Soneto 77
| Soneto 77 |
|---|
hy glass will show thee how thy beauties wear, |
| –William Shakespeare |
Soneto 77 é um soneto entre os 154 sonetos de Shakespeare, pertencente à série ao Belo Rapaz.
Estrutura
- Forma: Soneto inglês[3]
- Rimas: ABAB CDCD EFEF GG
- Métrica: Versos decassílabos
- Ritmo: Pentâmetro iâmbico
Sinopse
Este soneto parece ter sido escrito para acompanhar o presente de um caderno em branco. O poeta encoraja a pessoa amada a anotar os pensamentos que surgem ao observar um espelho e um relógio de sol, e as lições que eles ensinam sobre a brevidade da vida.[1]
Como os sonetos 49, 63, 77, 81, 126, 154, todos eles tratando do fim do amor, da vida, da juventude e da beleza, seja para o poeta, para a amada, ou para ambos, Este é um dos sonetos culminantes, menos dramático que os outros, pois encontra uma ocasião para encorajar o jovem a registrar seus pensamentos, para posterior aprimoramento moral, e não insiste que a destruição final seja iminente ou objeto de medo e repulsa onipresentes.[4]
"É como um sutil incentivo do poeta à autopreservação através da escrita. A crueldade do tempo é inevitável — a beleza se desvanece, a memória falha —, mas as palavras perduram. Mas, em vez de lamentar o envelhecimento de forma direta, ele oferece uma solução: capturar os pensamentos fugazes antes que desapareçam. A imagem do espelho e do relógio me lembra de quantas vezes ignoramos a lenta erosão do tempo, enquanto as “folhas em branco” (páginas vazias) simbolizam o potencial inexplorado."
Emma Baldwin - Expert Commentary[5]
Traduções
Tradução de Thereza Christina Rocque da Motta
Quatorzain monostrófico em versos livres.
Teu espelho te mostrará como a beleza se extingue,
Teu relógio, como os preciosos minutos se gastam;
As folhas ausentes ficarão marcadas em tua mente,
E a lição que deverás aprender deste livro:
As rugas que teu fiel espelho te mostrará
Cavarão sulcos em tua lembrança;
Tu, pela sombra dos ponteiros do relógio, verás
O andar sub-reptício do tempo até a eternidade;
Vê o que tua memória não pode suportar,
Aceitando esses desperdícios, e encontrarás
Essas crianças alimentadas, livres de tua mente,
Para conhecer, de outro modo, teu pensamento.
Esses fatos, sempre que os leres,
Ser-te-ão proveitosos, e muito enriquecerão teu livro.[6]
Tradução de Paulo Camelo
Soneto inglês com esquema rímico característico, construído com versos decassílabos em pentâmetro iâmbico, respeitando um ritmo holístico.
No espelho, essa beleza desgastada,
e no relógio, o tempo que se esvai;
no papel branco, a mente ali marcada,
o aprendizado que do livro sai.
E, se te mostra rugas teu espelho,
as tumbas só memória te darão
e do relógio a sombra, por conselho,
é toda a eternidade por ladrão.
Olha a memória: já não conterá
espaços brancos, plenos de vazio.
O cérebro liberta o filhos lá
para mostrar da mente o poderio.
Esses ofícios, quantas vezes vês,
terão melhor proveito a cada vez.[7]
Tradução de José Arantes Júnior
Soneto inglês com esquema rímico ABAB CDCD EFEF GG, utilizando 36 caracteres por verso para dar aparência geométrica quando usada fonte monoespaçada. Acrescentado um título.
As reflexões e as realizações
[8]
Espelho diz que o belo vai se esvair,
Relógio, que os minutos se esgotarão,
Folhas, que a mente deveria produzir,
E, livro, que a lição terá distinção;
Espelho mostra as rugas de expressão
Como o vinco labial de tua lembrança,
Relógio, que há marcas em tua feição
E como, à eternidade, o tempo avança;
Saiba o que tua memória não pode ter
Se há lacunas e o que deveria entrar,
E, do cérebro, as crianças a crescer
Para, novas nuanças tuas, demonstrar;
Estes fatos, como teu envelhecimento,
Porão em teu livro um enriquecimento.
Tradução de Milton Lins
Soneto inglês em versos decassílabos com esquema rímico ABAB CDCD EFEF GG.
O espelho diz da moda e da beleza,
Teu mostrador, como gastar minuto;
Tuas férias, a mente imprime acesa,
E deste livro aprendes, és arguto.
As rugas que ao espelho são reais,
Como sepulcros chegam-te à memória;
Vês pelo mostrador uns roubos mais,
Roubos do Tempo para a eterna glória.
Repara o que a memória não contém,
Crê nos espaços brancos, que verás
Crianças que teu cérebro retém,
São novas relações que manterás.
Amiúde estes encargos tu vais ver,
Vão te dar lucro, e o livro enriquecer.[9]
Referências
- 1 2 Folger Shakespeare Library. «Sonnet 77». Shakespeare's Sonnets (em inglês). Consultado em 26 de março de 2026
- ↑ «Sonnet 77» (em inglês). Consultado em 26 de março de 2026
- ↑ CAMPOS,Geir. Pequeno Dicionário de Arte Poética. Rio de Janeiro:Edições de Ouro, 1960
- ↑ «Sonnet LXXVII». Shakespeare's Sonnets (em inglês). Consultado em 26 de março de 2026
- ↑ «Sonnet 77». Poem Analysis (em inglês). Consultado em 26 de março de 2026
- ↑ «Soneto 77». Shakespeare Brasileiro. Consultado em 26 de março de 2026
- ↑ «Soneto 77 de William Shakespeare». Consultado em 26 de março de 2026
- ↑ José Arantes Júnior. «Soneto 77» (PDF). Sonetos completos de William Shakespeare. Consultado em 27 de março de 2026
- ↑ SHAKESPEARE, William - Sonetos de William Shakespeare / tradutor: Milton Lins. Recife: FacForm, 2005. ISBN 978-85-98896-04-5