Soneto 122
| Soneto 122 |
|---|
Thy gift, thy tables, are within my brain |
| –William Shakespeare |
Soneto 122 é um de uma série de 154 sonetos de Shakespeare. Faz parte da série ao Belo Rapaz.
Sinopse
Este soneto aborda a difícil questão de por que o poeta se desfez do presente que recebera da amada: uma tábua de escrever. Após várias tentativas hesitantes, o poeta conclui afirmando que, para ele, ter guardado a tábua implicaria precisar de ajuda para se lembrar da inesquecível amada.[1]
Traduções
Tradução de Milton Lins[nota 1]
Teus dons e teus painéis estão em minha mente
Bem caracterizada no âmago da idade,
Que acima da preguiça alinha um permanente
De qualquer data além, também de eternidade.
Ou no mínimo aonde[nota 2] a mente e o coração
Têm pela natureza o dom de persistir;
Até que o esquecimento encorpa a sua ação
Que procede de ti e vai-se consumir.
Que a pobre retenção nem vem manter a imagem
Nem devo fazer conta e teu amor marcar;
Para doá-los vou armar muita coragem,
Confiando nos painéis que vão te laurer.
Manter um mensageiro a recordar-te atento
Poderia importar em meu esquecimento.
Tradução de José Arantes Júnior[nota 3]
O esquecimento e a lembrança
Os teus valores estão em minha mente
Identificados por memória cristalina,
Muito acima da inutilidade existente
E pela eternidade de maneira genuína;
Tanto quanto discernimento e coração
Têm o ímpeto natural para sobreviver,
Cada esquecimento tem sua apreciação
Para não por a lembrança a se perder;
Raras lembranças não são suficientes
Nem necessitam de marcas para o amor,
Mas, quando voltam torna-se evidente
Que as tuas passagens têm mais valor;
Tomo um atributo para tua recordação
O esquecimento de minha significação.
Tradução de Paulo Camelo[nota 4]
Teus dons e leis estão na minha mente
e são guardados pela eternidade
em ociosidade permanente
além de toda data, por verdade,
enquanto houver na mente ou coração
a natureza de subsistir.
Mas, se eu vou esquecer e você, não,
esses registros têm que existir.
A retenção não é suficiente
ou necessário é pesar o amor,
pois as ofensas vivem tão somente
a confiar nas tábuas por temor.
Guardar momento pra lembrar de ti
é não lembrar de mim, pois esqueci.
Tradução de Thereza Christina Motta[nota 5]
Teus dons, tuas palavras, estão em minha mente
Com todas as letras, em eterna lembrança,
Que permanecerá acima da escória ociosa
Além de todos os dados, mesmo na eternidade;
Ou, ao menos, enquanto a mente e o coração
Possam por sua natureza subsistir;
Até que todo o esquecimento liberte sua parte
De ti, teu registro não se perderá.
Esses pobres dados não podem reter tudo,
Nem preciso de números para medir o teu amor;
Assim fui corajoso para dar de mim a eles,
Para confiar nesses dados que sobram em ti.
Manter um objeto para lembrar-te
Seria aceitar o esquecimento em mim.Romance
Notas
- ↑ O tradutor apresentou o soneto em dodecassílabo, perseguindo o hexâmetro iâmbico, não o fazendo, no entanto, em alguns versos. O esquema rímico segue o do autor, como um soneto inglês: ABAB CDCD EFEF GG.[2]
- ↑ Assim está na obra consultada: "aonde"
- ↑ Este tradutor seguiu o esquema rímico do autor no soneto: ABAB CDCD EFEF GG, como um soneto inglês. Mas não o seguiu no ritmo nem na métrica, preferindo dar-lhe um aspecto plástico, com 36 caracteres em cada verso, que lhe mostram a forma, quando utilizada uma fonte monoespaçada, como o fez em todos os seus sonetos traduzidos. E, como os outros, deu-lhe um título.[3][4]
- ↑ O tradutor procurou seguir o ritmo de pentâmetro iâmbico usado pelo poeta inglês, atendo-se ao ritmo holístico, mantendo também o esquema rímico utillizado pelo autor.[5]
- ↑ A tradutora procurou fazer uma tradução mais literal, sem se ater a ritmo, métrica ou rima.[6]
Referências
- 1 2 «Sonnet 122». Shakespeare's Sonnets. Consultado em 23 de abril de 2026
- ↑ SHAKESPEARE, William - Sonetos de William Shakespeare / tradutor: Milton Lins. Recife: FacForm, 2005. ISBN 978-85-98896-04-5
- ↑ Shakespeare, William - Sonetos completos de William Shakespeare. Tradução de José Arantes Júnior. - São Paulo: Ed. do Autor, 2007.
- ↑ José Arantes Júnior. «Sonetos completos de William Shakespeare» (PDF). Consultado em 24 de outubro de 2025
- ↑ Paulo Camelo. «Soneto 122 de William Shakespeare». Recanto das Letras. Consultado em 23 de abril de 2026
- ↑ «Soneto 100». Shakespeare Brasileiro. Consultado em 24 de outubro de 2025