Soneto 75

Soneto 75

o are you to my thoughts as food to life,
Or as sweet-season'd showers are to the ground;
And for the peace of you I hold such strife
As 'twixt a miser and his wealth is found.
Now proud as an enjoyer, and anon
Doubting the filching age will steal his treasure;
Now counting best to be with you alone,
Then better'd that the world may see my pleasure:
Sometime all full with feasting on your sight,
And by and by clean starved for a look;
Possessing or pursuing no delight
Save what is had, or must from you be took.
Thus do I pine and surfeit day by day,
Or gluttoning on all, or all away.[1]

–William Shakespeare

Soneto 75 é um soneto componente dos 154 sonetos de William Shakespeare, pertencente ao grupo dos sonetos ao belo jovem.

Estrutura

Sinopse

O 'Soneto 75', de William Shakespeare, é um soneto que retrata a obsessão incontrolável do narrador pelo Belo Jovem.[2] O poeta retorna ao elogio da pessoa amada, um elogio que compara seu comportamento ao comportamento paranoico e extremo de um avarento. Ou ele a vê o tempo todo e se deleita com sua companhia, ou então está plenamente consciente de sua ausência. Nada parece satisfazê-lo, e ele não encontra um meio-termo. Assim, a alegria da abertura do soneto, na qual a pessoa amada é como a chuva suave que cai, transforma-se no frenesi tortuoso da paixão e do desejo insaciável, do qual, mesmo que ele o desejasse, não parece haver escapatória imediata.[1]

Traduções

A tradução de Thereza Christina Rocque da Motta, tendendo a uma tradução literal, foi construída na forma de um quatorzain monostrófico, sem obediância a métrica, ritmo ou rima.

És, para mim, como o alimento para a vida,
Ou a chuva amena para o solo no tórrido verão;
E, para teu bem-estar, me esforço
Entre a miséria e a riqueza:
Orgulhoso com o desfrute, e logo
Duvidando que a idade roube seu tesouro;
Agora espero estar apenas contigo,
Então, melhor para que o mundo me veja bem;
Por vezes, comemorando à nossa vista,
E aos poucos ansiando por um olhar;
Possuindo ou perseguindo qualquer prazer,
Exceto aquilo que se tem ou seja tirado de ti.
Assim, jejuo e sobrevivo a cada dia,
Ou a tudo devoro, o tempo todo.[3]

O poeta José Arantes Júnior construiu, na tradução, um soneto inglês com rimas condizentes, mas no aspecto métrica/ritmo, usou 36 caracteres por metro, com fonte monoespaçada, para um formato simétrico na aparência. Deu-lhe um título.

Os excessos na limitação

És para mim como seiva é para a vida
Ou como chuvas sazonais para a terra,
Por tua paz vivo em contenda renhida
E entre miséria e fortuna se encerra,

Mostro o meu orgulho e presentemente
Duvido que a idade vá roubar o valor,
Espero ficar a sós contigo fielmente
E que o mundo compreenda este louvor,

Pleno de alegria diante da tua visão
Cada vez mais isento de uma carência,
Sem querer ou perseguir outra emoção
Salvo o que vem dessa tua existência,

Eu jejuo e me satisfaço no dia a dia,
ou sou um glutão em tudo, em demasia.[4]

A forma utilizada por Paulo Camelo procurou acompanhar a forma original, um soneto inglês, com esquema rímico ABAB CDCD EFEF GG, versos decassílabos em pentâmetro iâmbico, construído com ritmo holístico.

Tu és a vida do meu pensamento,
igual à chuva que pra terra desce
e traz a paz que afaga meu tormento,
avaro de ternura e pleno em prece.

Ora orgulhoso e apreciador,
que, tal qual ladra, rouba meu tesouro,
assim, contigo busco recompor
meu mundo de prazer, moldado em ouro.

Às vezes farto, a me deliciar
dessa visão, me quedo, então, faminto
em busca de um deleite em teu olhar
e em ti procuro mais do que hoje sinto.

E assim, faminto e farto a cada hora,
ou como tudo, ou levo tudo embora.[5]

O médico escritor e tradutor Milton Lins construiu sua tradução na forma de soneto inglês em pentâmetro iâmbico em quase todos os versos[nota 1] e esquema rímico característico.

És para mim tal qual o pão e a vida,
Como estações de chuva para a terra,
E para a tua paz tens minha lida,
Que entre um pobre e seus bens o acaso enterra:

Sou um bom gozador, de vez em quando,
Na idade de roubar o teu tesouro,
Para contigo estar, eu vou ficando,
E adolescer melhor com teu desdouro:

Às vezes te pareço só enfeite,
Dentro em pouco me sinto esfomeado,
Dispondo do repasto sem deleite,
Salvo quando contigo for tomado.

Assim anseio e excedo dia a dia
A fome de glutão que me assedia.[6]

Notas

  1. ↑ O pentâmetro iâmbico não se apresenta nos versos 4, 5 e 10, que têm ritmo heroico, apenas.

Referências

  1. 1 2 «Sonnet LXXV». Shakespeare's Sonnets (em inglês). Consultado em 25 de março de 2026
  2. ↑ «Sonnet 75» (em inglês). Consultado em 25 de março de 2026
  3. ↑ «Soneto 75». Shakespeare Brasileiro. Consultado em 25 de março de 2026
  4. ↑ «Soneto 75» (PDF). Sonetos Completos de William Shakespeare. Consultado em 25 de março de 2026
  5. ↑ «Soneto 75 de William Shakespeare». Consultado em 25 de março de 2026
  6. ↑ Shakespeare, William. Sonetos de William Shakespeare / tradutor: Milton Lins. Recife: Ed. do Tradutor (impressão FacForm), 2005, ISBN 978-85-98896-04-5