Soneto 59

Soneto 59

If there be nothing new, but that which is
Hath been before, how are our brains beguil'd,
Which labouring for invention bear amiss
The second burthen of a former child.
Oh that record could with a backward look,
Even of five hundred courses of the sun,
Show me your image in some antique book,
Since mind at first in character was done,
That I might see what the old world could say
To this composed wonder of your frame;
Whether we are mended, or where better they,
Or whether revolution be the same.
Oh sure I am the wits of former days,
To subjects worse have given admiring praise.[1](em inglês) Análise do soneto

–William Shakespeare

O Soneto 59 foi escrito por William Shakespeare e faz parte dos seus 154 sonetos. Compõe a série ao Belo Jovem.[nota 1]

Análise

Como a maioria dos 154 sonetos de sua série, este soneto foi composto no formato de Soneto inglês,[nota 2] com versos decassílabos em pentâmetro iâmbico[nota 3] e esquema rímico ABAB CDCD EFEF GG.

Sinopse

O poeta brinca aqui com a ideia da história como cíclica e com o provérbio "Não há nada de novo debaixo do sol". Se pudesse voltar no tempo, escreve ele, poderia ver como a beleza da amada era louvada num passado distante e, assim, julgar se o mundo progrediu, regrediu ou permaneceu o mesmo.[1]

Traduções

Na tradução de Thereza Christina Rocque da Motta:[nota 4]

Se não há novidade, senão a que havia
Antes, como se conformará nosso cérebro,
Que, ocupado em inventar, suporta
O segundo fardo de um primeiro filho!
Ó esse fato poderia, com olhar antigo,
Mesmo passados quinhentos dias,
Mostrar-me tua imagem em um velho livro,
Uma vez que a mente já conheça seu caráter!
Que eu possa ver o que o velho mundo diria
Diante da maviosa conformação de teu rosto –
Sejamos alterados, ou sejamos melhorados,
Ou mesmo que a revolução nada altere.
Ó certamente sou a sabedoria do passado,
Que homens piores cobriram de excedidos elogios.

Na tradução de Ivo Barroso:[nota 5]

Se, órfão do olhar humano e da fortuna,
Choro na solidão meu pobre estado
E o céu meu pranto inútil importuna,
Eu entro em mim a maldizer meu fado;

Sonho-me alguém mais rico de esperança,
Quero feições e amigos mais amenos,
Deste o pendor, a meta que outro alcança,
Do que mais amo contentado o menos.

Mas, se nesse pensar, que me magoa,
De ti me lembro acaso – o meu destino,
Qual cotovia na alvorada entoa
Da negra terra aos longes céus um hino.

E na riqueza desse amor que evoco,
Já minha sorte com a dos reis não troco.

Na tradução de Paulo Camelo:[nota 6]

Se não há nada novo, se é antigo,
as nossas mentes enganadas são,
porque, se criam tais, levam consigo
um fardo anterior à criação.

Se se pudesse olhar o que passou
mesmo depois de muito tempo já,
seria como um livro que rasgou,
e só na mente a informação está,

como pudesse, olhando pro passado,
a maravilha ver, toda estrutura,
as coisas melhoradas, ou foi dado
um prazo para evolução segura.

Eu certamente sou do tempo antigo;
esse elogio não vai bem comigo.

Notas

  1. ↑ A série ao Belo Jovem é composta pelos primeiros 126 sonetos, do Soneto 1 ao Soneto 126.
  2. ↑ Na série há duas exceções ao formato de soneto:
    * Soneto 99 - tem 15 versos, o que o descaracteriza como soneto;
    * Soneto 126 - tem apenas 12 versos, distribuídos em 6 dísticos.
  3. ↑ Apenas uma composição não acompanha o ritmo nem a métrica: o Soneto 145, composto por versos octossílabos em tetrâmetro iâmbico.
  4. ↑ A tradução foi construída na forma de quatorzain monostrófico, sem preocupação com métrica, ritmo ou rima.[2]
  5. ↑ O tradutor apresentou inicialmente uma tradução em dodecassílabos, alterando-o depois para versos decassílabos.[3]
  6. ↑ A tradução procurou obedecer à obra original quanto ao formato (soneto inglês), métrica (decassílabo em pentâmetro iâmbico) e rima (ABAB CDCD EFEF GG), construindo-o todo em ritmo holístico.[4]

Referências

  1. 1 2 Folger Shakespeare Library. «Sonnet 59». Shakespeare's Sonnets (em inglês). Consultado em 7 de maio de 2026
  2. ↑ Thereza Christina Rocque da Motta (tradutora), SHAKESPEARE, William. 154 Sonetos. Em Comemoração Aos 400 Anos Da 1ª Edição 1609-2009. Editora Ibis Libris, 1ª edição, 2009. ISBN 8578230264
  3. ↑ «Sobre duas versões de um soneto de Shakespeare, por Ivo Barroso». GGN. Consultado em 7 de maio de 2026
  4. ↑ «Soneto 59 de William Shakespeare». Consultado em 7 de maio de 2026

Citações bibliográficas

  • Alden, Raymond. The Sonnets of Shakespeare, with Variorum Reading and Commentary. Boston: Houghton-Mifflin, 1916.
  • Baldwin, T. W. On the Literary Genetics of Shakspeare's Sonnets. Urbana: University of Illinois Press, 1950.
  • Booth, Stephen. Shakespeare's Sonnets. New Haven: Yale University Press, 1977.
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  • Hubler, Edwin. The Sense of Shakespeare's Sonnets. Princeton: Princeton University Press, 1952.
  • Schoenfeldt, Michael (2007). The Sonnets: The Cambridge Companion to Shakespeare’s Poetry. Patrick Cheney, Cambridge University Press, Cambridge.
  • Tyler, Thomas (1989). Shakespeare’s Sonnets. London D. Nutt.
  • Vendler, Helen (1997). The Art of Shakespeare's Sonnets. Cambridge: Harvard University Press.
  • Engle, Lars (2007). William Empson and the Sonnets: A Companion to Shakespeare's Sonnets. Blackwell Limited, Malden.
  • Evans, G. Blakemore, Anthony Hecht, (1996). Shakespeare's Sonnets. Cambridge University Press, Cambridge.
  • Hammond, Paul (2002). Figuring Sex Between Men from Shakespeare to Rochester. Clarendon, New York.
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  • Kerrigan, John (1987). Shakespeare's Sonnets. Penguin, New York.
  • Knights, L. C. (1967). Shakespeare's Sonnets: Elizabethan Poetry. Paul Alpers. Oxford University Press, Oxford.
  • Lopez, Jeremy (2005). Sonnet 35. Greenwood Companion to Shakespeare. pp. 1136-1140.
  • Matz, Robert (2008). The World of Shakespeare's Sonnets: An Introduction. Jefferson, N.C., McFarland & Co..
  • Schoenfeldt, Michael (2007). The Sonnets: The Cambridge Companion to Shakespeare’s Poetry. Patrick Cheney, Cambridge University Press, Cambridge.
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