Soneto 84

Soneto 84

Who is it that says most? Which can say more,
Than this rich praise: that you alone are you,
In whose confine immured is the store
Which should example where your equal grew?
Lean penury within that pen doth dwell
That to his subject lends not some small glory;
But he that writes of you, if he can tell
That you are you, so dignifies his story.
Let him but copy what in you is writ,
Not making worse what nature made so clear,
And such a counterpart shall fame his wit,
Making his style admired everywhere.
You to your beauteous blessings add a curse,
Being fond on praise, which makes your praises worse.[1]

–William Shakespeare

Soneto 84 é um dos 154 sonetos de Shakespeare, e faz parte dos sonetos ao Belo Jovem.

Estrutura

Como a grande maioria dos sonetos de William Shakespeare, este é um Soneto inglês[2][nota 1] produzido em versos decassílabos com ritmo de pentâmetro iâmbico[nota 2], rimas ABAB CDCD EFEF GG. Apresentado pelo autor em monóstrofe.

Sinopse

O poeta reitera sua afirmação de que os poemas que elogiam a pessoa amada devem refletir suas perfeições, em vez de exagerá-las. Ele acusa a pessoa amada de se importar demais com os elogios.[1] Oferece conselhos ao escritor que deseje alcançar a verdadeira poesia: copiar e interpretar a natureza são necessários para a arte, mas ornamentá-la de forma extravagante cria arte falsa. Por essa razão, nenhuma distorção da beleza do jovem o descreve. Criticando o vício do jovem em elogios como um sinal de mau gosto, o poeta o censura, e, segundo ele, é mera tagarelice e, portanto, não beneficia o jovem. O poeta deixa claro que o jovem perpetua a arte falsa do poeta rival.[3]

Traduções

Tradução de Thereza Christina Rocque da Motta:[nota 3]

Quem diz mais? Qual deles diz mais,
Do que este rico elogio – de quem tu és,
Em cujo confinamento está guardado
O modelo onde crescem teus pares?
A magra penúria da pena vive
De não retirar a glória de seu objeto;
Mas aquele que escreve sobre ti, se puder dizer
Quem tu és, assim dignifica a sua história.
Deixa-o copiar o que está escrito em ti,
Sem piorar o que a natureza deixou claro,
E que ela dê fama à sua inteligência,
Tornando seu estilo admirado em toda a parte.
Tu, às tuas bênçãos de beleza, acrescentas uma praga,
Teu gosto por elogios torna-os piores.

Tradução de José Arantes Júnior:[nota 4]

A contradição dos valores

Quem diz mais? O que pode dizer mais
Do que este louvor: tu és tu somente,
Cujos limites estão dentro de sinais
Onde teu crescimento se faz evidente?

A carência está nos domínios da pena
Para que o tema não seja a limitação,
Mas essa escrita só não será pequena
Se mostrar que tu és tu com precisão;

Deixa-a copiar o que já está escrito
Sem mudar o que é claro por natureza,
Para que o estilo possa ser favorito
Em qualquer país ou pelas redondezas;

Mas, aclamar a si mesmo traz aflição,
E até faz os valores ter contradição.

Tradução de Paulo Camelo:[nota 5]

Quem pode dizer mais, quem fala mais
nesse elogio a ti? Só tu, somente,
em teu confinamento és mais capaz,
pois serves como exemplo enormemente.

Habita em ti, bem dentro, a leve pena
e fato algum, se te puder dizer,
escreverá de ti moção pequena
alçando à glória altiva o teu viver.

Apenas se copie o já escrito
e se mantenha plena a natureza,
e te enriquecerá decerto o fito,
a se manter completa essa beleza.

Acrescentaste às bênçãos maldição
e elogiosos tons piores são.

Tradução de Milton Lins:[nota 6]

Quem é que sabe mais e quem mais diz
Quanto ao louvor – você é você só?
Detido num confim – este infeliz
Cresceu igual, num chão sem pena e dó?

Penúria magra habita a sua pena,
Que a isto não empresta alguma glória;
Mas quem sobre você descreve e acena
Que você é você, adorna a história.

Só lhe deixe copiar o já escrito,
Não fazendo pior o quanto é arte,
A contraparte é fama e vai ser mito,
Faz seu estilo amado em toda parte.

Ao seu belo perfil, acresça as cores,
Criado no louvor não faz louvores.

Notas

  1. ↑ 2 dos 154 poemas seus não são estruturalmente um soneto.
    *O Soneto 99 apresenta 15 versos, ferindo a estrutura imutável do soneto de 14 versos, dividindo-se em um quinteto, 2 quartetos e um dístico.
    *O Soneto 126 apresenta apenas 12 versos, distribuídos em 6 dísticos.
  2. ↑ Uma exceção é o Soneto 145, construído todo em versos octossílabos com ritmo de tetrâmetro iâmbico.
  3. ↑ Apresentada como um quatorzain monostrófico, sem obediência a métrica, ritmo ou rima.[4]
  4. ↑ Soneto inglês em que foi acrescido um título e que, não seguindo métrica nem ritmo, apresentou-se em formato simétrico ao usar fonte monoespaçada.Usou rimas ABAB CDCD EFEF GG[5]
  5. ↑ Soneto inglês construído com versos decassílabos em pentâmetro iâmbico obedecento ao ritmo holístico.[6]
  6. ↑ Soneto inglês construído com versos decassílabos onde predomina o pentâmetro iâmbico. (Os versos 8, 9, 10 e 13 não obedecem a esse ritmo.) [7]

Referências

  1. 1 2 Folger Shakespeare Library. «Sonnet 84». Shakespeare's Sonnets (em inglês). Consultado em 2 de abril de 2026
  2. ↑ CAMPOS, Geir. Pequeno Dicionário de Arte Poética. Rio de Janeiro: Edições de Ouro, 1960.
  3. ↑ «Summary and Analysis Sonnet 84». Shakespeare’s Sonnets (em inglês). Consultado em 2 de abril de 2026
  4. ↑ «Soneto 84». Shakespeare Brasileiro. Consultado em 2 de abril de 2026
  5. ↑ «Soneto 83» (PDF). Sonetos Completos de William Shakespeare. Consultado em 30 de março de 2026
  6. ↑ «Soneto 84 de William Shakespeare». Consultado em 2 de abril de 2026
  7. ↑ SHAKESPEARE, William - Sonetos de William Shakespeare / tradutor: Milton Lins. Recife: FacForm, 2005. ISBN 978-85-98896-04-5