Soneto 147
| Soneto 147 |
|---|
My love is as a fever, longing still |
| –William Shakespeare |
Soneto 147 é um dos 154 sonetos de William Shakespeare. Faz parte da série da Dark Lady (do Soneto 127 ao Soneto 154).
Estrutura
Como quase todos os poemas dessa série, ele é um soneto inglês,[nota 1] composto por 3 quartetos e 1 dístico,[nota 2] com versos decassílabos em pentâmetro iâmbico[nota 3]
Sinopse
Neste soneto, o poeta descreve seu amor pela Dama Negra como uma doença.[1][3]
Traduções
Utilizando a forma de um quatorzain monostrófico, a tradução de Thereza Christina Rocque da Motta não se ateve a métrica, ritmo ou rima, perseguindo a literalidade.
Meu amor arde como febre, ansiando ainda
O que por muito tempo causou-me mal-estar;
Alimentando o que me mantém doente,
Para satisfazer o apetite incerto e doentio.
Minha razão, o médico do meu amor,
Zangado por sua prescrição não ser seguida,
Abandonou-me e, eu, desesperado, agora sei
Que meu desejo é a morte que a ciência pôs de lado.
Não tenho mais cura, não tenho mais razão,
Enlouquecido em eterno desassossego;
Meus pensamentos e minhas palavras são de um louco,
À parte da verdade expressa em vão;
Pois te jurei ser autêntico, e acreditei-te iluminada,
Tu, que és negra como o inferno e escura como a noite.[4]
A tradução de Paulo Camelo obedeceu à forma original, de soneto inglês, com 3 quartetos e 1 dístico, com versos decassílabos em pentâmetro iâmbico, mantendo um ritmo holístico.
Como uma febre, o meu amor anseia
esse alimento que meu mal sustenta,
haurindo tudo que lhe manda a veia,
em apetite incerto se acalenta.
A médica do amor, minha razão,
por suas prescrições fácil se irrita
e agora, em desespero, tem noção
da morte, que em desejo tanto evita.
Estou além da cura e, com razão,
meus pensamentos, num discurso louco,
em frenesi crescente tornam vão
todo o processo, me restando pouco.
Eu te vi bela,eu te encontrei brilhante;
entanto, és noite escura, em mim marcante.[5]
O tradutor Milton Lins manteve a forma de soneto inglês com esquema rímico e ritmo decassílabo, usando o pentâmetro iâmbico em quase todos os versos.
O meu amor é febre, anseio quieto
Para o que torna longo o vil pensar,
Alimenta e preserva um mal secreto,
Um apetita incerto de agradar.
Minha razão, xamã do meu amor,
Reclama a prescrição não aviada;
Em desespero agora, aprovo a dor,
Não aprova o doutor a morte instada.
Não tenho cura, agora é precaução,
Furioso e agitado, em louca pressa;
Meu pensar e falar de um louco são.
A verdade, ao acaso, é vã, e expressa;
Pensei que fosses sol, jurei que és pura;
Como o inferno, és negra; e, de noite, escura.[6]
A tradução de José Arantes Júnior obedece à estrutura de soneto inglês, com o esquema rímico original ABAB CDCD EFEF GG, mas não obedece a métrica ou ritmo, visando a uma forma plástica, com 26 caracteres por verso, que lhe dão um formato geométrico quando usada fonte monoespaçada. Acrescentou-lhe um título.
A razão e a emoção
Meu amor é como febre, anseio quente,
Que há tanto estimula a minha doença,
Alimenta-se do que preserva o doente
E um apetite instável marca presença;
A minha razão é o médico do meu amor,
Zangado se a receita não for seguida,
Deixa-me e desesperado sou enganador,
Luxúria é morte da matéria consumida;
A razão pelo cuidado está no passado
Curiosamente louca com mais agitação,
Mente e sentido estão desencontrados
Longe da verdade íntima da expressão;
A razão, com sua luminosidade diurna,
Aclara a treva e a escuridão noturna.[7]
Notas
- ↑ Duas composições suas não são estruturalmente consideradas sonetos. O Soneto 99 apresenta 15 versos, distribuídos em 1 quinteto, 2 quartetos e um dístico, enquanto o Soneto 126 compõe-se de apenas 12 versos, apresentados em 6 dísticos.
- ↑ Apesar de estruturalmente ser um soneto inglês, ele é apresentado como uma monóstrofe, podendo aí ser comparado ou denominado quatorzain.
- ↑ O Soneto 145 foi composto em versos octossílabos, em tetrâmetro iâmbico.
Referências
- 1 2 «Shakespeare's Sonnets». Sonnet 147. Folger Shakespeare Library (em inglês). Consultado em 8 de março de 2026
- ↑ «Sonnet 147: My Love Is As A Fever Longing Still». No Sweet Shakespeare (em inglês). Consultado em 8 de março de 2026
- ↑ «Sonnet 147». Shakespeare Online (em inglês). Consultado em 8 de março de 2026
- ↑ «Soneto 147». Shakespeare Brasileiro. Consultado em 8 de março de 2026
- ↑ «Soneto 147 de William Shakespeare». Recanto das Letras. Consultado em 8 de março de 2026
- ↑ SHAKESPEARE, William - Sonetos de William Shakespeare / tradutor: Milton Lins. Recife: FacForm, 2005. ISBN 978-85-98896-04-5
- ↑ «Sonetos completos de William Shakespeare» (PDF). Consultado em 8 de março de 2026