Soneto 96
| Soneto 96 |
|---|
Some say thy fault is youth, some wantonness; |
| –William Shakespeare |
Soneto 96 é um soneto que faz parte dos 154 sonetos de William Shakespeare, da série ao Belo Jovem.
Estrutura
- Forma: Soneto inglês[1][nota 1]
- Esquema de rimas: ABAB CDCD EFEF GG
- Métrica: versos decassílabos
- Ritmo: pentâmetro iâmbico.
Sinopse
O jovem é elogiado pelos encantos encontrados tanto em seus defeitos quanto em suas qualidades; se quisesse, poderia "levar embora" ou seduzir ainda mais aqueles que o admiram. No dístico final, o eu lírico o adverte: Não faça isso, pois, como a boa reputação do jovem se baseia em parte em seus defeitos, se ele for longe demais, esses defeitos poderão representar um perigo para a reputação de ambos.[2]
Traduções
Tradução de Thereza Christina Rocque da Motta[nota 2]
Alguns dizem ser teu erro a juventude; outros, a lascívia;
Outros dizem ainda que a juventude e o ânimo dão-te graça.
Tanto a graça quanto os erros são bem ou mal amados;
Transformas faltas em bênçãos como bem te aprazem.
Como no dedo de uma rainha coroada
A mais simples joia será mais cara,
Assim são os erros que diviso em ti,
Traduzidos como verdade e tidos como autênticos.
Quantas ovelhas pode o astuto lobo enganar,
Se na ovelha pudesse se transformar!
Quanto assombro não irias afastar,
Se usasses o poder concedido por teus bens!
Mas não faças isso; amo-te de tal modo, que
Por seres minha, digo que tudo fazes à perfeição.
Tradução de José Arantes Júnior[nota 3]
A graça e o mal
Uns dizem que o teu mal é a mocidade
E que tua graça é um prazer moderado,
Ambos, graça e mal, trazem dualidade,
Tornas em graça o teu erro acumulado;
Como no dedo de uma rainha entronada
Uma jóia barata terá um grande valor,
Assim, também tuas faltas observadas
Serão tomadas como o verdadeiro teor;
Quantos cordeiros o lobo mau mataria
Se, como cordeiro, pudesse se vestir,
E quantos assimilarão tuas anomalias
Se, com decisão, puderes te exprimir?
Não sejas assim, eu amo teus valores,
Como se fossem meus os teus louvores.
Tradução de Paulo Camelo[nota 4]
És jovem por defeito, ou libertina,
e brincas com tal graça, em juventude,
amada em teus defeitos por tal sina
em graça transformada à completude.
E se no dedo levas, qual rainha,
a jóia falsa, entanto, é valorada;
os erros não carregas mais sozinha;
em verdadeiras coisas és notada.
Um lobo quais cordeiros vai trair,
se traduzir doçura em seu olhar?
Quantos olhares poderiam vir
da força e do poder, se os vai usar?
Não faças isso, pois te amo assim;
tu, sendo minha, te reporto a mim.
Tradução de Milton Lins[nota 5]
Uns dizem que é luxúria, alguns que é juventude,
Outros que tem a graça ardente do esportista;
Ambos, faltas e graça, amadas, amiúde:
Fazes faltas com graça, à moda de um artista.
Como o dedo anular no trono da rainha,
Tuas jóias comuns serão valorizadas;
Tal como os erros têm em ti mesquinha,
E a verdade as verter, e as vires estimuladas.
Quantas ovelhas vão trair o lobo, enfim,
Como o cordeiro trai mudando o seu olhar!
Quantas contemplações desvias para um fim,
Se tiveres empenho em força acumular!
Porém não age assim; eu te amo de tal sorte,
Que, se tu fores mau, assumo o que te importe.
Notas
- ↑ Sendo um soneto inglês, com 3 quartetos e um dístico, o poeta optou por o apresentar em monóstrofe.
- ↑ A forma utilizada por Thereza Christina Motta para apresentar sua tradução foi um quatorzain monostrófico, com versos livres e sem rimas. Assim utilizando, sua tradução ficou próxima à literal.[3]
- ↑ O soneto inglês utilizado por José Arantes Júnior em sua tradução trocou o formato rítmico (decassílabos) por espacial (36 caracteres por verso, com a utilização de fonte monoespaçada). Manteve o esquema rímico e acrescentou um título.[4]
- ↑ Na sua tradução, Paulo Camelo construiu um soneto inglês com versos decassílabos em pentâmetro iâmbico utilizando ritmo holístico. O esquema rímico é o mesmo: ABAB CDCD EFEF GG.[5]
- ↑ A tradução foi feita na forma de soneto inglês, porém a métrica utilizada foi a de versos dodecassílabos alexandrinos, variando entre hexâmetro iâmbico e misto de anapesto, iambo e peônio.[6]
Referências
- ↑ CAMPOS, Geir. Pequeno Dicionário de Arte Poética. Rio de Janeiro:Edições de Ouro, 1960.
- ↑ Shakespeare, William. Duncan-Jones, Katherine. Shakespeare’s Sonnets. Bloomsbury Arden 2010. p. 302 ISBN 9781408017975. in: Sonnet 96 (en:Wikipedia)
- ↑ «Soneto 94». Shakespeare Brasileiro. Consultado em 13 de abril de 2026
- ↑ José Arantes Júnior. «Soneto 96» (PDF). Sonetos completos de William Shakespeare. Consultado em 13 de abril de 2026
- ↑ «Soneto 96 de William Shakespeare». Consultado em 13 de abril de 2026
- ↑ Shakespeare, William. Sonetos de William Shakespeare / tradutor: Milton Lins. Recife: Ed. do Tradutor (impressão FacForm), 2005, ISBN 978-85-98896-04-5