Soneto 121

Soneto 121

'Tis better to be vile than vile esteemed,
When not to be receives reproach of being;
And the just pleasure lost, which is so deemed
Not by our feeling, but by others' seeing:
For why should others' false adulterate eyes
Give salutation to my sportive blood?
Or on my frailties why are frailer spies,
Which in their wills count bad what I think good?
No, I am that I am, and they that level
At my abuses reckon up their own:
I may be straight though they themselves be bevel;
By their rank thoughts, my deeds must not be shown;
   Unless this general evil they maintain,
   All men are bad and in their badness reign.
[1]

–William Shakespeare

Soneto 121 é um dos 154 sonetos de Shakespeare, pertencente à série dedicada ao Belo Rapaz.

Estrutura

Como a maioria dos sonetos escritos por William Shakespeare, o Soneto 121 é um soneto inglês[2][nota 1] no seu formato e no seu esquema rímico (ABAB CDCD EFEF GG), e, como a maioria deles, foi feito no ritmo de pentâmetro iâmbico.[nota 2]

Sinopse

O 'Soneto 121', de William Shakespeare, é um poema sobre ser fiel a si mesmo, admirar os erros e a corrupção. Ao longo do poema, o narrador deixa bem clara sua posição em relação à hipocrisia e à honestidade. Ele sabe que cometeu erros, mas se recusa a ser julgado pelos homens pecadores e corruptos ao seu redor. Eles não deveriam dizer nada a seu respeito, considerando tudo o que fizeram em suas vidas. Ele ouviria com prazer o que eles têm a dizer, conclui, se admitissem seus próprios erros.[1]

Traduções

A tradutora faz uma tradução próxima à tradução literal, não levando em conta as regras específicas do soneto (ritmo, rima, métrica), mantendo-o em forma do que antigamente se chamava Quatorzain.

É melhor ser vil do que vil considerado,
Quando não se é, e ser repreendido por sê-lo,
E o prazer justo perdido, que é tão caro
Não por nós, mas pela opinião alheia.
Por que a visão falsa e adulterada dos outros
Deve julgar o meu sangue ardente?
Ou minhas fraquezas, enquanto o mais fraco espia,
Que por eles seja mau o que acredito bom?
Não, eu sou quem sou, e eles que julgam
Meus erros reconhecem em mim apenas os deles;
Posso ser reto, embora eles sejam tortos;
Diante desses pensamentos, meus atos se ocultam,
A menos que esse mal geral que eles mantêm:
Todos são maus e em sua maldade reinam.[3]

Tradução de Milton Lins

O tradutor apresenta o soneto em dodecassílabos alexandrinos.

É melhor ser um vil que um vil bem estimado;
Sem mais o ser, terás censuras por ter sido.
Justo o prazer perdido, assim então jungado
- Por sentimento, não; por algo deduzido.

Com algum falso olhar, por que outras sugestões
Em das o seu apoio ao meu sangue convém?
Com meu frágil pensar, são fracos espiões,
Que em suas decisões do mau mudam num bem?

Enfim, sou o que sou; e eles têm seu nível;
Por minhas confusões, as suas são contadas;
Eu fico em minha reta e eles no impossível;
Minhas ações no seu pensar não são mostradas.

Ao menos no geral parâmetro de fera, -
A humanidade é má, e na maldade impera.[4]

Tradução de Paulo Camelo

O poeta procura seguir o original em forma, métrica, ritmo e esquema rímico, ou seja, um soneto inglês com esquema rímico ABAB CDCD EFEF GG, versos decassílabos em ritmo de pentâmetro iâmbico, apresentando-o, ainda, com ritmo holístico.

Melhor ser mau no amor que mal amado
estando a receber reprovação;
o prazer justo é só considerado
ao jugo alheio, e nunca ao coração.

Por que olhares falsos vêm saudar
e adulterar o meu real prazer?
Por que espiões fracos vêm julgar
minhas fraquezas sem me conhecer?

Se assim eu sou, eu sou e não dou vez
a que nivelem meu defeito ao seu.
Posso ser reto; eles, porém, talvez
não pensem como eu penso: não sou eu.

Pois, se mantêm maldade em seu geral,
os homens vivem, reinam, pensam mal.[5]

Tradução de José Arantes Junior

Este tradutor seguiu o esquema rímico do autor no soneto: ABAB CDCD EFEF GG, como um soneto inglês. Mas não o seguiu no ritmo nem na métrica, preferindo dar-lhe um aspecto plástico, com 36 caracteres em cada verso, que lhe mostram a forma, quando utilizada uma fonte monoespaçada. Acrescentou-lhe, ainda, um título.

A franqueza e a dissimulação

Antes a vileza do que só a aparência
Quando não se é mas é acusado de ser,
Acaba se perdendo pela rude essência
Dos olhos de quem tenta nos entender;

Por que dariam, olhos de reprovações,
Uma salvação ao meu sangue impetuoso?
Ou até por que alguns fracos espiões
Têm como odioso o que eu acho ditoso?

Sou o que sou e se fazem uma somação,
De meus erros, somam os deles também,
Sou franco e eles têm a dissimulação,
Minhas ações não se medem por desdém;

A menos que um mal tenha sustentação
Todas as pessoas estarão em perdição.
[6]

Notas

  1. ↑ Há, na série de 154 poemas, 2 que estruturalmente não são sonetos:
    * Soneto 99, que tem 15 versos, portanto um verso a mais do que tem um soneto;
    * Soneto 126, que apresenta 12 versos apenas, distribuídos em 6 dísticos.
  2. ↑ Há, na série de 154 poemas, um que tem métrica e ritmo diferentes: o Soneto 145, feito com versos octossílabos em tetrâmetro iâmbico.

Referências

  1. 1 2 «Sonnet 121». Poem Analysis (em inglês). Consultado em 23 de abril de 2026
  2. ↑ CAMPOS, Geir. Pequeno Dicionário de Arte Poética. Rio de Janeiro: Edições de Ouro, 1960.
  3. ↑ «Soneto 121». Shakespeare Brasileiro. Consultado em 23 de abril de 2026
  4. ↑ SHAKESPEARE, William - Sonetos de William Shakespeare / tradutor: Milton Lins. Recife: FacForm, 2005. ISBN 978-85-98896-04-5
  5. ↑ «Soneto 121 de William Shakespeare». Consultado em 23 de abril de 2026
  6. ↑ Shakespeare, William - Sonetos completos de William Shakespeare. Tradução de José Arantes Júnior. - São Paulo: Ed. do Autor, 2007.