Soneto 151

Soneto 151

Love is too young to know what conscience is;
Yet who knows not conscience is born of love?
Then, gentle cheater, urge not my amiss,
Lest guilty of my faults thy sweet self prove.
For, thou betraying me, I do betray
My nobler part to my gross body’s treason.
My soul doth tell my body that he may
Triumph in love; flesh stays no farther reason,
But, rising at thy name, doth point out thee
As his triumphant prize. Proud of this pride,
He is contented thy poor drudge to be,
To stand in thy affairs, fall by thy side.
 No want of conscience hold it that I call
 Her “love,” for whose dear love I rise and fall.[1]

–William Shakespeare

Soneto 151 é um soneto que compõe os 154 sonetos de Shakespeare, fazendo parte da série à Dama Negra (do Soneto 127 ao Soneto 154).

Estrutura

O Soneto 151 é estruturalmente um soneto inglês,[2] com esquema rímico ABAB CDCD EFEF GG, composto por versos decassílabos com ritmo de pentâmetro iâmbico.[nota 1]

Sinopse

O poeta demonstra neste soneto a natureza sexualmente obsessiva de seu amor.[1] Faz comparações entre o amor carnal, o corpo, que muitas vezes o domina e domina a amada, e o amor-consciência, a alma; entre o Cupido (amor físico) e o amor-emoção; entre os conceitos de certo e errado nas relações homem-mulher.[4]

Traduções

O amor é muito jovem para ter consciência:
Embora quem desconheça que esta nasça do amor?
Então, gentil mentiroso, não me apresses,
Minha culpa decresce quão mais doce teu ser for.
Pois, se me traíres, trairei
A parte mais nobre do meu corpo –
Minha alma diz que ele
Triunfará no amor; a carne prescinde da razão;
Mas, elevando-me ao teu nome, te transformo
Em seu prêmio mais dileto. Orgulhoso disso,
Contenta-se em carregar seu pobre fardo,
Impor-se aos teus casos, tombar ao teu lado.
Prescindo de consciência para chamá-la
De amor – amor por que me ergo e tombo.[nota 2]

Tradução de Milton Lins

É muito novo, o amor, para entender a mente:
No entanto, quem não sabe, o senso vem do amor?
Então, ó fingidora, urgiu não ser clemente,
Não ter culpa de falta, ativa o teu valor.

Se fores desleal, também vou te enganar,
Minha parte mais nobre excede a traição.
Minha alma ao corpo diz que é válido tentar
A vitória no amor; a carne é sem razão;

Mas, atento ao teu nome, à tua mira aponta
Um prêmio triunfal. Um orgulhoso altivo
Contenta-se do teu trabalho em dura monta,
Em teus dramas ficando, aceita teu motivo,

Pois não ter consciência apóia o que reclamo:
Cair e repetir - AMOR - como eu a chamo.[nota 3]

Tradução de Paulo Camelo

O amor, no seu verdor, não tem saber,
mas quem não sabe que ele nasce ali?
Portanto, não me incites tal poder,
que a culpa não recaia contra ti.

Pois, se me trais, com mesma força eu traio
e a traição me toma o corpo inteiro,
e não responde à alma, quando eu saio
a triunfar no amor. Pensar primeiro,

antes de ouvir teu nome, insiste a alma,
em triunfante prêmio. Ora, orgulhoso,
o teu orgulho esse teu servo acalma,
atento a teus assuntos, pleno em gozo.

Amar-te é meu dever de consciência,
e a ti me ergo e caio, sem prudência.[nota 4]

Tradução de José Arantes Júnior

Amor além da razão

Um amor é jovem para ter consciência
Mas, quem ignora que ela vem do amor?
Então não realce minha inexperiência
Teme, de meus erros, ser manipulador;

Porque, se me traíres, eu te trairei
Traição que ocorre no corpo material,
Mas, a alma diz ao corpo que poderei
Triunfar, por amor, além do racional;

Elevando o nome além da meta pessoal
Como triunfante orgulho de dignidade,
Ele está alegre por ser teu serviçal
Até cair a teu lado em sua atividade;

Razão sem vontade, digo e me retraio,
E pelo teu amor eu me levanto e caio.
[nota 5]

Notas

  1. ↑ O soneto não apresenta um perfeito pentâmetro iâmbico, mostrando pequenas variações no ritmo em alguns versos.[3]
  2. ↑ Em toda sua obra de tradução, Thereza Christina Rocque da Mota adotou a tradução tendendo à literalidade, sem se ater aos cânones do soneto, nesse caso o soneto inglês, quanto a forma, métrica, ritmo, rima, entregando-o em uma monóstrofe que poderia ser chamada de quatorzain.[5]
  3. ↑ O tradutor Milton Lins optou por utilizar o verso dodecassílabo alexandrino, usando o hexâmetro iâmbico e ritmos mistos com anapestos e iambos. No formato, soneto inglês e esquema rímico ABAB CDCD EFEF GG.[6]
  4. ↑ A tradução de Paulo Camelo manteve a forma de soneto inglês, com rima ABAB CDCD EFEF GG, a métrica decassílaba com ritmo de pentâmetro iâmbico, construída em ritmo holístico.[7]
  5. ↑ José Arantes Júnior optou, em toda sua obra de tradução, em apresentar aspecto plástico simétrico ao soneto, usando fonte monoespaçada, em detrimento de métrica e ritmo. Na forma, manteve o soneto inglês e o esquema rímico.[8]

Referências

  1. 1 2 Folger Shakespeare Library. «Sonnet 151». Shakespeare's Sonnets. Consultado em 10 de março de 2026
  2. ↑ CAMPOS, Geir. Pequeno Dicionário de Arte Poética. Rio de Janeiro: Edições de Ouro, 1960.
  3. ↑ «Não ouço o padrão iâmbico no Soneto 151 de Shakespeare». Consultado em 10 de março de 2026
  4. ↑ «Sonnets 151-154» (em inglês). Consultado em 10 de março de 2026
  5. ↑ «Soneto 151». Shakespeare Brasileiro. Consultado em 10 de março de 2026
  6. ↑ SHAKESPEARE, William - Sonetos de William Shakespeare / tradutor: Milton Lins. Recife: FacForm, 2005. ISBN 978-85-98896-04-5
  7. ↑ «Soneto 151 de William Shakespeare». Consultado em 10 de março de 2026
  8. ↑ Shakespeare, William - Sonetos completos de William Shakespeare. Tradução de José Arantes Júnior. - São Paulo: Ed. do Autor, 2007.