Soneto 58
| Soneto 58 |
|---|
That god forbid, that made me first your slave, |
| –William Shakespeare |
O Soneto 58 foi escrito por William Shakespeare e faz parte dos seus 154 sonetos.
Estrutura
Como a maioria dos 154 poemas de Shakespeare, este é um soneto inglês[nota 1] com versos decassílabos em ritmo de pentâmetro iâmbico[nota 2] e esquema rímico ABAB CDCD EFEF GG.
Sinopse
Dando continuidade ao argumento do soneto anterior, o poeta reconhece o direito do jovem à liberdade e à busca de seus próprios prazeres, submetendo-se com toda a humildade de um vassalo perante seu senhor. Contudo, somos novamente levados a interpretar as palavras em sentido oposto, concluindo que o jovem não possui os direitos e privilégios que o poeta lhe atribui. Como em todo amor, há dar e receber, e o padrão de amor que o eu lírico estabelece para si mesmo é tão elevado que implica total abnegação. Ao final do poema, a luta é quase abandonada, e a franca confissão é feita: ele aguardará o retorno da amada, mesmo que a espera seja um verdadeiro inferno, e fará o possível para evitar a culpa e a censura do jovem (embora provavelmente não consiga).[1]
Traduções
Na tradução de Thereza Christina Rocque da Motta[nota 3]:
Que Deus me perdoe, por me tornar teu escravo,
Que eu deva pensar em velar tuas horas de prazer,
Ou para ti contar os momentos de ansiedade,
Sendo teu vassalo disposto a estar à tua mercê.
Ó deixa-me sofrer, sob tua vista,
A ausência aprisionada de tua liberdade,
E domada pela paciência para sofrer a cada vez
Sem te acusar de me injuriares.
Estejas onde estiveres, teu jugo é tão forte,
Que podes privilegiar teu tempo
Para o que quiseres; a ti somente cabe
Perdoar-te por teus próprios crimes.
Devo aguardar, embora esperar seja o inferno,
Sem culpar teu prazer, seja ele o mal ou o bem.
Na tradução de Paulo Camelo[nota 4]:
Que Deus, que fez de mim escravo teu,
me faça controlar meu pensamento
em teus momentos de prazer, pois eu,
sendo vassalo, obrigo-me ao momento,
e deixe-me sofrer, se a ti me entrego,
à tua liberdade aprisionado,
e, dócil ao momento que carrego,
agüente a injustiça sem enfado.
Onde estiveres, mostras fortaleza
e podes o teu tempo controlar.
No que quiseres tenhas, pois, certeza:
o teu pecado sabes perdoar.
Embora a espera torne-se um inferno,
o teu prazer, a mim, é bom, eterno.
Na tradução de José Arantes Júnior[nota 5]:
A liberdade na escravidão
Proíbe, o deus que me fez um escravo,
de controlar teus momentos de prazer,
para viver o tempo no qual me agravo
indo até além do limite do teu lazer,
deixa-me sofrer sob as tuas vontades
na ausência de tua liberdade pessoal,
passando calmamente cada adversidade
sem te censurar por um dano eventual,
onde estiveres, tua alma é tão forte
que podes aproveitar o próprio tempo
pois te pertencem o querer e a sorte
no mal contra ti mesmo, neste evento,
espero, embora a ânsia seja infernal,
não acuso tua ação no bem nem no mal.
Notas
- ↑ São exceções: o Soneto 99, que tem 15 versos (e consequentemente não é um soneto), e o soneto 126, que apresenta apenas 12 versos distribuídos em 6 dísticos.
- ↑ A exceção a essa métrica e a esse ritmo é o Soneto 145, que é construído em versos octossílabos, com tetrâmetro iâmbico.
- ↑ A tradução foi construída na forma de quatorzain monostrófico, sem obediência a métrica, ritmo ou rima.[3]
- ↑ A tradução foi construída como o formato original, em soneto inglês com versos em decassílabo e ritmo de pentâmetro iâmbico, com rimas ABAB CDCD EFEF GG, obedecendo ao ritmo holístico.[4]
- ↑ O tradutor usou a forma de soneto inglês e esquema rímico característico, mas optou por trabalhar com 36 caracteres por verso em fonte monoespaçada, para lhe dar forma geométrica simétrica, sem obedecer a métrica ou a ritmo, e lhe acrescentou um título.[5]
Referências
- 1 2 «Sonnet LVIII». Shakespeare's Sonnets (em inglês)
- ↑ (em inglês) Análise do soneto
- ↑ Thereza Christina Rocque da Motta (tradutora), SHAKESPEARE, William. 154 Sonetos. Em Comemoração Aos 400 Anos Da 1ª Edição 1609-2009. Editora Ibis Libris, 1ª edição, 2009. ISBN 8578230264
- ↑ «Soneto 58 de William Shakespeare». Recanto das Letras. Consultado em 3 de maio de 2026
- ↑ José Arantes Júnior. «Sonetos completos de William Shakespeare» (PDF). Consultado em 3 de maio de 2026
Bibliografia sugerida
- Alden, Raymond. The Sonnets of Shakespeare, with Variorum Reading and Commentary. Boston: Houghton-Mifflin, 1916.
- Baldwin, T. W. On the Literary Genetics of Shakspeare's Sonnets. Urbana: University of Illinois Press, 1950.
- Booth, Stephen. Shakespeare's Sonnets. New Haven: Yale University Press, 1977.
- Dowden, Edward. Shakespeare's Sonnets. London, 1881.
- Hubler, Edwin. The Sense of Shakespeare's Sonnets. Princeton: Princeton University Press, 1952.
- Schoenfeldt, Michael (2007). The Sonnets: The Cambridge Companion to Shakespeare’s Poetry. Patrick Cheney, Cambridge University Press, Cambridge.
- Tyler, Thomas (1989). Shakespeare’s Sonnets. London D. Nutt.
- Vendler, Helen (1997). The Art of Shakespeare's Sonnets. Cambridge: Harvard University Press.
- Engle, Lars (2007). William Empson and the Sonnets: A Companion to Shakespeare's Sonnets. Blackwell Limited, Malden.
- Evans, G. Blakemore, Anthony Hecht, (1996). Shakespeare's Sonnets. Cambridge University Press, Cambridge.
- Hammond, Paul (2002). Figuring Sex Between Men from Shakespeare to Rochester. Clarendon, New York.
- Hubler, Edwin (1952). The Sense of Shakespeare's Sonnets. Princeton University Press, Princeton.
- Kerrigan, John (1987). Shakespeare's Sonnets. Penguin, New York.
- Knights, L. C. (1967). Shakespeare's Sonnets: Elizabethan Poetry. Paul Alpers. Oxford University Press, Oxford.
- Lopez, Jeremy (2005). Sonnet 35. Greenwood Companion to Shakespeare. pp. 1136-1140.
- Matz, Robert (2008). The World of Shakespeare's Sonnets: An Introduction. Jefferson, N.C., McFarland & Co..
- Schoenfeldt, Michael (2007). The Sonnets: The Cambridge Companion to Shakespeare’s Poetry. Patrick Cheney, Cambridge University Press, Cambridge.
- Tyler, Thomas (1989). Shakespeare’s Sonnets. London D. Nutt.
- Vendler, Helen (1997). The Art of Shakespeare's Sonnets. Cambridge: Harvard University Press.