Soneto 142
| Soneto 142 |
|---|
Love is my sin, and thy dear virtue hate, |
| –William Shakespeare |
Sonnet 142 é um soneto que faz parte dos 154 poemas que compõem os Sonetos de Shakespeare. Ele pertence à série dedicada à Dama Negra (Dark Lady).
Estrutura
O Soneto 142 é estruturalmente um soneto inglês,[4] com esquema rímico ABAB CDCD EFEF GG, composto por versos decassílabos com ritmo de pentâmetro iâmbico.
Análise
É o quarto soneto da série, que inicia no Soneto 139, onde o poeta tem um tratamento controverso e ambíguo para a senhora a quem ele se dirige, onde o coração e a razão entram constantemente em choque. Ele continua a desenvolver a ideia do soneto anterior.[5]
O tema do soneto é que sua amada deveria substituir o ódio que demonstra por ele pela piedade, uma palavra que tradicionalmente abrangia toda uma gama de ações e emoções, desde a simpatia até um simples olhar amigável, uma disposição para tolerar ou ouvir o amante, ou a permissão de um beijo, ou (raramente) relações sexuais.
Sinopse
O poeta acusa a mulher de desprezar seu amor não por virtude, mas porque está ocupada tendo relações adúlteras com outro homem.[2]
O soneto insinua que sua amada deveria substituir o ódio que demonstra por ele pela piedade, uma palavra que tradicionalmente abrangia toda uma gama de ações e emoções, desde a simpatia até um simples olhar amigável, uma disposição para tolerar ou ouvir o amante, ou a permissão de um beijo. O poeta deliberadamente se afasta da tradição petrarquiana ao acusar tanto a ela quanto a si mesmo de adultérios frequentes, e alegando que tem tanto direito ao corpo dela quanto aqueles outros homens que ela parece sempre preferir a ele. Mas conclui que, se ela demonstrar piedade por ele, isso lhe será muito útil no futuro, quando ela mesma precisar de piedade e de ter seus desejos sexuais satisfeitos.[5]
Traduções
Tradução de Thereza Christina Rocque da Motta
Distanciando-se do formato original de soneto inglês, mas mantendo os 14 versos em monóstrofe, à semelhança de um quatorzain, sem obedecer a métrica, ritmo ou rima, aproxima-se da tradução literal.
O amor é meu pecado, e o ódio, tua doce virtude,
Ódio por meu pecado, de um amor pecaminoso:
Ah, se comparares o teu estado ao meu,
E não achares seus méritos reprováveis;
Ou, se forem, não por teus lábios,
Que profanaram seus rubros ornamentos,
E selaram falsas juras de amor tanto quanto eu;
Roubando outros leitos de seu uso.
Seja dito que te amo, como amas aqueles
Que atraem teus olhos como os meus te importunam:
Planta, em teu coração, a piedade que, quando crescer,
Mereça a tua compaixão ser compadecida.
Se procuras ter aquilo que ocultas,
Pelo teu exemplo te seja negado![6]
Tradução de Milton Lins
Sua tradução, mantendo o formato de soneto inglês e o esquema rímico do poema original, optou por fazê-lo em versos dodecassílabos alexandrinos, embora não mantivesse em todos os versos o ritmo de hexâmetro iâmbico.
Em mim - prazer de amar; em ti - ódio e virtude,
Um ódio pecador e amor pecaminoso:
Compara com a minha a tua plenitude,
E nela não verás um mérito acintoso;
Até, se for o caso, além dos lábios teus,
Que profanaram mais adornos escarlates,
Falsos selos de amor, frequentes como os meus;
Leitos torpes demais, provêm dos teus biscates.
Se te amar for legal, adoras como aqueles
Que te fazem a corte, enquanto eu te aborreço:
Raiz no coração que, enquanto cresce neles,
Pode o dó merecer, o mesmo não mereço.
Se procuraste ter o mal que me escondias,
És exemplo eficaz: e tens o que querias![7]
Tradução de Paulo Camelo
Aproximando-se do original, essa tradução manteve o formato de soneto inglês, com esquema rímico ABAB CDCD EFEF GG, com versos decassílabos em ritmo de pentâmetro iâmbico, acrescentando-lhe o ritmo holístico.
O amor me peca, odeia a vã virtude,
e o meu pecado firma-se no amor.
Compara o próprio estado e não te ilude,
e assim repreensão não vais supor.
Se merecer, não sejam lábios teus
profanadores de ornamentos vãos.
São nós de amor tão falsos quanto os meus,
que as rendas roubam de outros leitos sãos.
Que amar-te seja bom, tal qual o amor
que almejas com teus olhos, mas os meus
imploram piedade e, quando for
compadecida a mim, eu tenha os teus.
Mas se te escondes, se tu buscas ter,
teu próprio exemplo deixas merecer.[8]
Tradução de José Arantes Junior
Essa tradução manteve o formato de soneto inglês e seu esquema rímico, mas optou por lhe acrescentar um título e dar um aspecto visual plástico, com os versos mantendo 36 caracteres, independentes de ritmo, o que lhe proporciona um formato visual simétrico quando se usa fonte monoespaçada.
O procurado e o ocultado
[9]
O amor é ofensa e virtude é desacato
Desacato cresceu como pecado de amor,
E, se comparado ao meu, teu artefato
Terá um mérito sem perfil reprovador;
Não serão os teus lábios emocionados
Que adulterarão os rubros ornamentos
Que seguraram falsos elos enamorados
Ou roubaram de outros os rendimentos;
Eu te amo como amas o relacionamento
Com os que se encantam por teu olhar,
O dó de teu coração tem envolvimento
Enquanto a piedade também se apiedar;
Se procuras aquilo que está ocultado
Por teu exemplo terás o que é negado.
Referências
- ↑ «Sonnet 142: Love is my sin, and thy dear virtue hate». Poetry Foundation (em inglês). Consultado em 12 de fevereiro de 2026
- 1 2 «Shakespeare's Sonnets». Sonnet 142 (em inglês). Consultado em 12 de fevereiro de 2026
- ↑ «Sonnet 142: Love Is My Sin, And Thy Dear Virtue Hate». No Sweat Shakespeare (em inglês). Consultado em 12 de fevereiro de 2026
- ↑ CAMPOS, Geir. Pequeno Dicionário de Arte Poética. Rio de Janeiro:Edições de Ouro, 1960
- 1 2 «Sonnet CXLII». Sjakespeare's Sonnets (em inglês). Consultado em 12 de fevereiro de 2026
- ↑ «Soneto 142». Shakespeare Brasileiro. Consultado em 12 de fevereiro de 2026
- ↑ SHAKESPEARE, William - Sonetos de William Shakespeare / tradutor: Milton Lins. Recife: FacForm, 2005. ISBN 978-85-98896-04-5
- ↑ Paulo Camelo. «Soneto 142 de William Shakespeare». Consultado em 12 de fevereiro de 2026
- ↑ José Arantes Junior. «Sonetos completos de William Shakespeare» (PDF). Consultado em 12 de fevereiro de 2026