Soneto 57

Soneto 57

Being your slave what should I do but tend,
Upon the hours, and times of your desire?
I have no precious time at all to spend;
Nor services to do, till you require.

Nor dare I chide the world-without-end hour,
Whilst I, my sovereign, watch the clock for you,
Nor think the bitterness of absence sour,
When you have bid your servant once adieu;

Nor dare I question with my jealous thought
Where you may be, or your affairs suppose,
But, like a sad slave, stay and think of nought
Save, where you are, how happy you make those.

So true a fool is love, that in your will,
Though you do anything, he thinks no ill.[1][2]

–William Shakespeare

O Soneto 57 foi escrito por William Shakespeare e faz parte dos seus 154 sonetos.

Estrutura

Sinopse

Neste soneto e no seguinte, o poeta apresenta sua relação com a amada como a de servo e senhor. Como servo da amada, o poeta descreve a si mesmo (com uma amargura mal disfarçada) como alguém sem vida ou desejos próprios, enquanto espera como um “escravo triste” pelas ordens de seu “soberano”.[2]

Traduções

Sendo teu escravo, o que fazer senão atender
Às horas e aos chamados de teu desejo?
Não tenho tempo algum para mim,
Nem serviços a fazer, até que me peças.
Nem ouso repreender a hora do mundo sem fim,
Enquanto eu, minha soberana, sigo tuas horas,
Nem penso que a solidão da ausência seja amarga,
Após dispensar teu servo de teu serviço;
Nem ouso questionar com meus ciúmes
Onde andarás, ou imaginar o que fazes,
Mas, como um triste escravo, sento-me e não penso,
Salvo, onde estás e quão feliz fazes a todos:
Então, que tolo é o amor, que, sob teu jugo
(Embora nada faças), nenhum mal o assombre.

Sendo-te escravo, que farei senão
cuidar-te a tempo e horas do desejo?
Não tenho ao tempo cara ocupação,
Nem, sem que o peças, de servir ensejo.

E não censuro a hora sem ter fim
Em que as horas por ti, senhor, vigio,
Nem penso a atroz ausência, amargo-a sim,
Porque a teu servo deste um adeus frio.
 
Nem ouso questionar em meu ciúme
Onde possas estar e o que é que fazes:
Um triste escravo nada mais presume
Salvo onde estás, que a sorte a outrem trazes.
 
Tão louco é amor que quer no teu Will
(haja o que houver) nada pensar de vil.

Tradução de Paulo Camelo[nota 3]

Se teu escravo eu sou, que mais eu posso
acalentar nas horas de desejo?
O tempo precioso não é nosso,
e já não dou abraço, e já não beijo.

Eu não consigo reclamar da hora
apenas vigiando o seu momento;
a ausência amarga em mim não tem demora;
a tua despedida é meu tormento.

Eu posso reclamar do meu ciúme?
Eu mal posso supor o teu trabalho.
Escravo, não tolero o meu queixume
e, junto aos outros, teu amor migalho.

O meu amor por ti é verdadeiro,
embora não se mostre por inteiro.

Notas

  1. ↑ Trdução no formato de quatorzain, mantendo do formato original apenas os 14 versos, sem observar métrica, ritmo nem rimas.[3]
  2. ↑ Tradução em soneto inglês com versos decassílabos, obedecendo, em quase todos os versos, o ritmo de pentâmetro iâmbico, tendendo para o verso heróico nos demais.[1]
  3. ↑ Tradução mantendo o formato original de soneto inglês com versos decssílabos em pentâmetro iâmbico, obedecendo ao ritmo holístico.[4]

Referências

  1. 1 2 «Soneto 57 (William Shakespeare)». Da condição humana. Consultado em 7 de fevereiro de 2026
  2. 1 2 «Sonnet 57». Folger Shakespeare Library (em inglês). Consultado em 3 de maio de 2026
  3. ↑ Thereza Christina Rocque da Motta (tradutora), SHAKESPEARE, William. 154 Sonetos. Em Comemoração Aos 400 Anos Da 1ª Edição 1609-2009. Editora Ibis Libris, 1ª edição, 2009. ISBN 8578230264
  4. ↑ «Soneto 57 de William Shakespeare». Consultado em 3 de maio de 2026

Bibliografia

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  • Baldwin, T. W. On the Literary Genetics of Shakspeare's Sonnets. Urbana: University of Illinois Press, 1950.
  • Booth, Stephen. Shakespeare's Sonnets. New Haven: Yale University Press, 1977.
  • Dowden, Edward. Shakespeare's Sonnets. London, 1881.
  • Hubler, Edwin. The Sense of Shakespeare's Sonnets. Princeton: Princeton University Press, 1952.
  • Schoenfeldt, Michael (2007). The Sonnets: The Cambridge Companion to Shakespeare’s Poetry. Patrick Cheney, Cambridge University Press, Cambridge.
  • Tyler, Thomas (1989). Shakespeare’s Sonnets. London D. Nutt.
  • Vendler, Helen (1997). The Art of Shakespeare's Sonnets. Cambridge: Harvard University Press.
  • Engle, Lars (2007). William Empson and the Sonnets: A Companion to Shakespeare's Sonnets. Blackwell Limited, Malden.
  • Evans, G. Blakemore, Anthony Hecht, (1996). Shakespeare's Sonnets. Cambridge University Press, Cambridge.
  • Hammond, Paul (2002). Figuring Sex Between Men from Shakespeare to Rochester. Clarendon, New York.
  • Hubler, Edwin (1952). The Sense of Shakespeare's Sonnets. Princeton University Press, Princeton.
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  • Knights, L. C. (1967). Shakespeare's Sonnets: Elizabethan Poetry. Paul Alpers. Oxford University Press, Oxford.
  • Lopez, Jeremy (2005). Sonnet 35. Greenwood Companion to Shakespeare. pp. 1136-1140.
  • Matz, Robert (2008). The World of Shakespeare's Sonnets: An Introduction. Jefferson, N.C., McFarland & Co..
  • Schoenfeldt, Michael (2007). The Sonnets: The Cambridge Companion to Shakespeare’s Poetry. Patrick Cheney, Cambridge University Press, Cambridge.
  • Tyler, Thomas (1989). Shakespeare’s Sonnets. London D. Nutt.
  • Vendler, Helen (1997). The Art of Shakespeare's Sonnets. Cambridge: Harvard University Press.