Soneto 119
| Soneto 119 |
|---|
What potions have I drunk of siren tears |
| –William Shakespeare |
Soneto 119 é um dos 154 Sonetos de Shakespeare, pertencente à série da Dama Negra.
Estrutura
Estrutura-padrão nos sonetos de Shakespeare:
- Forma poética: Soneto inglês[2][nota 1]
- Métrica: Versos decassílabos[nota 2]
- Ritmo: Pentâmetro iâmbico
- Rima: ABAB CDCD EFEF GG
Sinopse
Apesar de sentir repulsa por si mesmo por ter se submetido a tantos males durante sua infidelidade, o poeta encontra uma justificativa ao descobrir que seu amor, agora reconstruído, é mais forte do que antes.[1]
Traduções
Tradução de Thereza Christina Rocque da Motta[nota 3]
Que poções bebi das lágrimas das Sereias,
Destiladas dos troncos que queimam como o inferno,
Vertendo medos em esperanças, e esperanças, em medos,
Sempre perdendo quando eu estava a ponto de vencer?
Que males terríveis cometeu meu coração,
Enquanto se julgava jamais abençoado!
Como vagaram meus olhos fora de suas órbitas,
Ao se distraírem nessa louca febre!
Ah, o benefício da dúvida! Agora descubro ser verdade
Que o bem se aperfeiçoa com o mal;
E o amor arruinado, ao ser reconstruído,
Cresce mais belo, mais forte e se torna ainda maior.
Então, retorno, refeito, ao meu contentamento,
E ganho, por sorte, três vezes mais do que gastei!
Tradução de Paulo Camelo[nota 4]
Bebi poções dos olhos da sereia
e limões fétidos que nem o inferno,
entre esperança e medo mergulhei
assim perdendo, e pra ganhar, alterno.
Ousou cometer erro o coração,
se nunca se julgou abençoado
e viu-se distrair com tal visão
porque, febril, foi desorientado?
Então descubro que tal benefício,
ainda melhorado pelo mal,
ruína desse amor, é só o início
e vai crescer mais forte, mais normal.
Assim desconto na satisfação,
três vezes mais de ganho e de emoção.
Tradução de José Arantes Júnior[nota 5]
Tempero amargo para a felicidade
Eu tive que beber lágrimas de sereia
Destiladas nos alambiques do inferno,
Com medo e com um medo que se anseia
Perdendo tal como um vencedor eterno;
Que erros ignóbeis fez o meu coração
Enquanto a razão nunca seria prezada,
Meus olhos viam fora do tom de visão
Na distração de uma febre avantajada;
Oh, grato erro, agora vejo a verdade
O bem feito pelo erro é ainda melhor,
E dom ferido quando tem oportunidade
Torna-se bastante mais forte e maior;
Eu voltei censurado e até me diverti,
Pois na dor ganhei mais do que perdi.
Tradução de Milton Lins[nota 6]
Quanto bebi do pranto da sereia,
Em fétido alambique destilado,
Que, à falta de esperança, o medo ateia,
Perdendo ainda o que foi conquistado!
Quais erros na desgraça o coração
Teve, ao pensar em nunca ser ferido!
E quão distante em meu olhar estão
Alegres, num fervor enlouquecido!
Boa doença! Agora acho a verdade,
O melhor junto ao mal melhor se finda,
O amor é mais amor na tempestade,
Cresce depressa e forte, e mais ainda.
Repreendido assim, feliz voltei,
Ganhei três vezes mais do que gastei.
Notas
- ↑ Exceções:
- ↑ O Soneto 145 distingue-se dos outros, pois tem versos octossílabos, com ritmo de tetrâmetro iâmbico.
- ↑ Utilizando a forma de quatorzain monostrófico, a tradução procura a literalidade, sem se ater a métrica, ritmo nem rima.[3]
- ↑ Soneto inglês com versos decassílabos em pentâmetro iâmbico, ritmo holístico, rimas em ABAB CDCD EFEF GG.[4]
- ↑ Soneto inglês, com seu esquema rímico, usando formato simétrico (com fonte monoespaçada), e lhe acrescentando título.[5][6]
- ↑ Soneto inglês com esquema rímico característico em versos decassílabos em pentâmetro iâmbico.[7]
Referências
- 1 2 Folger Shakespeare Library. «Sonnet 119». Shakespeare's Sonnets (em inglês). Consultado em 22 de abril de 2026
- ↑ CAMPOS, Geir. Pequeno Dicionário de Arte Poética. Rio de Janeiro: Edições de Ouro, 1960.
- ↑ «Soneto 119». Shakespeare Brasileiro. Consultado em 22 de abril de 2026
- ↑ «Soneto 119 de William Shakespeare». Consultado em 22 de abril de 2026
- ↑ Shakespeare, William - Sonetos completos de William Shakespeare. Tradução de José Arantes Júnior. - São Paulo: Ed. do Autor, 2007.
- ↑ José Arantes Júnior. «Soneto 119» (PDF). Sonetos completos de William Shakespeare. Consultado em 22 de abril de 2026
- ↑ SHAKESPEARE, William - Sonetos de William Shakespeare / tradutor: Milton Lins. Recife: FacForm, 2005. ISBN 978-85-98896-04-5