Soneto 65
| Soneto 65 |
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Since brass, nor stone, nor earth, nor boundless sea |
| –William Shakespeare |
Soneto 65 é um soneto entre os 154 Sonetos de Shakespeare, da série pertencente ao Belo Jovem.
Estrutura
Com a estrutura de soneto inglês, com três quartetos e um dístico, foi construído com versos decassílabos e ritmo de pentâmetro iâmbico, com esquema rímico ABAB CDCD EFEF GG.
Sinopse
O poeta pergunta se pode a beleza sobreviver, diante do terrível poder do Tempo. E como pode o mais belo de todos, o amado, ser protegido dos danos do Tempo? A única proteção, conclui ele, reside nos versos de sua poesia.[2] É mais um exercício de reflexão sobre a passagem do tempo, personificado como alguém capaz de roubar a beleza, "a melhor joia do Tempo", e escondê-la em seu baú de tesouros. O poeta questiona: se nada no mundo é imortal, como pode a beleza, tão delicada e frágil, sobreviver aos séculos? O que é forte o suficiente para deter o "passo veloz" do Tempo?[3]
Traduções
Milton Lins, utilizando o formato de soneto inglês, construiu sua tradução em versos dodecassílabos alexandrinos, em ritmo misto iambo – anapesto e rimas ABAB CDCD EFEF GG, como o original.
Nem pedra e nem latão, nem terra e imenso mar,
Mas tristeza mortal trespassa seu valor,
Como um ódio tamanho ao belo desculpar,
Cuja ação é menor do que a de uma flor?
Deve o mel de um verão manter no ar suporte
Contra o destruidor assédio dos maus dias,
Quando as rochas não têm calor assim tão forte,
Nem o aço dos portões enfrenta as avarias?
Temível predição! Até quando, ai de mim!
Deve a jóia do Tempo em cofre persistir?
Ou qual forte tenaz mantém o pé assim?
E o espólio da beleza insiste em proibir?
A menos que um milagre exponha a sua luz,
Jamais. Em tinta preta[nota 1] o meu amor reluz. .[4]
Thereza Christina Rocque da Motta procurou fazer uma tradução mais literal, mantendo os 14 versos, assemelhando-se a um quatorzain monostrófico, sem preocupação com métrica, ritmo ou rima.
Se nem o bronze, a pedra, a terra, o mar infinito,
Senão a triste mortalidade que supera o seu poder,
Como pode a beleza defender-se diante da fúria,
Cuja ação não é mais firme que uma flor?
Como pode a cálida aragem de estio superar
O desastroso ataque dos exaustivos dias,
Quando sólidas montanhas não são indevassáveis,
Nem portões de aço poupam o tempo da ruína?
Ó temível pensamento! Onde se esconderá
A joia mais magnífica do gélido abraço do tempo?
Ou que mão poderosa deterá seus ágeis pés,
Ou quem proibirá a destruição de sua beleza?
Ah, ninguém, a menos que um milagre aconteça:
Que esta negra tinta possa resplandecer o meu amor.[5]
Paulo Camelo procurou seguir na forma o poema original, mantendo-se em soneto inglês com versos decassílabos e pentâmetro iâmbico, construído em ritmo holístico.
Se nem o bronze,ou pedra, ou terra, ou mar
supera seu poder, mortal beleza
é causa dessa fúria, como achar
que sua ação é mais que a natureza?
Um hálito de mel vai resistir
a tão devastador assédio de verão?
Se até robustas rochas vão cair,
portões de aço então resistirão?
Ó triste pensamento! Onde estará
guardada a jóia, se não for no cofre?
Ou quem, veloz ou forte, poderá
deter o fim do belo, se não sofre?
A menos que um milagre tenha vez,
não brilhe o negro amor assim, talvez.[6]
O tradutor José Arantes Júnior, mantendo a forma de soneto inglês e seu esquema rímico, optou por dar-lhe um aspecto plástico e apresentar a sua tradução com formato geométrico, quando utilizada fonte monoespaçada. Acrescentou-lhe um título.
A labilidade e a eternidade
[7]
Nem a pedra, nem a terra e nem o mar
e já que a morte lesa qualquer vigor
como uma beleza poderia se perpetuar
se o elo não é mais forte que a flor?
Como tirar um hálito de mel do verão
Contra o empecilho dos dias difíceis,
Quando até as rochas não têm duração
E nem portões de aço são invencíveis?
Oh, que terrível meditação! Que pena,
A melhor jóia jaz na caixa escondida?
Um pé ágil pode voltar por mão amena
E quem proíbe a beleza de ser ferida?
Ninguém, exceto o milagre a se notar:
Em tinta negra faço meu amor brilhar.
Notas
Referências
- ↑ «Sonnet 65: Since brass, nor stone, nor earth, nor boundless sea» (em inglês). Consultado em 12 de março de 2026
- 1 2 Folger Shakespeare Library. «Sonnet 65». Shakespeare’s Sonnets (em inglês). Consultado em 12 de março de 2026
- ↑ «Sonnet 65». Sonnets of Shakespeare (em inglês). Consultado em 12 de março de 2026 Texto " Summary " ignorado (ajuda)
- 1 2 SHAKESPEARE, William - Sonetos de William Shakespeare / tradutor: Milton Lins. Recife: FacForm, 2005. ISBN 978-85-98896-04-5
- ↑ «Soneto 65». Shakespeare Brasileiro. Consultado em 12 de março de 2026
- ↑ «Soneto 65 de William Shakespeare». Consultado em 12 de março de 2026
- ↑ «Soneto 65» (PDF). Sonetos completos de William Shakespeare. Consultado em 12 de março de 2026