Soneto 78
| Soneto 78 |
|---|
So oft have I invoked thee for my muse |
| –William Shakespeare |
Soneto 78 é um dos 154 Sonetos de Shakespeare. Assim como os numerados de 1 a 126, pertence à famosa série "Belo Jovem" de Shakespeare, de poemas dedicados a um jovem belo cuja identidade permanece desconhecida até hoje.[2]
Estrutura
O Soneto 78 foi escrito na forma de um soneto inglês com versos decassílabos com ritmo de pentâmetro iâmbico. Seu esquema de rimas, característico de um soneto inglês, é ABAB CDCD EFEF GG.
Sinopse
Neste primeiro de uma série de três sonetos em que o poeta expressa sua preocupação com o fato de outros estarem escrevendo versos que elogiam a amada, os outros poetas são apresentados como eruditos e habilidosos e, portanto, sem necessidade da amada, em contraste com o poeta que aqui fala.[1] É um dos poucos sonetos que tratam de outro poeta, geralmente conhecido como o "Poeta Rival".[2]
O poeta pressente a competição de outros poetas que também caíram sob o encanto do “belo jovem”. Mas, por ter sido o primeiro a elogiá-lo em poesia, seus versos têm a precedência. Além disso, as “doces graças” do jovem (em contraste com a obra de outros poetas) são centrais nesses sonetos.[3]
Traduções
Tradução de Thereza Christina Rocque da Motta
Tantas vezes invoco-a como minha Musa,
E encontro auxílio para meu verso
Toda vez que uso minha pena,
E por ti sua poesia é aspergida.
Teus olhos, que ensinaram os mudos a cantar,
E a pesada ignorância a planar,
Criou plumas para a sábia asa,
E deu à graça majestade em dobro.
Mesmo me orgulhando do que compilo,
Cuja influência vem e brota de ti;
Na obra alheia apenas consertas o estilo,
E as artes com teu dom são abençoadas;
Mas tu és toda a minha arte, e avanças
Tão alto quanto aprendo sobre o que nada sei.[nota 1]
Tradução de Milton Lins
Muitas vezes pedi que fosses minha musa,
Uma ajuda eficaz achei com o meu verso,
Como cada estrangeiro a minha pena usa,
Com teu encanto torna o seu cantar disperso.
Teu olhar ensinou ao tolo um tom mais alto,
O desconhecimento em cima flutuou,
Com penas aumentou as asas, deu um salto,
E a dupla majestade assim manifestou.
Porém sou orgulhoso em tudo que compilo,
Cuja influência é tua, ou vi de ti estilo,
E, com a tua graça, agraciado ser.
Mas és a minha luz e vais, com olho atento,
Tão alto como instruis o meu conhecimento.[nota 2]
Tradução de Paulo Camelo
Eu sempre te invoquei por musa minha
e te encontrei nos versos que escrevi
com todo afeto, todo amor que eu tinha,
a minha poesia impressa em ti.
Teus olhos, mudos, me ensinaram canto
e o pouco em teu saber me trouxe o voo,
como se penas fossem dadas tanto
à graça e à majestade que ficou.
Contudo, eu digo: deves te orgulhar
do que tu sabes e nasceu contigo.
Apenas aprimoras no falar
as artes que te servem por abrigo.
És toda a arte em mim, és muito mais
que o meu rude saber, e ao alto vais.[nota 3]
Tradução de José Arantes Júnior
A inteligência na ignorância
[nota 4]
Eu te invoquei para ser a minha musa
E identifiquei sintonia em meu verso,
Que a pena alheia também fez inclusa,
Todavia, a elaborar poemas dispersos;
Teus olhos ensinam até mudo a cantar
E, à ignorância, leveza da levitação,
Dá plumas as asas para tentarem voar
E dá graça até em dobro à inspiração;
Tenhas orgulho do que estou a juntar
Cuja influência nasceu caracterizada,
Em outros, o estilo precisa melhorar,
E a arte, com tua graça, é agraciada,
Enquanto o dom vem de tua fragrância
Mais aprende a minha rude ignorância.
Notas
- ↑ A tradução de Thereza Christina Motta foi feita com a construção de um quatorzain monostrófico, polimétrico, sem ritmo característico, sem esquema de rimas.[4]
- ↑ Milton Lins usou um soneto inglês com versos dodecassílabos alexandrinos (não se manteve no hexâmetro iâmbico), com rimas ABAB CDCD EFEF GG.[5]
- ↑ Em sua tradução, Paulo Camelo utilizou-se de soneto inglês, com rimas características, versos decassílabos em pentâmetro iâmbico, em construção que obedece ao ritmo holístico.[6]
- ↑ Na forma de soneto inglês, a tradução de José Arantes Júnior utiliza 36 caracteres por verso, com fonte monoespaçada, para apresentar-se com visual gráfico simétrico. Acrescentou-lhe um título.[7]
Referências
- 1 2 Folger Shakespeare Library. «Sonnet 78». Shakespeare's Sonnets (em inglês). Consultado em 27 de março de 2026
- 1 2 «Sonnet 78». Poem Analysis (em inglês). Consultado em 27 de março de 2026
- ↑ «Sonnet 78». Shakespeare’s Sonnets 78 – 90 (em inglês). Consultado em 27 de março de 2026
- ↑ «Soneto 78». Shakespeare Brasileiro. Consultado em 27 de março de 2026
- ↑ SHAKESPEARE, William - Sonetos de William Shakespeare / tradutor: Milton Lins. Recife: FacForm, 2005. ISBN 978-85-98896-04-5
- ↑ «Soneto 78 de William Shakespeare». Consultado em 27 de março de 2026
- ↑ José Arantes Júnior. «Soneto 78» (PDF). Sonetos completos de William Shakespeare. Consultado em 27 de março de 2026