Soneto 63

Soneto 63

Against my love shall be as I am now,
With Time's injurious hand crushed and o'erworn;
When hours have drained his blood and filled his brow
With lines and wrinkles; when his youthful morn
Hath travelled on to age's steepy night;
And all those beauties whereof now he's king
Are vanishing, or vanished out of sight,
Stealing away the treasure of his spring;
For such a time do I now fortify
Against confounding age's cruel knife,
That he shall never cut from memory
My sweet love's beauty, though my lover's life:
   His beauty shall in these black lines be seen,
   And they shall live, and he in them still green.[1]

–William Shakespeare

Soneto 63 é um soneto de uma série de 154 sonetos de Shakespeare. Faz parte da extensa sequência de sonetos "O Belo Jovem", que vai do número 1 ao 126.

Análise

Como os demais sonetos de William Shakespeare, este foi todo construído com versos decassílabos, no ritmo de pentâmetro iâmbico, no formato de soneto inglês, com 3 quartetos e um dístico, e rima em ABAB CDCD EFEF GG.

Sinopse

No Soneto 63, o poeta expressa sua preocupação em que a memória da beleza de seu amor seja preservada e protegida. Ele imagina um tempo em que o jovem estará velho e desgastado, como ele, o poeta, está nesse momento. A passagem do tempo drenará o sangue do jovem, esculpirá rugas em seu rosto, corroerá e desgastará toda a sua beleza. Para impedir que a beleza do jovem seja apagada da memória, este soneto deverá ser lido e preservará a memória da beleza do jovem.

O poeta dedica-se à questão da mortalidade da juventude e aos estragos do tempo sobre tudo o que é belo. O que, ele se pergunta, poderia ser feito para deter o passo veloz do Tempo e refrear sua devastação da beleza?[1]

Ao preservar a beleza juvenil da pessoa amada na poesia, o poeta prepara o terreno para o dia em que a própria pessoa amada envelhecerá.[2]

Traduções

A tradutora não segue o ritmo, a métrica nem o esquema de rimas do autor, preferindo fazer uma tradução livre.

Contrário o meu amor será como sou hoje,
Cabazes de oferta
Com a mão injuriosa, esmagada e gasta pelo Tempo;
Quando as horas tiverem secado o sangue e coberto o cenho
Com linhas e rugas; quando a sua fresca manhã
Ascender à alta noite senil,
E todas as belezas das quais hoje ele é rei
Minguarem, ou sumirem de vista,
Roubando o tesouro de sua primavera;
Por esse tempo agora eu me oponho
Contra a faca cruel da confusa idade,
Que ele jamais ceifará da lembrança
A suavidade do meu amor, embora lhe tire a vida.
Nestas negras linhas ficará a sua beleza,
E que viverão, mantendo o meu amado vivo.[3]

Tradução de Milton Lins

O tradutor não seguiu o autor na métrica, e apresentou o soneto em versos dodecassílabos, mantendo o modelo de verso alexandrino. O esquema rímico segue o do autor, como um soneto inglês: ABAB CDCD EFEF GG.

Contrário ao meu amor, por ora eu não me empenho
Contra injúrias do Tempo, atônito e batido;
Com as horas drenando o sangue e enchendo o cenho,
Com linhas enrugado; o dia já surgido,

Trafegou para a idade estranha em mundo escuro;
E as belezas, das quais agora ele é o rei,
Vão indo, ou já estão perdendo o seu apuro,
Deixando escapulir seu ouro em sua grei;

Por tempo tal, agora irei fortificar,
Contra a confusa idade, o tão cruel cutelo,
Que da memória pois não mais irá cortar
Do meu amor a vida, e conservá-lo belo.

Sua beleza negra, em linha, é para ser de
Verdade, vista nele, ao vivo, em linha verde.[4]

Tradução de José Arantes Júnior

Este tradutor seguiu o esquema de rimas do autor no soneto: ABAB CDCD EFEF GG, como um soneto inglês. Mas não o seguiu no ritmo nem na métrica, preferindo dar-lhe um aspecto plástico, com 36 caracteres em cada verso, que lhe mostram a forma, quando utilizada uma fonte monoespaçada. E pôs um título ao mesmo.

A decrepitude e a juventude

Contra meu amor serei como sou agora
Fatigado pela mão impiedosa do tempo,
Quando o anseio do sangue for embora
Com linhas e rugas no amadurecimento,

Quando a manhã se fizer noite escura
E todas as belezas que alguém espera
Tiverem desaparecido pela conjuntura
Roubando todo o tesouro da primavera,

Para esta época busco fortalecimento
Contra a lâmina que secciona a idade,
Para nunca cortar a memória do tempo
Embora ceifando o amor com crueldade,

Estas belas linhas serão importantes
E a vida nelas ainda será verdejante.
[5][6]

Tradução de Paulo Camelo

O tradutor manteve o ritmo de pentâmetro iâmbico usado pelo poeta inglês, usando-o com ritmo holístico, mantendo também o esquema rímico ali utilizado, no formato de soneto inglês.

É contra o meu amor que estou agora,
a mão do tempo em injúria, desgastada,
o sangue então drenado, hora após hora,
a face em rugas. Quando a alvorada

houver chegado à noite da velhice,
e todas as belezas forem vãs,
então desaparece essa meiguice
e a primavera não terá manhãs.

Para tal tempo eu já me fortifico
e escondo a face da cruel idade;
e que jamais me esqueça - eu comunico -
esse amor doce e belo, essa amizade.

Essa beleza em linha negra irá
mostrar-se verde e ainda viverá.[7]

Referências

  1. 1 2 «Shakespeare's Sonnets». Sonnet 63 (em inglês). Consultado em 19 de novembro de 2025
  2. ↑ «Shakespeare's Sonnets». Sonnet 63. Folger Shakespeare Library (em inglês). Consultado em 19 de novembro de 2025
  3. ↑ «Soneto 63». Shakespeare Brasileiro. Consultado em 19 de novembro de 2025
  4. ↑ SHAKESPEARE, William - Sonetos de William Shakespeare / tradutor: Milton Lins. Recife: FacForm, 2005. ISBN 978-85-98896-04-5
  5. ↑ Shakespeare, William - Sonetos completos de William Shakespeare. Tradução de José Arantes Júnior. - São Paulo: Ed. do Autor, 2007.
  6. ↑ José Arantes Junior. «Sonetos completos de William Shakespeare» (PDF). Consultado em 19 de novembro de 2025
  7. ↑ «Soneto 63 de William Shakespeare». Recanto das Letras. Consultado em 19 de novembro de 2025