Soneto 90
| Soneto 90 |
|---|
Then hate me when thou wilt, if ever, now, |
| –William Shakespeare |
Soneto 90 é um soneto de uma série de 154 sonetos de Shakespeare. Pertence à série de sonetos ao Belo Jovem.
Análise
Como os demais sonetos de William Shakespeare, este foi todo construído no ritmo de pentâmetro iâmbico[nota 1] no formato de soneto inglês, com 3 quartetos e um dístico, e rima em ABAB CDCD EFEF GG.[2]
Sinopse
Este soneto é o terceiro de uma série que aborda o rompimento da relação entre o jovem e o eu lírico. Apesar das crescentes tensões entre os dois, o eu lírico já havia demonstrado seu afeto pelo belo rapaz ao afirmar que estaria disposto a sacrificar sua própria posição social em benefício próprio.[3]
Dando continuidade ao último verso do Soneto 89, este soneto suplica à pessoa amada que desferirá depressa qualquer golpe terrível que aguarde o poeta. Então, os demais golpes desferidos pelo mundo lhe parecerão insignificantes.[1]
Traduções
Tradução de Thereza Christina Rocque da Motta
A tradutora não segue o ritmo, a métrica nem o esquema de rimas do autor, preferindo fazer uma tradução livre, num formato de quatorzain monostrófico.
Odeia-me, se quiseres; se for agora,
Enquanto o mundo censura meus atos,
Une-te ao escárnio da fortuna, faze-me vergar,
E não mais tornes a me pisotear.
Ah, quando meu coração se afastar desta tristeza,
Não retomes um cansado lamento;
Que a manhã chuvosa não suceda a noite de vento,
Para perpetuar esta proposital derrota.
Se me deixares, não me abandones ao final,
Após outras mágoas terem causado o seu dano,
Mas, no princípio, para experimentar
Antes o pior da força do destino;
E as outras dores, que hoje assim parecem,
Comparadas a te perder, nada mais serão.[4]
Tradução de Milton Lins
O tradutor apresentou o soneto em decassílabo, perseguindo o pentâmetro iâmbico, não o fazendo, no entanto, em alguns versos. O esquema rímico segue o do autor, como um soneto inglês: ABAB CDCD EFEF GG.
Odeie-me na doença, se possível,
Agora que este mundo a mim se curva,
Com o rancor da sorte, abaixe o nível
Da fonte a gotejar, e que se turva:
Não ligue o coração sem ter pesar,
Venha atrás da tristeza conquistada;
Não dê dia de chuva após ventar,
Não prolongue a proposta derrocada.
Se quer me abandonar, aguarde o fim,
Se males triviais lhe causam ira,
Mas venha desde o início, aprovo assim,
Em primeiro o pior que a sorte tira;
Esforço de tristeza, o triste esquece,
Tal como a sua perda, não parece.[5]
Tradução de José Arantes Júnior
Este tradutor seguiu o esquema rímico do autor no soneto: ABAB CDCD EFEF GG, como um soneto inglês. Mas não o seguiu no ritmo nem na métrica, preferindo dar-lhe um aspecto plástico, com 36 caracteres em cada verso, que lhe mostram a forma, quando utilizada uma fonte monoespaçada. Acrescentou-lhe um título.
O sempre e o agora
[6]
Odeia-me ao ruíres, se sempre, agora,
Enquanto o mundo redime a minha ação,
Na aversão à fortuna, meu dom vigora
E não verto uma gota após a privação;
Ah, não, quando escapo à dor teimosa
Vem após uma aflição em substituição,
Sem os ventos da manhã antes chuvosa
Para agravar o intento de destruição;
Se tua sina deixa-me, não vás depois
Quando outra pequena dor gera rancor
No começo, faz uma apreciação a dois
E o pior é a fortuna com o seu vigor;
Outra ação, agora parece um conflito,
Mas, diante de tua perda não é muito.
Tradução de Paulo Camelo
O tradutor procurou seguir o ritmo de pentâmetro iâmbico usado pelo poeta inglês, respeitando o ritmo holístico, mantendo também o esquema rímico ali utillizado.
Quando quiseres, podes me odiar
enquanto o mundo quer me conhecer,
pois junta-te à maldade a me curvar;
não me apareças, pois, quando perder.
Quando a tristeza se afastar de mim,
não venhas reclamar da tua dor,
à noite venturosa não dês fim,
não tragas chuva para recompor.
Se queres me deixar, que seja agora
enquanto as mágoas cumprem seu papel.
Não deixes pro final teu bota-fora,
a teu poder mantenhas-te fiel.
As outras dores que trarás a mim,
se eu te perder, não doerão assim.[7]
Notas
- ↑ A única exceção é o Soneto 145, construído em tetrâmetro iâmbico, versos octossílabos
Referências
- 1 2 Folger Shakespeare Library. «Sonnet 90». Shakespeare's Sonnets (em inglês). Consultado em 7 de abril de 2026
- ↑ CAMPOS, Geir. Pequeno Dicionário de Arte Poética- Rio de Janeiro:Edições de Ouro,1960.
- ↑ «Sonnet 90». Poem Analysis (em inglês). Consultado em 7 de abril de 2026
- ↑ «Soneto 90». Shakespeare Brasileiro. Consultado em 7 de abril de 2025
- ↑ SHAKESPEARE, William - Sonetos de William Shakespeare / tradutor: Milton Lins. Recife: FacForm, 2005. ISBN 978-85-98896-04-5
- ↑ Shakespeare, William - Sonetos completos de William Shakespeare. Tradução de José Arantes Júnior. - São Paulo: Ed. do Autor, 2007.
- ↑ «Soneto 90 de William Shakespeare». Recanto das Letras. Consultado em 7 de abril de 2025