Soneto 79
| Soneto 79 |
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Whilst I alone did call upon thy aid |
| –William Shakespeare |
Soneto 79 é um soneto entre os 154 sonetos de William Shakespeare, e faz parte da série ao Belo Jovem.
Estrutura
Soneto inglês[3], com esquema de rimas ABAB CDCD EFEF GG, versos decassílabos por pentâmetro iâmbico. Sendo um soneto inglês, com 3 quartetos e um dístico, o poeta optou por o apresentar em monóstrofe.
Sinopse
Neste soneto, que se segue diretamente ao Soneto 78, o poeta lamenta o fato de outro poeta ter tomado o seu lugar. Ele exorta a amada a reconhecer que toda a beleza, graça e virtude encontradas nos elogios do rival lhe são roubadas, de modo que o rival não merece agradecimento algum.[1]
Traduções
Tradução de Thereza Christina Rocque da Motta
Ao pedir para mim o teu auxílio,
Meu verso recebia sozinho toda a tua graça;
Mas agora perco o ritmo das palavras,
E minha frágil Musa muda de lugar.
Te dou, amor, teu adorável pretexto
De merecer o suor de uma pena mais valiosa,
Embora de ti teu poeta invente,
Ele rouba de ti, e a ti novamente paga.
Ele te dá a virtude, e subtraiu esta palavra
De teus atos; ele te dá a beleza
Ao vê-la em teu rosto; ele não pode
Elogiar-te senão naquilo que já existe em ti.
Então, não lhe agradeças pelo que ele te diz,
Pois o que ele te deve é o mesmo que lhe pagas.[nota 1]
Tradução de José Arantes Júnior
A dívida e o crédito na poesia
[nota 2]
Quando somente eu requeria tua ajuda
Só meu verso tinha a tua graça sutil,
Mas agora minha graça se tornou muda
E minha musa transmudou o seu perfil;
Entendo, meu amor, que teu argumento
Merece o trabalho de uma melhor pena,
Ainda que o teu poeta crie um alento
Te rouba para te por de novo em cena;
Teu poeta evidencia as tuas virtudes
E rouba o valor do teu comportamento,
Identifica a beleza de tua juventude
Sem nenhum prêmio por teu sentimento;
Então não agradeças por esta escrita
Pois já pagaste por ser sua favorita.
Tradução de Milton Lins
Enquanto só, eu vou buscando tua ajuda,
Só o meu verso encerra a tua nobre graça;
Porém agora a graça em trauma se transmuda,
Na minha musa um mal se instala em outra praça.
Concordo, meu amigo, o teu senso argumenta,
Merece a devoção de mais valiosa pena;
O que de ti o teu poeta te acrescenta,
Ele roubou de ti e paga-te sem pena.
Empresta-te virtude e a fala ele te furta
Do teu comportamento; e o belo ele te doa,
Encontra-o na face; e pode tornar curta
Não tua louvação, mas o que em ti ressoa.
Agradece-lhe assim, não por palavras vagas,
Pois o que tem de ti, és tu mesmo que pagas.[nota 3]
Tradução de Paulo Camelo
Sozinho, a tua ajuda eu procurei,
meus versos se espelhando em tua graça;
entanto as coisas tantas que eu falei
só dão à musa insana uma outra praça.
Eu sei que o teu amor como argumento
é mais penoso e trabalhoso, é mais,
porém o que recebes nesse intento
a ti já foi roubado um tempo atrás.
Te dá virtude e, em troca, rouba mais;
te dá beleza, mas seu proceder
difere do que és, pois não te faz
nenhum gracejo para te envolver.
Não dês valor a nada que ele diz.
Seu proceder e fala são sutis.[nota 4]
Notas
- ↑ A forma utilizada por Thereza Christina Motta para apresentar sua tradução foi um quatorzain monostrófico, com versos livres e sem rimas. Assim utilizando, sua tradução ficou próxima à literal.[4]
- ↑ O soneto inglês utilizado por José Arantes Júnior em sua tradução trocou o formato rítmico (decassílabos) por espacial (36 caracteres por verso, com a utilização de fonte monoespaçada). Manteve o esquema rímico e acrescentou um título.[5]
- ↑ Milton Lins apresentou sua tradução usando versos dodecassílabos com predominância de hexâmetro iâmbico em um soneto inglês com esquema rímico ABAB CDCD EFEF GG. [6]
- ↑ Na sua tradução, Paulo Camelo construiu um soneto inglês com versos decassílabos em pentâmetro iâmbico utilizando ritmo holístico. O esquema rímico é o mesmo: ABAB CDCD EFEF GG.[7]
Referências
- 1 2 Folger Shakespeare Library. «Sonnet 79». Shakespeare'sSonnets (em inglês). Consultado em 28 de março de 2026
- ↑ «Sonnet 79». Shakespeare On line (em inglês). Consultado em 28 de março de 2026
- ↑ CAMPOS, Geir. Pequeno Dicionário de Arte Poética. Rio de Janeiro:Edições de Ouro, 1960.
- ↑ «Soneto 79». Shakespeare Brasileiro. Consultado em 28 de março de 2026
- ↑ José Arantes Júnior. «Soneto 79» (PDF). Sonetos completos de William Shakespeare. Consultado em 28 de março de 2026
- ↑ SHAKESPEARE, William - Sonetos de William Shakespeare / tradutor: Milton Lins. Recife: FacForm, 2005. ISBN 978-85-98896-04-5
- ↑ «Soneto 79 de William Shakespeare». Consultado em 28 de março de 2026