Soneto 125
| Soneto 125 |
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Were ’t aught to me I bore the canopy, |
| –William Shakespeare |
Soneto 125, escrito por William Shakespeare e faz parte dos seus 154 sonetos. Como os primeiros 126, faz parte do grupo de sonetos Fair Youth, escritos para seu jovem interlocutor não revelado.
Análise
Como os outros sonetos do autor, o ritmo utillizado é o pentâmetro iâmbico, com o esquema rímico utilizado pelos sonetos ingleses: ABAB CDCD EFEF GG.[2][3]
Sinopse
O poeta, em aparente resposta à acusação, afirma que seu amor (e, talvez, sua poesia de louvor) não é motivado apenas pelo desejo de honra exterior.[1]
A mensagem deste soneto parece ser dupla. Primeiro, o autor contempla a fragilidade da vida e a curta duração dos empreendimentos da humanidade. Segundo, o autor dirige-se diretamente a uma pessoa significativa, oferecendo-se em troca do destinatário, sem segundas intenções. [4] Muito provavelmente, o destinatário deste soneto é o "Belo Jovem" que aparece com frequência nos sonetos de Shakespeare, pois se enquadra na sequência de 1 a 126. Assim como outros sonetos do que os estudiosos chamam de sequência do "Belo Jovem", este aparentemente instrui o jovem a considerar sua mortalidade e aproveitar ao máximo sua vida. Nos dois versos finais, ou dístico, o autor dirige-se repentinamente a um "informante subornado" desconhecido e lhe diz que está fora de seu controle.[5]
Traduções
Tradução de Thereza Christina Rocque da Motta
A tradutora utilizou uma versão livre, sem se ater a ritmo ou rima, comuns em um soneto.
Para que eu deveria erguer o dossel,
Honrando somente as aparências,
Ou lançar as bases da eternidade,
Que serviria menos que o desperdício e a ruína?
Já não vi quem tivesse uma vida abastada
Perder tudo e, ainda, pagar caro o aluguel,
Passar de manjares a simples repastos,
Pobres ricos, de quem tudo foi tirado?
Não, deixa-me servir o teu coração,
E entregar-te meu óbolo, ínfimo, mas livre,
Imune ao tempo, indiferente à arte, porém
Com mútua entrega, dando-me por inteiro a ti.
Por isso, inútil delator! Quanto mais prendes
Uma alma verdadeira, menos a podes controlar.[6]
Tradução de Milton Lins
O tradutor manteve-se em decassílabo com ritmo de pentâmetro iâmbico em quase todo o soneto, permanecendo fiel ao esquema rímico do soneto inglês.
Se tirar nota zero, eu furo o céu,
Com meu exterior honro os de fora.
Ou até da eternidade tiro o véu
Que prova ser mais curto, e que deplora?
Não vi seus habitantes em favor
Tudo perder, e ainda pagar caro,
Se um doce tiver só o seu sabor,
Sem tom de piedade em seu preparo?
Contigo me permite ser bondoso,
E pega meu presente livre e pobre,
Que num segundo não se põe cioso,
E, em mútua entrega entre nós dois, se cobre.
Por isso, o servidor, uma alma pura,
Quando acusado, aceita a contextura.[7]
Tradução de José Arantes Júnior
Sem se ater ao ritmo usado pelo autor, o tradutor o apresentou em uma forma plástica visual,[nota 1] usando 36 caracteres por verso, sem ritmo firmado, mas mantendo o esquema rímico. Como nos outros sonetos por ele traduzidos, acrescentou um título.
Pobre mas livre
[8][9]
De que me vale possuir belos abrigos
Com aparência exterior de disciplina,
Ou formar bases sólidas onde consigo
As provas mais vazias do que a ruína?
Não vi pessoas em forma e predileção
Perder tudo e ainda pagar muito caro
Por um simples gosto pela composição
Ou com alto gasto por sucesso ignaro?
Deixa-me ter gratidão ao teu coração
E toma minha máxima: pobre mas livre,
Sem qualquer recurso ou sofisticação
Em mútua gratidão que só em mim vive;
O Espírito verdadeiro está revelando:
Quanto mais réu menos em teu comando.
Tradução de Paulo Camelo
Usando o formato de soneto inglês, com versos decassílabos em pentâmetro iâmbico, a tradução mantém-se no ritmo holístico.
Se eu não me utilizasse da cortina
a me esconder da fama exterior
ou não me incomodasse com ruína,
eu não teria a prova a meu dispor.
Não vê como se apegam ao favor,
perdendo no aluguel o que não têm,
deixando coisas simples sem sabor,
exaustos, sem olhar para ninguém?
Portanto, não... não fira o coração,
aceite a minha oferta, livre, pobre
e sem mistura, firme na intenção,
na forma como eu faço, em causa nobre.
E nisso não se venda. Alma traída,
inda acusada for, controla a vida.[10]
Notas
- ↑ A forma plástica visual é mormente percebida quando se usa fonte monoespaçada datilográfica, não proporcional, quando os versos apresentam o mesmo tamanho.
Referências
- 1 2 Folger Shakespeare Library. «Sonnet 125». Shakespeare's Sonnets (em inglês). Consultado em 24 de abril de 2026
- ↑ CAMPOS, Geir - Pequeno Dicionário de Arte Poética- Rio de Janeiro:Edições de Ouro, 1960. pág.187
- ↑ Alexandre Tambelli (1 de outubro de 2013). «O soneto inglês ou Shakespeareano». Recanto das Letras. Consultado em 24 de abril de 2026
- ↑ Vendler, Helen. The Art of Shakespeare's Sonnets. 3rd ed. Cambridge: The Harvard United Press, 1997. 530-532. Print. in en:Sonnet 125
- ↑ «Sonnet 125». Wikipedia (em inglês). Consultado em 24 de abril de 2026
- ↑ «Soneto 125». Shakespeare Brasileiro. Consultado em 24 de abril de 2026
- ↑ SHAKESPEARE, William - Sonetos de William Shakespeare / tradutor: Milton Lins. Recife: FacForm, 2005. ISBN 978-85-98896-04-5
- ↑ Shakespeare, William - Sonetos completos de William Shakespeare. Tradução: José Arantes Júnior. São Paulo: Ed. do tradutor, 2007
- ↑ José Arantes Júnior. «Soneto 125» (PDF). Sonetos completos de William Shakespeare. Consultado em 24 de abril de 2026
- ↑ «Soneto 125 de William Shakespeare». Recanto das Letras. Consultado em 24 de abril de 2026