Soneto 56
| Soneto 56 |
|---|
Sweet love, renew thy force; be it not said |
| –William Shakespeare |
O Soneto 56 foi escrito por William Shakespeare e faz parte dos seus 154 sonetos.
Estrutura
Formato: Soneto inglês, em versos decassílabos com ritmo de pentâmetro iâmbico, rimas em ABAB CDCD EFEF GG.
Sinopse
O Soneto 56 é intrigante devido à sua aparente colocação inadequada ao lado do Soneto 55. Nesse, a relação do poeta é estável e segura, mas neste há uma mudança repentina da confiança para uma profunda insegurança.[2] O poeta dirige-se ao espírito do amor e depois à pessoa amada, instando a que o amor seja revigorado e que a presente separação dos amantes sirva para renovar a intensidade do seu amor.[1]
Traduções
Na tradução de Thereza Christina Rocque da Motta:[nota 1]
Doce amor, sê forte; não digas que
Teu ardil seja mais bruto que teu apetite,
Que somente hoje alias e alimentas,
Depois aguçado em seu antigo poder:
Então, amor, sê tu mesma; embora hoje preenchas
A fome de teus olhos, mesmo plenos,
Amanhã novamente vejam, e não matem
O espírito do amor com perpétuo tédio.
Deixa este triste ínterim ser como o oceano
Que divide a praia, onde dois novos seres
Diariamente vêm até as margens, e, ao assistirem
Retornar o amor, mais abençoada se torna esta visão;
Ou mesmo o inverno, que, cheio de cuidado,
Faz o estio ser três vezes mais raro e ansiado.
Na tradução de Paulo Camelo:[nota 2]
Renova tua força, ó doce amor,
que não se fale de teu apetite,
ou seja comparado a teu vigor;
a tua antiga força te permite.
Assim, amor, embora tenhas fome,
e os olhos lacrimejem, sejas tu,
pois amanhã que a fome não te tome,
o espírito do amor não fique nu.
Que a tua fome seja como o mar,
que se enche e se esvazia sobre a areia;
entre os dois tempos vivas para amar,
louvando o amor que aos outros incendeia.
Inverno seja, em preocupação,
mais desejada ainda, em seu verão.
Na tradução de José Arantes Júnior[nota 3]
A carência versus a plenitude
Renova tua alma para que não se diga
Que tens mais cansaço do que apetite,
Pois ao eliminar hoje a fome inimiga
teu amanhã dirá que ela ainda existe,
Muito embora hoje exista suficiência
Do desejo até o momento de plenitude,
No amanhã existirá uma nova carência
E mesmo o amor terá nova vicissitude;
Deixa este ínterim ser como o oceano
Com partes de praia onde haja evasão,
Onde sempre se vê de modo quotidiano
O retorno do amor em abençoada visão,
Ou peça um inverso cheio de cuidados,
Para que um verão seja mais desejado.
Notas
- ↑ Tradução construída em 14 versos sem métrica, ritmo ou rimas, no formato de quatorzain.[3]
- ↑ Tradução obedecendo à forma original, um soneto inglês em versos decassílabos por pentâmetro iâmbico, rimas ABAB CDCD EFEF GG, todo produzido em ritmo holístico.[4]
- ↑ O poeta traduziu na forma de soneto inglês com rimas ABAB CDCD EFEF GG, como o original, mas não seguiu métrica nem ritmo, assumindo um formato geométrico simétrico, quando usada fonte monoespaçada. Acrescentou-lhe um título.[5]
Referências
- 1 2 «Sonnet 56». Folger Shakespeare Library (em inglês). Consultado em 3 de maio de 2026
- 1 2 (em inglês) Análise do soneto
- ↑ Thereza Christina Rocque da Motta (tradutora), SHAKESPEARE, William. 154 Sonetos. Em Comemoração Aos 400 Anos Da 1ª Edição 1609-2009. Editora Ibis Libris, 1ª edição, 2009. ISBN 8578230264
- ↑ «Soneto 56 de William Shakespeare». Consultado em 3 de maio de 2026
- ↑ «Sonetos completos de William Shakespeare» (PDF). Consultado em 3 de maio de 2026
Bibliografia sugerida
- Alden, Raymond. The Sonnets of Shakespeare, with Variorum Reading and Commentary. Boston: Houghton-Mifflin, 1916.
- Baldwin, T. W. On the Literary Genetics of Shakspeare's Sonnets. Urbana: University of Illinois Press, 1950.
- Booth, Stephen. Shakespeare's Sonnets. New Haven: Yale University Press, 1977.
- Dowden, Edward. Shakespeare's Sonnets. London, 1881.
- Hubler, Edwin. The Sense of Shakespeare's Sonnets. Princeton: Princeton University Press, 1952.
- Schoenfeldt, Michael (2007). The Sonnets: The Cambridge Companion to Shakespeare’s Poetry. Patrick Cheney, Cambridge University Press, Cambridge.
- Tyler, Thomas (1989). Shakespeare’s Sonnets. London D. Nutt.
- Vendler, Helen (1997). The Art of Shakespeare's Sonnets. Cambridge: Harvard University Press.
- Engle, Lars (2007). William Empson and the Sonnets: A Companion to Shakespeare's Sonnets. Blackwell Limited, Malden.
- Evans, G. Blakemore, Anthony Hecht, (1996). Shakespeare's Sonnets. Cambridge University Press, Cambridge.
- Hammond, Paul (2002). Figuring Sex Between Men from Shakespeare to Rochester. Clarendon, New York.
- Hubler, Edwin (1952). The Sense of Shakespeare's Sonnets. Princeton University Press, Princeton.
- Kerrigan, John (1987). Shakespeare's Sonnets. Penguin, New York.
- Knights, L. C. (1967). Shakespeare's Sonnets: Elizabethan Poetry. Paul Alpers. Oxford University Press, Oxford.
- Lopez, Jeremy (2005). Sonnet 35. Greenwood Companion to Shakespeare. pp. 1136-1140.
- Matz, Robert (2008). The World of Shakespeare's Sonnets: An Introduction. Jefferson, N.C., McFarland & Co..
- Schoenfeldt, Michael (2007). The Sonnets: The Cambridge Companion to Shakespeare’s Poetry. Patrick Cheney, Cambridge University Press, Cambridge.
- Tyler, Thomas (1989). Shakespeare’s Sonnets. London D. Nutt.
- Vendler, Helen (1997). The Art of Shakespeare's Sonnets. Cambridge: Harvard University Press.