Soneto 69
| Soneto 69 |
|---|
Those parts of thee that the world’s eye doth view |
| –William Shakespeare |
Soneto 69 é um soneto componente dos 154 sonetos de William Shakespeare, da série ao Belo Jovem.
Estrutura
Formato: Soneto inglês.
Rimas: ABAB CDCD EFEF GG
Métrica: Versos decassílabos
Ritmo: Pentâmetro iâmbico
Apresentação: Monóstrofe
Sinopse
O poeta diz ao jovem que, embora o mundo elogie sua beleza exterior, aqueles que observam seu ser interior (refletido em seus atos) falam dele em termos bem diferentes. Eles fundamentam suas acusações no fato de ele ter se tornado comum demais.[2]
Traduções
Tradução de Thereza Christina Rocque da Motta
Uma tradução próxima à literal, construída na forma de quatorzain monostrófico, não obedecendo aos ditames do poema original quanto a métrica, ritmo ou rima.
Estas partes que os olhos do mundo vislumbram
Nada querem que a vontade dos corações cure;
Todas as línguas (a voz das almas) te dão o que é teu,
Murmurando a verdade, mesmo dita por inimigos.
Teu semblante com elogios aparentes é coroado,
Mas essas mesmas línguas que te reconhecem
Em outros tons confundem os elogios,
Vendo mais do que os olhos veem.
Eles divisam a beleza de tua mente,
E adivinham a tua dimensão pelos teus atos;
Então, distorcem os seus pensamentos, embora vejam bem,
Emprestando às tuas belas flores um mau odor.
Mas como teu perfume não se iguala ao que mostras,
Este é o chão onde deves crescer como um ser comum[3]
Tradução de José Arantes Júnior
No formato e rimas de soneto inglês, perseguiu a forma plástica geométrica, com 36 caracteres por palavra (quanto utilizada fonte monoespaçada), acrescentando-lhe um título.
Os elogios e as críticas
As tuas virtudes que o mundo conhece
Os corações em nada poderão melhorar,
Cada língua sinceramente te enaltece
E até os adversários irão te elogiar,
Todo o teu louvor é aplauso merecido
Mas a mesma língua que te dá crédito
Noutra ênfase vê um valor confundido
Por ver mais além de um modo inédito,
Vêem dentro das mentes com seus dons
Gostam de aferir o teu ato laborioso,
Depreciam idéias julgando serem bons
E põem em tuas flores o odor rançoso,
Todavia, como o odor não te denuncia
Cresces neste solo em comum harmonia.[4]
Tradução de Paulo Camelo
Feita no formato de soneto inglês, com rimas características da forma, foi feita com versos decassílabos por pentâmetro iâmbico em um ritmo holístico.
O que de ti contempla todo o mundo
é nada que se possa corrigir,
as línguas todas falam, calam fundo,
e os elogios todos hão de vir.
Tua aparência é fonte de louvor,
mas essas vozes a louvar, porém,
em outros tons te causam muita dor,
não curtem a visão que vai além.
Contemplam a beleza em tua mente
e acusam, sem conter, tuas ações,
grosseiros no pensar, olham somente
o lado feio, misturando os tons.
Mas, porque não percebem seu perfume,
olham a flor, mas perdem-se no estrume.[5]
Tradução de Milton Lins
Na forma de soneto inglês, com seu esquema rímico característico, construída em versos decassílabos.
As partes do teu corpo, ao mundo caras,
Não têm idéias que seu peito exclua,
As línguas (vozes da alma) as fazem raras,
No inimigo só veem verdade nua.
Ao teu vulto um louvor, como é por fora,
O que fala de ti com tua língua,
Em certa altura o teu louvor adora,
Vendo mais tarde o seu olhar à míngua.
Teu olhar dá beleza à tua mente,
E os quer supões medir-te em mais façanhas;
Com pensamento duro e olhar clemente,
No belo jogam flor, e olor de entranhas:
No misturado olor não apareces,
A explicação é que tu sempre cresces. [6]
Referências
- ↑ «Sonnet 69: Those Parts Of Thee That The World's Eye Doth View». No Sweet Shakespeare (em inglês). Consultado em 19 de março de 2026
- 1 2 «Sonnet 69». Folger Shakespeare Library (em inglês). Consultado em 19 de março de 2026
- ↑ «Soneto 69». Shakespeare Brasileiro. Consultado em 19 de março de 2026
- ↑ José Arantes Júnior. «Soneto 69» (PDF). Sonetos completos de William Shakespeare. Consultado em 19 de março de 2026
- ↑ {{Citar web|url=https://camelo.recantodasletras.com.br/visualizar.php?idt=8580653%7Ctítulo=Soneto 69 de William Shakespeare|acessodata=19/3/2026
- ↑ SHAKESPEARE, William - Sonetos de William Shakespeare / tradutor: Milton Lins. Recife: FacForm, 2005. ISBN 978-85-98896-04-5