitado por essa época cultural, o poeta se vinga de outros artistas e poetas. Ou talvez, porque a definição de beleza esteja mudando, ele tema que o jovem deixe de ser visto como o padrão de beleza; seus próprios sonetos serão então considerados versos antigos, obsoletos e ultrapassados. Seja qual for o motivo, o poeta condena veementemente esse declínio no que ele considera belo. Para o poeta, o jovem permanece a beleza natural, enquanto o mundo contemporâneo é "falsa Arte".[3]


Traduções

Quatorzain monostrófico, tradução próxima à literal, sem preocupação com métrica, ritmo ou rima.

Seu rosto revela o mapa de outros dias,
Quando a beleza vivia e fenecia como as flores,
Antes que nascessem esses malignos e belos sinais,
Ou que ousassem vir cobrir-te a fronte;
Antes dos dourados cachos dos finados,
O direito dos sepulcros fossem cortados
Para viver outra vida em outra cabeça,
Os cachos mortos da beleza a adornar outro.
Nele as sagradas e antigas horas se veem
Sem nenhum ornamento, a face despida e verdadeira,
Sem reviver com o verdor de outro verão,
Sem roubar um velho adorno para usá-lo como novo;
E ele como um mapa a natureza guarda,
Para mostrar com falsa Arte como a beleza fora um dia.[4]

Tradução de Milton Lins

Soneto inglês, rimas características da forma, versos decassílabos em pentâmetro iâmbico na sua maior parte.

Assim é a face dele, um mapa urdido,
Viveu beleza e morre como as flores,
Antes que tenham maus sinais nascido,
Ou tentar habitar em vivas cores;

Antes das louras tranças do defunto,
Já no sepulcro, serem retiradas,
Para uma nova vida, um novo adjunto,
Nova alegria para as malfadadas:

Se dele velhas horas as tiverdes,
Reais, sem ornamentos, bem amigas,
Não mostrando o verão nem tons de verdes,
Nova beleza sem versões antigas;

A Natureza nele um mapa explora,
E dá beleza à Arte má de outrora.[5]

Tradução de Paulo Camelo

Soneto inglês com esquema rímico característico, com versos decassílabos em pentâmetro iâmbico, construído em ritmo holístico.

O tempo passa e mostra a face antiga,
uma beleza instável como a flor,
que muda a forma na constante briga
entre o passado ingrato e o esplendor.

Antes que acabe a vasta cabeleira
ao sepultar o morto, bem cortada,
ou a segunda vida a mostre inteira,
antes que a morta seja transformada,

as horas necessárias vão e vêm,
sem ornamentos, plenas de verdade,
haurindo o verde antigo, sem, porém,
vestir do velho o novo em vaidade.

A natureza guarda, como um mapa,
a arte outrora falsa em outra capa.[6]

Tradução de José Arantes Júnior

Soneto inglês com esquema rímico característico. Na construção usou versos com 36 caracteres cada, para formar uma figura geométrica simétrica (retângulo) se utilizada fonte monoespaçada. Acrescentou título.

Beleza antiga e beleza atual

A sua face é o mapa de dias passados
Onde a beleza murchou como as flores,
Antes destes sinais terem se firmado
Ou de terem se revelado como valores,

Na morte, antes das tranças douradas
Serem cortadas por direito de túmulo,
Para que outra cabeça seja enfeitada,
Outros tornarem-se felizes ao cúmulo,

Aquelas horas antigas serão chamadas
Sem os ornamentos e só com a verdade,
Sem fazer verão com força degenerada
E nem dando velho enfeite à mocidade,

Como a natureza arquiva o mapa agora
O falso dom verá a beleza de outrora.
[7]

Referências

  1. 1 2 «Sonnet LXVIII». Shakespeare's Sonnets (em inglês). Consultado em 18 de março de 2026
  2. 1 2 Folger Shakespeare Library. «Sonnet 68». Shakespeare's Sonnets (em inglês). Consultado em 18 de março de 2026
  3. ↑ «Summary and Analysis Sonnet 68» (em inglês). Consultado em 18 de março de 2026
  4. ↑ «Soneto 68». Shakespeare Brasileiro. Consultado em 18 de março de 2026
  5. ↑ SHAKESPEARE, William - Sonetos de William Shakespeare / tradutor: Milton Lins. Recife: FacForm, 2005. ISBN 978-85-98896-04-5
  6. ↑ «Soneto 68 de William Shakespeare». Consultado em 18 de março de 2026
  7. ↑ José Arantes Júnior. «Soneto 68» (PDF). Sonetos completos de William Shakespeare. Consultado em 18 de março de 2026