Soneto 150
| Soneto 150 |
|---|
O, from what power hast thou this powerful might |
| –William Shakespeare |
Soneto 150 é um dos 154 Sonetos de Shakespeare, pertencente à série da Dama Negra.
Estrutura
Como os outros poemas dessa série, ele apresenta a estrutura de soneto inglês,[3] com versos decassílabos com ritmo de pentâmetro iâmbico.[nota 1]
Sinopse
O poeta inicia questionando por que deveria amar o que sabe que deveria odiar e termina afirmando que esse amor pela indignidade dela deveria incentivá-la a que o amasse.[1]
Traduções
Tradução de Vasco Graça Moura
Em versos decassílabos, em pentâmetro iâmbico na maioria dos versos, esquema rímico ABAB CDCD EFEF GG do soneto inglês.
De que poder tens força tão temível,
que o coração em falha me desvia,
que me faz dar mentira no visível,
jurar que a luz não favorece o dia?
De onde tens tal fazer, de mal, agrado,
que até o refugo dos teus actos vem
em força e garantia tão dotado
que o teu pior, em mim, é sumo bem?
Quem te ensinou a pôr-me a amar-te mais,
se causa de ódio mais escuto e vejo?
Se eu amo o que detestam outros tais,
não deves detestar-me em tal cotejo.
Se na baixeza meu amor levantas,
mais valho de que tu me ames às tantas.[4]
Tradução de Milton Lins
Em versos dodecassílabos alexandrinos, com ritmo misto (anapesto - iambo e hexâmetro iâmbico), soneto inglês com esquema rímico característico.
De onde vem o poder da força que te move,
E do teu coração retira a rebeldia?
Que me leva a mentir sem que a verdade aprove,
Blasfemando que o sol não luz durante o dia?
De onde foi que tiraste o rol de coisas ruins,
Que na própria recusa às tuas tentações
Existe um tal reforço e a mão garante os fins,
Porquanto em meu pensar teus "maus" vencem teus "bons"?
Quem te ensinou fazer-me amar-te mais e mais,
Quando mais ouço e vejo a causa do odioso?
Ó, como bem adoro o que outro nunca faz,
Não deves ter com outro um feito harmonioso;
Teu desmerecimento aumenta o meu amor,
De por ti ser amado eu sou merecedor.[5]
Tradução de Paulo Camelo
Soneto inglês com versos decassílabos em pentâmetro iâmbico, ritmo holístico, rimas em ABAB CDCD EFEF GG.
Tão poderosa força, donde vem?
Acaso faz vibrar teu coração?
Vai desmentir minha visão, também,
como uma luz sem iluminação?
Por que tu és capaz de tanto mal,
se no refúgio dos teus atos tens
tamanha força a se fazer normal
que a minha mente incomodar tu vens?
Quem te ensinou a me fazer te amar,
se para te odiar sou doutrinado?
Embora eu ame, os vejo te odiar.
Talvez desejes ver-me separado.
O teu desdém me despertou amor
pois eu me sinto amando com fervor.[6]
Tradução de José Arantes Júnior
Soneto inglês, com seu esquema rímico, usando formato simétrico (com fonte monoespaçada), e lhe acrescentando título
Levantar na baixeza
De qual poder provem o teu potencial
Que torna vã minha sensível sintonia,
Faz a mentira ter um verídico visual
E até jura que luz não ilumina o dia?
De onde tiras o contraste de aflição
Em que o mais rejeitado de teus atos
Parece força ou garantia de condição
Para suplantar os meus mais sensatos?
Quem ensinou a fazer-me amar-te mais
Se o que mais ouço é causa de rancor?
E se eu amo o que detestam os demais
Não odiarias meu estado acabrunhador:
Se nesta baixeza levantas o meu amor
É bem melhor ser amado ao teu dispor.[7]
Notas
- ↑ Há 3 exceções na série:
- Soneto 99 - Não é estruturalmente um soneto, pois tem 15 versos, distribuídos em 1 quinteto, 2 quartetos e 1 dístico;
- Soneto 126 - Também não é um soneto, apresentando apenas 12 versos, distribuídos em 6 dísticos;
- Soneto 145 - Distingue-se dos outros, pois tem versos octossílabos, com ritmo de tetrâmetro iâmbico.
Referências
- 1 2 Folger Shakespeare Library. «Sonnet 150». Shakespeare's Sonnets (em inglês). Consultado em 10 de março de 2026
- ↑ «Sonnet 150» (em inglês). Consultado em 10 de março de 2026
- ↑ CAMPOS, Geir. Pequeno Dicionário de Arte Poética. Rio de Janeiro: Edições de Ouro, 1960.
- ↑ «Os sonetos completos de William Shakespeare". [tradução e notas Vasco Graça Moura]. Edição bilíngue. 1ª ed., São Paulo: Editora Landmark, 2005.». Sonnet 150. Consultado em 10 de março de 2026
- ↑ SHAKESPEARE, William - Sonetos de William Shakespeare / tradutor: Milton Lins. Recife: FacForm, 2005. ISBN 978-85-98896-04-5
- ↑ «Soneto 150 de William Shakespeare». Consultado em 10 de março de 2026
- ↑ Shakespeare, William - Sonetos completos de William Shakespeare. Tradução de José Arantes Júnior. - São Paulo: Ed. do Autor, 2007.