Soneto 67
| Soneto 67 |
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Ah, wherefore with infection should he live, |
| –William Shakespeare |
Soneto 67 é um soneto da série de 154 sonetos de Shakespeare, constante da primeira parte, escrita para o Jovem rapaz.
Estrutura
Foi escrito como um soneto inglês,[4] na forma e nas rimas, usando versos decassílabos com ritmo de pentâmetro iâmbico.
Sinopse
Este é o primeiro de dois sonetos interligados, onde o poeta questiona por que o belo jovem deveria viver em uma sociedade tão corrupta, visto que sua própria presença lhe confere legitimidade. Ele conclui que a Natureza mantém o jovem vivo como uma lembrança do mundo como ele costumava ser.[1] Ele enumera as maneiras pelas quais pessoas, organizações e até mesmo a natureza se aproveitam do belo rapaz. Nada mais é tão belo e puro, contudo, ele precisa viver em um mundo onde nada é tão bom quanto se poderia esperar.[5]
Traduções
Thereza Christina Rocque da Motta, em uma tradução tendendo à literal, mostrou-a em forma de quatorzain monostrófico, sem métrica, ritmo ou rima.
Ah, onde deveria viver infecto
E com sua presença favorecer a impiedade,
Dando vantagem ao pecado,
E aliando-o à sua companhia?
Por que deveria falsificar seu retrato,
E dar aos mortos o tom de sua vívida cor?
Por que deveria a pouca beleza buscar, trôpega,
Sombras róseas, se sua cor rosada é verdadeira?
Por que ele deveria viver, agora que a natureza ruiu,
Suplicando ao sangue que suba à tona por suas veias?
Pois ela não tem outro provedor senão o dele,
E orgulhoso de muitos, vive de seu proveito,
Ó, ela o alimenta, para mostrar a riqueza
Que há muito tinha, antes de vencer o mal.[6]
Milton Lins, seguindo a forma de soneto inglês, manteve o esquema rímico ABAB CDCD EFEF GG, em versos decassílabos com ritmo de pentâmetro iâmbico[nota 1].
Por que deve viver com infecção,
E com sua presença impiedosa,
O seu pecado deve achar perdão,
E o envolver assim a grei que esposa?
Por que falso pintos lhe imita a face,
E rouba a visão morta em sua cor?
Por que a beleza pobre procurasse,
Se ele a tem verdadeira igual à flor?
Por que deve viver a Natureza
Com sangue empobrecido em veia viva?
Pois ela não tem fundo, tem tibieza,
Que a renda dos viventes torna ativa.
Ela poupa, mostrando o seu tesouro
Desde o princípio, até o atual desdouro.[7]
Paulo Camelo, procurando seguir a forma original, fez sua tradução em soneto inglês, com rimas ABAB CDCD EFEF GG, versos decassílabos em ritmo de pentâmetro iâmbico, acrescentando-lhe ritmo holístico para maior fluidez.
Por que viver de ti contaminado?
A impiedade trazes na presença?
E que vantagem traz esse pecado
ao se enredar em ti com tal sentença?
Imitaria a face essa pintura
e roubaria a falsa morte em vida?
Essa beleza pobre o que procura?
A rosa em sombra, a rosa preferida?
Agora, já falida a natureza,
existiria sangue em sua veia?
E, se tesouros tem, sem mais certeza,
orgulho deles tem, de ganhos cheia,
e os guarda pra mostrar toda a riqueza,
antes dos tempos ruins, sem farta mesa.[8]
A tradução de Daniel Jonas da Silva Coelho tem a forma de soneto inglês apresentado em monóstrofe, em versos polimétricos com rimas ABABCDCDEFEFGG.
Ah por que iria dar-se à vida infecta,
Ceder ao vil convívio profanado,
A passamanes entre gente abjecta
Pra ser no mais proveito do pecado?
Por que há-de ser pintado toscamente
E dar à pobre tinta a cor expressiva?
Por que há-de usar o belo inviamente
Sombrias rosas, se ele é rosa viva?
Pra quê viver, se, pobre, a natureza
Nem seiva já às frescas veias rende?
Ele é o seu garante de riqueza;
Penhor de muitos, dele só depende.
Oh, ela a ele o tem, só por lembrança
Do que já teve em dias de abastança.[9]
Notas
- ↑ Alguns versos fogem desse ritmo, embora permaneçam decassílabos.
Referências
- 1 2 Folger Shakespeare Library. «Sonnet 67». Shakespeare's Sonnets (em inglês). Consultado em 17 de março de 2026
- ↑ «Ah! wherefore with infection should he live (Sonnet 67)». Poets.org (em inglês). Consultado em 17 de março de 2026
- ↑ «Sonnet 67: Ah, Wherefore With Infection Should He Live». SonnetCast (em inglês). Consultado em 17 de março de 2026
- ↑ CAMPOS, Geir. Pequeno Dicionário de Arte Poética. Rio de Janeiro: Edições de Ouro, 1960.
- ↑ «Sonnet 67». Genius (em inglês). Consultado em 17 de março de 2026
- ↑ «Soneto 67». Shakespeare brasileiro. Consultado em 17 de março de 2026
- ↑ SHAKESPEARE, William - Sonetos de William Shakespeare / tradutor: Milton Lins. Recife: FacForm, 2005. ISBN 978-85-98896-04-5
- ↑ «Soneto 67 de William Shakespeare». Consultado em 17 de março de 2026
- ↑ Daniel Jonas da Silva Coelho. Uma interpretação dos sonetos de Shakespeare - Tradução e comentário. Tese especialmente elaborada para obtenção do grau de Doutor em Teoria da Literatura. - Lisboa: Universidade de Lisboa, 2024.